Visões da Morte
– Volker e G retch mataram o…
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
m as suas m ãos e seus pés estavam presos, e ele tinha eletrodos no peito e
um escalpe no braço.
Ao lado de Elizabeth Luria, em roupas norm ais, sem o j aleco, havia
dois hom ens. Um tinha a cabeça calva e arredondada e um rosto gordo
rosado. Um cara que ele j á tinha visto. O outro era m agro, de óculos e
cabelo escuro.
– Sinto m uito, Zack – disse ela. Estava parada do outro lado da m aca.
Ele tentou dizer algo, m as ela com prim iu o êm bolo, e ele apagou.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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TERCEIRA PARTE
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Você sabia sobre essas mortes. Você estava lá.
Morris Stern estava em sua m esa, em seu escritório, na escola de
m edicina da Tufts University , debruçado sobre um a xícara de café que
estivera bebendo antes de Sarah ter entrado sem avisar. Mas, se não
fossem pelos espasm os de seu olho esquerdo, ele aparentaria indiferença
ao olhar para as fotocópias dos artigos sobre os m oradores de rua
encontrados m ortos.
– Eles podem ter sido voluntários em qualquer um dentre inúm eros
outros laboratórios.
– De qual deles? Do Centro de Pesquisa Zum bi?
– Isso não é particularm ente engraçado.
– Nem a sua obstrução, Morris.
A agressividade de suas palavras surpreendeu até ela própria. Morris
havia sido seu professor favorito e orientador de sua tese. Além disso, ela o
respeitava com o um a figura paterna, alguém em quem ela podia confiar.
Quando a m ãe dela m orreu, dois anos antes, foi Morris quem a am parou,
quem a aj udou a tom ar as providências para o funeral.
– Fiquei lisonj eada quando você m e convidou para fazer parte da
equipe. Senti-m e privilegiada em estar trabalhando em um grande proj eto
de vanguarda. Mas você usou essas pessoas, Morris. Você fez sessões com elas e as deixou em algum banco de parque. Sem acom panham ento. Sem a
verificação de efeitos colaterais ruins. Você usou-as com o ratos de
laboratório.
– Essas pessoas eram m oradores de rua – disse ele, espetando o dedo
sobre o artigo e esprem endo os olhos para ela, num sim ulacro de
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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indignação. – Você sabe tão bem quanto eu que todos os nossos
voluntários são estudantes universitários, m onitorados de perto durante e
depois.
– Agora, eles são. Antes, eram pessoas que você com prava nas ruas.
Gente de quem ninguém sentiria falta.
Ele não conseguiu sustentar o olhar e baixou a vista para os recortes.
– Eles poderiam ter obtido a droga em qualquer lugar, em outro
laboratório, no m ercado negro, o que quer que sej a. Então, não venha m e
acusar de práticas antiéticas antes de ter certeza de que diabos você está
falando.
– Aqui diz que cientistas lhes pagaram para participar de testes de
sono. Foi o m esm o cham ariz que você espalhou em quadros de avisos de
estudantes por toda a cidade. E eu verifiquei j unto a agências de saúde do
Estado: há anos que nenhum a outra instituição de pesquisa usa tetrodotoxina. Apenas o proj eto Proteu.
– Já ouvi o suficiente de você. – Ele se levantou. – Esta conversa
acabou.
– Você nem ao m enos se im porta, não é? Dois com eteram suicídio,
outro im plorou ao am igo que lhe arrebentasse a cabeça. E quem sabe
quantos m ais? Foram atorm entados com visões horríveis, e vocês nem se
im portaram .
– Sarah, isto se transform ou em um interrogatório, e isso m e m agoa.
– Você prefere a polícia?
Seu olho esquerdo estrem eceu.
– É um a am eaça?
– O que vocês fizeram é crim e.
– Você não tem prova algum a e nenhum direito de m e acusar. Agora,
dê o fora daqui.
Sarah m al podia acreditar que aquele era o m esm o hom em que ela um
dia idolatrara: um hom em de ideais nobres, um hom em que
aparentem ente dedicara sua ciência para m elhorar a qualidade de vida das
pessoas, que prestara o j uram ento de Hipócrates. De repente, ele era um
covarde, um velho patético negando ser um assassino. Antes de partir, ela
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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tirou um a grossa pasta de sua bolsa e largou-a diante dele.
