Visões da Morte

Gary Braver · Capítulo 6 de 10 · parte 3/3

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Visões da Morte

– Qualquer m ovim ento de qualquer…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

a

estivera. Quando o m otorista abriu a porta para ele, Zack se atrapalhou

todo com o dinheiro, m as o hom em disse que j á haviam cuidado dessa

parte.

– Décim o andar – disse o m otorista, entregando-lhe um cartão onde

estava escrito ‚Suíte Com m onwealth'. – Aproveite a sua estada em

Boston.

Zack agradeceu e entrou, sentindo-se instantaneam ente um peixe fora

d’água naquele am biente luxuoso. O saguão estava m ovim entado, com

pessoas bem -vestidas, parecendo saídas de anúncios de viagens. Ao longo

do saguão havia loj as brilhantes e vitrines de roupas de grife e j oias, além

de um café chique. O interior do elevador parecia um a caixa de j oias. No

décim o andar, Sarah recebeu-o, traj ando um vestido verde-esm eralda j usto, na altura dos j oelhos e praticam ente sem ornam entos, que deixou

Zack quase sem fôlego:

– Deslum brante – ele sussurrou.

Ela sorriu e lhe deu um abraço caloroso.

– E você tam bém está m uito elegante.

Ela pegou o braço dele e levou-o através de um a ostentosa porta para

um a suíte elegante, com j anelas do piso ao teto, com vista para o Boston

Public Garden. Várias pessoas bem -vestidas estavam sentadas em sofás

com estam pa floral ou circulavam com coquetéis. Ele reconheceu alguns

rostos do laboratório, incluindo Morris Stern, de blazer azul, e By ron

Cates, em um alinhado terno cinza. Um estafe uniform izado passeava

pelos convidados servindo-lhes bebidas e canapés. Ao longo de um a

parede havia um suntuoso bufê arrum ado de form a elaborada.

Quando a doutora Luria o viu, acenou efusivam ente para que eles se

reunissem ao seu pequeno grupinho.

– Aí está ele – ela riu e deu-lhe um abraço com o se Zack fosse seu

sobrinho favorito. – Eu quero que você conheça um a pessoa m uito

especial. Zack Kashian, este é o doutor Warren Gladstone.

Gladstone era alto e m agro, com um rosto liso e j uvenil que

contrastava com a pele flácida do pescoço, fazendo Zack achar que ele

havia feito um a cirurgia plástica. O cabelo castanho, cor de chocolate,

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

perfeitam ente penteado e repartido com precisão óptica, parecia

artificialm ente colorido contra as costeletas grisalhas. Um sorriso brilhante

e largo ilum inava-lhe o rosto. Passaria por um artista de cinem a.

– Nem posso dizer com o estou satisfeito em conhecê-lo – disse ele,

apertando a m ão de Zack. – Você tem sido m uito valioso para o nosso

program a. E, a propósito, não sou m édico. Sou doutor em teologia.

– É um prazer conhecê-lo – disse Zack. Teologia?

Elizabeth colocou a m ão no braço de Gladstone. Radiante, ela disse:

– Warren é televangelista e um escritor m uito talentoso. Ele tem

apoiado a nossa pesquisa generosam ente. Na verdade, não sei o que

faríam os sem ele.

– O prazer é m eu, e as recom pensas são grandes – disse ele. – Então,

você está na Northwestern.

– Northeastern.

– Claro. E o que faz lá?

– Estou trabalhando em m inha dissertação de pós-graduação em

Inglês.

– Maravilha. Inglês era m inha m atéria favorita na Universidade do

Tennessee, em Chattanooga. Foi lá que eu descobri Shakespeare, um

hom em de inspiração divina, por assim dizer.

Zack concordou educadam ente, enquanto Gladstone prosseguiu sem

parar, contando sobre os cursos que fez e as m ontagens teatrais em que esteve, citando várias falas.

– Minha favorita foi Ham let, é claro. Interpretei Polônio.

– É claro – disse Zack, pensando: o papel lhe cabe com o um a

luva[20]. Polônio talvez fosse o m aior falastrão da literatura ocidental.

[20]. Polônio é considerado por alguns um perfeito exem plo da loquacidade entediante. (N. da T.)

