Visões da Morte

Gary Braver · Capítulo 1 de 10 · parte 1/3

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Visões da Morte

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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

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Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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VISÕES DA MORTE

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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VISÕES DA MORTE

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

 

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PRIMEIRA PARTE

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

 

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TRÊS ANOS ANTES

Karen Wells estava no computador atrás do balcão do pronto-socorro do

Jordan Hospital quando atendeu à cham ada de um a am bulância. Eram quase três horas da m adrugada e os param édicos estavam trazendo um

hom em não identificado de cerca de 50 anos de idade, com sinais vitais

m ínim os e possível parada cardíaca. Ela alertou as outras enferm eiras, o

m édico de plantão, o doutor Brian Kennedy e dois residentes. Eles

prepararam um cubículo vazio especialm ente equipado para pacientes

cardíacos.

Não fosse por isso, a noite até que estava tranquila – duas vítim as de

acidentes não m uito graves, um a overdose de drogas, um pé torcido, um a

idosa sendo tratada de diarreia aguda –, atípico para um a noite de sábado

na prim avera. Apenas duas sem anas antes, o lugar estava tum ultuado, com

a sala de espera lotada e pacientes de diversos graus de gravidade, de

crianças a

idosos. A enferm aria estava m uito quieta, quase

fantasm agórica. Então, a possível parada cardíaca receberia atenção

im ediata e com pleta.

Sete m inutos depois da cham ada, dois param édicos invadiram o

pronto-socorro com um hom em inconsciente em um a m aca, recebendo

reanim ação cardiorrespiratória. Levaram -no para o cubículo, e a equipe de

reanim ação transferiu-o para o leito, onde o entubaram em segundos e

ligaram seu peito à m áquina de eletrocardiogram a.

– Vam os lá, cara. Aguenta firm e! – disse o param édico, ainda

executando a reanim ação cardiorrespiratória.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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Karen aj ustou o m anguito do m edidor de pressão arterial em torno do

braço do paciente, ao m esm o tem po que outra enferm eira inseria-lhe um

cateter intravenoso.

– Merda! Pressão sistólica setenta.

– Não consigo sentir o pulso – disse Barbara, outra enferm eira.

O eletrocardiogram a m ostrava ritm o agonal – padrão lento e irregular,

geralm ente visto quando o coração está m orrendo.

– Volte pra m im , am igo! – gritou o param édico.

– Desfibrilador! – gritou o doutor Kennedy .

No m esm o instante, 4 m il volts foram descarregados no peito do

paciente. Seu corpo arqueou para cim a, m as sem recuperar o batim ento

cardíaco regular. Seguia sem pulso. Nada.

Continuaram a executar a m assagem cardíaca e a aplicar choques no

hom em até que ficou claro que j á não conseguiriam captar nele qualquer

atividade eletrom ecânica. Então, o doutor Kennedy cravou-lhe um a agulha

cardíaca com adrenalina entre a terceira e a quarta costela, diretam ente no

coração. Nenhum a resposta.

Prosseguiram com as m anobras de reanim ação, e o m édico pediu

outra inj eção intercardíaca. Karen enfiou um a segunda agulha no

ventrículo direito do coração do hom em e com prim iu até o final o êm bolo

da seringa, enviando-lhe outra dose de adrenalina.

De novo, nada. Nada de cristas e depressões na linha do ECG. Nada

de pulso. O esfigm om anôm etro j á não conseguia m edir a pressão arterial.

Respiração insignificante. Tem peratura corporal: 27,7 graus. A pele do

paciente havia adquirido o tom irregular e azulado de um m orto.

– Ele estava frio assim quando vocês o encontraram ?

– Sim .

– Estava respirando?

– É difícil dizer. A pressão sistólica estava setenta, m as ele tinha

pulso. Posso j urar.

– Bem , agora não tem m ais – disse Karen.

– Viem os aplicando a reanim ação cardiorrespiratória por todo o

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

traj eto.

– Onde vocês o encontraram ?

– Uns j ovens o avistaram no acostam ento de um a estrada perto de

White Cliffs e ligaram para o 911, e nós atendem os a cham ada.

– Havia bebida ou drogas com ele?

– Não encontram os nada. Mas ele parece ser m orador de rua.

