Visões da Morte
Maggie olhou para as im agens estupefata.…
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
em aram aico.
A única coisa que poderia fazer sentido era a possibilidade de que, em
algum m om ento durante seus estudos, ele tivesse lido ou escutado um a
fita e isso houvesse se fixado em sua m em ória, consciente ou
inconscientem ente. Mas isso suscitava ainda m ais perguntas: onde poderia
ter encontrado um a gravação assim ? E, m esm o se ele tivesse encontrado,
por que Zack, que se orgulhava de ser um hum anista secular, ficaria
interessado nela? Ou guardaria de cor o pai-nosso no original? Isso sem
questionar o fato de ele ter m urm urado as passagens durante o com a.
Outra possibilidade era Nick. Durante o seu declínio, havia se tornado
um fanático religioso, talvez a ponto de ler a Bíblia em aram aico. Era
possível que, sem que ela soubesse, ele houvesse ensinado a Zack quando
esse ainda era criança.
Fosse qual fosse a explicação, Zack estava agora em um quarto
reservado, com um a equipe sigilosa e segurança perm anente – um arranj o
feito pelo hospital, que tem ia que Maggie processasse a instituição por violação do direito do filho à privacidade. Stephanie, a auxiliar de
enferm agem , havia sido dem itida por postar o vídeo.
Em bora a grande m ídia j á tivesse deixado a história de lado, na
Internet, grupos religiosos reclam avam pelo fato de estarem barrando as
pessoas no hospital, privando-as da cura divina. Fotografias de Zack ainda
circulavam , assim com o o vídeo. Havia tam bém um a foto de um a
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
indistinta m ancha de infiltração na parede acim a de seu leito, que diziam
ser o rosto de Jesus.
Para Maggie, parecia um a m ancha de infiltração. Um a insípida
m ancha de infiltração.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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O anúncio da morte de Thomas Pomeroy estava nas páginas do obituáriona
form a de um longo artigo sobre o hom em e sua vida. E Rom an o leu com
interesse.
Pom eroy havia sido encontrado m orto em seu sofá da sala por um a
em pregada dom éstica. O relatório da autópsia afirm ou que ele m orrera de
‚parada cardíaca' – palavras que encheram Rom an de orgulho.
De acordo com o j ornal, Pom eroy destacara-se por seu papel no
desenvolvim ento ‚de im agens de ressonância m agnética (IRM) de alta
resolução. Em bora equipam entos de ressonância m agnética estivessem
disponíveis desde o com eço da década de 1980, a contribuição do doutor
Pom eroy aprim orou grandem ente os recursos de im agem para visualizar
os clusters individuais de células cerebrais, o que facilita o
acom panham ento do progresso dos tum ores cerebrais...'
Em seguida, os com entários de colegas e fam iliares sobre sua
inestim ável contribuição para a física m édica e a prática de diagnósticos
radiológicos. Todos os seus cursos em instituições renom adas e prêm ios
foram listados entre as suas realizações, e a m atéria inform ava tam bém
que o físico deixava um a filha e três netos em Phoenix, blá... blá... blá...
Rom an tom ou um gole de Red Bull, pensando em com o ele era bom
em seu ram o e com o não havia perdido o j eito após todos aqueles anos.
Ainda era capaz de despachar um suj eito sem escrúpulos nem piedade;
agora, então, tornara-se ainda m ais resoluto, j á que estava trabalhando para
um a causa m aior. Na verdade, a m aior. Com o o próprio São Miguel.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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No passado, Rom an m antinha o respeito profissional pela privacidade
do cliente. Ele raram ente sabia com quem estava negociando. Da m esm a
form a, nunca perguntava sobre a vida daqueles que liquidava. Não era
apenas desinteressado, m as tam bém achava que não era um a boa ideia
conhecer seus alvos. A curiosidade poderia enfraquecer sua determ inação
de m eter um a bala na cabeça de um cara que fosse treinador da Liga
Infantil e tivesse um a penca de filhos. Por outro lado, indagar sobre os
m otivos que levaram determ inado indivíduo a se tornar um alvo colocava
em perigo sua própria vida. Então, lidava com seu negócio na base do
anonim ato total.
