O Morgado de Fafe Amoroso

Camilo Castelo Branco · Capítulo 74 de 75

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O Morgado de Fafe Amoroso

Cena Xiii

 

OS MESMOS, D. HERMENEGILDA, JOÃO e PÔNCIA

 

PÔNCIA, para fora

Faça como eu lhe ensinei. Veja lá!...

 

BERNARDO, entrando, e indo ajoelhar aos pés do pai

Sr. paizinho! Eu quero casar com o Sr. João Alvares.

 

HEITOR

Ingrata filha! fizeste-la boa!... Podes limpar as mãos à parede! Foi para isso que eu te trouxe a banhos do mar. Que fizeste, Hermenegilda!

 

BERNARDO

Eu não fiz nada! Se o paizinho me não deixa casar, vou-me botar ao mar!

 

JOÃO, ajoelhando ao lado dela

Sr. Heitor Falcão, os culpados são dois, devem ser duas as vítimas da sua justiça. Castigue-me a mim, e poupe a sua virtuosa filha, que está inocente.

 

HEITOR

Não está má a virtude! Ponham-se a prumo. Não quero cá ninguém de joelhos como nas comédias.

 

MORGADO, rindo muito

Eu estou pasmado do que vejo! Que manfarrico de embrulhada é esta!?

 

PÔNCIA

De que está a rir-se este peludo?

 

MORGADO, sério

Olhe que eu dou-lhe um tapa olho, sua lagarta.

 

PÔNCIA

Pois não deste! Venha para cá!...

 

HEITOR, a Hermenegilda

Com que então queres casar com este sujeito?

 

BERNARDO

Pois eu!...

 

HEITOR

Pois tu!... Ah! Velhaca, que parecias uma lorpa, e enganaste-me!... Casem, casem. Lá se avenham.

 

JOÃO

Permita que eu lhe beije a mão, e lhe dê o doce nome de pai.

 

PÔNCIA, a Hermenegilda

Vá a menina pelo outro lado, e faça o mesmo.

 

BERNARDO

Permita que eu lhe beije a mão, e lhe dê o doce nome de pai.

 

MORGADO, gargalhando

Ai! Que comedia! Isto é perdido em pouca gente!