Era um rosto com o o de dezenas de outros pacientes que ela havia

tratado ao longo dos anos, um m apa desgastado de um a vida desperdiçada: cinquenta e tantos anos, barba por fazer, pele m anchada, pupilas dilatadas,

olhos inj etados. Um rosto parecido com o de drogados e alcoólatras

crônicos. Vestia calças pretas que aparentavam ser relativam ente novas. A

cam isa havia sido rem ovida pelos param édicos e perm anecia sobre a sacola

com os seus pertences. Seus pés estavam descalços e m altratados.

Ela não achou m arcas de agulhas no braço. Entretanto, nas costas da

m ão direita havia um a picada na veia.

– Parece que ele inj etou em si m esm o.

– Ou isso, ou vinha recebendo m edicação intravenosa.

Não. Para Karen, o hom em parecia usuário de heroína. Sua pele

m acilenta lem brava couro artificial, coberta de arranhões e cortes, com o se

insetos houvessem se banqueteado com ele enquanto estava ao relento.

– Está m orto – disse Kennedy . – Hora da m orte... 3h25.

Kennedy saiu, e os outros desligaram o hom em dos m onitores.

Enquanto Karen afastava o equipam ento, m al se dava conta de com o

estava farta de ver gente m orta. Em seus dezessete anos na em ergência,

vira todo tipo de causas de m orte que podem ceifar seres hum anos –

parada cardíaca, afogam ento, violência dom éstica, tiroteio entre gangues,

overdose de drogas, facada, incêndio, acidente de carro violento –, pessoas

vivas, m as tão desfiguradas que era preciso procurar pelos m em bros para

se ter certeza de que as carcaças eram hum anas. Quando ainda estava na

casa dos 20 anos, era m uito m ais difícil m anter-se distanciada da chocante

realidade da m orte – ver os m ortos não com o seres hum anos, m as com o

corpos, apenas cascas de quem haviam sido. Ela olhava para as vítim as e pensava que, pouco tem po antes, elas estavam vivas, respirando,

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

pensando, entidades anim adas e insufladas por sej a lá o que for que define

a vida. E agora eram tecidos, órgãos e ossos em processo de decom posição.

Com o consolo, ela dizia a si m esm a que as pessoas de verdade haviam

partido, ido para um lugar m elhor, onde o sofrim ento havia term inado.

Entretanto, m esm o depois de dezessete anos de enferm agem na

em ergência, achava triste quando a vítim a era j ovem – até m esm o aquele

cara, que m orrera m uito antes da expectativa m édia de vida. Mais triste

ainda era o fato de ele não possuir um a identificação, nenhum nom e para

ela colocar na etiqueta no dedão do pé.

Ela e Barbara lim param o hom em . Colocaram os sapatos e a cam isa

na sacola de pertences e depositaram -na sobre as pernas dele.

Desconectaram os m onitores e deixaram o cateter arterial, o escalpe e a

entubação para confirm ação post m ortem de que nada do que fizeram na

em ergência causara a m orte do hom em .

Com o só um m édico pode legalm ente decretar a m orte de um

paciente, Karen saiu para verificar com o estavam os outros pacientes.

Quando voltou, o doutor Kennedy j á havia preenchido o atestado de

óbito. A hora oficial foi registrada com o ‚3h25'. Karen digitou os dados no com putador. Mais tarde, o corpo seria levado para o necrotério, onde

perm aneceria até ser identificado e autopsiado.

Karen preparou a etiqueta para pôr no dedo do pé e dirigiu-se para o

cubículo quatro, onde o desconhecido havia sido deixado na m aca. A m aca

ainda estava lá, e os tubos e fios ainda estavam ligados ao soro e aos

m onitores, m as o corpo havia desaparecido.

Karen gritou para o balcão:

– Onde está o defunto da baia quatro?

Barbara ergueu os olhos da papelada. – Hein?

– O indigente. Não está m ais lá. Alguém o rem oveu?

– Não. Do que você está falando?

Barbara j untou-se a Karen e am bas saíram pelo corredor procurando

as outras enferm eiras. Ninguém havia rem ovido o hom em . E o doutor

Kennedy disse que não havia tocado no corpo. Os serventes disseram a

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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m esm a coisa.

– Quem o teria levado?

– Você acha que alguém o levou? – Barbara perguntou.

– Bem , ele não saiu andando sozinho. Alguém o levou.