– Term inei em segundo lugar na m inha classe de estudos da língua

inglesa. Queria ser poeta e m e especializar em Inglês, m as decidi ir para o

sem inário.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Um garçom se aproxim ou com um a bandej a de cham panhe e vinho.

Felizm ente, Elizabeth o viu.

– Warren, por que não deixam os Zack pegar um a bebida e, então,

conversam os um pouco m ais?

– Claro. ‚Nada o faz sorrir; m as isso não adm ira; não bebe vinho.'

Reconhece isso?

– Parece um a fala de Falstaff[21] – disse Zack.

[21]. Personagem da peça Henrique IV, de Shakespeare. (N. da T.) Ele deu um tapinha nas costas de Zack:

– Muito bem . Henrique IV, Parte 2. Agora vá m olhar a garganta e

conversarem os m ais depois.

Sarah se j untou a ele para pegar outra bebida. Enquanto cam inhavam

na direção do garçom , ele sussurrou:

– Segundo lugar em sua classe por falar sem parar.

– Im agine quem deve ter ficado em prim eiro...

– Algum garoto cham ado Tourette[22].

[22]. Alusão à síndrom e de Tourette, caracterizada por tiques nervosos, espasm os e vocalizações que ocorrem sem pre da m esm a

m aneira, com considerável frequência. (N. da T.)

Ela riu. Pegaram as bebidas e encontraram um canto discreto, perto

da j anela.

– Sej a agradável – disse ela. – Ele é o queridinho de Elizabeth. Essa

m áquina de IRMf só existe graças a ele.

Aquilo fazia sentido, j á que nenhum a universidade, agência

governam ental ou instituição científica legítim a iria patrocinar pesquisas

sobre EQM.

– E todas essas pessoas, quem são?

– Am igos e colaboradores dele.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Ele deve ter um baita m inistério.

– Mais alguns best-sellers.

– Sobre o quê?

– Experiências de quase m orte.

Então, a ficha caiu. Reverendo W. G. Gladstone.

– Ele é o autor de Túnel para o Céu?

– Ele m esm o.

– Caram ba... – Ele tinha lido sobre EQMs, e o livro de Gladstone era

um dos poucos que tinha atingido a lista dos cam peões de vendagem

do New York Tim es. Zack se lem brava de que o livro incluía vários relatos,

inclusive o do próprio Gladstone, que alegava ter m orrido durante um a

crise de asm a alguns anos antes: um a experiência que o levou ao seu

m inistério. Ele tam bém havia registrado relatos de EQMs de pessoas

cegas, ateus e até m esm o de crianças, cuj os breves encontros com a m orte

desencadearam experiências paranorm ais. O que distinguia o livro de

Gladstone era um a interpretação para a EQM e a vida após a m orte que

não privilegiava nenhum a religião. E tam bém a celebração dos poderes de

cura am orosa de um a entidade, igualm ente não ligada a nenhum a religião

específica, que ele cham ava de Ser de Luz.

Zack tam bém se lem brava de com entários m ordazes condenando o

uso da autoridade m inisterial de Gladstone para vender livros com noções

anticristãs: a de que ninguém precisa tem er a m orte; que Deus não j ulgava

ninguém – o que faria dele um fraco; e que o céu era um a porta aberta.

Um crítico com entou: ‚No céu de Gladstone, você pode ter um a festa no

j ardim na m esm a m esa com Madre Teresa e Adolf Hitler'. Com o era de se

esperar, a m aior parte das críticas viera dos religiosos conservadores.

Enquanto os dois conversavam , um hom em grande e careca sussurrou no ouvido de Gladstone. Quando ele se inclinou, Zack notou um volum e

em seu paletó.

– Quem é o cara de terno cinza?

– Acho que ele é um assistente de Gladstone – disse Sarah. – Por

quê?

– Só curiosidade. O cara estava arm ado.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

O bufê consistia de cauda de lagosta, cam arão Newburg, vieiras e um

m onte de outros pratos sofisticados. Ele e Sarah com eram em um a das

m esas bistrô espalhadas por toda a suíte. Zack repetiu a lagosta. Mais

tarde, Gladstone passou por eles e pediu a Zack que o acom panhasse até a

j anela, onde poderiam conversar. O hom em careca e outro foram atrás,

form ando um biom bo hum ano. Do outro lado da sala, Sarah deu de

om bros.