Mas o serviço de Pom eroy com eçou a corroê-lo. Por que alguém iria
querer assassinar um fam oso físico m édico?
E por que alguém a serviço de Deus?
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Emma Roderick não conhecia Stephanie G lass pessoalmente, a auxiliar de
enferm agem que ela havia substituído, m as tinha ouvido falar sobre a
dem issão. Até outro dia, Em m a trabalhava em um a enferm aria de
gerontologia, onde a m aioria de seus pacientes sofria de dem ência e um rol
de doenças físicas associadas à idade avançada. Os pacientes da ala onde
trabalhava agora tinham m enos de 50 anos e estavam em vários estágios de
reabilitação de um a infinidade de problem as neurológicos – derram es,
aneurism as, ferim entos na cabeça, overdoses.
O que ela sabia era que, por ordem da adm inistração do hospital, Zack
Kashian havia sido transferido para lá a fim de que pudessem escondê-lo
da im prensa e do público, porque fanáticos religiosos haviam invadido seu
quarto na sem ana anterior, afirm ando que Deus estava falando por
interm édio dele e realizando m ilagres. Ela havia visto o vídeo do telefone
celular e não acreditava em nada daquilo que estavam dizendo sobre Zack. Assim com o seus pacientes com dem ência, o pobre rapaz balbuciara
sílabas sem sentido e as pessoas exageraram , afirm ando que aquilo era
obra de Deus; e a m esm a coisa podia ser dita em relação ao rosto de Jesus
na parede e a um a im agem da Virgem Maria vertendo lágrim as de sangue,
e ao ar denso com o perfum e de rosas.
Infelizm ente, as pessoas acreditam no que querem acreditar, Em m a
disse a si m esm a. Mas a dura realidade era que Zachary Kashian estava no
nível dois na Escala de Com a de Glasgow[5], ou sej a, ele provavelm ente perm aneceria em um sono profundo por um longo tem po, talvez até a
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
m orte. Os assistentes sociais j á estavam conversando com sua fam ília
sobre a possibilidade de transferi-lo para um a clínica particular de
reabilitação.
[5]. A classificação pela Escala de Com a de Glasgow obedece a três critérios: resposta de abertura ocular, fala e capacidade m otora. (N. da T.)
Com o Em m a era novata, trabalhava norm alm ente no sacrificante
turno da noite, das 23 horas às 7 horas, e em feriados com o aquele, um
dom ingo de Páscoa, durante o dia.
Era m eio da tarde, e ela iria celebrar o feriado, naquele ano, à noite.
Seus pais foram m uito com preensivos, especialm ente sua m ãe, que
apreciou não precisar se levantar ao rom per da aurora para preparar a refeição – a tradicional perna de cordeiro e geleia de m enta caseira. Sua
irm ã e a cunhada levariam feij ão, batata gratinada, aspargos e cenouras,
além de um a torta com recheio de m orango e ruibarbo, a preferida de seu
pai.
– Pai.
Por um m om ento, Em m a pensou que ela havia pronunciado a sílaba
em voz alta sem se dar conta.
Virou a cabeça para a cam a, e um raio de eletricidade atravessou seu
peito. Os olhos de Zack Kashian estavam abertos e fitavam -na.
– Pai – ele sussurrou.
– Oh, m eu Deus! – ela engasgou, com o se o cara houvesse ressurgido
dos m ortos. – Espere. Espere... – disse ela, e saiu correndo do quarto para
cham ar Heather, a enferm eira de plantão, e Seth Andrew, o m édico
residente.
Quando retornaram , Zack ainda estava olhando para a frente.
Com o Heather havia estado naquela enferm aria por m uitos anos e j á
tinha visto outros pacientes acordarem do com a, ela im ediatam ente
assum iu o com ando.
– Oi, Zack. Meu nom e é Heather e sou a sua enferm eira. Este é Seth,
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
o seu m édico, e esta é Em m a. Você pode m e ouvir?
Zack olhou para ela, m as não respondeu.