Karen correu para o balcão da recepção no saguão do pronto-socorro. A sala de espera estava vazia, e o atendente havia acabado de

voltar do banheiro e não tinha visto ninguém passar em purrando um a

m aca com um cadáver.

Karen acionou a segurança, e em segundos um guarda apareceu.

– Dem os por falta de um corpo – disse ela, explicando o que havia

acontecido.

– Quem diabo roubaria um cadáver? – perguntou o guarda.

– Isso é o que eu gostaria de saber.

Então, Karen foi até a sala da enferm agem , onde ficava o equipam ento

de vídeo de segurança. Ela digitou ‚3h20' e apertou o botão de

reprodução.

A im agem era de um a tom ada distante das baias cardíacas. Às 3h27, o

doutor Kennedy deixou o cubículo quatro. Dois m inutos depois, Barbara e

Karen tam bém saíram para ver com o estavam os pacientes nos cubículos

contíguos. Então, Karen desceu o corredor até a ilha da enferm agem para

inserir os dados do m orto no com putador. Não houve qualquer outra

atividade até o relógio digital m ostrar 3h43, quando um hom em saiu do

cubículo quatro.

Era o m orto – o desconhecido atendido por Karen, cuj a etiqueta de

identificação ela trazia no bolso –, ainda nu da cintura para cim a, ainda

descalço, com os eletrodos do ECG ainda visíveis no peito – cam baleando

pelo corredor vazio em direção à saída, sem pulso, sem batim entos

cardíacos, sem pressão arterial, sem funções vitais, declarado m orto

oficialm ente e andando por conta própria.

Karen assistiu àquilo com um grito sufocado na garganta.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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Sexta-feira, 28 de j aneiro,

tem po presente

– Pensei que eu tivesse morrido e ido para o céu.

– E foi o que aconteceu, de fato. Dois valetes sorrindo para você da

m ão de Anthony e você com pra outro. Contar não é o seu forte, né? –

disse Dam ian. – Cara, você corre uns riscos m uito doidos.

– Mas eu ganhei – Zack disse.

– Sim , por pura sorte. Pelo m enos você não vai ter de apostar a grana

da cervej a por uns tem pos.

– Eu cham aria de grana do sangue. Descobri um a clínica que paga

trinta dólares por doação.

– Você quer dizer que está vendendo seu sangue?

– Estou devendo 3.600 dólares no cartão de crédito, e eles estão

am eaçando m e processar.

– Talvez fosse m elhor você parar de j ogar por dinheiro.

Passava um pouco de um a da m anhã, e um m anto de nuvens pesadas

cobria o céu de Boston. Em bora j á estivessem em pleno inverno, a tem peratura era superior ao ponto de congelam ento e não havia neve nas

ruas. Zack Kashian andou até a sua bicicleta, acorrentada a um poste de

luz próxim o ao local em que Dam ian Santoro havia estacionado o carro. Os

dois acabavam de deixar o apartam ento de um am igo, onde um a partida de

Texas Hold’em [1] ainda estava em andam ento. Depois de quatro horas, Zack conseguira um a m ão elevada – um full house, três rainhas e dois

valetes – e saíra do j ogo com m ais de 300 dólares, que lhe perm itiram dar

a j ogatina por encerrada naquela noite.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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[1]. Variação m ais popular do pôquer. (N. da T.)

– E quanto à sua m ãe? – perguntou Dam ian.

– Ela acha que eu tenho um problem a com j ogo.

– E se recusa a apoiá-lo.

– Só que eu não tenho um problem a com j ogo. Tenho um problem a

com o fato de perder.

Atravessaram a Trem ont Street em direção à bicicleta. O apartam ento

de Zack ficava na Hem enway , do outro lado do cam pus da Northeastern

University . Com o era m uito perto, não se preocupou em colocar o

capacete, pôs apenas um gorro de lã. Soltou a bicicleta e carregou-a até o

carro de Dam ian.

– Sej a com o for, durm a um pouco – disse Dam ian.

Zack bateu no bolso do peito:

– Graças a Anthony . Ele m e vendeu m etade do Lunesta[2] dele.

[2]. Sedativo usado contra insônia. (N. da T.)

– Talvez você realm ente tenha um problem a com j ogo.

– Não estou conseguindo dorm ir por causa das m inhas dívidas, não

porque estou j ogando.

