Visões da Morte
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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
– Não fale besteira – disse Anthony , enquanto a auxiliar de
enferm agem olhava pasm a para Zack. – Não é nada disso.
Dam ian balançou a cabeça concordando e calou-se.
Com voz trêm ula, Maggie continuava a im plorar a Zack para que
acordasse, m as depois de vários m inutos ele caiu no silêncio novam ente.
E a angústia tom ou sua alm a quando a boca de Zack calou e seus
olhos pararam de se m over, e ele m ergulhou em um sono profundo.
Em bora não houvesse alterações em seu estado, a enferm eira disse
que era um bom sinal ele ter tentado falar, tentado despertar. Poderia
acontecer em outro m om ento.
Ela e a auxiliar substituíram seu soro e verificaram os m onitores.
Então, os outros retom aram a vigília em torno de Zack em seu com a,
enquanto a resignação caía sobre eles com o neve.
– Alarm e falso – disse a enferm eira, e saiu do quarto.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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8
Nada de alarme falso. Ele podia ouvir vozes.
Seu prim eiro pensam ento foi o de que era um sonho. Que ele estava
na cam a, em seu apartam ento, e pessoas sem rosto estavam em seu quarto
dizendo-lhe que era hora de se levantar e ir para a aula, de trabalhar em sua dissertação – seu prazo estava term inando –, de conseguir um
em prego, de parar de j ogar...
Vozes. Muitas. Algum as, ele reconhecia. Sua m ãe. Tia Kate. Anthony .
Dam ian. Geoff. Beth Howard, sua enferm eira. E tam bém vozes que ele
não reconhecia, dizendo coisas estúpidas com o ‚m exa os dedos dos pés',
‚aperte m inha m ão' e ‚abra os olhos'. Ele tentava dizer que estava preso
em um sonho tolo, que acordaria logo e retom aria suas atividades.
Mas, com o em todos os sonhos, não tinha controle. Podia ouvi-los,
m as não conseguia responder. Não era possível abrir os olhos. Não era
possível se m exer. Com o se houvesse sido afligido por um tipo qualquer de
paralisia. Mas isso acontecia em seus sonhos quando suas pernas
congelavam , quando estava sendo perseguido. Ele sim plesm ente não
conseguia acordar. Era tão estranho com o nos sonhos a m aneira com o as
coisas se m oviam , com o o m undo fam iliar seguia um a lógica não
cartesiana, um a geom etria não euclidiana, e com o a gravidade podia ser
suspensa.
Num estalar de dedos, ele se via sem corpo e flutuando acim a de sua
cam a – não, não sua cam a, não a que ficava em seu apartam ento, coberta
com a colcha azul que sua m ãe havia com prado, m as um a cam a toda
branca em um quarto estranho com paredes sem cor, com bolsas de soro
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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gotej ando, m áquinas bipando – e todas aquelas pessoas à sua volta fazendo
exigências.
Podia vê-las. E podia ver-se na cam a, m as do alto, com o se ele fosse
um a espécie de ectoplasm a pairando no ar, e lá em baixo, ele: num sono
profundo, olhos fechados, rosto descorado e encovado, cabeça toscam ente
raspada apoiada sobre um travesseiro, braços m agros e flácidos largados ao
longo do corpo, com tubos e fios presos a eles com o cordões um bilicais, o
conteúdo de suas entranhas vazando dentro de bolsas plásticas,
m onitores...
Um quarto de hospital, é claro. Estava dorm indo em um quarto de
hospital por razões desconhecidas.
E sua m ãe segurava-lhe a m ão, chorando. Tam bém Anthony – um
grandalhão com peitorais de gladiador e bíceps do tam anho de m elões, ao
pé de seu leito, consternado – e ao lado dele Geoff, cuj o largo sorriso cheio
de dentes e cuj a face exuberante tinham dado lugar a um a m áscara solene
enquanto ele, tam bém , observava sua figura adorm ecida. E Dam ian – o
pálido, m agro e anguloso Dam ian, com aquele rosto ascético e sincero, e a
calvície precoce, lem brando um m onge em um a pintura m edieval
contem plando o beatífico repouso.
– Glosso... o quê?
– Baboseira.