– Zack, quero que você m e escute, ok? – Ela se m ovim entava de um
lado para o outro para determ inar se ele a estava acom panhando. Ele
estava. – Bom , Zack. Sei que é confuso para você, m as quero que m e diga
o seu nom e.
Por incrível que pareça, Zack olhou diretam ente para Heather e disse
em um a voz áspera pelo desuso:
– Zack.
– Isso é ótim o. Agora m e diga seu nom e com pleto, o sobrenom e
tam bém .
– Zachary Kashian. – Então, ele revirou os olhos para Em m a. – Onde
está o m eu pai?
Em m a tentou controlar a trem edeira.
– Seu pai? – perguntou com um a vozinha esganiçada.
– Ele estava aqui.
– Não havia m ais ninguém aqui – disse Heather.
– Eu acho que você estava sonhando – disse o doutor Andrew.
– Não. Ele estava aqui. – Zack fechou os olhos novam ente e virou a
cabeça.
– Zack! – Heather gritou. – Abra os olhos. Por favor, abra os olhos de
novo.
Zack não respondeu.
– Zack – disse o doutor Andrew –, não se assuste, m as você está em um hospital. Você sofreu um acidente que o deixou inconsciente por um
tem po. Mas você está m uito m elhor, e a grande notícia é que você
acordou.
Zack entreabriu os olhos novam ente. E o doutor Andrew foi rápido em
capturar seu olhar.
– Zack, olhe para m im , ok? Mova os pés.
Os seus pés, ainda com os tênis novos, apontavam para o alto no final
da cam a. Zack m ovim entou-os de um lado para o outro, batendo-os.
– Bom trabalho. Isso é fantástico. Agora, eu quero que você m e diga
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
onde você m ora.
– Magog Woods.
– Onde?
Em m a sabia, pelo prontuário, que ele vivia em Boston, perto
do cam pus da Northeastern University .
– Magog Woods.
– Onde fica isso? – Heather perguntou.
Zack fechou os olhos novam ente.
Com um a voz enérgica, Heather disse:
– Zack, abra os olhos. Vam os lá, m antenha-os abertos e fale com igo.
Diga-m e onde você frequenta seu curso.
Nenhum a resposta.
– Zack – o m édico disse –, você sofreu um acidente de bicicleta e foi
trazido para o hospital. Você se lem bra disso?
– Areia.
– Areia? O que tem a areia? Você derrapou na areia? Fale-m e a
respeito disso. Zack, por favor, abra os olhos. Você não pode voltar a
dorm ir novam ente. Por favor. Você está indo m uito bem .
– Bati a cabeça. – Ele abriu os olhos.
– Você bateu a cabeça? Diga-m e do que você se lem bra, Zack. Diga-
m e com o você bateu a cabeça.
Fechou os olhos de novo e rolou a cabeça para o lado.
– Vam os, Zack, abra os olhos. Você não pode adorm ecer novam ente.
Diga-m e com o você bateu a cabeça. Será que caiu da sua bicicleta?
Mas Zack m antinha os olhos fechados, e Heather e o m édico
continuavam tentando convencê-lo a abri-los outra vez, tem endo que ele
m ergulhasse no com a novam ente.
Mas, depois de alguns segundos, seus olhos se abriram de novo. Ele
olhou para os braços com o soro e a m edicação, os m onitores ligados ao
seu peito, os tubos ao longo de seu corpo correndo para bolsas e os
cateteres de alim entação, e então disse:
– Há quanto tem po estou assim ?
– Bem , algum as sem anas.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
Zack olhou para Heather sem expressão, m as sua m ente avaliava o
que a enferm eira acabara de lhe dizer. Estrem eceu e fechou os olhos
novam ente.
Ela se aproxim ou.
– Zack, m antenha os olhos abertos.
– Ele está aqui – Zack sussurrou.
– O que foi? Quem está aqui?
Mas Zack voltou a dorm ir.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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17
Às oito horas da manhã seguinte, a enfermeira Heather entrou no quarto de
Zack.
– Oi, Zack, com o você está?
– Ok.