– Isso é loucura. Está tom ando em préstim os para pagar as suas

dívidas. E agora está vendendo seu sangue. Estou dizendo, cara, você

deveria largar essa j ogatina on-line. Essa parada é perigosa.

Zack estendeu-lhe a m ão.

– Obrigado, Dr. Phil. Ou será padre Dam ian?

Dam ian apertou a m ão que Zack havia estendido para ele.

– Sabe do que você precisa?

– Não, m as você vai m e dizer de qualquer j eito, não é?

– Você precisa considerar a ideia de encontrar Deus novam ente.

– Eu nunca o encontrei, para com eço de conversa.

– Pela prim eira vez, então. Não precisa ser num a igrej a. Apenas

procure um lugar em que possa encontrar a ilum inação, algum tipo de

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

conhecim ento espiritual.

– Vou pensar no assunto.

– Eu sei que não vai, m as eu gostaria que tentasse. Vou visitar um

tem plo budista no dom ingo. Você pode m e acom panhar se quiser.

Dam ian era um cristão devoto que ia a diferentes igrej as na Grande

Boston toda sem ana. Às vezes, até m esm o em locais de cultos não cristãos.

– Tenho outro com prom isso.

– Ah, sim ... com os m urm uradores de Deus.

Referia-se à Sociedade Hum anista Secular a que Zack pertencia.

– Não som os m urm uradores de Deus, cara. Não nos reunim os para

tirar sarro das religiões. Estam os planej ando um a excursão ao Museu da

Ciência para crianças carentes. Se existe um Deus, ele aprovaria isso.

Os dois tinham sido colegas de quarto quando eram calouros na

Northeastern. Apesar do fato de Zack ser um ateu convicto, eles

fizeram am izade logo de cara, unidos em parte por provocarem um ao outro

por causa de suas respectivas filosofias.

– Sej a com o for, você é m uito racionalista. Precisa de ilum inação.

– Serve o Foxwoods?

– Um cassino é a últim a coisa de que você precisa. – Dam ian deu-lhe

um abraço e foi em bora, e Zack pôs-se a pedalar para casa.

Zack nunca havia ido a um cassino. Preferia j ogos caseiros e os sites

de pôquer. Talvez além da conta. Em algum as sem anas, chegava a

acum ular trinta horas nisso, faltando a aulas e ficando acordado a noite

toda, j ogando sim ultaneam ente em várias partidas. Sim , ele ganhava

dinheiro com isso, porque entrava em j ogos de apostas baixas – m ínim o de 25 dólares para participar. Muitas vezes, ganhava, m as levava horas para

acum ular um a quantia decente. Absorto nesses sites, não era difícil vez ou

outra ele ser seduzido por um j ogo de 250 ou 500 dólares. E todas as vezes

ele tinha a intuição de que o dinheiro viria na próxim a carta, dizendo a si

m esm o que sua hora era agora. Mas este era o problem a: deixar-se inebriar

pela própria adrenalina, convencido de que bateria as probabilidades.

Diferentem ente dos j ogos cara a cara, nos j ogos on-line não se pode

estudar as expressões faciais. Em vez disso, fica-se trancado em um

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

cubículo com um a deusa caprichosa e som bria cham ada sorte e nem um

pouco de bom senso. E as dívidas com os am igos, o banco e o cartão de

crédito eram o que ele tinha com o resultado. Talvez Dam ian estivesse

certo.

Você é um sem -noção de nascença, am igo... 24 anos, prestes a

com pletar 14.

Zack olhou para o céu, desej ando que tivesse um pai a quem pudesse

recorrer para aconselhá-lo. Descartou a ideia e virou na Ruggles Street,

pensando que no dia seguinte iria ao banco de sangue do Massachusetts

General Hospital, esperando que a testagem para doenças não

denunciasse seu vício no pôquer.

Seu apartam ento ficava a apenas alguns quarteirões da Huntington

Avenue. Mas um a garoa fria com eçou a cair, congelando seu rosto. Se a

tem peratura baixasse m ais uns poucos graus, a rua ficaria coberta de gelo.

Enquanto acelerava pela avenida, sentiu o m aço de notas com eçando a

deslizar para fora do bolso. Aj eitou-o com a m ão direita, em purrando-o

para baixo. Mas isso o deixou apenas com um a m ão para controlar o

guidão sobre um a superfície irregular e escorregadia.

