O Morgado de Fafe Amoroso

Camilo Castelo Branco · Capítulo 64 de 75

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O Morgado de Fafe Amoroso

Cena Vii

JOÃO e BERNARDO

 

BERNARDO

Ó João, podes emprestar-me duas libras até me chegar dinheiro de casa?

 

JOÃO

Donde vens tu, que te não vejo há dois dias?

 

BERNARDO

Da espelunca. Lá comi e dormi e larguei as últimas relíquias de vinte libras.

 

JOÃO

E a respeito de Hermenegilda?

 

BERNARDO

Nem mais me lembrou a parva criatura! Aquilo não me serve, porque há de ser difícil de mover o quadrupede paternal! Mas em quanto a ela, fazes lá ideia da selvagem que ali está! Cada palavra que diz são três asneiras das que gelam o mais vulcânico amor! Deixa-a ir pro morgado, que vai para onde a destinou a natureza.

 

JOÃO

Decididamente não queres mais nada da Hermenegilda?

 

BERNARDO

Queria-lhe o chapéu que ela trouxe de Amarante para me embarcar nele para a Califórnia, em perdendo a ultima jeira do património! Dá cá as duas libras, que me foge o palpite.

JOÃO

Faz-te desarranjo vir busca-las logo? A Pôncia é que tem o dinheiro; e, se eu lho vou pedir agora, a mulher sabe que é para ires jogar, e não mo dá.

 

BERNARDO

Então volto logo. Vou à praia ver uma Felizarda de Atei que é menos bocal que Hermenegilda, e não é menos rica. Até depois. (Sai).