O que é a vida?

Erwin Schrödinger · Capítulo 1 de 17

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O que é a vida?

Introdução

 

Quando eu era um j ovem estudante de m atem ática no início dos anos 50, eu não lia m uito, m as o que realm ente lia - se pelo m enos term inasse o livro - era norm alm ente de Erwin Schrödinger. Sem pre achei seu texto estim ulante, pois sem pre havia um a excitação de descoberta, com a perspectiva de ganhar algum conhecim ento genuinam ente novo sobre este m isterioso m undo em que vivem os. Nenhum de seus textos possui m ais dessa qualidade que seu curto clássico O que é vida1 que, agora percebo, deve certam ente figurar entre os m ais influentes escritos científicos deste século. Ele representa um a vigorosa tentativa de com preender alguns dos genuínos m istérios da vida, feita por um físico cuj os profundos insights tanto contribuíram para m udar o m odo com o entendem os de que é feito o m undo. O caráter transdisciplinar do livro não era com um em sua época e, ainda assim , ele é escrito com um a enternecedora, talvez ingênua, m odéstia, em um nível que o torna acessível a não especialistas e aos j ovens que aspiram a cientistas. Na verdade, m uitos dos cientistas que fizeram contribuições fundam entais à biologia, com o J. B. S. Haldane e Francis Crick, j á adm itiram ter sido fortem ente influenciados pelas (em bora nem sem pre em com pleto acordo com ) am plas ideias apresentadas aqui por este m uito original e profundam ente j udicioso físico.

Assim com o m uitos trabalhos que tiveram grande im pacto sobre o pensam ento hum ano, ele form ula questões que, um a vez com preendidas, têm algo de verdade auto evidente; apesar disso; elas perm anecem cegam ente ignoradas por um a desconcertante quantidade de pessoas que deveriam conhecê-las. Quão frequentem ente ainda ouvim os que efeitos quânticos só podem ter um a pequena relevância no estudo da biologia, ou m esm o que nos alim entam os para ganhar energia? Isso serve para enfatizar a relevância que O que í vida?, de Schroedinger, continua tendo para nós. Vale m uito a pena lê-lo!

Roger Penrose

Agosto de 1991