O Morgado de Fafe Amoroso
Acto III
A decoração do primeiro acto
CENA I
D. VICÊNCIA, com a cabrinha
(Entra um criado, que lhe entrega uma carta, e sai)
D. VICÊNCIA, abrindo a carta
É do procurador. (Lendo). «Com o maior desgosto participo a v. Exa que a sua demanda foi ontem decidida na Relação, e v. Exa foi (grande sobressalto) vítima da mais manifesta iniquidade. Deram como nulo o testamento do seu marido. A lei apenas concede a v. Exa o usufruto dos bens livres, que, segundo creio, pouco valem! (Cai prostrada na cadeira). Estou pobre!... Estão vingados os meus inimigos! Venceu a estupidez! (Enxuga as lagrimas e continua a leitura:) Se v. Exa permite que eu lhe dê um conselho, ouso lembrar-lhe que o mais conveniente passo que tem a dar é entrar num convento, onde pode viver com pouco em modesta obscuridade! (Amachuca na mão a carta). Não! convento, não! Nasci para a luz! (Ergue-se de repente). Quero a luz! quero a liberdade! Hei de achar um canto do mundo debaixo do sol!»