O Morgado de Fafe Amoroso
Cena Xiv
PÔNCIA E D. HERMENEGILDA
PÔNCIA, batendo com o cabo da vassoira na janela de D. Hermenegilda
Ó menina, ó fidalguinha!
BERNARDO
Estava aqui à espera de vossemecê.
PÔNCIA, passando-lhe um lenço atado à ponta do cabo
Tome lá uma dúzia dos pastéis de Santa Clara.
BERNARDO, comendo um Bem-haja! Sabem que é um regalo! PÔNCIA
Pois coma, coma, minha querida menina. Olhe lá: sempre está na ideia de casar com o seu primo morgado?
BERNARDO, com a boca cheia
Agora estou! O diabo é que anda atrás de mim, que tem coisa má!
PÔNCIA
Mal empregada senhora nas unhas daquele brutamontes! A menina, se quiser casar com rapazes novos, e civilizados não lhe hão de faltar!
BERNARDO
Pois isso é o que eu quero.
PÔNCIA
A Sra. D. Hermenegilda gosta bem sei eu de quem...
BERNARDO Vá a ver se adivinhou.
PÔNCIA, com tristeza
Nem lho quero dizer!... Se soubesse que extravagante ele é!...
BERNARDO
O Bernardo?
PÔNCIA
Sim, meu anjinho do céu; o Bernardo tem perdido quanto tem a jogar. Por mais que o meu amo o tenha querido tirar do vício, não se emenda. Ai! o meu amo! isso é que é um rapaz de mão cheia. Se houver de casar, minha fidalga, escolha um marido como o Sr. Joãozinho. Andam todas as mulheres atrás dele, e ele não tenha medo. Não quer nenhuma nem que lha pesem a oiro. Ainda ontem eu lhe disse: ó Sr. Joãozinho, se a vossa Senhoria encontrasse uma menina como a fidalga da Amarante!! — Com essa casava eu — disse ele logo... Coma outro pastel, minha menina.
BERNARDO. comendo
Eles são tão bons!
PÔNCIA
E a fidalga casava com o Sr. Joãozinho, se acontecesse... sim... se, como diz lá o outro...
BERNARDO
Eu não se me dava, se o paizinho deixasse...
PÔNCIA
Pois olhe, minha senhora, não se despeça de casar com ele... A gente quando quer deveras tudo se faz... Aí vem gente...