Visões da Morte

Gary Braver · Capítulo 1 de 10 · parte 2/3

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Visões da Morte

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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

– Perdoe m eu vocabulário, m as isso é pura babaquice.

Maggie apertou a m ão dela novam ente.

– E se ele não acordar?

Por favor, traga-o de volta, ela rezou.

Mas, ironicam ente, os assassinos de Jake m ataram Deus para ela. Por

um ano ou m ais ela prosseguira com sua vida no piloto autom ático, sem

vontade de nada. Finalm ente, saiu do estado de luto quase m ortal para

um a sem iletargia, para cuidar de Zack. Três anos depois de Nick enfurnar-

se em seu m osteiro, um irm ão da m esm a ordem , Thom as Albani,

procurou-a com um a urna que continha as cinzas de Nick. Para agregar

insulto à inj úria, as cinzas foram depositadas em cim a da lareira, a pedido

de Zack.

– E se isso for castigo? – perguntou ela.

– Castigo por quê?

– Por não acreditar. E se isso for Deus vingando-se de nós?

– Meu palpite é que foi pura e sim plesm ente um acidente – disse

Kate. – Você é um a professora dedicada que faz trabalho voluntário j unto a

crianças que sofrem m aus-tratos. Se Deus está a fim de punir alguém , ele pegou a pessoa errada.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

3

Maggie passou a noite em uma cadeira ao lado da cama de Zack. Não

dorm iu m uito, cochilava e acordava aos trancos. Zack não se m exeu

durante toda a noite – seu rosto pálido perm aneceu inerte, os olhos

selados. Seu único m ovim ento era o subir e descer do peito forçado pelo

respirador. Os únicos sinais de que ele estava vivo eram a pulsação e os

traços dos m onitores.

A certa altura durante a noite, o m édico residente pediu-lhe para sair

para que ele, um enferm eiro e um auxiliar exam inassem Zack. Quando

term inaram , o m édico disse a ela:

– A boa notícia é que ele ainda perm anece estável e não há sinais de

hem orragia intracraniana.

– Graças a Deus – disse ela. – Mas quando ele vai acordar?

– Está em com a induzido, então é difícil prever. Ele sofreu um a grave

concussão, portanto, tem os de esperar até que a pressão e o inchaço

cedam . Só então poderem os parar de adm inistrar os barbitúricos e a

ventilação m ecânica.

A palavra com a gelou seu coração.

– Mas ele vai sair desta, certo?

– É o que esperam os.

– Quer dizer que ele ainda pode perm anecer em com a real?

– Bem , há um a pequena chance, m as não esperam os que isso

aconteça.

Ela estudou os olhos do m édico e pensou ter visto outra possibilidade

hedionda.

– E quanto a dano cerebral?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Não vem os sinais, nesta altura, m as ainda é difícil dizer – afirm ou

ele. – Mas vam os tratá-lo agressivam ente.

Mais tarde, no m esm o dia, os m édicos inform aram que o inchaço no

cérebro de Zack havia dim inuído e que reduziriam os barbitúricos. Fora a

m elhor notícia até aquele m om ento. Por insistência de Kate, Maggie

passou a noite em um hotel próxim o, em vez de se deslocar até Carleton.

Enquanto isso, Kate foi até a casa de Maggie e fez um a m ala de roupas

para ela.

Pouco antes do m eio-dia, Dam ian Santoro ligou para Maggie e

perguntou se ele, Anthony Lawrence e seu com panheiro de quarto, Geoff

Blessington, poderiam fazer um a visita a Zack. Ela concordou. Eles chegaram no início da tarde e sentaram -se em volta da cam a, olhando

incrédulos para Zack, que parecia um cadáver espancado na cam a. Maggie

explicou com o o acidente acontecera e resum iu o que os m édicos haviam

dito.

As notícias eram decepcionantes, m as eles encontraram consolo no

fato de que Zack não havia sofrido nenhum a lesão interna.

