Nós Queremos Que Você Fique Rico
Capítulo 20: O que pensamos sobre religião e dinheiro?
O QUE PENSAMOS SOBRE RELIGIÃO E
DINHEIRO?
A resposta de Robert
Quando criança, havia duas questões sobre Deus, igreja e religião que me deixavam confuso. A primeira era a ideia de que algumas pessoas iriam para o céu e outras não, mesmo que acreditassem no mesmo Deus. Lembro-me de perguntar a meu professor da escola dominical: “Qual é a diferença entre nossa igreja e a Igreja Católica?” Tinha 8 anos, frequentava a igreja protestante da qual meus pais eram membros e tinha curiosidade quanto às diferenças. Fiquei chocado quando minha professora disse: “Bem, todos acreditamos em Jesus Cristo, mas os católicos não irão para o céu.”
Essa resposta foi um golpe para mim. Quando perguntei o motivo, ela simplesmente disse que eles não pertenciam à igreja certa.
Perturbado, e mais curioso ainda, perguntei a um colega católico se eu poderia ir à igreja com ele. Nos meses seguintes, fui a uma igreja católica e descobri que a congregação era formada de pessoas que acreditavam no mesmo Deus de minha família. Parei de frequentar a escola dominical da igreja de meus pais e perguntei a eles se eu poderia estudar sobre as diferentes religiões de meus colegas do colégio. Eles concordaram com a ideia.
Nos anos seguintes, perguntava a meus colegas à qual religião ou igreja pertenciam e se poderia participar de um culto ou cerimônia com eles. Visitei templos e igrejas luteranas, metodistas, evangélicas, budistas e xintoístas. Na pequena cidade onde cresci, não havia colegas judeus nem muçulmanos. Mais tarde, visitei sinagogas e mesquitas.
Continuo perturbado em saber por que tantas pessoas acreditam que seguem a religião “certa” e que os outros pertencem à religião “errada”. Como acredito piamente na liberdade de escolha religiosa, fico incomodado em ouvir pessoas dizerem que são os únicos que irão para o paraíso ou que são os únicos que seguem o verdadeiro Deus. Talvez essa seja a razão pela qual houve tantas guerras em nome de Deus e de religiões. Na minha opinião, a ideia de uma Guerra Santa é um paradoxo.
Fé em Deus
No Vietnã, adquiri muita fé numa força superior. Houve várias vezes em que quase morri ou vi um amigo morrer enquanto eu escapava como que por milagre.
Nos negócios, acredito piamente que se trabalhar com a melhor das intenções e cumprir minha missão, um chamado mais elevado, obterei a força de um ser supremo. Acredito que se trapacear, mentir ou não for sincero, diminuirei a força do que os índios americanos chamam de Grande Espírito. Também acredito que quanto mais me dedico a atingir os mais elevados padrões legais, éticos e morais, maior o poder do Grande Espírito em meus negócios.
O Primeiro Mandamento
Tenho um tremendo respeito ao verdadeiro Primeiro Mandamento: “Não façais ao próximo o que não desejais receber dele.” Toda vez que fico com raiva, aborrecido ou alguém faz algo errado, em vez de desforrar com meu humor, pergunto a mim mesmo: “Como gostaria que esta pessoa me tratasse agora?” Não que eu sempre saiba o que devo fazer, mas pelo menos eu tento agir corretamente. Por exemplo, tive um amigo com o qual me desentendi. Gostaria que ele me procurasse e pedisse desculpas, o que significa que sou eu quem deveria tomar a iniciativa de procurá-lo e pedir desculpas. Mas fui teimoso e não liguei para ele a fim de esclarecer o mal-entendido.
Descobrindo o seu caminho
Pessoalmente, gosto do que a religião hindu chama de dharma, que significa o caminho que o ser supremo definiu para você segundo o que você mesmo escolheu. Quando decidi ensinar e seguir uma profissão que meu coração mandou, minha vida mudou sensivelmente. Em Empreendedor Rico, meu livro sobre empreendedorismo, conto sobre minha decisão de tornar-me professor e toda a boa sorte que surgiu em meu caminho quando a coloquei em prática. Uma das bênçãos divinas de minha vida foi minha esposa, Kim, ter entrado em minha vida no momento em que decidi lecionar.