– Eu só queria um a chance de conversar em particular. – Ele entregou

a Zack um cartão com feixes de luz saindo de um a nuvem . Gravado em

ouro lia-se ‚Luz Divina'; em baixo, telefones para contato e o endereço de

um site com os serm ões de Gladstone. No verso, um a inscrição:

‚O NOSSO PROPÓSITO EM COMUNHÃO COM O SENHOR

DEUS TODO-PODEROSO É DIFUNDIR O EVANGELHO DO

MESSIAS PARA O MUNDO INTEIRO, POR MEIO DA

COMUNICAÇÃO EM MASSA.'

– Elizabeth contou-m e tudo sobre os seus resultados notáveis.

– Acho que ela está satisfeita.

A pelanca debaixo do queixo não com binava com a cara lisa.

– Com o você deve saber, pesquisei sobre EQMs durante anos e ouvi

toda sorte de testem unhos inspiradores, na esperança de encontrar provas

para substanciá-los.

Zack balançou a cabeça, sabendo bem onde aquilo ia dar.

– Zack, eu gostaria de ouvir diretam ente da fonte. – Ele se inclinou,

aproxim ando-se m ais. – Com o você explica o fato de ter recitado as

palavras de Jesus em aram aico?

Não era o que Zack esperava.

– Na verdade, não posso.

– Alguém ensinou a você?

– Não.

– Você aprendeu isso na escola ou na escola dom inical?

– Não que eu m e lem bre.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Gladstone encarou-o com adm iração.

– Você pode im aginar qual é a m inha interpretação – disse ele. – Você

está fazendo história de form a fenom enal em neurologia, biologia, teologia

e em qualquer outra ‚ologia'. Graças a você, nós, Elizabeth e sua equipe,

podem os estar à beira da m aior descoberta j á feita pela hum anidade. Pode

im aginar a dim ensão disso?

– Provavelm ente, não.

– Bem , quem de fato pode? Mas se os testes subsequentes forem tão

anim adores quanto os prim eiros, tem os a obrigação de com partilhar isso

com o m undo. Concorda com igo? Para que o m undo saiba que a ciência

confirm ou a continuação do espírito...

Zack estava com eçando a se sentir desconfortável.

– Acho que sim .

– Você acha? Zack, estam os falando de evidência singular para a

existência de vida após a m orte e, por extensão, da existência do Senhor

Deus Todo-Poderoso.

Zack pressentiu que lá vinha um serm ão.

– Zack, a Bíblia nos diz que a fé é a certeza das coisas que se esperam ,

a convicção de fatos que não se veem . Mas a realidade é que, há m ilhares

de anos, as pessoas acreditaram no Senhor, colocando fé não em coisas

invisíveis, m as confiando nos outros, em pessoas que dizem conhecer

Deus: fam ília, am igos, m inistros, padres, rabinos, im ãs, e por aí vai. Para

os cristãos, é a confiança na figura e nos ensinam entos de Jesus Cristo.

Mas isso não é o m esm o que a crença baseada em provas concretas. E

esse é o bicho-papão, a razão pela qual a fé é considerada não racional. O centro dos debates seculares entre ciência e religião. E tam bém a razão

pela qual os ateus vociferam contra a religião: não há nada para se crer a

não ser na fé dos fiéis.

O rosto de Gladstone inchou:

– Mas você está m udando tudo isso. Você está nos dando provas

concretas de que sua m ente transcende seu corpo e atravessa o túnel para

o reino espiritual.

Zack viu-se arrastar para fora de um poço de areia no m eio da noite e

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

acabar em um banco de areia ilum inado pelo sol. Mas ele tinha certeza

absoluta de que era algum tipo de sonho induzido, resultante de toda a

estim ulação elétrica e quím ica em seu cérebro.

– Tudo bem – disse ele, para agradar o cara.

Gladstone bateu-lhe no om bro.

– Ótim o. Depois da fanfarra introdutória, eu im agino entrevistas em

vídeo de pessoas testem unhando com o a passagem delas para a luz de

Deus transform ou suas vidas para sem pre. Um testem unho após o outro,

tudo culm inando com as im agens da sua própria j ornada extraordinária.

Zack havia se esquecido do acordo que assinara, relativo à liberação da

gravação de suas sessões.