Maggie olhou para os três.

– Vocês são os m elhores am igos dele – disse ela –, e apreciarei se

puderem ser francos com igo. Sei que ele j oga m ais do que deveria.

Tam bém sei que está em atraso no aluguel e em outros assuntos. Não

quero pressioná-los, m as gostaria de saber se ele lhes deve dinheiro.

Eles se entreolharam , cada um esperando que o outro respondesse.

Finalm ente, Anthony falou, sem firm ar o olhar:

– Não, não m uito.

– Quanto, exatam ente?

– Não sei... talvez... 400 dólares.

Maggie olhou para Geoff.

– E a você, Geoff?

– Cerca de 350. Mas não tem problem a.

– Dam ian?

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a

– Creio que um pouco m ais de 600.

Maggie sentiu um a pequena pontada no peito.

– Vou cuidar disso. – Então, ela perguntou: – Além de pedir

em préstim os a todos vocês, com o é que ele sobrevive?

– Não tenho certeza.

– Por favor, isso não é hora de encobri-lo. Ele está seriam ente

endividado.

Houve certo desconforto e hesitação e, em seguida, Anthony disse:

– Acho que às vezes ele vende coisas.

– Vende coisas? Com o o quê?

– Com o seus livros. Vende-os de volta para a livraria. Roupas. Não sei

ao certo.

Maggie fez o possível para conter o choque. Ela enviava dinheiro a

Zack regularm ente, e ele estava pegando em prestado com os am igos e

vendendo seus livros didáticos.

– Eu agradeço a sua franqueza. – Ela puxou o talão de cheques.

– Não precisa fazer isso, senhora Kashian – disse Dam ian.

– Obrigada pela generosidade de vocês – disse ela, enquanto

preenchia um cheque para cada um . – Por favor, sej am honestos com igo.

Vocês acham que ele... tem um problem a com j ogo? – Ela titubeou, quase

form ulando a questão no passado.

Os olhos de Anthony se arregalaram dem onstrando surpresa de form a

exagerada.

– Oh, não, nada disso. – E olhou para Dam ian e Geoff buscando

aj uda.

Eles abanaram a cabeça.

– Não j ogam os todas as noites nem nada assim – disse Geoff.

– Mas algo deve ser a causa de todas as dívidas dele. Por favor, se

vocês sabem de algum a coisa, gostaria que m e dissessem .

Após um silêncio constrangedor, Dam ian disse:

– Ele pode estar j ogando pôquer on-line.

Ela balançou a cabeça concordando e im aginou Zack, altas horas da

m adrugada, debruçado sobre seu laptop, alucinado por vencer as

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

probabilidades.

Com o se estivesse lendo a m ente dela, Anthony disse:

– Senhora Kashian, eu realm ente não acho que ele tenha um

problem a com j ogo. É m ais porque ele está contra a parede e j oga para

pagar os credores. Mas eu realm ente não acho que ele sej a viciado.

– Oi – disse Kate ao entrar no quarto.

Ela cum prim entou os três visitantes e, em seguida, aproxim ou-se e

beij ou Zack na testa. Então, convenceu Maggie a descer para alm oçar,

deixando os três am igos acom panhando Zack. A ansiedade havia destruído o apetite de Maggie, m as ela percebeu que estava ficando zonza de fom e.

Meia hora depois, elas voltaram para a UTI. Quando entrou no

cubículo, Maggie soltou um grito.

– O que aconteceu?

Dam ian estava inclinado sobre Zack com a m ão em sua testa.

– Estou apenas colocando água benta na testa dele.

– Água benta? – Por um apavorante m om ento, a figura de Dam ian

espargindo a testa de Zack horrorizou Maggie, que pensou que Zack estava

recebendo a extrem a-unção.

– Ele está bem – disse Kate. – Ainda está dorm indo. Olhe para os

m onitores.