– Pronto para receber visitas? – Heather estava radiante. – Sua m ãe
está aqui para vê-lo.
Várias horas se passaram desde que Zack despertara. Sentia-se m ais
concentrado e m enos cansado. Mantinham -no acordado bom bardeando-o
com perguntas para avaliar suas funções cognitivas. Dem orou um pouco
para ele se conform ar com o fato de que estivera em com a por doze
sem anas, que havia perdido as férias de prim avera e o Cam peonato de
Basquete Universitário, para não m encionar os quase três m eses de
trabalho perdidos em sua dissertação, cuj o prazo final era 1o de abril (teria
de pleitear um a extensão). O que o surpreendeu foi com o perdera quase
vinte quilos em tão pouco tem po. Ainda m ais surpreendente era o seu grau
de fraqueza. Levantar os braços era um esforço. Mas as enferm eiras
disseram que isso era natural, e com o ele era j ovem , estaria de volta ao
norm al após um as poucas sem anas de fisioterapia.
A enferm eira Heather ergueu um pouco a cabeceira do leito e deu-lhe
alguns goles de suco de laranj a. Em um dia ou dois, rem overiam o tubo de
alim entação para que ele pudesse com er norm alm ente, com eçando com
purês e m ilkshakes.
– Não vam os exagerar na duração das visitas para não cansá-lo dem ais.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Está pronto?
Ele balançou a cabeça concordando.
– Mande-a entrar – disse ele, um pouco receoso em ver sua m ãe, pois
ela era um a m ulher em otiva.
Heather saiu e, m om entos depois, retornou com a m ãe dele. Quando
a viu entrar, a prim eira coisa que Zack percebeu foi que ela havia perdido
peso. Vestia calça verde-clara, um suéter branco e o colar que ele lhe dera
no últim o Natal. Raram ente se pintava, m as, naquele dia, havia se
m aquiado.
– Oi – disse ele, num a voz rascante.
Por um m om ento, ela ficou parada na porta congelada. Em bora sua
m ãe provavelm ente houvesse m antido constante vigília à sua cabeceira,
Zack fazia ideia de com o ela o estava vendo naquele m om ento:
esquelético, com a cabeça toscam ente raspada, m acilento, com escaras e
cicatrizes, braços finos com o vassouras. Sorriu o m elhor que pôde e
estendeu-lhe a m ão. Ela com eçou a chorar e foi até o filho, tom ando-lhe a
m ão. Ele estava fraco, m as esforçou-se para apertar-lhe os dedos.
Soluçando e tentando sorrir, ela disse:
– Graças a Deus. Eu am o você – ela sussurrou.
– Tam bém am o você – sua voz estava rouca.
A enferm eira aj udou-a a se acom odar em um a cadeira ao seu lado. Ela
apertou a m ão dele enquanto tentava se recom por, enxugando o rosto com
lenços de papel.
Zack sabia que a m ãe sentia certo grau de culpa – não apenas a
incutida por sua form ação católica rom ana, m as algo que ela carregava
com o um a febre baixa. Ou um sentim ento m aterno por não protegê-lo m elhor. Era m ais profundo. Por algum a inefável razão, ela acreditava que
Zack a culpava por Nick tê-lo abandonado. Isso era totalm ente irracional.
A m orte de Jake causara isso, não Maggie.
Ela tom ou a m ão de Zack, agora chorando de alegria.
– Foi vingança do Menino.
– O quê?
– O prefeito. Eles m e disseram que bati num buraco.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
Quando ela recuperou o controle, disse:
– Você não deveria ter ido andar de bicicleta tão tarde. E sem
capacete.
– Mãe, eu estava a poucos quarteirões de distância de onde m oro. Eu
só não vi o buraco.
Ela beij ou-lhe a testa.
– Graças a Deus você está bem .
– Mas eu dorm i um bocado.
– Sim , por 86 dias.
– Mas quem estava contando? – Ela se inclinou e beij ou-o na
bochecha e na testa. E ele podia sentir as lágrim as pressionando os seus
próprios olhos.