Anthony . Ele reconheceu a voz, m as a vista lá fora estava errada. Nada
havia além da j anela. Nada de prédios, nem pastos, nem rio, nem m atas – com o se um a névoa houvesse encoberto a vista. Então, alguém em voz
baixa disse: ‚Isso é bom . Bem aqui'. No m om ento seguinte, o vento
soprava areia em seu rosto, enchendo-lhe os olhos e a boca. E a sensação
em seu peito era com o se algum a coisa estivesse am eaçando esprem er a
vida para fora dele.
Não consigo respirar. Não consigo respirar, e a boca está cheia.
– Abra os olhos. Abra os olhos.
Não consigo. Tem areia neles. Não consigo respirar. Peito esm agado.
Coração parado.
Por que aquilo estava acontecendo? O que eles queriam dele?
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Então, as luzes se acenderam e estavam todos em torno dele, vestidos
com o cartas de baralho – valetes e reis e rainhas, negros e verm elhos,
salpicados de pintas –, com o se ele estivesse sendo arrastado por criaturas
saídas de algum m undo paralelo com o o de Lewis Carroll. E um valete
ergueu a espada e desceu-a com força total em seu rosto, desintegrando-se
em grânulos que encheram seus olhos, sua boca e suas orelhas. E tudo
ficou escuro.
É castigo de Deus.
Ele flutuava sobre a cena e podia ver o calom bo sangrento de sua cabeça, um a bicicleta quebrada na rua, luzes, pessoas se j untando ao redor
do corpo contorcido na sarj eta.
– Acorde. Por favor, acorde.
Sua m ãe. Cham ava-o de m uito longe. Queria que ele abrisse os olhos.
Mas, cada vez que tentava, eles se enchiam de areia.
Depois, viu-se sozinho novam ente, passando por um corredor, etéreo,
sem traços distintivos. Mas, estranham ente, não podia sentir seus pés ou a
terra firm e sob os sapatos (um par de tênis Nike branco e reluzente!). No
entanto, deslocava-se através de um túnel escuro, com o se estivesse
atravessando a ligação entre a consciência e a inconsciência – ou talvez
este m undo e o próxim o. Enquanto avançava em direção à luz, percebeu
que estava com pletam ente sozinho. Não havia m ais vozes, nem pessoas,
nem a sensação de sua fam ília e seus am igos ao seu lado. Sozinho naquele
funil de névoa.
Então, isso m udou.
De repente, tom ou conhecim ento de outra presença, com o se alguém
tivesse se esgueirado até ele. Olhou ao redor, m as não viu ninguém ,
apenas o cinzento nada. Entretanto, tinha a profunda sensação de que
alguém estava próxim o a ele, apenas fora do lim iar da percepção.
Enquanto prosseguia, ouviu um a voz, um a voz fam iliar, dizendo algo
em um a língua que não conseguiu decifrar. E vinha da extrem idade
brilhante à sua frente. Aum entou o ritm o e, quanto m ais ouvia, m ais
fam iliar a voz soava, m as as palavras não faziam sentido.
Quando a luz foi se intensificando, ele se m exeu, sentindo a m aciez da Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
cam a em baixo dele. Invocando cada fibra da vontade, obrigou-se a abrir os
olhos. Endurecidos e pesados, com m uito esforço cederam . Luz branca
brilhante. Paredes brancas. Teto branco. Lençóis brancos. A sensação de
suas pernas ao longo do com prim ento da cam a. Tubos. Fios, sinais
sonoros. O m esm o quarto de hospital, é claro. E, com um estrem ecim ento,
fez-se desperto.
– Pai?
O quarto estava vazio. Silencioso, não fossem os bips abafados das
m áquinas. Mas a sílaba única ressoava em seus ouvidos. Sozinho, fechou
os olhos para voltar. Um instante depois, deslizava de volta para dentro do
túnel, agora perdido na escuridão.
Alarm e falso.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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9
Depois de três dias, Roman Pace voltou à Igreja de São Pio, nos arredores de Providence. Não sabia por que havia sido convidado a retornar para sua
penitência ou para continuar a conversar com o sacerdote. Mas tem ia um a
cilada.
Era um a m anhã de terça-feira, e ele chegou duas horas m ais cedo. O
estacionam ento da igrej a estava vazio, e assim tam bém estavam os poucos
carros estacionados na rua do bairro residencial. Deu a volta no quarteirão
várias vezes de carro, até finalm ente estar convencido de que não havia
policiais esperando por ele. Adentrou a igrej a quinze m inutos antes das 10
horas. O interior estava vazio, duas velas ardiam lá na frente. A única outra
luz provinha dos vitrais.