Em um instante que pareceu se prolongar, Zack percebeu o erro fatal.

O pneu da frente bateu na borda irregular de um buraco. No instante

seguinte – com o se estivesse em câm ara lenta –, a roda dianteira virou

para a esquerda e ele foi arrem essado por cim a do guidão, aterrissando

im piedosam ente, de cabeça, na base do sinal lum inoso para pedestres.

Em um a fração de segundo, Zack percebeu que estava, de repente,

olhando para baixo de algum ponto elevado, vendo-se contorcido ali no

m eio-fio, com a cabeça na base do poste e sua bicicleta caída de lado, a

roda da frente em um ângulo m aluco. Com um fiapo de consciência, sabia

que estava vendo as coisas de um a perspectiva im possível. E, j ustam ente

quando tentava entender o que acontecia, m ergulhou em total escuridão.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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2

Maggie Kashian estava imersa em um sono profundo quando o telefone

tocou.

Ela despertou sobressaltada. No relógio digital brilhava a hora: 3h28.

Seu peito foi tom ado pelo pânico. Nenhum a cham ada depois da m eia-

noite era boa coisa. Não desde aquela noite, treze anos antes, quando fora

inform ada de que seu filho prim ogênito, Jake, havia sido assassinado por

dois brutam ontes hom ofóbicos.

Por favor, faça com que sej a um a ligação para o núm ero errado, ela

im plorou para a escuridão enquanto pegava o telefone.

– Senhora Kashian?

– Sim ?

– É a m ãe de Zachary Kashian?

Ela sentiu um picador de gelo perfurar seu coração.

– Sim .

– Aqui quem fala é Ky le Kerr. Sou m édico residente no centro de

em ergência do Beth Israel Deaconess Medical Center. Seu filho Zachary

está aqui. Infelizm ente, ele sofreu um acidente de bicicleta e está na nossa

unidade de terapia intensiva.

– Oh, Deus, não!

– A boa notícia é que ele está vivo e respirando. Mas sofreu um

traum atism o na cabeça. Está inconsciente. Há alguém aí que possa trazê-

la para o hospital?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Ele vai ficar bem ?

– Neste estágio, ainda não sabem os. Mas, se alguém trouxesse a

senhora até aqui, seria bom . Se não tiver alguém , podem os pedir que a

polícia local a busque.

– Seu estado é grave?

– Ele sofreu um a concussão e houve um sangram ento subdural, que

estam os tratando.

– Não, Deus... Isso não está acontecendo.

– Sinto m uito por estar ligando para lhe dar essa notícia... A senhora

pode conseguir alguém para trazê-la aqui?

Ela tentou se concentrar na questão. A única vizinha com quem tinha

intim idade era Ginny Steves, que estava passando o fim de sem ana fora.

– Não.

– Então, vam os cham ar a polícia de Carleton.

Ela concordou e desligou. Mal conseguindo m anter o controle,

telefonou para sua irm ã, Kate, que vivia no sul de Boston, para encontrá-la

no hospital. Vestiu-se, e em poucos m inutos um a viatura de Carleton

apareceu diante da casa.

Maggie percebia apenas vagam ente o traj eto que ia percorrendo –

sentada em estado de choque na parte traseira da viatura, luzes piscando,

sirene desligada, nenhum a conversa com o policial atrás do volante –, com a m ente congelada pelo m edo.

Vinte m inutos depois, o carro parou na entrada da em ergência. O

oficial a escoltou até o balcão da recepção. Em questão de instantes, o

m édico residente, doutor Kerr, apareceu.

– Com o ele está? – Maggie perguntou.

– A boa notícia é que não há ossos quebrados, nem danos à coluna

vertebral ou hem orragias internas – respondeu o m édico. – Garantim os

sua respiração e estabilizam os a pressão arterial. Mas ele sofreu um

traum atism o no lobo parietal – e o m édico colocou a m ão no lado

esquerdo da própria coroa craniana. – Com o a tom ografia

com putadorizada m ostrou hem orragia intracraniana, foi realizado um

procedim ento para baixar a pressão.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Um procedim ento?