Maggie olhou para eles abobalhada até que voltou a si. Então, virou a

cabeça rapidam ente para Dam ian:

– Por favor, não faça isso – disse ela. – Não som os religiosos.

Antes que ela pudesse continuar, Kate a interrom peu:

– É m uita bondade sua, Dam ian. Obrigada. – Ela colocou o braço em

torno de Maggie, dando-lhe um apertão para refreá-la.

Maggie não disse coisa algum a, m as olhava para Dam ian e o pequeno

frasco com apreensão. Seu desprezo por todas as coisas religiosas era

palpável. E as pessoas religiosas deixavam -na desconfortável.

Um a enferm eira entrou no quarto.

– Está tudo bem aqui? – Ela ouvira a com oção.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Sim , está tudo bem .

A enferm eira exam inou a todos e, em seguida, checou Zack, os

m onitores, o soro e aj eitou-lhe as cobertas, enquanto um silêncio

constrangedor pesava sobre a cena com o um a cam ada de gelo. Rom pendo-

o, Kate perguntou à enferm eira se havia algo que ela pudesse fazer para

aj udar.

– Na verdade, seria bom se na próxim a vez você trouxesse um par de

tênis.

– Tênis? – Maggie estranhou.

– Para proteger os pés dele. Que Deus não perm ita, m as, se a sua

condição persistir, os pés dele vão se contrair. Nós os exercitam os, é claro,

m as os sapatos evitarão que seus dedos se recurvem .

– Mas ele vai acordar, não vai? – As sílabas saíram engasgadas da boca

de Maggie.

– Tenho certeza que sim . É apenas por m edida de precaução.

Maggie assentiu e lançou à m ulher um olhar duro para que saísse do

quarto. Ela o fez, e um silêncio am eaçador recaiu no am biente pelo horror

coletivo de que Zack perm anecesse em um estado de inconsciência por

tem po indeterm inado, usando Nikes para evitar que os pés se curvassem

em garras. Depois de um tem po, Anthony acenou para Geoff e Dam ian e

anunciou que eles estavam indo em bora.

– Sem querer ofender – Dam ian disse –, gostaria de saber se, antes,

poderíam os fazer um a pequena oração por Zack.

Antes que Maggie pudesse responder, Kate disse:

– Acho que seria m uito bom .

Maggie concordou:

– Está bem . – Um a pequena oração não faria m al, disse a si m esm a. E

com pensaria sua reação exagerada anterior.

– Obrigado – disse Dam ian. Em seguida, pediu a todos que dessem as

m ãos ao redor da cam a de Zack.

Aquilo era desconcertante, e Maggie sentiu-se um tantinho

desconfortável, sem saber se era culpa por seu afastam ento de sua

educação católica ou por trair a sua convicção de que religião era um a

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

farsa.

– Unim os nossos corações para agradecer a ti, Pai Celestial, pela

salvação de Zack. Ele está em com a, e oram os para que m ostres teus

poderes de cura recuperando-o...

Enquanto ele continuava, Maggie olhou ao redor do quarto. Anthony e

Geoff estavam com os olhos fechados, de m ãos dadas com Kate, que

tam bém m antinha os olhos fechados. Quando o olhar de Maggie pousou em Zack, ela desej ou que Dam ian acabasse logo com aquilo.

– Nós tam bém oram os para que Tu protej as sua m ãe e outros

m em bros da fam ília e am igos e tragas-lhes conforto e esperança, enquanto

aguardam e sofrem na incerteza.

Involuntariam ente, Maggie soltou um gem ido de desespero.

– Sabem os que o Teu Espírito Santo pode operar m ilagres e pedim os

que restaures Zack de seu sono para a concretização dos grandes planos

que tens para ele. Nós te pedim os em nom e de Cristo Jesus...

De repente, Maggie o interrom peu:

– Que m ilagres? Milagres não existem . Não há Deus. Só a sorte cega e

estúpida. – Chorava livrem ente agora.