– O que é isso?
– Um de seus segredinhos.
Ele não tocou na pasta.
– Eu lhe disse para sair daqui.
Sarah abriu a pasta e revelou im agens neuroelétricas que ela baixara
dos arquivos do laboratório.
– Parecem fam iliares? – ela perguntou.
Ele olhou para as im agens e o nom e em negrito na etiqueta.
– Você o usou, tam bém – disse ela. – Então, girou nos calcanhares,
em direção à porta. – Talvez você estej a certo, afinal. Não existe Deus,
apenas hom ens.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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G eorge Megrichian adorava pescar na praia. Fizera isso a maior parte de seus
56 anos.
Já havia pescado por toda parte, m as aquele era o seu local preferido,
porque não tinha ninguém por perto e pelo volum e de areia. Na verdade,
aquela era a única praia na Baía de Massachusetts que vinha crescendo
em volum e, porque Lower Cape estava erodindo e toda a sua areia estava indo parar naquele local. Vinte anos antes, a praia era segm entada a cada
cem m etros por m olhes de pedra tão elevados que, na m aré alta, as
crianças m ergulhavam de suas extrem idades em águas profundas. Agora,
nem um só granito era visível no trecho de oito quilôm etros. Por duas
décadas, m ilhões de toneladas de areia haviam sido arrastadas para a costa,
aterrando o quebra-m ar e aum entando a faixa de areia cerca de
quatrocentos m etros. Ele costum ava brincar dizendo que, se vivesse m ais
m il anos, seria capaz de ir andando por ali até Portugal.
Com o aquela era um a praia particular, nunca se encontrava m ais de
vinte pessoas na faixa de areia, m esm o que fosse a sem ana do feriado de
Quatro de Julho. Claro que, m ais de um quilôm etro e m eio para o leste,
ficava Scusset Beach, que era pública e lotava nos fins de sem ana de
verão. Mas ali não. E não im portava o lado para que se olhasse, não se
avistava vivalm a.
A m aré estava cheia e o sol tinha acabado de rom per o banco de
nuvens que pairavam no horizonte.
Ele lançou sua linha na água e enfiou o cabo da vara no suporte
enterrado na areia. Então, sentou-se em sua cadeira dobrável com um a
caneca de café e estendeu as pernas nuas para os raios do sol da m anhã.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Em alto m ar, veleiros cruzavam o horizonte, com as suas buj arronas
infladas contra o vento e brilhando contra o azul-celeste. Não podia ser
m elhor, George pensou. O céu deve ser assim .
De repente, com o canto do olho, ele viu passar algum a coisa. Olhou
para a direita. Fora um pouquinho acim a da linha deixada pela
tem pestade, onde havia um acúm ulo contínuo de algas em purradas
durante os tem porais de inverno, agora negras, ressecadas pelo sol.
A prim eira coisa que pensou foi que a luz do sol nascente havia lhe
pregado um a peça. Mas a superfície da areia parecia estar em m ovim ento.
Caranguej os. Só que os caranguej os não vivem na areia alta e seca, apenas
na área m olhada.
Quando ele endireitou o corpo para ver m elhor, um a m ão ergueu-se
da areia.
– Santo Deus! – George exclam ou. Levantou-se de qualquer j eito da
cadeira, derrubando a caneca de café. Logo depois, um a segunda m ão
abriu cam inho para fora da areia. Então, apareceram braços. De repente, a
m etade superior de um hom em levantou-se da areia, esfregando o rosto e
cuspindo os grãos.
Por alguns segundos, George estava m uito congelado pelo horror para
se m exer – atordoado dem ais com o que os seus olhos estavam registrando.
O hom em rolou para o lado, para liberar as pernas e, em seguida, pôs-se de
quatro, cuspindo areia e engolindo ar. Estava vestindo shorts, m as nada de
cam isa ou sapatos. George observava a cena boquiaberto.
O buraco tinha cerca de sessenta centím etros de profundidade, m uito profundo para que a areia o houvesse coberto naturalm ente, com o se
tivesse bebido dem ais na noite anterior e deitado por ali m esm o. Ele havia
sido enterrado.