– Entretanto, vídeos por si só não podem transm itir a dim ensão da

verdade. Quero lhe dizer que eu gostaria que você prestasse testem unho

pessoal diante da congregação da Luz Divina, ou m elhor, do m undo.

– Quer dizer que você quer que eu vá ao seu program a?

– Exatam ente, e eu ficaria honrado de com partilhar o púlpito com

você.

Zack sentiu um agudo desconforto. Gladstone havia investido m ilhões

de dólares para provar a existência da vida após a m orte e agora queria

Zack com o seu garoto-propaganda.

– Mas eu não tenho nada a dizer.

– Ainda não, m as terá. – Então, Gladstone tom ou o braço de Zack,

aproxim ando o rosto de um a m aneira que deu para ele sentir-lhe o hálito

de uísque. – Estou apenas preparando o terreno.

Zack não gostou daquilo nem um pouco. Um a suspeita de experiência

extracorpórea e Gladstone j á estava pensando em usá-lo para vender livros,

seu m inistério e a si m esm o com o um novo m essias.

– Vou pensar sobre isso.

– Ótim o, e lem bre-se de que isso é m ais do que um privilégio. É um a

obrigação m oral com partilhar nosso sucesso com um m undo que j á sofreu

m ilhares de anos pela incerteza de crer em coisas invisíveis.

Zack fez outro m ovim ento não com prom etedor com a cabeça,

pensando que a única coisa invisível em que ele acreditava era o próxim o

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

cheque de m il dólares.

– Nesse m eio-tem po, viva na luz e vá com fé – disse Gladstone.

Zack afastou-se para se j untar a Sarah, pensando que j á tinha ouvido

aquelas palavras antes, m as não conseguia se lem brar de onde. Nem se

deu ao trabalho de vasculhar a m ente para descobrir, porque Sarah estava

lhe oferecendo m ais um a taça de cham panhe; e, parada ali, de costas para

o brilho rem anescente do crepúsculo, em seu vestido cor de esm eralda

que a envolvia com o a prim avera, ela lhe pareceu um a visão beatífica.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

46

O rapaz estava galgando a escada social. Uma parada de duas horas no Taj e

um a lim usine com m otorista. Rom an não se form ara na faculdade, m as até

ele sabia que os alunos não se encontram com seus professores no hotel

m ais luxuoso da cidade.

Nem o rapaz lhe parecia ter bala na agulha. Usava roupas norm ais,

m orava em um apartam ento da universidade e usava sua bicicleta ou os

transportes públicos para se locom over.

A m enos que aquilo estivesse sendo bancado pela nam orada gostosa.

Ela havia chegado sozinha, m as saíra do hotel com ele, toda produzida

num vestido verde brilhante. O Town Car estava esperando por eles.

Talvez fosse um casam ento. Talvez algum outro tipo de celebração. Mas

não parecia um encontro, chegando separados daquela m aneira.

Com o Rom an havia estacionado na Arlington Street, foi fácil seguir o

Town Car para a Storrow Drive e na direção oeste até atravessar a ponte

Larz Anderson para a Harvard Square. A lim usine parou diante da

residência da garota, na Harvard Street, e os dois desceram do carro e

entraram no prédio baixo, de três andares.

Rom an conferiu a hora no seu celular. Cinco horas de vigilância, e

tudo o que havia descoberto era que o rapaz e a garota haviam participado

de algum evento chique e, em seguida, iam transar na casa dela. Um

m aldito desperdício de tem po, ele pensou, enquanto olhava para o

pequeno visor.

Ou talvez não.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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O apartamento de Sarah ficava no segundo andar. Eles entraram na salade

estar, que era toda em branco e bege com toques de cor aqui e ali, e nada estava fora do lugar. Contra as j anelas com vista para a Harvard Street, um

sofá m acio e alm ofadado e, diante dele, um a m esa de centro com um vaso

de tulipas frescas. Nas m esinhas laterais, duas lum inárias em branco e

dourado em prestavam ao am biente um a lum inosidade suave e

aconchegante. Do outro lado do sofá, duas poltronas Luís XV brancas. Na

parede oposta, cartazes de cafés franceses. O lugar era a cara de Sarah.

– Com o é que o seu apartam ento parece saído de um a m atéria

da Architectural Digest e o m eu parece que sofreu um bom bardeio?

– Talvez porque eu estivesse esperando com panhia esta noite.