Dam ian hesitou por um m om ento, em estado de choque. Depois, em

voz baixa, disse:

– A senhora realm ente não pode ter certeza disso.

– Onde estava Ele quando Jake precisou, hein? Orei com todo o m eu

coração para Deus protegê-lo, e ele foi assassinado por dois m onstros.

Onde estava Deus, então?

– Talvez, para que as orações funcionem tenham os de acreditar nelas.

– Eu realm ente acreditava nelas, e ninguém as atendeu – ela soluçou.

– Eu tenho fé.

– Bem , eu não.

Kate tentou interrom pê-la, m as Maggie continuou:

– Se orações funcionassem , todo paciente em com a no m undo

acordaria. Todo paciente com câncer seria curado. Todo aleij ado andaria. – A cura de Deus nem sem pre é evidente.

Kate tentou novam ente interrom per, m as Maggie não podia deixar de

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

falar, seu desespero transform ara-se em raiva.

– Nunca é evidente. Mostre-m e um verdadeiro m ilagre, faça Zack

acordar, e eu acreditarei.

– Sem pre há esperança – disse Dam ian.

– Que best...

– Maggie, j á chega!

Mas ela ignorou Kate:

– Se algo de bom acontece, as pessoas afirm am que sua prece foi

atendida. Se algo ruim acontece, é porque a sua oração não foi boa o

suficiente. É tudo um a farsa. Deus é um a farsa.

Um silêncio atônito caiu sobre o quarto enquanto os outros olhavam

pasm os para Maggie e Dam ian. Por fim , Kate colocou o braço em torno de

Maggie.

Maggie ergueu os olhos, viu a dor no rosto de Dam ian e sentiu a

m aldade esvair-se dela.

– Sinto m uito – disse ela. – Sua intenção foi boa. Eu só... – Mas não

conseguiu term inar a frase.

Dam ian deu um sorriso desanim ado:

– Eu entendo, e sinto m uito.

Maggie sentou-se na cadeira e escondeu o rosto entre as m ãos,

enquanto os três visitantes m urm uravam suas despedidas.

Dam ian colocou a m ão no om bro de Maggie e disse:

– Ele vai acordar. Deus tem fé nele. – Então, saiu da sala, atrás dos

outros, e suas palavras ficaram ecoando na cabeça de Maggie.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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4

Roman Pace engoliu em seco:

– Perdoe-m e, padre, porque pequei.

– Gostaria de confessar os seus pecados, m eu filho? – disse o padre

Tim othy Callahan.

– Sim , se o senhor m e garantir que o que eu confessar será m antido

em sigilo.

– Meu filho, os sacerdotes confessionais são obrigados pelo santo

sacram ento da penitência a j urar segredo. Seus pecados estão entre você e

Deus, e eu sou um interm ediário que não tem nenhum a obrigação legal de

inform ar nada além deste confessionário.

– O senhor está dizendo que tenho a sua palavra? Porque eu não quero nenhum a repercussão.

– Sim , você tem m inha palavra. Nossos votos são sagrados. Sinta-se

livre para fazer a sua confissão, m eu filho.

Houve um m om ento de pausa e o silêncio da igrej a preencheu o

espaço escuro.

– Sou culpado de assassinato.

– De assassinato?

– Matei nove pessoas.

– Você m atou nove pessoas! Foi isso o que disse?

– Sim , padre, e eu sinto m uito.

– Foi em com bate m ilitar?

– Não, não foi.

– Você é policial?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Não.

– Então, quais foram as circunstâncias?

– Negócios.

– Negócios?

– Eu era um assassino profissional.

– Um assassino profissional?

– Sim . Um hom em contratado por organizações crim inosas para

m atar.

Um a longa pausa preencheu am bos os lados da treliça.

– Por que você m atou essas pessoas?

– Por dinheiro.

– Isso é m uito, m uito sério. Assassinato é um pecado m ortal.

– Sim , eu sei.

– Você conhecia as vítim as pessoalm ente?