Tenho tremenda confiança em Deus, em uma força superior. Apenas questiono algumas crenças de várias religiões sobre Deus e quem é dono da chave do paraíso. Na minha opinião, nossa principal missão é tornar a vida terrena um pouco mais parecida com a vida no céu.
Uma segunda confusão
A segunda confusão em minha mente foi a respeito de Deus e do dinheiro. Ainda me lembro de uma amiga de minha mãe, uma mulher muito rica que sempre se referia ao dinheiro como algo do mal. Imaginava o motivo e pensava: “Já que ela pensa que o dinheiro é demoníaco, por que não doa todo o dinheiro à igreja que frequenta?”
Eu não sabia se era uma atitude anti-Deus querer ficar rico. Questionava também se os pobres iriam para o céu e os ricos não. Essa confusão entre Deus e o dinheiro me perseguia.
Descobri a resposta num acampamento de verão da igreja. Convidaram um jovem ministro para participar do acampamento. Ainda me lembro do dia em que ele entrou no camping. Todos os outros líderes mais velhos bufavam enquanto ele atravessava o campo com um violão a tiracolo, usando calças jeans, camiseta e botas de caubói. Deixe-me lembrá-lo de que isso aconteceu no Havaí, no início dos anos 1960, e que as únicas pessoas que se vestiam assim eram os delinquentes juvenis dos filmes. Naturalmente, as crianças gostaram dele imediatamente.
Em vez de dar sermão e dizer o que deveríamos ou não fazer, ele nos levou a cantar e dançar. Em vez de fazer com que nos sentíssemos incomodados ou culpados, ele nos ensinou a nos sentirmos bem conosco.
O ministro chefe da igreja parecia um pau-de-sebo com vestido. Costumava nos alertar com irritação sobre os possíveis pecados da carne. Então, quando esse ministro jovem e alegre chegou, a tensão entre os dois ficou clara. Durante uma de nossas noites perto da fogueira, fiz minhas costumeiras perguntas sobre dinheiro. O ministro mais velho começou com a ladainha de que o amor ao dinheiro eraa raiz de todoo mal e que era mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Sentia minha alma se encolher culpada com o desejo de tornar-me um homem rico.
O ministro da juventude tinha uma abordagem diferente em relação a Deus e ao dinheiro. No lugar do discurso inflamado contra o amor ao dinheiro, contou-nos a história do homem rico e seus três servos, conhecida como a Parábola dos Talentos, encontrada no livro de Mateus. A narrativa conta que, antes de fazer uma viagem, o homem rico deu a seus três servos algum dinheiro (talentos). A um, deu cinco talentos; a outro, dois, e ao terceiro, um talento. O que recebeu cinco talentos imediatamente negociou e transformou seus cinco talentos em dez. O que recebeu dois talentos conseguiu juntar mais dois. Já o que recebeu um único talento cavou um buraco no chão e o enterrou.
Quando o patrão voltou, disse a cada um dos servos que dobraram a quantia de talentos: “Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.”
A essa altura da parábola, o ministro disse: “Observe as palavras, ‘entra no gozo do teu senhor’. O que vocês acham que isso significa?”
Alguns se atrapalharam arriscando encontrar uma resposta, até que finalmente uma garota disse: “Nosso mestre quer que sejamos ricos. Ele fica feliz quando somos ricos, quando participamos de seu mundo de abundância?”
O ministro da juventude sorriu, mas não respondeu. Então, ele disse: “Deixe-me ler o que disse o servo que enterrou seu talento.” Abaixou o violão, abriu a Bíblia e leu a resposta do servo:
“‘Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui, tens o que é teu.’”
O ministro ergueu os olhos para ver se ainda ouvíamose disse: “Ele alegou que o senhor era um homem duro e não fez nada.”