Quando ela se instalou na cadeira novam ente, disse:
– Boas notícias. O seu orientador de dissertação deu-lhe um a
prorrogação de seis m eses. Portanto, acabou-se a pressão. Não é ótim o?
– Isso significa que irei m e form ar em j aneiro. Não em j unho.
– Podem os viver com isso. – Ela sorriu e beij ou-o novam ente.
– Acho que ouvi você falando com igo enquanto estava dorm indo.
– Foi?
– Você sem pre m e dizia para abrir os olhos. Mas, cada vez que eu
tentava, entrava areia neles. Acho que você tam bém m e pediu para lim par
m eu quarto e colocar o lixo para fora.
Ela riu e apertou a m ão dele.
Zack podia sentir o carinho naquele contato. Era bom . Foi um alívio
vê-la rir de novo. Com o devia ter se consum ido de m edo e tristeza nos
últim os três m eses... Por isso, ele resolveu naquele m om ento que, quando
estivesse fora do hospital, passaria m ais tem po com ela, iria aproxim ar-se,
esforçar-se para tornar sua vida m elhor. Ela tinha sofrido m uito nos
últim os dez anos.
– Eu tam bém tinha sonhos com o papai. – Com o ele tem ia, a m era
m enção do pai fez com que ela fechasse o sorriso.
– Sonhos? Que tipo de sonhos?
– Principalm ente sobre Sagam ore Beach, acho.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Maggie assentiu com a cabeça, tentando parecer inte- ressada.
– Era tão real... até a neblina pesada. Estou surpreso que a cam a não
estej a toda m olhada.
Ela não disse coisa algum a, apenas ficou olhando para a agulha do
soro nas costas da m ão dele.
– Acho que m eu pai estava lá, m as eu não podia vê-lo, apenas sentia
que ele estava lá. Foi estranho.
– Bem , você estava em com a.
Ela não disse m ais nada e desviou o olhar, provavelm ente pensando
em com o aquilo era a cara de Nick: estar m ais ou m enos em um lugar. Ela
nunca o perdoou por deixá-los e depois m orrer, e agora Zack estava
sonhando com ele. E ele sabia que a m ãe se ressentia disso. Tê-la
abandonado quando ela estava tão m al. Tê-la abandonado quando ela m ais
precisava. Entretanto, Zack se lem brava do pai com o um hom em tranquilo
e reservado, que tam bém era terno e am oroso. Ele j am ais perdera um a
única partida de futebol de Zack ou os j ogos da Liga Infantil de Jake. E ele
aplaudia com grande entusiasm o e orgulho de seus garotos.
Mas a m orte de Jake m udou-o profundam ente, sugando a vitalidade
de sua alm a, deixando-o um a casca de seu antigo eu, que m al conseguia se
com unicar. Na época em que ele e Maggie se divorciaram , sua depressão o
deixara irreal. Ele havia se m udado para um apartam ento em Waltham
para ficar m ais perto da em presa de engenharia em que trabalhava. Foi quando Zack ainda estava no colégio, m as se esforçando para entrar na
faculdade, com um a carga de estudos preparatórios m uito pesada. Depois
disso, Nick anunciou que tinha deixado o trabalho para se tornar um
m onge leigo nas m ontanhas Berkshire, tornando seu retiro perm anente. E,
para todos os efeitos práticos, o pai de Zack estava m orto.
Na essência, Zack ainda o am ava – ou am ava algum a versão anterior
dele. Mas ele m al se lem brava de sua aparência. Nunca dissera à sua m ãe,
m as, durante seus anos de escola, Zack inventava histórias sobre ele –
coisas legais com o ele viaj ar por todo o m undo com o fotógrafo profissional,
ou praticar m ergulho na Austrália e na Papua-Nova Guiné. Chegou a
afirm ar, certa vez, que seu pai havia desaparecido durante um a
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
tem pestade, tentando pousar em Tonga. Isso só term inou quando Zack
entrou na faculdade. Nessa época, seu pai j á havia m orrido de verdade. E
os únicos indícios de que ele algum dia fizera parte de sua vida eram
algum as fotos e a urna sobre a lareira.
