O Primeiro de Maio

S. de Magalhães Lima · Capítulo 43 de 49

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O Primeiro de Maio

O Estado Socialista, Segundo Benoit Malon

O ESTADO SOCIALISTA, SEGUNDO

 

BENOIT MALON

 

A noção de patria encerrou-se primeiro na tribu; depois na cidade; mais tarde na provincia, e por ultimo na nação. Porque é pois, que a patria não ha de ser continental ou intercontinental (europeio-americana) e finalmente planetaria?

A philosophia antiga dizia: Dignidade, Moderação, Virtude; o Christianismo: Fé, Esperança, Caridade; o boudhismo: Vontade, Justiça, Affinidade; o XVIII seculo: Investigação, tolerancia, sensibilidade; a revolução franceza: Liberdade, egualdade, fraternidade; o socialismo utopico: Dedicação, solidariedade, harmonia; o socialismo integral terá por divisa: Justiça, fraternidade, solidariedade.

Taes serão os principios do Estado social do futuro, no conceito de Benoit Malon.

Não nos accuseis de utopista, diz elle. Possuimos o saber e a actividade; o que nos falta é a doutrina e a boa vontade. Nas federaçães europeia, americana e planetaria do futuro, estas quatro forças estarão unidas, e, pelo seu poder, constituirão a origem da felicidade e tenderão a suavisar, no interesse de todos os seres, a crueldade da situação actual.

Como politica, o socialismo aconselha: o emprego de todos os meios de lucta: a resistencia economica (grève); voto; e, sendo necessario, a{165} força, a geradora das sociedades novas, no dizer de Marx.

Tão longe não ia decerto Malon. Elle não renegou nunca o espirito revolucionario que reputava indispensavel á existencia e á disciplina dos partidos operarios. Mas estava persuadido que o convencimento e a persuasão valiam mais que a força, como elementos de propaganda e de transformação social.

Vejamos qual era a sua concepção, sobre o Estado socialista, pela socialisação dos monopolios. Mas antes d'isso fallemos rapidamente n'um outro artigo, tambem do seu programma.

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