Nós Queremos Que Você Fique Rico
Capítulo 15: O que você aprendeu com sua mãe?
O QUE VOCÊ APRENDEU COM SUA MÃE?
A resposta de Robert
Minha mãe era a pessoa mais amorosa que conheci. Quando criança, ficava com raiva porque ela abraçava todos os meus amigos. Eu dizia: “Mãe, pare de nos abraçar.” Hoje, gostaria que ela estivesse por perto para poder abraçá-la novamente.
Minha mãe morreu jovem, aos 48 anos. Nasceu com um coração fraco e, ainda por cima, contraiu febre reumática quando pequena, o que a enfraqueceu ainda mais. Talvez fosse por isso que ela era tão carinhosa. Apreciava cada dia de vida porque, como enfermeira graduada, ela provavelmente sabia que não viveria muito.
Minha esposa, Kim, se parece muito com minha mãe. Embora não tenham aparência semelhante, têm muito em comum em termos de personalidade. Quando vi Kim pela primeira vez, foi sua beleza estonteante que me atraiu. Ela não aceitou sair comigo por seis meses. Mas, finalmente, em nosso primeiro encontro, soube que havia conhecido a mulher de meus sonhos porque Kim tinha a mesma candura de minha mãe. Estamos juntos quase todos os dias desde aquele encontro em 1984.
Fazia parte do corpo de Fuzileiros Navais quando minha mãe morreu. Estava em Pensacola, Flórida, cursando a Escola de Aviação da Marinha, quando meu pai ligou para dizer que minha mãe havia falecido. No funeral, senti um pesar que jamais pensei ser possível. Meu pai (que, como disse, era um gigante) chorou copiosamente. Eu e meus dois irmãos tivemos de nos unir para consolá-lo, bem como uns aos outros.
Poucos anos depois, eu estava no Vietnã. Pilotei o helicóptero que levava um general dos Fuzileiros para um vilarejo onde os Estados Unidos planejavam uma defensiva contra o Vietnã do Norte (o que se transformaria no derradeiro esforço). O inimigo estava armando uma grande ofensiva por toda a DMZ (zona desmilitarizada). Deveríamos detê-los quando se dirigissem ao sul. Sabíamos que a guerra tinha acabado e que havíamos perdido.
Minha tripulação entrou no vilarejo para comprar comida e souvenires. Fiquei no helicóptero, estacionado no canto de um gramado. De repente, um grupo de jovens vietnamitas apareceu e começou a subir e descer do helicóptero. Levantei-me e tentei pedir que se afastassem falando em inglês. Obviamente, eles não entenderam e continuaram entrando e saindo da aeronave, como quaisquer garotos entre 9 e 12 anos fariam.
Temendo que os garotos fossem vietcongues, como muitos naquela área, comecei a afastar fisicamente os garotos do helicóptero, pois temia que pudessem colocar uma granada ou algum tipo de explosivo na nave. À medida que meu medo aumentava, colocava mais força para manter os garotos longe. Um deles não me deu ouvidos e, mal o retirei do helicóptero, lá estava ele de volta, brincando com as metralhadoras e outras armas.
Por fim, num rompante de raiva, peguei o menino pelos cabelos e puxei-o para fora da cabine. Em reação à minha ira, ele me chutou e mordeu meu braço. Com isso, perdi o controle, e meu treinamento de fuzileiro naval entrou em cena. Saquei a pistola, engatilhei-a, coloquei o tambor contra o ouvido do garotoe comeceia gritar com ele. De repente, nossos olhos se cruzaram e ele começou a chorar. Estava apavorado. Podia ver que estava enfurecido e enlouquecido. Eu queria atirar nele. Na minha cabeça, isso era justificável; sabia que ele era o inimigo.
Parado ali, com minha pistola contra a cabeça do garoto, olhei em seus olhos e vi sua alma. Existe um ditado entre os atiradores profissionais que diz: “Se você vai matar alguém, não olhe nos olhos dele.” Ao olhar nos olhos cheios de lágrimas daquele rapazinho, também comecei a chorar. Parei. Não puxei o gatilho. Era como se minha mãe estivesse suplicando pela vida do menino. Muito embora ela tivesse falecido alguns anos antes, conhecia sua voz e ouvi claramente: “Pare”, ela disse. “Tenho pedido a vida toda que você seja um ser humano melhor. Não lhe dei a vida para você tirar o filho de outra mãe.”
Assim, desarmei a pistola, olhei nos olhos do garoto e deixei claro que não iria matá-lo. Em vez disso, peguei uma bola de futebol que os garotos carregavam, baixei a arma e sinalizei para os outros meninos que deveriam jogar bola em vez de brincar no helicóptero.