O cara se esforçou para se colocar em pé, cam baleando e babando,
parecendo um daqueles zum bis de film es. A certa altura, apertou o lado do
corpo com a m ão e gem eu, enquanto quase se dobrou de dor. Então, olhou
para a m ão, com o se estivesse procurando o sangue.
Nesse m om ento, antes que George percebesse, o cara com eçou a
cam inhar vacilante em sua direção. George gritou e agarrou a vara para se
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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defender, segurando-a com o se fosse um bastão de beisebol. Mas o cara
passou por ele se arrastando, esfregando o rosto e as m ãos, m ovendo-se
estranham ente inclinado, com o se tivesse pontadas de dor em seu lado
esquerdo.
Ia em direção à escadaria de m adeira que levava ao topo das falésias
Manom et. Não disse nada, não olhou para trás, apenas subiu os degraus
um a um até o alto e depois desapareceu, deixando George se perguntando
com o ele iria explicar aquilo para sua esposa.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Foram premonições – disse Zack. – Eu ficava vendo a mim mesmo sendo
enterrado vivo.
Sarah olhou para ele.
– Mas com o você poderia ver algum a coisa no futuro? Isso é
im possível.
– Eu não sei com o. Não entendo nada disso, só que aqueles filhos da
m ãe m e deixaram em estado de quase m orte e depois m e largaram em um
buraco naquela praia.
Era quase m eio-dia, e ele havia cam baleado até o com plexo de
condom ínios e cam pos de golfe White Cliffs. Com suas cuecas sam ba-
canção estam padas, parecia que ele havia acabado de chegar de um banho
de sol. No topo, ele encontrou um j ardineiro e perguntou se ele poderia
lhe em prestar o celular. Duas horas depois, Sarah o pegou na Rota 3A.
Seu cérebro ainda estava confuso e lento, e um lado de seu corpo
doía, em bora não houvesse nenhum ferim ento ou hem atom a.
– E quanto a Stern?
– Ele negou tudo. Apenas ficou parado lá e m entiu na cara dura.
Ainda não consigo acreditar.
– Porque é a verdade e ele está se borrando de m edo.
– Mas ele não estava no laboratório na noite passada, estava?
– Eu não o vi. Apenas Luria e os capangas de Gladstone. Mas ele
poderia estar sabendo que eles iam atrás de m im . Sem dúvida, telefonou
para Luria e contou sobre a sua visita, o que significa que, provavelm ente,
ela está no laboratório apagando as provas.
– Ou em seu escritório na escola – disse Sarah. – Tem os de ir à
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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polícia.
– É a nossa palavra contra a deles – disse ele, pensando em com o ele
queria pegar Elizabeth Luria sozinho.
– Talvez não... – disse ela.
Sarah contou-lhe que, depois de ter deixado o escritório de Morris
Stern, havia ligado para vários hospitais locais para obter inform ações
sobre quaisquer pacientes cuj os exam es de sangue houvessem m ostrado
sinais de tetrodotoxina. Ela inventou um a história de que parte do estoque
da substância fora roubada do laboratório após um arrom bam ento e que
ela estava trabalhando com autoridades do Conselho Estadual de
Medicina para aj udar a localizar vítim as. Claire Driscoll, um a velha am iga
da escola de enferm agem , que trabalhava no Jordan Hospital, ligara para
ela de volta, dizendo que um a colega enferm eira poderia ter algum as
inform ações relativas a isso. Sarah, em seguida, telefonou para a m ulher, que disse que estaria à disposição para conversar naquele dia m esm o, em
qualquer horário. Seu nom e era Karen Wells.
– Acho que talvez tenham os algo para m ostrar à polícia. Mas,
prim eiro, tem os de pegar um as roupas para você.
Dirigiram até o Independence Mall, em Ply m outh, onde Sarah correu
para a Sears e com prou para Zack um a calça j eans, um a cam isa e sapatos.
E tam bém bolos, suco e café. Ele com eu e se vestiu no carro. Sua cabeça
ainda estava zonza, e ele se sentia lento e pesado. Estava ansioso para
registrar um boletim de ocorrência contra Elizabeth Luria, m as concordou
em ir com Sarah, que estava convencida de que isso poderia ser m ais um a
evidência para form ar um caso. E o Jordan Hospital ficava no cam inho.