– Fizem os um orifício em seu crânio para aliviar o hem atom a subdural

– o doutor Kerr prosseguiu, m as Maggie quase desm aiou im aginando o

crânio do filho sendo perfurado pelos m édicos. – Im plantam os um

parafuso de pressão para controlar o inchaço. É um procedim ento norm al

para esse tipo de lesão. Tam bém o estam os hiperventilando para m anter a

pressão sanguínea aum entada.

– Ele terá danos cerebrais? – Ela m al conseguiu articular as palavras.

– Neste estágio, é difícil dizer. Mas ele é j ovem e saudável, e isso

conta a seu favor. Entretanto, não podem os ter um a avaliação com pleta da

lesão cerebral até o inchaço desaparecer. Ele está em com a induzido para

dim inuir a atividade cerebral. E irem os m onitorá-lo intensam ente para

garantir que não haj a m ais inchaço.

Enquanto falavam , a irm ã de Maggie, Kate, chegou. Elas se

abraçaram , e Maggie contou a ela o que o m édico havia dito.

– Eu quero vê-lo – disse Maggie. – Eu quero vê-lo.

– Claro.

– Com o aconteceu? – Kate perguntou, enquanto cam inhavam pelo

corredor.

Um policial de Boston respondeu:

– Estava voltando para casa de bicicleta e passou por um buraco na

esquina da Huntington Avenue.

– Estava a m enos de um quarteirão de casa.

O policial assentiu com a cabeça tristem ente:

– Não há gelo ou neve nas ruas, m as nesta época do ano elas ficam

em péssim as condições.

Foram conduzidos à UTI e passaram por alguns leitos até chegarem a

um cubículo. Quando afastaram a cortina, Maggie quase desm aiou

horrorizada. Zack estava deitado na cam a, com o rosto enfaixado e tubos e

fios ligados aos pulsos, ao pescoço e ao crânio, conectados a m onitores

bipantes. Havia soro com m edicação intravenosa pendurado acim a dele e um tubo de cateter descia-lhe pela perna até o outro lado da cam a. Seus

olhos fechados estavam inchados e descoloridos, e ele respirava por um

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

aparelho ligado a um tubo endotraqueal. Seu braço direito tam bém estava

enfaixado em consequência da queda. Por um instante, Maggie não

conseguiu processar a inform ação de que aquele era seu filho, e não um

infeliz desconhecido. Então, ela desm oronou.

Um a enferm eira veio e colocou um a cadeira ao lado do leito para

Maggie. Quando foi capaz de se recom por, pousou a m ão no braço de

Zack.

– Zack, é a m am ãe. Estou aqui, querido. Vai dar tudo certo.

– A boa notícia é que ele perm anece estável agora – disse a enferm eira

– e seus sinais vitais são fortes.

Maggie assentiu. Então, gem eu para si m esm a:

– Eu não posso perdê-lo.

– E não vai – disse Kate.

– Zack, você vai ficar bem . Vai acordar em breve. – Ao dizer isso,

Maggie teve um flash de um a ocasião em que ela estava levando Zack para

a escola prim ária.

Por favor, não m e deixe perdê-lo, tam bém .

Treze anos antes, o irm ão m ais velho de Zack, Jake, foi largado para

m orrer num a poça de seu próprio sangue, o rosto reduzido a um a m assa

disform e. Tinha ido a um clube de Cam bridge, frequentado por gay s, e foi

atacado em um estacionam ento escuro por dois brutam ontes cham ados

Volker e Gretch, que estavam entorpecidos de cervej a e m aconha.

Aparentem ente, um dos hom ens lhe gritara insultos, que Jake ouviu e

respondeu gritando de volta ‚Vá para o inferno, idiota!' Então, os dois

partiram para cim a dele. Com o as únicas testem unhas foram um a prim a

de um dos assassinos e seus am igos, todos m entiram , alegando que os dois

estavam em outro lugar. Um advogado habilidoso conseguiu descartar

análises de DNA, alegando que eram defeituosas. Após a absolvição, um

dos assassinos disse que a j ustiça tinha sido feita, acrescentando que a

m orte de Jake era um a pena, m as podia ter salvado algum garotinho de

assédio sexual.

