Tratado das Cores

Diogo de Carvalho e Sampaio · Capítulo 63 de 71

Páginas do PDF

Tratado das Cores

Nota XIII. §. 25.

 

O , fallando do Homem, diz:

Die Welt, das grosse Buch, aus deren Thun und Wesen. Er von demselben kann auf allen Bla ettern lesen.

Vesuv.

NOTA XIIII. §. 27 .

 

Quanto mais obliquamente cahem os rayos da luz sobre a superficie de algum meyo, tanto mais forte, e mayor he a sua refracçaõ. Daqui vem que a Luz de Sol entrando obliquamente na atmosphera da terra, quando aquelle luminar coincide com o horizonte, padece huma refracçaõ mais sensivel, que faz ver huma Cor, em que domina o Vermelho, a qual se desvanece à proporção, que o Sol se eleva sobre o horizonte, e se deminue a obliquidade da luz. Por hum similhante mechanismo se formaõ todas as mais Cores. A Azul de que se trata neste §., bem se vè, que he produsida da mera refracçaõ da Cor da Aurora.

H caracterisa admiravelmente esta decantada Cor nos

seguintes versos.

Ηυς μεν κροκοπεπλος απ᾽ Ωκεανοιο ροαων Ωρνυθ᾽, ιν

αθανατοισι φοως φεροι ηδε βροτοισιν. Iliad. liv. XIX. v. I.

O Licor alkalino phlogisticado, de que se compoem o Azul de Prussia, se prepara com o sangue dos animaes; e unindo-se ou mixturando-se com vetriolo de Marte, produz a Cor azul. Naõ he só no reyno animal, que o ferro produz este effeito. O páo do Brasil, que em agoa natural, larga huma Cor vermelha, metendo-o de infusaõ em agoa ferrea, dá huma Cor azul, como a de Anil. O Dr. S falla munto desta experiencia; e eu a fiz algumas vezes

analysando agoas mineraes. A affinidade destas duas Cores, Vermelho, e Azul, se prova ainda, em rasaõ inversa, do constante facto, que o Azul dos vegetaes se muda em Vermelho, por meyo dos ácidos mineraes, e vegetaes.