Cam inhou por toda a extensão da nave para ter certeza de que estava
sozinho. Ninguém , nem m esm o o sacerdote, estava à vista. Saiu
novam ente e não viu ninguém . E o sexto sentido que os anos em seu
negócio haviam afiado tam bém não o alertava quanto a um a em boscada.
Sentindo-se convencido, voltou para dentro e entrou no confessionário,
para esperar o sacerdote. Mesm o se a polícia tivesse sido cham ada, nada o
incrim inava.
Não carregava arm a. Na verdade, não levava nenhum a consigo desde
seu últim o assassinato. Isso acontecera quatro m eses antes, quando sofreu
um ataque cardíaco e decidiu desistir desse trabalho. Sim , sentia falta do
dinheiro porque a recessão atingira seu negócio de oficina de autom óveis,
depois que as pessoas pararam de aparecer com problem as no m otor e a
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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lataria am assada. Além disso, com o autônom o, não poderia com petir com
os preços baixos das redes de oficinas conveniadas com com panhias de
seguros. Aproxim ando-se do seu 52o aniversário, lem brou-se, enquanto
aguardava sentado no confessionário, de que seu pai havia m orrido de um a
trom bose coronária aos 55, e sua m ãe, um ano depois, por um acidente
vascular cerebral.
O que o levara àquela cabine no outro dia fora seu desej o de se
aproxim ar de Deus. Deitado naquela cam a de hospital por quatro m eses e
tem endo que fosse m orrer, fizera um a prece do fundo do coração:
desistiria de ser um assassino de aluguel se Deus poupasse sua vida. Na
noite seguinte, poderia j urar que Jesus havia aparecido para ele.
Provavelm ente, fora apenas um sonho, porque parecia exatam ente o Jesus
da im agem que sua m ãe tinha em cim a da m esinha – um a figura alta, com
um a veste branca, de pé sobre um m onte com pessoas sentadas ao seu
redor, escutando-o. E debaixo da im agem , o Salm o 90. Ele ainda podia
recordar as palavras:
Quando m e invocar, eu o atenderei;
Na tribulação estarei com ele;
Hei de livrá-lo e o cobrirei de glória.
Será favorecido de longos dias,
E m ostrar-lhe-ei a m inha salvação.
Mas, enquanto Rom an aguardava ali sentado na penum bra a chegada
do sacerdote, lem brou-se da prom essa contida nessas palavras e da
barganha que havia feito. Recuperara-se com pletam ente, convicto de que
Deus havia respondido à sua oração e o perdoara. Convicto de que,
enquanto estava em seu leito de hospital, Deus o havia visitado da m esm a
form a que os caras de sua oficina ou os com panheiros de futebol haviam
feito. E ele sabia porque podia sentir algum a coisa acontecendo em sua
alm a – algo que lhe dizia que Deus era real. E que Deus realm ente o
am ava o suficiente para intervir, dizendo-lhe, Você ainda tem trabalho a
fazer, então, deixe-m e aj udá-lo a se purificar.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Um pouco depois das dez horas, Rom an ouviu alguém entrar do outro
lado da cabine. Por causa da fraca ilum inação e da treliça, não conseguia
distinguir o perfil do padre Callahan.
– Bom -dia, m eu filho.
– Bom -dia, padre – disse Rom an. Então, ele com eçou a recitar: –
Perdoe-m e, padre, porque pequei. – As palavras rolaram de sua boca com o
cascalho. Era a segunda vez em quarenta anos que ele as pronunciava.
– Gostaria de confessar os seus pecados, m eu filho?
A voz não soava com o a do padre Tim othy Callahan. Aquele era um
padre diferente.
– Estive aqui há três dias.
– Sim , eu sei – respondeu a voz. – Mas eu ainda preciso ouvir a sua
confissão.
Rom an sentiu seu peito apertar. Um a cilada – o cara do outro lado era
um m aldito policial, seus com panheiros deveriam estar escondidos nos
bancos ou atrás do altar.
– Você não é o padre Callahan.
– Não, não sou. Sou um irm ão em espírito e obediente aos m esm os
votos de sigilo. O padre Callahan é um sacerdote novato e com partilhou
com igo as circunstâncias especiais. Mas posso garantir a você que o que é
dito neste confessionário é estritam ente confidencial.
Irm ão em espírito?
– E quanto ao padre Callahan? Com o posso confiar que ele não
com partilhou m inha confissão com outros m ais?