– Eles provavelm ente irão lhe contar m elhor, m as, quando você
acordou, cham ou por ele.
– Cham ei? – Zack ficou surpreso, m as podia ver que a m ãe ficara
m agoada com isso.
– Você tam bém andou recitando algum a coisa, outro dia, enquanto
estava em com a.
– Recitei algum a coisa?
– Um a oração em aram aico.
– Aram aico? Você deve estar brincando.
– Você conhece um pouco de aram aico?
– Não, e com o poderia? Isso não é um a língua m orta?
Ela tirou o celular da bolsa, pressionou algum as teclas e depois virou o
visor em sua direção. Lá estava ele deitado na cam a, com os olhos
fechados, m as m ovendo-se sob as pálpebras. Seus lábios brilhavam com
um bálsam o hidratante, e com um a voz estranha e gutural ele m urm urava
algo totalm ente ininteligível, m as que soava com o ritm o e o padrão de
um a língua real. A gravação durou cerca de um m inuto; então, ele parou
de m urm urar e retornou ao estado com atoso, com o se nada tivesse
acontecido.
– Eu não sei o que é. Essa nem m esm o é a m inha voz.
– Eu sei. O que torna a coisa ainda m ais estranha. Mas um
especialista em línguas confirm ou que você estava falando em aram aico.
Na verdade, o pai-nosso. Talvez você o tenha m em orizado para um a prova
ou algo assim ?
– Eu m e lem braria disso. E que tipo de curso seria esse? – De
repente, ele sentiu um cansaço esm agador.
– Talvez o seu pai tenha ensinado a oração para você quando criança.
– Talvez.
Ela fez um gesto de pouco caso com a m ão.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
– Tanto faz. A enferm eira quer que você descanse um pouco. – Ela o
beij ou na testa. – Am o você.
– Am o você, tam bém . – Ele a observou sair da sala, vencido pela
fadiga. A últim a coisa que queria era m ergulhar novam ente no sono e nos
sonhos.
Mas, felizm ente, ele caiu em um profundo vazio pelas seis horas
seguintes.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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18
Matar em nome de Deus tirava toda a pressão. Nada de problemas de
consciência ou m oralidade. Nada de se preocupar com um a vida após a
m orte ruim . Além disso, era um a form a de lucrar praticando o bem ,
j ustam ente com o o Padre X havia dito.
Um a sem ana depois de despachar Thom as Pom eroy , Rom an Pace
recebeu outra cham ada no celular seguro. Com a m esm a voz suave, o Padre X disse que tinha outro serviço. Outro servo de Satanás. Será que
ele aceitaria a m issão? Sim . Pela m esm a quantia? Sim .
A vida era boa.
Rom an foi instruído a dirigir até o estacionam ento do Shopping
Burlington, às 8h15 da m anhã, onde, na base de um determ inado poste de
luz, ele iria encontrar um pequeno saco contendo outro pagam ento e outro
telefone celular, que ele teria de atender quando tocasse, às 8h20. Com o o
outro aparelho, aquele tam bém era seguro. Mesm o assim , era preciso
rem over a bateria e descartá-la separadam ente do telefone para evitar
rastream ento.
Precisam ente às 8h15, Rom an dirigiu-se para o estacionam ento, que
era am plo e encontrava-se vazio àquela hora. Avistou um carro da
segurança deslocando-se na direção oposta, o que significava, portanto,
que quem o havia contratado sabia que ele não seria notado ao estacionar
perto do poste para apanhar o saco de papel pardo.
Nele havia dinheiro, três m aços separados de notas de cem , e outro
celular. Minutos depois, o telefone tocou: era o Padre X querendo a
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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confirm ação de que Rom an fizera a coleta. Rom an então partiu,
corroendo-se de curiosidade para saber qual era o m otivo de um hom em do clero ter lhe adiantado m ais 15 m il para liquidar outro cientista.
Dessa vez, seria a doutora LeAnn Cola, do Departam ento de
Neurologia do Dartm outh-Hitchcock Medical Center, em Lebanon, New
Ham pshire. Sua m orte deveria parecer acidental e sem sem elhanças com a
de Pom eroy . De acordo com sua biografia, Cola era divorciada e vivia com
sua filha de 15 anos. Não possuíam anim ais de estim ação porque a filha
era asm ática.
