Percursos de um arte-educador: a arte de se constituir educador nas práticas de ensino de teatro com crianças

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Notes

 

Antes de zarpar

1. Expressão que aparece em Skliar (2010, p.154) e que se tornou

o título de minha pesquisa de pós-doutorado em Educação, com supervisão do professor Marcos Ferreira-Santos e financiamento da Fapesp. O trabalho foi publicado como livro em 2021 (Cabrera; Ferreira-Santos, 2021).

↩

 

Prólogo

1. Publicado original da dissertação no repositório da UNESP.

Disponível em:

https://repositorio.unesp.br/handle/11449/194262. Acesso em: 11/07/2021.

↩

2. Pega Teatro – Terceira edição publicado pela Urutau em 2017 e

está disponível on-line para download gratuito:

https://www.joanabizzottolopes.com/copia-ficha-tecnica, acesso em 20/08/2019. A primeira edição data de 1981, com reedição em 1989, lançadas pela Papirus.

↩

3. Marina Marcondes Machado – professora-artista, escritora e

pesquisadora das relações entre infância e teatralidades – desde 2012 é docente na graduação e na pós-graduação da Escola de Belas Artes na UFMG. Publicou inúmeros artigos que tematizam arte, infância e as relações adulto-criança em uma perspectiva fenomenológica e psicanalítica e podem ser encontrados no site:

https://agachamento.academia.edu/MarinaMarcondesMachado, acesso 11 ago. 2022.

↩

4. Para ter uma ideia da pororoca do rio Araguari, acesse o vídeo

em: www.youtube.com/watch?

v=20pbeYXg_Wk&feature=emb_logo.

↩

5. Observar a si mesmo permitindo acesso as reações somáticas

presentes na corporeidade, nas emoções e nos pensamentos expressos no campo, de forma direta e indireta na escrita do diário de campo, como também provenientes da reflexão do diário, porque as fotos, os relatos e os depoimentos desencadeiam o jogo da visão interior das experiências do pesquisador e de sua presença com os pesquisados (Fortin, 2009).

↩

6. A professora Célia Aparecida Ferreira Tolentino – socióloga e

professora livre-docente aposentada da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp de Marília – desenvolvia uma pesquisa sobre cinema e literatura e, em duas oportunidades, criou grupos de teatro na universidade, uma terceira experiência ocorreu em 2006.

↩

7. O Núcleo de Artes Cênicas do Sesi-SP, o NAC, oferece cursos

não profissionalizantes de iniciação ao teatro e vivência de processos criativos que atendem crianças, adolescentes, adultos e idosos. Para saber mais:

https://www.sesisp.org.br/cultura/nucleo-de-artes-cenicas>, acesso em 15 abr. 2020.

↩

8. Fátima Campidelli, atriz e arte-educadora, foi integrante do

grupo Ventoforte e é educadora no Sesi em Mogi Mirim, atuando com adolescentes, jovens e adultos.

↩

9. A Universidade Aberta do Brasil, criada pelo Decreto n. 5.622,

de 19 de dezembro de 2005, em conjunto com o programa Pró-Licenciatura, constitui a política de formação inicial e continuada

de professores da educação básica promovida pelo Ministério da Educação (MEC). Esse foi o modelo de organização da formação superior à distância nos moldes das universidades abertas; programas de educação a distância (EaD) que seguem um modelo inglês implantado na década de 1970 e conhecido como open university. Seus princípios se pautavam pela oferta de cursos em nível superior para grandes contingentes populacionais e, assim, promover a democratização da educação (Silva, F., 2015).

↩

10. No Plano Decenal (2015-2025) de educação do município de

Cubatão (Lei 3773/2015), na seção que apresenta um histórico das ações realizadas pontua a contratação de professores especialistas em artes para o Ensino Fundamental I, no final do decênio anterior de 2004 a 2014. Não fala precisamente o ano, e não foram encontrados nenhum documento que especifique. Segundo a professora Renata Fernandes (em entrevista realizada em 11/11/2019), professora de artes da rede desde 2010, ela lembra que atuou com crianças pequenas pela primeira vez em 2012 em uma creche, que ainda não recebia a denominação de Educação Infantil, pelo menos da rede municipal de Cubatão. Não encontrei nenhum marco regulatório oficial sobre a atuação dos especialistas em artes na Educação Infantil e Ensino Fundamental I, mas a lei nº 13.278/2016, que alterou o § 6 do art. 26 da Lei nº 9.394/1996 (LDB) fixando que o ensino de artes deve constituir as artes visuais, dança, música e teatro como linguagens no componente curricular artes. O art. 2 da lei acrescenta o prazo de cinco anos para que os sistemas de ensino implantem as mudanças decorrentes da lei, contudo, não explicita se professores das quatro áreas devem ser contratados, ou se apenas devem ser consideradas as quatro áreas independente da formação docente. Segundo a supervisão da Secretaria de Educação de Cubatão, a lei alterou os requisitos para ingresso na rede, e reforçou a necessidade dos especialistas em arte para todos os seguimentos do ensino básico.