“Quer dizer que ele culpou o patrão?”, perguntou a jovem que tentara responder antes.
O ministro sorriu novamente e leua resposta do patrão ao servo: “‘Servo mau e preguiçoso.’”
“O patrão o chamou de mau e preguiçoso?”, perguntou outro jovem ao redor da fogueira. “Por que ele não multiplicou o dinheiro? Quer dizer que ele chamou o servo de mau e preguiçoso por não multiplicar o dinheiro?”
O ministro limitou-sea sorrir e continuou a leitura: “‘Sabias que ceifo onde não semeei, e recolho onde não joeirei? Devias então entregar o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, tê-lo-ia recebido com juros. Tirai-lhe, pois, o talento e dai ao que tem os dez talentos.’”
“Então o mestre recompensou o servo que ganhou mais dinheiro?”, perguntei.
O ministro respondeu: “Foi isso o que você entendeu?”
“É o que me parece”, eu disse. “Isso quer dizer que quanto mais eu ganho, mais ganharei?”
O ministro sorriu e dedilhou o violão suavemente.
“O patrão da parábola é Deus?”, perguntou uma jovem. “E nós somos os servos?”
“Deus recompensa as pessoas ricas mais do que as pobres?”, perguntou outro garoto.
“Se Deus é o patrão, Ele recompensa os ricos e pune os pobres?”, perguntou a pessoa que estava sentada ao meu lado.
A essa altura, o ministro mais velho balançou a cabeça, imaginando aonde essa conversa chegaria. O ministro da juventude continuou dedilhando o violão, deixando os pensamentos girarem na cabeça da moçada para que cada um de nós interpretasse a mensagem da parábola. Por fim, com a fogueira estalando e a fumaça mesclando-se ao ar da noite, ele disse: “O que a parábola diz sobre as pessoas que têm dinheiro e as que não têm?”
“Que pessoas sem dinheiro são preguiçosas?”, perguntou um garoto do outro lado da fogueira. “Ou que as pessoas sem dinheiro são más?”
“Não, não é isso”, disse outro garoto. “Isso seria cruel demais. O mundo está repleto de pobres.”
“Mas o que significam as palavras ‘entra no gozo do teu senhor’? Isso não quer dizer que a riqueza traz felicidade?”
“Não, não é isso!”, gritou outro rapaz. “Meu pais dizem que os ricos não são felizes. Eles dizem que somente as pessoas pobres e boas irão para o céu. Dizem que o amor ao dinheiro é a raiz de todo o mal.”
“OK, OK”, disse o ministro, acalmando os ânimos depois do polêmico argumento. “Deixem-me terminar a leitura.” Baixou o violão novamente e terminou a leitura dizendo: “Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado.”
A fogueira estalava no silêncio. Ninguém falou nada. Os dois ministros, o jovem e o mais velho, ficaram calados.
“Isso quer dizer que o rico ficará mais rico e o pobre, cada vez mais pobre?”, perguntou uma garota.
Os dois ministros continuaram calados.
“Isso não seria justo”, disse a garota. “Deus deveria dar aos que nada têm. Deveria ser generoso com os pobres.”
“Sim, isso não é justo”, disse outra pessoa. “Estas palavras: ‘a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado’ são terríveis.”
“Isso significa que as pessoas são preguiçosas e más?”, perguntou uma voz discreta de alguém cujo rosto eu não conseguia enxergar na escuridão. “É por isso que perdem o pouco que têm?”
A conversa continuou até a fogueira se apagar. Colocando água nas brasas, o ministro da juventude disse: “Hora de ir para a cama. Todos vocês podem encontrar suas próprias respostas para essa parábola. Alguns continuarão a pensar que dinheiro não é importante, outros pensarão que os ricos são maus ou que os pobres têm melhores chances de ir para o céu. Seja qual for a conclusão a que chegarem, ela determinará o resto de suas vidas.” Embora talvez eu não entenda totalmente o significado da parábola, entendo que o patrão deu dinheiro para a pessoa que multiplicou o que recebeu inicialmente. Também deduzi que o mestre era capaz de criar do nada, ou seja, ele era criativo e a criatividade é infinita, portanto, o dinheiro é infinito – abundante. E ser criativo e ter abundância representavam o gozo do patrão. Ainda não estou certo do que significa exatamente “de quem não multiplica seus ‘talentos’, o pouco que têm lhes é tirado”, mas tenho minhas suspeitas. Seja como for, as palavras do ministro naquela noite tocaram fundo em meu coração. A conclusão que tirei naquela noite realmente afetou o resto de minha vida.