– Ele não fez isso. Ele é proibido pelo santo sacram ento e por seus
votos sagrados.
Talvez os pecados de Rom an fossem tão terríveis que o j ovem
sacerdote teve de cham ar aj uda de peso – talvez um bispo ou até um
cardeal.
– Eu tenho com etido pecados m ortais.
– Deus ouvirá seus pecados.
– Matei algum as pessoas e quero m e redim ir.
– Entendo. É bom que você desej e redenção. Orem os para que Deus Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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o perdoe por seus pecados e dê-lhe orientação e força.
Através da treliça decorativa, Rom an podia ouvir as preces do hom em .
Da últim a vez em que Rom an estivera na presença de um sacerdote, ainda
era adolescente. Sua m ãe o forçava a ir à igrej a, e ele odiava cada m om ento
daquilo – m ais de um a hora de blá-blá-blá, m etade em latim , m etade em
am eaças exageradas. As únicas questões que prendiam sua atenção eram
histórias sobre santos sendo crucificados ou assados vivos. Por incontáveis
dom ingos, sentara-se com o traseiro entorpecido em bancos duros, que
cheiravam a óleo para m adeira. Mas, em vez de prestar atenção ao que era
dito, ele se distraía observando os outros obedecendo aos seus com plexos
rituais de oração, aj oelhando, levantando, persignando-se. E nem um a
única vez sentira qualquer m istério ou paz – apenas tédio quase term inal,
cercado por um m onte de gente m ovida pelo dever, pelo m edo e pela
esperança. Quanto à confissão, ele ia porque o padre Infantino insistia
para que fosse. Algo que sem pre lhe pareceu tolo – um a m aneira de lançar
fora a culpa e obter um passe livre para pecar um pouco m ais.
Agora, sentado naquela grande caixa de carvalho, não pôde reprim ir
um profundo m al-estar que o levou de volta àqueles dias na Igrej a de São
Lucas, no extrem o sul de Hartford, onde o padre Infantino tentava incutir o tem or de Deus em seu cérebro adolescente.
– Você foi criado na tradição Católica Rom ana?
– Sim , desde o início.
– Então, você se desviou de sua fé.
– Mais ou m enos isso.
– O que fez você escolher esta paróquia para voltar?
– Acho que foi porque ela segue o catolicism o tradicional em que
cresci.
Pelo que sabia, a Igrej a de São Pio ainda seguia o dogm a sagrado pré-
Vaticano II[3], resistindo aos esforços de m odernização da Igrej a –
preconizando o entendim ento de form a literal da Bíblia, a m issa em latim ,
o código de vestim enta para as m ulheres, o posicionam ento contra o
divórcio e a convicção de que não há salvação fora da Igrej a Católica
Rom ana. A paróquia tam bém rej eitava a reconciliação com os j udeus. Pelo
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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que Rom an tinha ouvido falar, a Igrej a de São Pio era um pequeno
enclave, branco e conservador, de fiéis tradicionalistas que preservavam o
catolicism o castiço dentro de um a Igrej a que havia se tornado liberal
dem ais e um a cultura que rej eitava a Palavra de Deus. Em consequência
da gravidade de seus pecados, Rom an achava que precisava dessa
severidade.
[3]. Concílio Ecum ênico convocado pelo Papa João XXIII visando à atualização da Igrej a. (N. da T.)
– Então, nós o acolhem os de volta, m eu filho, m as saiba que seus
pecados são m uito pesados.
– Eu sei e busco o perdão.
– Muito bem , e não im porta o quanto sej am pesados; há um cam inho
de volta para Deus, m eu filho.
– Obrigado, padre.
– Mas, para circunstâncias tão especiais, sanções especiais são
necessárias. Você crê em Deus Pai Todo-Poderoso e em seu filho, Jesus
Cristo, nosso salvador?
– Sim .
– Você crê que Deus responde às nossas orações?
– Sim , e peço a ele que salve a m inha alm a.
– Ele salvará, porque Deus olha por você e o am a. E ele vai recebê-lo
de braços abertos em sua volta para casa.
Rom an sentiu-se reconfortado com essas palavras.
– Obrigado, padre.
– Você crê no m al?
– No m al? – A pergunta o pegou desprevenido. – Acho que sim . Há
m uito disso por aí.
– Assim parece. Você acredita no diabo?
– Na verdade, não.
– Então, você acredita que apenas as pessoas são m ás.