– Não.

– Incom odou-o... tirar suas vidas?

– Na época, para dizer a verdade, não. Estava fazendo um trabalho.

Houve outra longa pausa enquanto o padre rem oía algo em sua

cabeça. Então ele disse:

– Suponho que você não precise m ais de dinheiro e sinta-se

arrependido?

– Não, eu ainda preciso de dinheiro. É que estou preocupado, sabe...

com o que vai acontecer quando eu m e for. Para ser sincero, tive um leve

ataque cardíaco há alguns m eses, e isso m e fez pensar sobre a m orte...

sabe... sobre a vida após a m orte, essas coisas. Eu só não quero ir para o

inferno, só isso.

– Entendo. Você acredita no inferno?

– Eu realm ente não sei, m as, se houver um , eu não quero term inar lá.

– Você acredita em Deus Pai Todo-Poderoso?

– Acho que sim . E no caso de existir um Deus e um Céu, eu quero desobstruir m eu cam inho, se é que m e entende.

– Você gostaria de se reconciliar com Deus.

– Sim , eu quero ser perdoado, se puder.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Os hom ens que você m atou eram m aus?

– Para as pessoas que m e contrataram , eram .

– Você é m em bro desta paróquia?

– Não.

– De outra igrej a na diocese de Providence?

– Sinto m uito dizer que esta é a prim eira vez em que piso em um a

igrej a em anos.

– Entendo. – Então, depois de outra longa pausa, o padre disse:

– O im portante é que você possa recuperar o am or e o perdão de

Deus.

– Eu gostaria disso, padre. Muito.

– Ótim o. Eu pediria que você voltasse em três dias, para que

possam os conversar de novo. Você pode fazer isso?

– Sim , padre.

– Nesse m eio-tem po, reze dez ave-m arias e dez pai-nossos.

– Obrigado, padre – disse Rom an Pace.

– Juntos, vam os encontrar um cam inho para a sua salvação.

– Isso é tudo que peço.

E Rom an deixou a igrej a com novo ânim o.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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5

No quarto dia após o acidente, transferiram Zack para uma unidade de

tratam ento sem i-intensivo em outra ala do edifí- cio Shapiro.

Maggie reuniu-se com um neurologista, o doutor Peter McIntire, e a

enferm eira chefe, J. J. Glidden, em um a saleta próxim a ao quarto de Zack.

O doutor McIntire, um hom em bonito que parecia j ovem dem ais para ser

m édico, conduzia a discussão.

– A boa notícia é que a pressão no cérebro finalm ente está

norm alizada.

– Que alívio! – disse Maggie. Entretanto, ela podia sentir um ‚m as'

chegando.

– Nós irem os m anter a ventilação, entretanto, pelo m enos até

estarm os certos de que ele pode proteger as próprias vias aéreas.

– Para respirar por conta própria – acrescentou a enferm eira Glidden.

– Nesse ponto, nós o desentubarem os, retirarem os o respirador.

Maggie assentiu.

– Infelizm ente, nós suprim im os os barbitúricos, por isso, é ainda um

j ogo de espera.

– Não há nada que vocês possam fazer... sabe... algum tipo de

estím ulo para acordá-lo? Quero dizer... – não com pletou a frase.

– Se houvesse, nós faríam os – disse o doutor McIntire. –

Tecnicam ente, ele ainda está em com a, o que não é o m esm o que estar

dorm indo. A atividade das ondas cerebrais é com pletam ente diferente, e

nós realm ente não entendem os com pletam ente o estado de com a. A

questão é que se pode acordar alguém adorm ecido, m as não o paciente em

com a.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Mas – a enferm eira Glidden acrescentou – Zack pode acordar a

qualquer m om ento.

Ou ele pode perm anecer em estado vegetativo por vinte anos, Maggie

pensou.

Mais tarde, naquele dia, Maggie alugou um quarto em um hotel nas

proxim idades e ia para o hospital todas as m anhãs, o desespero e a

esperança torturando a sua alm a.