A resposta de Donald
Percebi que as pessoas com algum tipo de fé profunda parecem mais sensatas e produtivas. Elas têm um senso de propósito que não pode ser destruído e não desanimam facilmente. Sejam judeus, cristãos, budistas, muçulmanos, não importa o credo, a fé lhes dá direção e dedicação que pode desafiar a análise comercial.
Tenho alguns funcionários que guardam o dia santo do pôr do sol das sextas-feiras ao pôr do sol do sábado e, portanto, precisam sair do escritório mais cedo. São indivíduos trabalhadores e eu respeito sua dedicação e observância fiel.
Nunca acreditei que a prosperidade fosse algo ruim ou que
devêssemos fugir dela.
– Donald J. Trump
Quando viajam comigo, chego a programar o voo em meu jato para chegar a tempo de cumprirem as exigências religiosas das sextas-feiras. Eles têm suas prioridades e eu posso sacrificar algumas horas no escritório para esse fim. Sei que são dedicados e que não estão à procura de uma horinha extra de descanso.
Fui criado em uma família cristã e ensinado a respeitar as crenças dos outros. Todos nós sempre tivemos amigos de diferentes credos. E isso aprimorou nosso entendimento do mundo e das pessoas, e esse entendimento pode substituir o ódio e ser uma saída para algumas das guerras que este planeta tem de suportar.
Vivo recebendo Bíblias das pessoas; às vezes, porque elas acham que sou um professor, e outras porque pensam que preciso delas. Sei que já fui contra alguns dos ensinamentos, a saber, porque dizem que devemos “ferrar” os outros antes que eles “ferrem você”. Isso não é exatamente seguir a lição de “dar a outra face” que todos já ouviram falar, mas trata-se da natureza do ramo de negócios em que atuo.
Em muitos casos, sigo alguns preceitos de sabedoria bíblica de meu agrado, como “sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas”. Isso mantém meu autocontrole e acrescenta-me uma boa dose de inteligência.
Certamente, não sou perito no assunto, mas posso ver como as pessoas podem passar décadas estudando a Bíblia. Esse livro sagrado traz muita sabedoria, ensinamentos e um imenso conteúdo histórico a aprender. Como meu pai era amigo do Dr. Norman Vincent Peale, pude conhecer o autor e o famoso livro O Poder do Pensamento Positivo, que recomendo até hoje. (O Dr. Peale não está mais entre nós, mas sua esposa, Ruth, completou 100 anos em setembro de 2006.)
Ter fé significa acreditar em uma força acima de nós. Estou certo da existência de um poder superior. Essa ideia me dá força para perseverar em cada circunstância. É um dom imprescindível que os líderes têm. Eles sabem que não são oniscientes nem onipresentes, mas fazem o melhor que podem pelas pessoas que os cercam e tentam ao máximo ter o panorama geral em mente ao tomar decisões.
Costumo olhar para um quadro que tenho de uma galáxia, porque isso me mantém focado na pequenez de meus problemas diante dos problemas do universo. Essa imagem me dá perspectiva e, de repente, não me sinto pressionado. Mantenho-me responsável por minha família, meus funcionários, meus negócios, mas sei que, enquanto tiver fama e sucesso, haverá uma força muito superior à minha. A fé nos mantém confiantes e humildes ao mesmo tempo.
Sua resposta
O que você pensa sobre religião e dinheiro?
Como suas crenças religiosas afetam o que você sente em relação ao dinheiro?
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Você acredita que vivemos em um mundo de abundância ou de escassez?
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