Quando levantei voo naquela noite, com o general a bordo, passamos por um tiroteio intenso do inimigo. Não posso provar, mas tenho certeza de que aqueles garotos deram uma dica ao inimigo quanto à nossa presença. Ele era o inimigo. Naquela noite, sentei-me sozinho no convés superior do porta-aviões e refleti sobre o que acontecera naquele dia. “Será que ouvi mesmo a minha mãe?” Perguntei a mim mesmo várias vezes. Por fim, concluí que não fazia muita diferença. Finalmente, eu a ouvira. Entendi a mensagem.
Não que eu nunca mais voe; simplesmente não voarei com
armas nem fomentando violência; ao contrário, voarei com a
sabedoria de meu pai e a compaixão de minha mãe.
– Robert T. Kiyosaki
Minha mãe queria dizer que eu era um bom garoto, mas que tinha uma veia ruim. Embora sorrisse muito, em meu íntimo, eu queria era lutar. Tinha um temperamento difícil e pavio curto. Quando meus pais participaram do Peace Corps por dois anos, eu cursava o ensino médio e informei a eles que me alistaria no corpo de Fuzileiros Navais, e assim o fiz. Meus pais eram contra a guerra do Vietnã.
Aquele dia no gramado, fora do vilarejo no Vietnã, foi o momento decisivo de minha vida. No voo de volta ao porta-aviões, mesmo depois de ter levado um tiro, sabia que minha carreira como fuzileiro estava acabada. Como um grande chefe indígena, Joseph, certa vez disse: “Nunca mais vou voar na vida.” Não que eu nunca mais voe; simplesmente não voarei com armas nem fomentando violência; ao contrário, voarei com a sabedoria de meu pai e a compaixão de minha mãe.
Nos negócios, Donald e eu nos cercamos – por opção – de mulheres fortes e bem-sucedidas.
Agradeço a minhas sócias, ambas mulheres, por sua dedicação à nossa missão. Sei que o futuro de nossas novas marcas, Mulher Rica e Família Rica, está nas mãos hábeis e amorosas de Kim e Sharon.
Hoje, a empresa Pai Rico oferece educação financeira gratuita a crianças no mundo todo.
A resposta de Donald
A mãe de todos os conselhos
Minha mãe era de origem escocesa, e deu-me um sábio conselho que sempre tento seguir:
“Acredite em Deus e seja honesto consigo mesmo.”
Isso diz muito, e acho que ajuda a termos uma noção clara de identidade, mantendo sempre em mente o panorama mais amplo. Além disso, é uma ideia sucinta e fácil de lembrar. Devo ter pensado em minha mãe na primeira vez em que disse “Pense grande”. Dizem que a concisão é a alma da perspicácia, mas também é o segredo de uma boa memória.
Minha mãe adorava extravagância e gostava de assistir às procissões e cerimônias reais da Europa. Talvez meu lado mais exuberante venha dela, mesmo com sua origem escocesa e seu grande cuidado quando se tratava de tempo e dinheiro. Sempre tinha tempo para doar à caridade e aos necessitados; seus interesses eram diversos e bem equilibrados.
Quero pensar que também sou assim, e sou um doador discreto em muitos casos. Além disso, se você é famoso e faz muitas doações com alarde, saiba que o volume de pedidos de ajuda que receber — desde balões de oxigênio a bolsas de estudo, passando por férias de verão — chegará a dezenas de milhares por dia. Há muitas vantagens em ser discreto.
Meu irmão mais velho, Fred, morreu aos 42 anos. Essa perda me afetou muito e vi a tristeza que meus pais sentiram. Perder um filho nunca é fácil, não importa a idade. É sempre um choque queo afetará atéo fim da vida. Acho que percebi o quanto a vida é preciosa e me determinei a torná-la o melhor possível para mim e para as pessoas que me cercam. Esse foi um momento decisivo em minha vida.
Acredite em Deus e seja honesto consigo mesmo.
– Mary Trump
Essa é uma das razões para eu ser do jeito que sou. No fim das contas, nem sempre sou tão tranquilo, mas o ímpeto gerou bons frutos dessa perda. Senti-me mais próximo de meus pais do que nunca e responsável pelo bem-estar e alegria deles depois desse trágico acontecimento em suas vidas. Sim, foi duro para mim, mas foi muito pior para eles.
Minha mãe era uma pessoa dedicada e que praticava sua fé. Foi um grande exemplo para mim como criança e, hoje, como adulto. Era uma mulher muito forte, porém muito delicada e humilde. Deu tudo o que tinha sem reservas. Portanto, quando falo com tanto orgulho de meus pais, você pode ver que tenho motivos para tal.
O conselho de minha mãe é simples, porém sábio. Vai direto ao ponto e mantém-me focado e bem equilibrado. “Acredite em Deus e seja honesto consigo mesmo.” Melhor, impossível.
Sua resposta
O que você aprendeu com sua mãe que o ajudou a
tornar-se bem-sucedido hoje?
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(Se sua mãe não foi um modelo positivo, descreva a influência de uma mulher marcante em sua vida.)
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CAPÍTULO DEZESSEIS