A m orte de Jake praticam ente tinha levado tam bém o m arido de

Maggie, Nick, que entrou em depressão profunda. No final, ele disse que

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

não poderia continuar levando a vida norm alm ente e renunciou ao m undo,

j untando-se a um a ordem de m onges beneditinos, no outro extrem o do

Estado. Eles se divorciaram e, ao fazê-lo, Nick deixou um vazio na vida do j ovem Zack e Maggie cheia de tristeza e am argura. Fazia três anos que

Nick m orrera por causa de um a parada cardíaca e fora crem ado.

Volker e Gretch.

Mesm o depois de todos aqueles anos, até as sílabas dos nom es dos

assassinos reviravam o estôm ago de Maggie.

Durante cerca de vinte m inutos, ela e Kate perm aneceram sentadas

j unto à cam a de Zack, em silêncio. Então, Maggie disse:

– Eu nem sei m ais dele. Desde que Nick m orreu, Zack m al fala

com igo. É com o um estranho, com o se fosse o filho de outra pessoa.

– Está por conta própria agora – disse Kate. – Ele está na faculdade,

m ora na cidade. Os filhos fazem isso. Crescem e vão viver suas vidas.

Acontece a todos os pais.

– É m esm o? Ele só m e contou sem anas depois que ele e Am anda

haviam se separado. Eu sou a últim a pessoa a saber o que está

acontecendo em sua vida. Às vezes, sinto-m e com o alguém que não tem

filhos.

– O que ele fazia andando de bicicleta no m eio da noite, afinal?

– Estava j ogando cartas na casa de um am igo. – Então, acrescentou: –

Ele tem um problem a com j ogo. – Assim que as palavras foram

pronunciadas, ela desej ou não tê-las dito.

Kate olhou para ela com desânim o:

– Tem ?

– Está com dívidas. Não sei quanto ele deve, m as está tentando livrar-

se delas j ogando.

– Com o você sabe disso?

– Contas e avisos de falta de fundos no banco costum avam chegar em

casa até que falei com ele. – Ela balançou a cabeça. – Sou um a péssim a

m ãe.

– Não, não é. E você não é responsável pelos problem as financeiros

dele.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Gostaria de acreditar em Deus para que pudesse orar. Realm ente

gostaria.

Ao pé da cam a, ela viu a m ochila de Zack com seu laptop dentro. Ele

o levava aonde quer que fosse, porque tinha um prazo para concluir sua

dissertação de m estrado. O tem a era a influência da teoria darwiniana

sobre Frankenstein, de Mary Shelley . Conform e havia explicado, estava

usando o argum ento central de um dos prim eiros ensaios de Darwin, de

que a vingança é o instinto hum ano m ais forte, e aplicando isso para

entender as m otivações dos personagens do rom ance. Seu principal

argum ento era de que a vingança tinha levado Victor Frankenstein a criar

vida artificialm ente, na esperança de derrotar a m orte.

Maggie olhou para a m ochila, lem brando-se de quanto ele se dedicara

ao trabalho. Então, recom eçou a chorar. Kate colocou o braço em torno

dela.

– Ele vai se recuperar.

Os olhos de Maggie vagaram pelos m onitores, detendo-se no traço

laranj a do m onitor cardíaco do filho. Enquanto se fixava nele, fez um a

prece silenciosa, desej ando que houvesse restado força suficiente naquele

coração.

– A últim a vez em que estive aqui foi quando ele nasceu. Vinte e

quatro anos atrás... 6 de j unho, 19h11. Ainda m e lem bro de quando o

entregaram para m im .

– Claro que lem bra – disse Kate.

Zack tinha nascido um a sem ana m ais cedo, enquanto Kate e seu

m arido, Bob, estavam na Califórnia a negócios.

– Você sabia que ele nasceu com um a coifa?

– Um a coifa?

– Parte do saco am niótico havia coberto a sua cabeça. A enferm eira se

assustou. Acho que era novata e não tinha visto aquilo antes. O m édico

rasgou o saco e rem oveu-o de seu rosto. Mais tarde, disse-m e que em

tem pos antigos um a coifa era um sinal de que o bebê teria poderes

m ísticos.

– Nunca soube disso.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Outros acreditavam que era um sinal de que a criança, ao crescer,

seria um dem ônio.

– E, com o a m aioria das lendas, é apenas isso, um a lenda sem sentido.

– Suponho que sim , m as desej ava não ter ouvido isso. – Ela olhou

para Zack. – Talvez sej a algum tipo de m aldição ou algo assim .

Continuar: parte 2 de 3