– Isso. Porque o m al é o que as pessoas fazem , o que lhes dá prazer.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Entendo. Você sentia prazer em sua profissão?
Rom an escolheu as palavras de form a cuidadosa, em bora estivesse
com eçando a estranhar o rum o que o interrogatório estava tom ando.
– Era um trabalho, e eu era bom no que fazia.
– Você fazia isso por dinheiro, correto?
– Sim .
– E quais você acha que são as m otivações do m al?
– Eu nunca pensei nisso. Acho que são m uitas m otivações, poder,
dinheiro...
– Não, apenas um a, a vingança. É a única fonte verdadeira do m al no
m undo. Todas as outras m otivações... poder, dinheiro, luxúria... são m eras
variações. Vingança. Foi o que Satanás ensinou à hum anidade. É o seu
único obj etivo. Vingar-se de Deus. Você diversificou seus negócios para
am enizar suas dificuldades econôm icas, certo?
Diversificou seus negócios. O suj eito estava sendo discreto, sabendo
que Rom an estava procurando qualquer sinal de um a arm adilha.
– Acho que se pode encarar dessa m aneira.
– Vingança contra forças superiores – sussurrou. – É o m esm o m otivo
por trás da tentativa de Satanás de derrubar Deus. É o que Satanás
inventou para dar o troco depois de ser expulso do céu. É o que ainda faz,
enchendo o m undo com o m al em sua vingança contra Deus. Se você
acredita em Deus, m eu filho, crer em Satanás é apenas um a consequência
lógica. Ele é tão real quanto você e eu.
Tudo que Rom an conseguiu pensar com o resposta foi:
– Ok.
– Gostaria de restaurar a sua alm a com Deus?
– É por isso que estou aqui.
– Gostaria de conciliar sua vida de pecado com Deus, para com pensar
suas transgressões?
– Se eu puder, sim .
– Você pode, m as precisa crer com pletam ente. E se você tiver
qualquer dúvida quanto ao am or e ao perdão de Deus, deve se perguntar
se a sua descrença vale o confisco de sua vida eterna no paraíso. E isso é
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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que é o inferno. Nunca m ais acordar, perm anecer m orto para sem pre e
não saber. Mas, para aqueles que acreditam , o céu é viver para sem pre na
eterna consciência do am or de Deus.
Rom an estava tendo dificuldade para acom panhá-lo, só dizia:
– Ok.
– E você está errado em achar que o m al se m anifesta apenas nos atos
dos hom ens. O m aior m al é obra de Satanás... Satanás, o Grande
Enganador. Satanás, que leva o hom em ao erro. Satanás, cuj o m aior
truque foi convencer o m undo de que ele não existe. Satanás, que se
interpõe no cam inho de sua salvação.
Agora o cara estava saindo pela tangente.
– Você conhece a história de São Miguel?
– Não.
– São Miguel era o perfeito soldado cristão, o arcanj o de Deus que
conduziu a luta contra as trevas do m al lideradas por Satanás. Ele é o
defensor de Deus e a proteção da Igrej a Católica.
– Certo. – Rom an desej ava que o cara lhe passasse logo sua
penitência e o deixasse sair.
– Sua presença aqui não é um acidente. Deus enviou você para
conquistar sua salvação seguindo o cam inho de São Miguel através da
escuridão para a luz eterna do céu.
– Não estou entendendo o que o senhor está m e dizendo.
– Estou lhe dizendo que um a m issão de salvação está diante de você.
– Que m issão?
– Ser um guerreiro do Senhor Deus Todo-Poderoso, senhor Pace.
Senhor Pace.
– Com o você sabe o m eu nom e?
– Isso não é im portante.
Rom an se perguntou se era possível que houvesse um a câm era de
segurança do lado de fora da igrej a, que tivesse gravado a placa de seu
carro, e eles tivessem acessado o banco de dados do departam ento de
trânsito.
– O im portante é que você aceite esta m issão em defesa do Senhor
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
Jesus Cristo para redim ir-se.
Mais silêncio encheu a cabine.
– O que o senhor está m e pedindo?
– Que diversifique seus negócios em nom e do Senhor.
Deve ter levado uns bons m inutos para Rom an absorver o que o
hom em estava dizendo.
– Você quer que eu liquide Satanás?
– Não, um dos porteiros de Satanás. Alguém que blasfem ou contra o
Senhor Deus Todo-Poderoso.
– Isso é loucura. Quem é você? Com o você m e conhece?
