O Morgado de Fafe Amoroso

Camilo Castelo Branco · Capítulo 72 de 75

Páginas do PDF

O Morgado de Fafe Amoroso

Cena Xii

HEITOR e MORGADO

 

MORGADO

Que estás aí a fazer tão casmurro, ó primo?

 

HEITOR

Deixa-me que estou para dar um estoiro!

 

MORGADO, à parte

Há de ser por eu lhe não casar com a filha! (Heitor ergue-se e passeia muito agitado).

 

HEITOR

Pra que vim eu à Foz! A rapariga estava tão sossegada lá em riba! Andava tão alegre a cantar lá pelos soutos, e a tratar dos perus e dos patos! Era a minha alegria vê-la a fazer a barreia com as criadas!... Ai! que eu arrebento!

 

MORGADO, à parte

Não me enganei. (Alto) Primo Heitor, eu vou-te a dizer o que sinto, e tem paciência. Eu não caso com a tua filha, porque aquela cabeça não regula bem. Tu já sabes o que aconteceu. Um homem, que casa deve olhar ao futuro, e atirar com o coração para traz das costas, quando a coisa lhe não bacoreja. A falar-te a verdade, depois que a tua filha começou a malucar, eu voltei-me para D. Vicência, e ela caiu-me no goto. Fiz-lhe dois dedos de namoro, e conheci que ela me tinha amor de dentro. Dei-lhe a minha palavra de casar com ela, e agora não tenho remedio senão leva-la à igreja.

 

HEITOR

Pois leva, e deixa-me, homem! Tu não sabes o que eu tenho!