A preocupação com Zack e Maggie se espalhou. Um artigo sobre Zack

foi publicado no j ornal da Northeastern University . O diretor da entidade enviou um e-m ail geral expressando a esperança da universidade de um a

recuperação rápida e com pleta. Pessoas bem -intencionadas enviaram

flores e cartões. Mas Maggie perm itia apenas a visita de alguns am igos

íntim os e parentes – ‚não, até ele acordar', ela dizia.

A sem ana seguinte passou, e Zack continuou em com a. Mas, com o

perm anecia estabilizado, sua equipe m édica o transferiu para um quarto

particular em outro andar.

No décim o dia, houve m ais um a boa notícia: Zack passou a respirar

por conta própria. Além disso, com o o inchaço havia dim inuído, os

m édicos rem overam o m edidor de pressão intracraniana; e o osso e a pele

do couro cabeludo estavam com eçando a se recuperar. Faziam a barba

nele regularm ente e trocavam sua fralda com o se ele fosse novam ente um

bebê.

Mas ele ainda estava em com a nível dois. Em bora pudesse responder

a estím ulos – pressão em suas unhas ou um cutucão agudo na sola do pé –

, ele não respondia a com andos de voz, nem abria os olhos ou apertava os

dedos quando solicitado. Com o ainda estava inconsciente, um tubo de

alim entação gástrica foi inserido em seu estôm ago por m eio de um a

pequena incisão em seu abdôm en. Com o os m édicos explicaram , aquele

era o padrão para os pacientes incapazes de se alim entar norm alm ente.

Tam bém foi colocado em um a cam a especial que inflava e desinflava para

evitar escaras. Faixas foram atadas às suas articulações para evitar

contração. Conform e lhe fora solicitado, Maggie havia levado um par de

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

tênis.

No fim da segunda sem ana, Maggie m al podia conter os ataques de

pânico de que Zack perm aneceria em estado vegetativo, definhando,

enquanto ela m anteria um a interm inável vigília em sua cabeceira, com o os

pais de Karen Ann Quinlan e Terri Schiavo, esperando ele acordar ou

m orrer. Ele j á estava m acilento e m irrado, sem o viço da vida. Mas, para se

lem brar do m agnífico j ovem que era, Maggie trouxera um a foto dele,

em oldurada, que havia tirado no ano anterior em sua festa de form atura.

Posando com Dam ian, Anthony e Geoff, ele brilhava de vitalidade. Com

seu cabelo negro espesso e encaracolado, as m açãs do rosto proem inentes

e os resplandecentes olhos verdes, ele parecia um j ovem Zeus – a m esm a

beleza que m uito tem po antes a atraíra de cara para Nick.

Apesar das afirm ações de Kate de que ele poderia acordar a qualquer

m om ento, Maggie sentia-se arrastar para os som brios tem ores que

rem ontavam aos prim eiros dias de m aternidade, quando ficava alerta para

qualquer am eaça potencial aos seus filhos – febres altas, brinquedos com

os quais poderiam se engasgar, sacos plásticos. Quando ficaram m ais

crescidos, ela e Nick os levavam para passear no Canobie Lake Park,

repleto de outros pais e outras crianças. Enquanto pareciam estar se

divertindo em fam ília, a m ente de Maggie, intranquila, exam inava incessantem ente as possibilidades de seus filhos serem lançados do

aviãozinho ou sofrerem dano cerebral na xícara m aluca ou terem um a

parada cardíaca de m edo na casa assom brada ou engasgarem com um a

m açã do am or. Quando se tornaram adolescentes, um bufê de horrores

totalm ente novo apresentou-se – drogas, álcool, AIDS, acidentes de carro,

tiroteio nas escolas.