– Nada disso é im portante.
Então, a portinhola na base da treliça deslizou para trás e a m ão do
padre passou-lhe um envelope m arrom da espessura de um tij olo.
– Por favor, abra-o.
Rom an obedeceu. Dentro do envelope havia 15 m il dólares separados
em três m aços de 5 m il em notas de 100 dólares.
– Isso é seu, bem com o a salvação, se você aceitar esta m issão.
Rom an olhou para o dinheiro, tentando calculá-lo. Colocou o pacote
no peitoril entre eles. Ainda não conseguia ver o rosto do padre, se é que
era m esm o um sacerdote.
– Não foi para isso que eu vim .
– Com certeza, não, m as sua vinda foi um a dádiva de Deus.
– É m uita grana – disse ele, sentindo sua determ inação lhe escapar. –
Então, o que ele fez exatam ente?
– Ele e seus com panheiros estão ofendendo o Senhor da pior m aneira
possível.
Rom an abafou um a risadinha com um hum pf.
– O que é pior do que assassinato?
– A blasfêm ia contra o Espírito Santo. E Deus está lhe pedindo para
ser seu guerreiro e oferecendo um a segunda chance de vida eterna.
Um a segunda chance de vida eterna.
– Certo. – Com o resultado de todos aqueles anos com o m atador
profissional, Rom an havia perdido a capacidade de se surpreender, m as
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
aquilo era inédito – ser contratado por um padre para com eter um
assassinato em nom e do Senhor.
Tinha um a dúzia de perguntas, m as, num trabalho desses, não se
indaga o m otivo pelo qual alguém deve ser abatido. Era estritam ente um
negócio. Mas ele estava intrigado. E tam bém cauteloso.
– Com o vou saber se isso não é algum a arm ação, se você não tem um
gravador aí registrando tudo?
– Não é um a arm ação, e ninguém está gravando essa conversa. Além
disso, você não confessou nenhum assassinato específico, portanto, não há
nada que o incrim ine.
Rom an não havia confessado nenhum assassinato. Então olhou para
os m aços de notas e disse:
– Digam os que eu decida fazer isso. Vou precisar de inform ações e
outras coisas.
Um segundo envelope, m ais fino, apareceu por cim a dos m aços de
notas. E, por cim a dele, um telefone celular.
– As instruções com pletas, e um telefone celular para ligar passando o
seu relatório.
Caram ba, que situação! Jam ais im aginaria que um a coisa daquelas
pudesse acontecer.
– Acredite ou não no diabo, você foi cham ado a prestar o m ais alto
serviço ao Senhor, para derrotá-lo. Você foi escolhido para ser soldado do
Senhor e, assim , ganhar o seu cam inho de volta para Deus. Você aceita esta m issão?
Rom an olhou para o tij olão de dinheiro e o telefone celular esperando
por ele. Não dava para saber se o cara era sério ou biruta.
– Não m e disse quem você é. Não sei que diabos eu estou tratando
aqui.
– Você está lidando com um servo do Senhor que perm anecerá
anônim o.
Um a segunda chance de vida eterna.
– E esse cara é realm ente m uito m au?
– Aos olhos de Deus, o pior.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
Rom an pegou o envelope com as notas e, em sua cabeça, ouviu as
palavras do Salm o na voz de sua m ãe: ‚Porque se uniu a m im , eu o livrarei;
e o protegerei, pois conhece o m eu nom e.'
– Está bem – disse Rom an, e m eteu no bolso os envelopes e o
telefone.
– Que o Senhor o abençoe nesta m issão. Que Ele lhe ilum ine o
cam inho de volta para casa e lhe conceda a vida eterna.
– Obrigado, padre – Rom an disse, e deixou o confessionário, saindo da
igrej a para a claridade do sol da m anhã.
Mesm o se aquela história de m issão fosse papo furado e o Padre X
estivesse com um a escuta, havia 15 m il dólares no envelope, e Rom an não
havia dito coisa algum a que o com prom etesse perante a polícia.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
10
Era Sexta-feira Santa, e Maggie havia passado a maior parte da noite à
cabeceira de Zack. Não houve alterações, e ele não repetiu seus
m urm úrios. Estava exausta e, seguindo a sugestão da enferm eira, desceu
até a lanchonete, no piso térreo. Tom ou café com um bolinho, sentindo-se
anestesiada, com o se houvessem adm inistrado Novocaína ao núcleo de
seu corpo. Enquanto estava lá, tentou se concentrar em um exem plar
do The Boston Globe que alguém havia deixado na m esa.