Eles encontraram a enferm eira Wells no balcão da sala de
em ergência. Era um a m ulher de aparência agradável, em torno dos 50
anos, com olhos azuis vivos e inteligentes, segura e proativa. Sarah se
apresentou e a Zack e reiterou o que dissera ao telefone.
A enferm eira Wells tinha um a pasta do desconhecido em questão.
– Devo dizer que foi um fato inédito – disse ela. – Trabalho aqui há
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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quase vinte anos, e nunca tivem os um a m orte diagnosticada
erroneam ente. Tínham os toda um a equipe de triagem em cim a dele e, m esm o assim , o cara foi declarado m orto.
– Então, você está dizendo que ele foi de fato diagnosticado
erroneam ente com o m orto – disse Zack.
– Ou isso ou o cara era um zum bi.
– Então, com o foi que ele apareceu aqui?
Ela checou a pasta.
– Um a am bulância o trouxe por volta das três da m anhã.
– Quando aconteceu isso?
– Em 9 de m aio de 2008. Eles atenderam a um a cham ada feita para o
911. Acho que algum as pessoas que voltavam de um a festa o encontraram
debaixo de uns arbustos.
– Onde foi isso?
– Ply m outh County , ao sul de White Cliffs, em Manom et.
– Manom et. Isso é perto de Sagam ore Beach.
– Sim .
– Qual era a condição dele quando o trouxeram ? – Sarah perguntou.
– Morto. Sem batim ento cardíaco, sem pulso, tem peratura 27,7 graus.
Mas os param édicos disseram que ele tinha pulso quando o encontraram .
Nós tentam os reanim á-lo com m assagem cardiorrespiratória e
desfibrilador, m as não funcionou. Em seguida, inj etam os nele drogas de
ressuscitação, m as isso tam bém não adiantou. Então, nós o declaram os
oficialm ente m orto.
– Com o você explica o fato de ele se levantar e sair do hospital por
conta própria?
– Sei lá... De um a coisa, eu tenho certeza: não falham os em nosso
diagnóstico. Tínham os todos os m onitores ligados e seu eletrocardiogram a
deu linha reta.
– Seria possível assistirm os ao vídeo de segurança? – perguntou Zack.
– Na verdade, j á o deixei separado – disse ela. – Porque, com o não
conseguim os identificá-lo, não há violação da confidencialidade do
paciente. Além disso, o vídeo é m uito granulado e não se distingue o rosto
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
dele.
Ela os levou a um pequeno escritório com equipam entos de vídeo e
fechou a porta.
– Com o eu disse, é totalm ente assustador – continuou Karen. – O
cara estava m orto ao chegar. – De um a caixa de plástico, ela retirou um
DVD e inseriu-o no com putador. Fez alguns aj ustes e, em seguida,
afastou-se para que Zack e Sarah pudessem ver o m onitor.
Na tela, um a enferm eira com um a prancheta cam inhava por um
corredor silencioso. Karen avançou rapidam ente até o ponto em que os
param édicos irrom peram por um a porta em purrando a m aca com um
hom em até um a das baias.
– Ok, eu vou pular algum as horas – disse Karen.
O m esm o ângulo de visão, a partir do teto, m ostrando todo o corredor
ao longo dos cubículos do paciente. Nenhum m ovim ento, a não ser por
um faxineiro em purrando um carrinho. Após alguns segundos, um hom em
em erge de um dos cubículos. Seu rosto é m ostrado obliquam ente pela
câm era, e ele está nu da cintura para cim a. Há eletrodos redondos colados
aos seus om bros e ao seu peito. Ele se m ove sem firm eza com os pés
descalços pelo corredor e desaparece pela saída.
– Eu realm ente não posso explicar, m as aí está – disse Karen.
– Vocês pediram um exam e toxicológico?
– Sim , m as, com o ele foi m al diagnosticado, não houve a preocupação
de se fazer um acom panham ento. – Ela puxou um bloco do bolso. – O que
descobriram foi que ele não tinha álcool nem drogas-padrão no organism o,
m as apresentou traços de quetam ina e de tetrodotoxina, a droga sobre a
qual você perguntou.
Sarah lançou um olhar para Zack, que ainda estava olhando para o
m onitor.