O deputado estadual Waldeck Carneiro, PT-RJ, propôs o

projeto de lei nº 1.489/2016 que exige que os docentes em artes na educação básica sejam obrigatoriamente formados em licenciaturas em educação artística, artes visuais, dança, artes cênicas e música. Contudo, até novembro deste ano o projeto está parado aguardando entrar na pauta de votação.

↩

11. O Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) é

destinado a avaliar e a disponibilizar obras didáticas, pedagógicas e literárias, entre outros materiais de apoio à prática educativa, de forma sistemática, regular e gratuita, às escolas públicas de educação básica das redes federal, estadual, municipal e distrital e também às instituições de educação infantil comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos e conveniadas com o Poder Público. Para

saber mais: http://portal.mec.gov.br/busca-geral/318-programas-

e-acoes-1921564125/pnld-439702797/12391-pnld. Acesso em 4 maio 2020.

↩

12. É costume utilizar essa palavra para designar os fiéis das

denominações evangélicas e protestantes. Esse registro, inclusive, consta do dicionário Michaelis online, e entre os significados, está: “Que ou aquele que professa uma religião protestante ou evangélica, em particular as de apelo mais popular” (Crente, c2020).

↩

 

1 – Uma aventura no ensino de artes

cênicas

1. Em 2018, estava com aulas atribuídas em outra unidade

escolar. Os professores ingressantes na rede municipal de Cubatão não possuem sede quando iniciam a carreira. Na atribuição de aulas, nem sempre é possível permanecer na mesma escola. Em 2017 (ano de ingresso) e 2018, trabalhei na

mesma escola, mas em 2019 não consegui. Assim, a pesquisa foi realizada em outro contexto.

↩

2. Informações retiradas do portal Novo Milênio Cubatão, criado

por Carlos Pimentel Mendes como forma de oferecer um histórico sobre os núcleos de moradia da cidade. Disponível

em: http://www.novomilenio.inf.br/cubatao/bvnatal.htm. Acesso em 20 nov. 2019.

↩

3. Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo, em que os professores

e professoras de um mesmo período se reúnem para discutir pontos da rotina escolar ou para formações de cunho geral.

↩

4. Bloco Cultural é um espaço da Secretaria de Cultura do

município de Cubatão utilizado para realização de festivais de música, concursos de poesias, salão nacional de artes plásticas, mostra de teatro amador, exposições individuais e coletivas de artistas plásticos. Também ocorrem como formações da própria Secretaria de Cultura ou de outras, como da Educação. O local é ainda utilizado para formaturas e cerimônias municipais.

↩

5. Existe uma polêmica histórica com o uso da palavra “tia”, com

questões que indicariam uma diminuição do profissional. O tema foi, inclusive, abordado por Paulo Freire em Professora, sim! Tia, não!, obra que se insere no contexto do movimento de valorização das professoras “primárias” (pedagogas atuantes na educação infantil e do ensino fundamental – anos iniciais) da década de 1980, que tinha, entre outras reinvindicações, o pedido para que fossem chamadas de “professoras”. O argumento era de que com a denominação “tia” viria, por parte do poder público e dos professores do antigo “Colegial”, uma espécie de olhar de inferioridade que se alargou para a sociedade. No início, sentia-me incomodado de ser chamado de “tio”, porém, no caso das crianças com que trabalhei durante o período da pesquisa, percebi que a alcunha não me diminuía nem significava desrespeito, pelo contrário, expressava carinho

e reconhecimento. Era uma forma de estar mais próximo, de ser alguém que também tem importância no caminhar das crianças. Em algumas sociedades de tradição oral africanas ou indígenas brasileiras, o tio é o adulto responsável por preparar o sobrinho para executar tarefas de adulto que nem mesmo o pai ou avó se encarregam.

↩

6. O Role-Playing Game (RPG) surge em um quadro no qual o ato

de jogar se encontra incluído na prática cotidiana de diversas sociedades nas mais variadas faixas etárias. Difere de seus antecedentes por propor uma prática cooperativa e não competitiva entre seus participantes. Sua sigla vem do inglês e significa jogo de interpretação de papéis; foi criado nos Estados Unidos no ano 1975 e desenvolvido a partir de jogos estratégicos de guerra que simulavam batalhas em tabuleiros (Batista; Saldanha, 2009, p.702).

↩

7. Joguei Dungeons and Dragons (um tipo de RPG) por quase três

anos. Tenho, portanto, noção da maestria daquele que movimenta o jogo junto com os jogadores, respeitando suas características, mesmo que colocando estas à prova com desafios.

↩

8. Eles se recusam a misturar os grupos, sempre preferem se

dividir entre meninos e meninas. Com exceção quando solicito grupos menores, mas sempre a predominância é a separação por gênero.

↩

9. Esse conceito também foi associado aos estudos e às análises

no campo da antropologia da performance, que se origina do encontro de Turner com o dramaturgo Richard Schechner. O encontro possibilitou ao diretor de teatro torna-se antropólogo, e ao antropólogo torna-se aprendiz do teatro. O livro Dramas, campos e metáforas, de Turner, publicado originalmente em 1974 e no Brasil em 2008, deixa claras as intersecções entre teatro e antropologia.

↩

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Francisco Souza da Silva

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