O Morgado de Fafe Amoroso
Cena Xiii
OS MESMOS, D. HERMENEGILDA, JOÃO e PÔNCIA
PÔNCIA, para fora
Faça como eu lhe ensinei. Veja lá!...
BERNARDO, entrando, e indo ajoelhar aos pés do pai
Sr. paizinho! Eu quero casar com o Sr. João Alvares.
HEITOR
Ingrata filha! fizeste-la boa!... Podes limpar as mãos à parede! Foi para isso que eu te trouxe a banhos do mar. Que fizeste, Hermenegilda!
BERNARDO
Eu não fiz nada! Se o paizinho me não deixa casar, vou-me botar ao mar!
JOÃO, ajoelhando ao lado dela
Sr. Heitor Falcão, os culpados são dois, devem ser duas as vítimas da sua justiça. Castigue-me a mim, e poupe a sua virtuosa filha, que está inocente.
HEITOR
Não está má a virtude! Ponham-se a prumo. Não quero cá ninguém de joelhos como nas comédias.
MORGADO, rindo muito
Eu estou pasmado do que vejo! Que manfarrico de embrulhada é esta!?
PÔNCIA
De que está a rir-se este peludo?
MORGADO, sério
Olhe que eu dou-lhe um tapa olho, sua lagarta.
PÔNCIA
Pois não deste! Venha para cá!...
HEITOR, a Hermenegilda
Com que então queres casar com este sujeito?
BERNARDO
Pois eu!...
HEITOR
Pois tu!... Ah! Velhaca, que parecias uma lorpa, e enganaste-me!... Casem, casem. Lá se avenham.
JOÃO
Permita que eu lhe beije a mão, e lhe dê o doce nome de pai.
PÔNCIA, a Hermenegilda
Vá a menina pelo outro lado, e faça o mesmo.
BERNARDO
Permita que eu lhe beije a mão, e lhe dê o doce nome de pai.
MORGADO, gargalhando
Ai! Que comedia! Isto é perdido em pouca gente!