– Diga-m e que era eu.

Ela sorriu.

– Além disso, você é um hom em .

– E eu nunca estive tão grato por isso.

Sobre a lareira, retratos dos pais dela e um a foto da m oça de beca e

capelo em sua form atura, ao lado de um sorridente Morris Stern. Zack

seguiu Sarah até a cozinha, seu corpo sensual fazia com que o vestido cor

de esm eralda parecesse líquido enquanto cam inhava.

– Tinto ou branco? – Ela apontou um pequeno rack de vinhos em

cim a da geladeira.

Ele puxou um a garrafa de cabernet sauvignon e abriu-a, enquanto ela

tirava os copos de um arm ário. Em seguida, ele os encheu e os dois

brindaram .

– Adorável, escuro e profundo.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– O vinho?

– Seu olhar.

– Você é um doce. – Ela pegou o braço dele e acom panhou-o até o

sofá.

– Então, o que você achou do reverendo Gladstone?

Zack sentou-se ao lado dela.

– Além de sua capacidade de falar pelos cotovelos, ele m e pareceu

m uito sobrecarregado.

– Sem ele, não haveria laboratório.

– Ele tam bém acredita que está prestes a encontrar a Terra

Prom etida.

– Acho que é o televangelista nele falando.

– Só que ele espera que eu aponte o cam inho – disse Zack. – Que tipo

de EQM ele espera que eu tenha?

– Não creio que sej a nada em particular.

– Quero dizer, fui colocado em estado de quase m orte quatro vezes, e

tudo que consigo m e lem brar é de estar rastej ando para fora de um buraco

de areia, rebater bolas com m eu pai e, depois, segui-lo num a floresta. Não

é exatam ente rever a vida inteira com o um film e e anj os de luz.

– Só que cada sessão gera novos dados sobre o que se passa na EQM.

– Mas esta é a questão: se eu tive de fato autênticas EQMs. Quero

dizer, eu não m e senti separado do m eu corpo, olhando para m im m esm o

do alto, com o um a gaivota. E eu não atravessei nenhum túnel em direção à

luz divina.

– Você tam bém disse que essas experiências não pareciam sonhos

norm ais.

– Sim , m as eu não diria que foram sobrenaturais. Apenas sonhos

m uito realistas.

– Elizabeth acha que você experim entou transcendência.

– Mas tudo que li, incluindo o livro de Gladstone, fala sobre am or

incondicional e tranquilidade. Não senti isso. Além do m ais, eu era m ais

j ovem e m eu pai tam bém , e ele não era nenhum ser de luz.

– Então, o que você está querendo dizer?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Que talvez o doutor Stern tenha razão. Talvez tudo tenha se passado

dentro da m inha própria cabeça, e nada m ais. – Sua única explicação para

o negócio do logotipo da root beer era: pura coincidência. A im agem ficara

guardada em seu subconsciente e durante a sessão viera à tona, de m odo

que, ao acordar sedento, ansiou por um a A& W gelada. Quanto aos

pesadelos de estar enterrado na areia, colocou a culpa no anestésico – nele e no fato de seu cérebro ter sofrido traum a no acidente de bicicleta,

seguido por sem anas em com a induzido quim icam ente.

– Isso é perfeitam ente possível, é por isso que ela quer m ais testes, se

você ainda estiver disposto.

– Estou afogado em dívidas, então, estou disposto. – Mas ele ainda se

sentia dividido. Apesar das assom brosas especulações sobre um a

senciência cósm ica e vida após a m orte, não conseguia deixar de pensar

que ele estava tom ando parte em um exercício m uito caro de

pseudociência. Lem brou-se daqueles program as do Discovery Channel

sobre visitas alienígenas, com o endosso entusiasm ado e prolixo de

cientistas. Claro que ele não disse isso a Sarah. Tam bém não disse com o

ele gostaria de voltar àquela floresta e descobrir o que aquele ‚pai' do

sonho queria dizer a ele.

– Vam os ver com o você se sai na quinta-feira.

Depois de um segundo copo de vinho, Sarah baixou a cabeça no

om bro dele. Não dem orou m uito e estavam se beij ando e se acariciando.

Após um tem pinho, ela com eçou a desabotoar a cam isa de Zack e a beij ar-

lhe o peito.

– Sabe de um a coisa? – ele sussurrou.