Com o assassinato de Jake, todos os seus pesadelos se tornaram

realidade. Para aum entar seu horror, os assassinos saíram im punes e Nick

m ergulhou em um abism o de desespero, desaparecendo no silêncio

m onástico apenas para m orrer. E agora Zack estava em estado de com a, no

qual poderia continuar indefinidam ente.

Parecia a Maggie que ela passara a ser definida pela dor em um

m undo que j á não fazia sentido.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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6

Jenna Emmons não podia acreditar no que vira. Fora bizarro, horrível, e a

im agem iria reviver em seu cérebro por anos a fio.

A prim eira coisa que passou por sua cabeça foi culpar toda aquela

cervej a que tom ara na festa da fraternidade Theta Chi – m ais ou m enos

uns dois litros. Mas que foram consum idos ao longo de quatro horas.

Estava grogue, m as não delirante.

Havia retornado ao seu dorm itório por volta das duas e m eia e trocara

de roupa para dorm ir. Com o de costum e, fora até a j anela para apreciar a

fabulosa vista noturna de Boston. Seu dorm itório ficava no quarto andar do

Building W1 do MIT, na esquina da Massachusetts Avenue com a

Mem orial Drive, na torre encim ada por um a cúpula em form a de capacete

do kaiser Guilherm e II. Era um dos m elhores dorm itórios do MIT, um

privilégio que lhe havia sido concedido no sorteio das acom odações dos

estudantes.

Daquela altura, avistava toda a extensão da Harvard Bridge, que partia

da Massachusetts Avenue, cruzava o Charles River e saía em Boston, e a

gloriosa silhueta dos prédios que cintilavam com o caixas de j oias

em pilhadas da m argem do rio até o topo da Beacon Hill. Naquela noite, o

disco da Lua cheia que se elevara no horizonte leste refletia-se ondulante

na superfície do rio.

O que prendera sua atenção foram dois hom ens a pé, cam inhando no

lado oeste da ponte. Eles pararam algum as vezes para olhar a água lá

em baixo e depois continuaram , até atravessarem três quartos da ponte e se

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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posicionarem a não m ais de cinquenta m etros da sua j anela. Um deles usava um a j aqueta com capuz. O outro tinha a cabeça descoberta e

inclinava-se com as costas contra a m ureta. O hom em encapuzado

gesticulava com a m ão livre, com o se estivesse tentando convencer o outro

de algum a coisa. Em seguida, o hom em encapuzado aj udou seu

com panheiro a subir na m ureta, onde se equilibrou. Jenna a princípio

pensou que o hom em encapuzado iria tirar fotos de seu am igo, com o rio e

a linha do horizonte com o pano de fundo. Mas eles continuaram a falar, e

o hom em encapuzado parecia segurar algo em sua outra m ão, enquanto

argum entava com o outro, que balançava para a frente e para trás na

m ureta com o um prim ata em um a j aula pequena dem ais.

De repente, os hom ens se abraçaram por um longo m o- m ento. O

hom em sentado, em seguida, firm ou-se na m ureta com as m ãos. Depois de

o hom em encapuzado certificar-se de que nenhum carro ou pedestre se

aproxim ava, ele ergueu um bastão de beisebol e esm agou a cabeça do

outro.

Mesm o através da j anela fechada, deu para ouvir o barulho da

pancada que derrubou a vítim a da m ureta e a m andou direto para a água

escura.

Jenna gritou de horror e incredulidade. Porém o que a enoj ou m ais foi

se dar conta da horrenda constatação: a vítim a havia esperado seu

com panheiro arrebentar-lhe a cabeça. Fora planej ado – eles haviam

cam inhado j untos até o local adequado e esperaram o tráfego cessar para

que um pudesse acabar com o sofrim ento do outro.

Antes de o hom em encapuzado se afastar, ele atirou o bastão na água e, em seguida, olhou para baixo, para o ponto onde seu am igo havia caído,

e fez o sinal da cruz.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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7

Na noite do 22º dia, Damian e Anthony deram uma passada no hospital.