Com o as notícias sobre guerras e econom ia preenchiam as prim eiras
páginas quase totalm ente, ela pulou para a Seção B, com as m atérias
locais. Um título estranho cham ou sua atenção: SUICIDADO POR
AMIGO: VÍTIMA TINHA TOXINA DE ESPÉCIE RARA DE BAIACU
NO SANGUE.
O texto passou a explicar que o corpo de um sem -teto havia sido
encontrado com a toxina em seu organism o. Fora m orto com um taco de
beisebol em um m om ento em que estava sentado na m ureta da ponte Harvard. Graças a câm eras de vigilância, o assassino fora preso, alegando
que seu am igo havia pedido para ser m orto porque tinha sido atacado por
‚dem ônios' em sua cabeça, resultado, de acordo com o agressor, de
experiências em seu cérebro conduzidas por cientistas. Não se sabia com o
ele havia adquirido a tetrodotoxina, m as as autoridades asseguraram ao
público que não era um a droga nova circulando pelas ruas, nem m esm o o
baiacu era legalizado nas cozinhas am ericanas. O autor do crim e não pôde
dar qualquer explicação sobre quem seriam os cientistas ou quais
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
experim entos foram realizados na vítim a, só que pagavam bem .
Maggie dobrou o j ornal im aginando que ela, tam bém , tinha um
dem ônio em sua cabeça – a doentia certeza de que j am ais teria o filho de
volta.
Depois de m eia hora, term inou seu café e cam inhou em direção aos
elevadores. À sua frente ia um casal de m eia-idade com a filha adolescente
em um a cadeira de rodas. A m enina parecia ser vítim a de algum distúrbio
neurológico. Sua boca estava aberta e a cabeça m ovia-se
desordenadam ente, enquanto produzia sons inarticulados. Segurava entre
os dedos um rosário.
Maggie ia apertar o botão do sétim o andar, m as j á estava aceso.
– Você está aqui para ver Zachary ? – o pai a interpelou.
A pergunta pegou Maggie desprevenida.
– Com o disse? – Zachary ? Ninguém o cham ava assim . E com o eles
sabiam sobre seu filho?
– Zachary Kashian. Você está indo vê-lo?
– Sim – disse ela, estranhando a m aneira com o o hom em form ulava as
perguntas. Tinha cerca de 50 anos e vestia calça m arrom , blazer azul e
cam isa xadrez abotoada até o alto. Ela não o reconheceu. – Vocês o
conhecem ?
A porta do elevador se fechou e eles com eçaram a subir.
– Som os am igos de Zachary em Jesus. Estam os aqui para rezar por ele.
Antes que Maggie pudesse responder, a m ulher olhou para ela e disse:
– Estam os levando Agnes até ele.
O hom em estendeu-lhe a m ão.
– Sou Burt Wickham , esta é m inha esposa, Judy , e m inha filha,
Agnes. Você está aqui para ser curada?
– Sou a m ãe dele, e não sei do que está falando.
O hom em sorriu tim idam ente.
– Oh, bem , vam os orar por você tam bém , em seu sofrim ento. A
Palavra de Deus penetra até onde nada m ais alcança.
– Olhe, não sei qual é a sua intenção, m as m eu filho está em com a em
um quarto particular, e visitas não são perm itidas.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
– Mas isso é m uito im portante – disse ele. – Estam os rezando por um
sinal com o este há anos.
– Que sinal?
O hom em olhou para ela surpreso.
– Com o não sabe? Deus está falando por interm édio de seu filho,
anunciando ao m undo que ele foi escolhido para trazer a cura de Deus.
– Do que você está falando? Meu filho está em com a.
– Nós sabem os. Nós o vim os.
– O que quer dizer com ‚Nós o vim os'?
Então, a filha balbuciou:
– No YouTube.
A porta do elevador se abriu e eles saíram para um hall vazio.
– No YouTube?
– Ele é um escolhido – disse a esposa. – Ele tem o poder.
A m ãe puxou um BlackBerry e ergueu-o na direção de Maggie. No
pequeno visor passava um breve e trem ido vídeo de Zack na cam a
m urm urando sílabas sem sentido. A legenda m óvel sob as im agens dizia:
‚Deus fala por interm édio de paciente em com a'.
– Ele está falando a língua do Senhor.