– O quê?

– Estou com eçando a acreditar em transcendência.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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48

Às seis horas da tarde na quinta-feira, Sarah parou em frente ao prédio de

Zack para levá-lo para o laboratório.

– Bruce, você nunca esteve tão bonito – disse ele, entrando no carro.

Sarah sorriu.

– Ele tirou a noite de folga.

Ela desceu a Huntington em direção à MassPike. Mas, em vez de

pegar a saída habitual, Sarah continuou e virou na próxim a à direita e m ais

um a vez depois, passando por trás do prédio do laboratório onde um a obra

estava em andam ento. Devido às árvores altas, Zack não havia notado

antes a grande igrej a branca do outro lado das árvores por trás do

laboratório. Um a placa diante dela dizia: Tabernáculo da Luz Divina. Ao

passarem pela igrej a, os operários estavam term inando um a cerca de

segurança ao redor do laboratório.

– O laboratório fica no m esm o terreno da igrej a.

– Sim . Gladstone é proprietário de toda esta área aqui, incluindo o

laboratório.

Conform e ela prosseguia, passaram por um a casa paroquial branca e

por m ais árvores até chegarem a um novo portão de segurança na entrada

do laboratório. Por causa das árvores, a cerca, encim ada por aram e

farpado, não era visível da igrej a. Outra novidade era um a guarita com um

hom em arm ado e uniform izado. Sarah m ostrou sua identificação e o passe de visitante de Zack. O guarda olhou para Zack e deixou-os passar.

– Existe algo que eu deveria saber?

– Só que um m onte de m alucos não gosta do que estam os fazendo.

– Algum a am eaça real?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Apenas algum as m ensagens desagradáveis – disse ela. – Com o você

pode ver, os guardas são novidade.

– Guardas, no plural?

– Há outros ao redor do com plexo.

Eles estacionaram ao lado do prédio e, em seguida, encam inharam -se

para a entrada principal, onde um a barricada havia sido construída e um

técnico passou-lhes um detector de m etais e verificou o conteúdo da

m ochila de Zack. Todas aquelas m udanças em apenas alguns dias.

– Qual a gravidade das m ensagens? – perguntou ele, enquanto

cam inhavam pelo corredor até o escritório de laboratório.

– Tudo isso é m ais precaução do que defesa.

A doutora Luria estava conversando com o doutor Stern e um técnico

quando eles entraram em seu escritório. Cum prim entaram Zack e, então,

levaram -no pelo corredor para a sala de ressonância m agnética, onde ele se

trocou e foi conectado, com o de hábito, sobre a m aca.

Sarah deu-lhe um tapinha no braço.

– Pronto?

– Se você não m e trouxer de volta, o pessoal do cartão de crédito vai

ficar m uito chateado.

Ela sorriu.

– Então, eu vou trazê-lo.

– ‚Sossega, coração!' – Focando no sorriso de Sarah, ele fechou os

olhos, enquanto ela o preparava para a ressonância m agnética.

O últim o pensam ento de Zack antes de Sarah com prim ir o êm bolo

foi: Pai, estej a lá.

Zack não reconheceu o carro. Ou a rua. Nada no local significava

coisa algum a para ele. Nem o fato de que estava dirigindo em algum lugar

do país com poucas casas e florestas cerradas até a estrada. Nada tinha

qualquer significado, exceto a figura lá longe na estrada. Um a m ulher

fazendo cooper com um conj unto de m alha cor-de-rosa.

Ela usava fones de ouvido e corria num ritm o acelerado, do m esm o

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

lado da estrada. A luz do sol era filtrada pela copa das árvores. Ele

dim inuiu a velocidade para em parelhar com a atleta, que estava absorta

dem ais em sua m úsica e na corrida para notar que ele j á a estava acom panhando por uns trinta m etros.

Dois carros passaram por ele no sentido contrário e desapareceram no

espelho retrovisor. À sua frente, a estrada era um corte em linha reta por

entre as árvores, sem casas ou carros por perto. Ele parou ao lado da

m ulher. Sem alterar seu ritm o, ela virou o rosto na direção dele. Ela usava

óculos escuros com um a grande arm ação branca. Ele baixou a j anela do

passageiro, com o se fosse pedir um a inform ação.

Dem orou alguns instantes, m as o rosto dela registrou m edo e ela

parou de repente.