– A quetam ina nós usam os o tem po todo. É um sedativo para
pacientes subm etidos à cirurgia. Reduz o traum a e os aj uda a esquecer da
penosa experiência. Mas, francam ente, não estou fam iliarizada com
tetrodotoxina, pelo m enos não até você ligar.
– É a cham ada droga zum bi – disse Sarah. – O que os sacerdotes de
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
vodu no Haiti usam para sim ular a m orte das pessoas e, em seguida,
reavivá-las horas depois.
– O que pode explicar o fato de não term os conseguido registrar o
pulso e o batim ento cardíaco.
– A dose certa baixa a tem peratura do corpo e reduz o pulso, a
frequência cardíaca e a pressão arterial a um m ínim o, provavelm ente
abaixo do que as m áquinas conseguem detectar.
– Ao que parece, foi o que aconteceu, pois ele saiu daqui tropeçando,
com o se estivesse se m ovendo graças apenas a im pulsos do tronco cerebral
– disse Karen. – Então, onde diabos ele conseguiu toxina de baiacu?
Certam ente, não é coisa que se estoque por aí.
– Porque não tem nenhum benefício m edicinal. É um a substância
em pregada estritam ente em pesquisa.
– Então, você acha que ele invadiu o seu laboratório?
– Possivelm ente.
– Você poderia exibir o vídeo novam ente? – Os olhos de Zack ainda
estavam fixos no m onitor.
– Claro – disse Karen, reiniciando o vídeo.
Quando chegou ao ponto onde o hom em surgia saindo da baia, Zack
apertou o botão de pausa.
O vídeo congelou em um quadro que m ostrava o hom em de perfil,
enquanto descia o corredor vazio em direção à saída. A im agem estava granulada, pouco nítida.
– E vocês nunca conseguiram identificá-lo?
– Ele não tinha docum entos. Apenas a calça e a cam iseta. Sem
carteira, sem identificação. Sem sapatos ou m eias. Seus pés estavam
sangrando. Ele tam bém estava coberto com picadas de insetos e areia.
– Areia? – disse Zack.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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O primeiro impulso de Roman foi seguir a mulher que saía do prédio do
Centro de Pesquisa de Neurociência. Ela era bonita e bem feita de corpo,
e seria divertido ficar olhando o seu traseiro. Só que ele sabia quem ela
era: Sarah Wy m an, assistente de pesquisa que fazia pós-doutorado na
Tufts. E que tam bém trabalhava m eio período em um laboratório que, de
acordo com Norm an Babcock, conduzia o proj eto de EQM em um a
residência pastoral adaptada, no terreno da igrej a de Gladstone, em
Medfield.
Era o velho no escritório do segundo andar que o interessava. O nom e
na porta dizia: ‚Dr. Morris J. Stern'. Não sabia a natureza do
relacionam ento dos dois, m as, a j ulgar pela form a com o ela saiu, parecia
que haviam tido um a briga.
Sej a com o for, Rom an tinha tem po livre, e ficar de olho em Stern lhe
pareceu um a boa ideia. Então, voltou para o saguão, onde se escondeu
atrás de um livro sobre experiências de quase m orte. Nunca experim entara
um a, m as queria saber se havia algo de verdade naquilo. O que ele leu lhe
pareceu m uito bobo: pessoas flutuando, olhando para baixo e vendo seus
corpos quase m ortos, sentindo-se plenas de am or e felicidade. Todos os
testem unhos pareciam iguais e m uito sinceros. Quase todos afirm avam
que a m orte não havia sido horrível, m as, sim , m aravilhosa, usando
expressões e term os com o ‚intensam ente feliz', ‚doce', ‚suave',
‚sensorial', ‚tranquila' – com o se fosse algo tão bom que não quisessem
voltar à vida.
Mas Rom an estava confuso. Em bora houvesse aceitado a grana de
Babcock com prazer, não conseguia entender a indignação dele. Quase
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
todos os relatos eram sobre encontros gloriosos com seres de luz,
com unicação m ente a m ente com ‚um a presença am orosa onisciente', que
alguns cham avam Deus e outros, Jesus. E todos afirm avam que as
experiências transform aram suas vidas para m elhor: tornaram -se m ais
espiritualizados, am orosos, bondosos, m ais sintonizados com o universo.