Antes de voltar para casa, Rom an violou o protocolo e ligou de volta.
– Nunca fiz o serviço em m ulheres antes, por isso, só estou querendo
saber sobre ela.
– Não posso entrar em detalhes, m as basta dizer que, aos olhos do
Senhor, ela com eteu atos de abom inação contra o próprio céu.
– Pode m e dar um a pista do que foi?
– Não, sinto m uito. Mas tenha certeza de que você agradará a Deus
com esse serviço.
O núm ero 147 da Forest Street, em Cobbsville, New Ham pshire, era
um a fortaleza de tij olos aninhada entre arbustos em um a rua tranquila, de
gram ados viçosos. As luzes da casa vizinha estavam todas apagadas. A casa
do outro lado estava escondida pela vegetação. Em frente a elas só havia
um parque natural. Quase perfeito.
Rom an estacionou na rua e esperou duas horas até as luzes da casa se
apagarem , e m ais outra hora para ter certeza de que m ãe e filha estavam
dorm indo. Era um a noite de prim avera excepcionalm ente quente, o que
fazia com que desej asse ligar o ar-condicionado, m as isso poderia cham ar a atenção. Por isso, ficou ali esperando no interior quente do veículo,
lem brando-se de que, alguns m eses atrás, fora salvo da m orte para
executar aquela m issão. Não havia sido m era sorte: Deus o am ava tanto
que interveio, dando a Rom an outra chance. Foi com o se Deus estivesse
dizendo ‚Você pode se redim ir fazendo algo para m im '. E aquilo era esse
algo. E até m esm o um a m ulher poderia ser um a abom inação contra Deus.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Rom an saiu do carro silenciosam ente e foi para os fundos da casa.
Havia quatro quartos no segundo andar; dois deles tinham aparelhos de ar-
condicionado que estavam liga- dos. Perfeito.
Mas não havia ar-condicionado na sala de estar no térreo, onde um a
j anela telada estava aberta apenas alguns centím etros. Ele enfiou a lâm ina
de seu canivete em baixo da m oldura, sol- tou-a e levantou a j anela.
Nenhum alarm e na j anela e nenhum sensor de m ovim ento na sala.
Sem pre o surpreendera com o a m aioria das pessoas m antinha-se tão
vulnerável. Um a neurologista m orando sozinha com a filha. Seria de se
im aginar que ela instalaria um sistem a de alarm e ou pelo m enos teria
trancas nas j anelas.
Saltou dentro da saleta íntim a, onde estofados m odulares encaravam
um a TV de tela plana. Tudo estava quieto. Ele passou por um corredor que dava na cozinha. Não havia sensores de m ovim ento em lugar algum ou
um painel de alarm e. Mas ele notou um reluzente fogão a gás de seis
bocas. Dirigiu-se para a frente da casa e para a escada que levava ao
segundo andar.
No topo, havia um a porta com um a placa: ‚Quarto de Victoria'. A
filha. Em frente, o quarto principal. Ele abriu um a frestinha na porta do
quarto da filha. À luz alaranj ada de um a lâm pada de lava distinguiu a
silhueta da garota adorm ecida de costas. De um a j anela à esquerda, o ar-
condicionado resfriava o am biente. O que era bom , porque a garota dorm ia
debaixo de vários cobertores, e o aparelho abafaria os sons.
Mas prim eiro a m ãe.
Ele fechou a porta e cam inhou para o quarto principal. O único ruído
vindo de lá de dentro era de outro aparelho de ar-condicionado. Abriu a
porta. A m ulher estava dorm indo em um a cam a king-size, à direita. O ar-
condicionado soltava seu sopro gelado de um a j anela à esquerda. Fechou a
porta e, à luz am biente, deslocou-se até a lateral da cam a da m ulher. Ela
roncava ligeiram ente.
Tapou-lhe a boca com a m ão enluvada e colocou a arm a em sua
cabeça.
– Acorde.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.