Rápido com o um raio, ele passou à m archa a ré e, em seguida,

arrancou para a frente. Antes que ela pudesse se m exer, ele virou o volante

abruptam ente e j ogou o carro contra ela. A m ulher gritou ao cair no

acostam ento. Quando o viu retroceder e partir novam ente em sua direção,

ela soltou um berro de pavor, que foi interrom pido quando ele passou por

cim a de seu corpo, sentindo o esm agam ento dos ossos sob as rodas.

Ele acordou com o som de seu próprio grito.

Mas ninguém no laboratório ouviu.

Algum tem po depois, ele estava em um a cadeira no escritório do

laboratório, bebendo café puro. Sarah, Luria, Stern, Cates e um técnico na

câm era de vídeo o escutavam .

– Você conhecia a m ulher? – Luria perguntou.

– Nunca a tinha visto.

– Conhecia o lugar onde estava?

– Não.

– Sabe por que a atropelou?

– Não. Nem sequer senti que era eu ao volante.

– O que você quer dizer?

– Não consigo explicar. Sim plesm ente não eram m inhas em oções. – O

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

silêncio pairou sobre a sala com o névoa. – Foi com o estar no pesadelo de

outra pessoa.

Nos m onitores de com putador, m anchas coloridas dançavam através

do esquem a de seu cérebro. Após um m om ento, a doutora Luria disse:

– Zack, você não teve um sonho ou pesadelo. Seu cérebro estava

incapaz de sonhar, em consequência do anestésico.

Ele olhou para ela sem resposta.

– Tudo indica que foi um a transcendência. Os dados ainda não foram

analisados, m as em nível intercelular os centros sensoriais do cérebro

experim entaram estím ulos externos: visão, audição, tato, m anobras

espaciais.

– Ainda tem os horas de análise pela frente – disse Stern.

– Mas você acha que foi um a transcendência? – Zack perguntou.

– Eu ainda não estou pronto para tirar conclusões.

Sarah não disse coisa algum a, m as Zack suspeitava que ela concordava com Stern. Luria fez um gesto de pouco caso com a m ão e foi para outro

m onitor, ao lado de Cates By ron.

– Seu perfil sanguíneo m ostra um aum ento dram ático de epinefrina,

outro nom e para a adrenalina. E isso significa que seu cérebro

experim entou um a situação de confronto e enviou sinais para que seu

coração bom beasse com m ais força e que sua pressão arterial se elevasse.

Você se lem bra de sentir m edo?

– Não. Nem um pouco.

– E raiva ou ódio?

Ele se levantou.

– Eu acho que j á chega, para m im . – Ele olhou para Sarah. – Estou

pronto para ir.

– Zack, eu entendo com o isso pode ser perturbador – disse a doutora

Luria. – Talvez da próxim a vez...

Mas ele a cortou:

– Eu não acho que haverá um a próxim a vez.

– O quê? Por quê?

– Não tenho certeza de que quero fazer isso de novo.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Por que não? – Luria perguntou. – Estam os fazendo um grande

progresso a cada sessão.

Zack balançou a cabeça.

– Sinto m uito.

– Se é o dinheiro, nós podem os pagar m ais.

– Não é o dinheiro. – Zack pegou as coisas dele e foi em direção à

porta.

– Zack, por favor, não vá – Luria choram ingou.

Mas ele saiu pela porta e foi atravessando a área de segurança do

saguão. Sarah estava logo atrás dele. E tam bém By ron Cates, que correu

para alcançá-lo e lhe entregou um papel.

– No caso de precisar – disse ele. Era um a receita de Haldol[23].

[23]. Medicam ento antipsicótico usado na prevenção de delírios. (N.

da T.)

Sarah pegara suas próprias coisas e estava pronta para levá-lo para

casa. Bem atrás dela vinha a doutora Luria.

– Zack, m e escute. Você pode ter experim entado transcendência total.

– Ela o segurou pelo braço. – Você não entende? Você pode ter

vislum brado a vida após a m orte e ter voltado. Você deve isso a nós... ao

m undo – ela gaguej ou de incredulidade e raiva. Seus olhos estavam

arregalados, o rosto, apoplético.

– Se há vida após a m orte, eu vou descobrir da m aneira tradicional.

E saiu pela porta, com Sarah atrás dele.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.