Alguns agnósticos e ateus até viraram crentes depois das suas EQMs.
Então, onde estava a blasfêm ia? Onde estava o velho Satã em tudo
aquilo?
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Eles não podiam ir à polícia sem antes reunir evidências ligando as vítimas
dos testes ao laboratório. Tam bém precisavam de um a prova de que Sarah
havia se j untado ao proj eto Proteu após pararem de usar m oradores de rua
com o cobaias. Mas isso levaria m ais tem po do que eles dispunham . Então,
Zack sugeriu à Sarah que fossem para o apartam ento dele, onde tom ou
banho, se trocou e colocou um a m uda de roupa em um a sacola. Depois,
seguiram de carro até a Com m onwealth Avenue, onde Zack alugou um
Nissan Murano em um a locadora de carros perto do câm pus da Boston
University , e foram até um estacionam ento em Longwood.
Enquanto Sarah esperava no carro, ele subiu ao terceiro andar do
Goldenson Building no câm pus da Escola de Medicina de Harvard. E,
exatam ente com o a secretária havia dito quando ele ligou, ela estava em
seu escritório. Sem bater, Zack abriu a porta.
Elizabeth Luria estrem eceu visivelm ente em sua cadeira, o rosto
em palidecendo em torno de sua m arca de nascença.
– Parece que você viu um fantasm a. – Ele fechou a porta atrás de si.
Ela soltou um pequeno guincho enquanto sua boca trem ia, buscando
palavras.
Ele cam inhou até sua m esa, que estava coberta com um a papelada.
– Retornando dos m ortos, e m ais quente do que nunca.
– Eu posso explicar.
– Explicar o quê? Com o você m e sequestrou e depois m e enterrou
vivo? Eu realm ente gostaria de ouvir isso, Elizabeth.
– N… nós precisávam os de só m ais um a sessão para confirm ar a
fusão, apenas um a, m as você se recusou. Estávam os tão perto, eu... eu
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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sim plesm ente fiquei desesperada.
– Então, você m e pôs à força em estado de quase m orte e m e
abandonou para que eu m orresse de verdade. Mas eu aposto que você tem
seus dados.
O rosto dela se ilum inou:
– Sim , sim . É notável. Realm ente. Confirm a...
– Blá, blá, blá... Então, você m e enterrou vivo.
– Isso foi um acidente, eu j uro. Nós não conseguim os reviver você.
Algum a coisa deu errado. Talvez fosse cedo dem ais para outra sessão.
Talvez o sedativo ainda estivesse em seu organism o. Eu não sei.
– Mas você tentou, claro.
Seu rosto exibiu um a expressão exagerada.
– Oh, m eu Deus, nós tentam os. Claro! Claro, inj etam os epinefrina em
você. Usam os o desfibrilador várias vezes. Nada funcionou, eu j uro. Você
não tinha batim entos cardíacos, m esm o depois de tudo o que fizem os.
– Então, o que eu estou querendo saber é com o brilhantes
neurocientistas com a m áquina de ressonância m agnética m ais sofisticada
do planeta não notaram que o m eu cérebro ainda estava vivo.
– Nós não conseguim os obter um a leitura. Algo deu errado.
– Mas você confirm ou que eu transcendi e m e fundi com outra
senciência.
– Sim . – Gotas de suor haviam se form ado nas bolsas sob os olhos
dela.
– E você m e enterrou em Sagam ore Beach.
– Por ser o local em que você disse que se sentiu m ais espiritualizado.
– Um pouco de déj à-vu, de novo.
– Com o disse?
– Exatam ente com o o m eu pai. – Assim que ele disse isso, sentiu um a
forte pontada na lateral do seu corpo.
– O quê? – Ela congelou por um m om ento. Em seguida, estendeu a
m ão para o telefone sobre a m esa. Mas ele se aproxim ou e arrancou o fio
da parede.
– Se gritar por socorro, eu m ato você.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– O que você quer?
– Eu quero que m e diga por que você m atou m eu pai.
Mais um a vez ela hesitou, tentando recuperar o auto- controle.
– Nós não o m atam os. Ele m orreu na m aca.
– Ele ainda estava vivo quando o sepultaram .
– O quê?
– Ele escavou seu cam inho para fora da areia – disse ele. –