Haviam voltado lá m ais algum as vezes depois do incidente da oração, pelo

qual Maggie se desculpara. Sendo o cavalheiro que era, Dam ian disse que

não tinha ressentim entos. Ele até lhe levara um buquê de flores.

Zack continuava respirando por conta própria, com seus sinais vitais

norm ais. Mas ainda estava no nível dois.

Conversaram por um tem po. Maggie perguntou com o eles estavam

indo na faculdade e, em seguida, contou-lhes que fisioterapeutas vinham

diariam ente exercitar os braços, as pernas e os pés de Zack, e com o ela

aj udava. Anthony estava no m eio de um a história engraçada sobre algo que

acontecera no shopping local quando, de repente, Zack rolou a cabeça e

em itiu um estranho grasnado.

– Oh, m eu Deus! – Maggie gritou. Im ediatam ente ela ficou em pé e

segurou a m ão do filho. – Zack! Acorde. Acorde.

– Ele está dizendo algum a coisa! – falou Anthony .

– Ele está acordando – disse Dam ian.

– Zack! Zack, acorde! – Maggie gritava. – É a m am ãe. Por favor,

querido. Abra os olhos.

A boca de Zack m ovia-se enquanto sons guturais subiam de sua

garganta – os prim eiros sons que ele produzia em três sem anas.

– Cham e a enferm eira – disse Maggie a Anthony , que saiu do quarto

feito um raio. Ela acariciava a m ão de Zack. – Zack, é a m am ãe. Acorde!

– Seus olhos estão se m exendo – disse Dam ian. – Acho que ele está

tentando abri-los.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Zack! Abra os olhos. Você consegue. Abra os olhos.

Enquanto ela continuava incentivando-o, os olhos de Zack rolavam

sob as pálpebras com o se ele estivesse tendo um sonho intenso. Mas ele

não os abria, apenas m urm urava sílabas sem sentido.

Instantes depois, Anthony voltou com um a enferm eira e um a auxiliar.

A enferm eira com eçou a esfregar o rosto de Zack.

– Zack, é Beth Howard, sua enferm eira. Fale com igo, Zack. Fale

com igo. Abra os olhos.

Zack contraiu o rosto, com o se estivesse registrando a voz dela. Ele

continuava m urm urando sons ininteligíveis, m as não abria os olhos.

– Zack, é a m am ãe. Acorde. Por favor.

– O que ele está dizendo? – Anthony perguntou a Dam ian. Dam ian

não respondeu, m as ficou paralisado, estudando o rosto de Zack.

– Sej a o que for, é um bom sinal – disse a enferm eira. A auxiliar

concordou, com o telefone celular na m ão, supostam ente, pronta para

cham ar o residente.

– Ei, Zack, sua m ãe está aqui. E tam bém Anthony e Dam ian. Hora de

acordar. Você pode fazer isso. Abra os olhos.

Mais m urm úrios de Zack, enquanto sua cabeça rolava ligeiram ente

sobre o travesseiro. Maggie aproxim ou o ouvido de sua boca, enquanto ele

continuava resm ungando sílabas estranhas:

– Ele está dizendo algum a coisa. Está pronunciando palavras.

– Será que ele sabe um a língua estrangeira? – a enferm eira perguntou.

– Ele cursou um ano de espanhol, m as não parece esse idiom a.

Anthony inclinou-se sobre Zack.

– Ei, cara, é o Anthony . Saia dessa. Nós tem os algum as festas pra dar.

Mas Zack não respondia aos estím ulos, apenas continuava

m urm urando.

– É só baboseira – Anthony disse. – Eu tam bém faço isso quando

durm o.

– Não, não é – Dam ian sussurrou. – Ele está falando em línguas.

– Línguas. Com o assim ? – Anthony perguntou.

– Glossolalia.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Glosso... o quê?

– Glossolalia – Dam ian disse num a voz quase inaudível. – O Espírito

Santo está falando por interm édio dele.

Continuar: parte 3 de 3