A Comédia Humana 7: Ilusões Perdidas
Terceira Parte • os Sofrimentos do Inventor
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 9 partes.
[151] José Bridau: protagonista de A comédia humana. Vimo-lo fazer a viagem de Paris a Presles, incógnito em companhia do conde de Sérisy (Uma estreia na vida). Conhecemo-lo, em suas penosas lutas e sua ascensão, em Um conchego de solteirão. Segundo verificaram os pesquisadores, essa personagem possui muitos traços de Delacroix, o grande pintor romântico.
[152] Hoffmann: Ernst Theodor Amadeus Hoffmann (1766-1822), um dos mestres do romantismo alemão, cujos contos fantásticos e lúgubres exerceram manifesta influência sobre os Estudos filosóficos de Balzac.
[153] Sterne: Lawrence Sterne (1713-1768), escritor inglês, autor de Vida e opiniões de Tristram Shandy e da Viagem sentimental. Espirituoso e cínico, original e ao mesmo tempo rebuscador de originalidade, foi um dos autores preferidos de Balzac, que lhe evoca frequentemente os ditos faceiros e as personagens excêntricas.
[154] Meyraux (1790-1832): personagem real, médico, autor de uma monografia apresentada à Academia de Ciências em 1830, na qual proclamava a unidade orgânica dos seres vivos. Foi essa monografia, apresentada por Geoffroy Saint-Hilaire, que desencadeou entre este e Cuvier a célebre disputa à qual Balzac faz tão frequentes alusões.
[155] Miguel Chrestien: já apareceu em Um conchego de solteirão; amigo do pintor José Bridau, a quem serviu de modelo para o retrato de um senador romano. Os contemporâneos reconheceram sob seus traços o jornalista Armand Carrel.
[156] Pierre Jean de Béranger (1780-1857): poeta muito popular na época, era autor de poesias de inspiração republicana e liberal.
[157] O filósofo Diógenes, o Cínico (413-327 a.C.), desprezava a riqueza e convenções sociais, morava num tonel e andava sempre mal trajado.
[158] Morreu no claustro Saint-Merry: alusão à insurreição republicana da Rue du Cloître Saint-Merry, de Paris, por ocasião das exéquias do general Lamarque (5 e 6 de junho de 1832), e que foi sufocada em sangue.
[159] Os dois amigos: fábula de La Fontaine (Livro viii, fábula xi), em que o poeta conta a história de dois amigos verdadeiros. Um deles, acordando de repente, no meio da noite, corre à casa do outro, a quem desperta; este, pensando que o amigo corre algum perigo, oferece todo o auxílio possível; mas ele lhe explica que acorrera porque o amigo, em sonho, lhe aparecera triste.
[160] La Revue Encyclopédique: periódico científico e literário, de caráter informativo, publicado em Paris de 1819 a 1833.
[161] Segundo a mitologia antiga, Prometeu, filho do titã Japeto, roubou o fogo dos deuses para com ele animar os primeiros homens. Zeus castigou-o mandando-o acorrentar ao Cáucaso, onde um abutre vinha devorar-lhe o fígado, até que Hércules acabou por libertá-lo.
[162] Protegido, como Dante, pelos louros divinos de Virgílio: segundo narra na Divina comédia, Dante em sua viagem ao Inferno e ao Purgatório teve por guia o espírito do poeta Virgílio, que o acompanhou até o limite do Paraíso terrestre.
[163] Marieta: bailarina, irmã do notário Godeschal; já foi encontrada em Uma estreia na vida.
[164] Giroudeau: já é nosso conhecido. Foi ele quem colocou Felipe Bridau no jornal (Um conchego de solteirão). Amante de Florentina, assistiu ao banquete de Frederico Marest, em que Oscar Husson tomou uma bebedeira de consequências tão fatais (Uma estreia na vida).
[165] Benjamin Constant (1767-1830): o autor do magnífico romance Adolfo era também político. Defensor das ideias liberais, foi um dos oradores mais espirituosos e brilhantes da Câmara, de 1819 a 1830. — O general Foy: Maximilien-Sébastien Foy (1775-1825), general de Napoelão; distinguiu-se nas campanhas de Portugal e de Espanha; eleito deputado em 1819, tornou-se um dos chefes mais populares do partido liberal.
[166] O estilo de D’Arlincourt distinguia-se, principalmente, entre outras extravagâncias, pelas inversões mais fantásticas, particularidade que se prestava a troças e imitações como estas. O protagonista desse livro desopilante, o misterioso Solitário, vive num esconderijo do Mont Sauvage, apaixona-se pela linda Elódia, a quem porém não pode desposar por ter assassinado o pai dela anos antes. Elódia morre de desgosto; o Solitário, que não é outro senão Carlos, o Temerário, suicida-se ao lado do cadáver.
[167] Tabaqueiras “à Carta”: a Carta outorgada em 1814 por Luís xviii e revista num sentido mais liberal por Luís Felipe em 1830, era objeto permanente de comentários, troças, pilhérias, como se vê em muitas palestras das próprias personagens de Balzac; não é de admirar que se tenha tornado uma espécie de slogan, aproveitado também pelo comércio na propaganda e venda de diversos artigos.
[168] O filho do outro: Luís Felipe, filho de Felipe “Igualdade”.
[169] Uma das protetoras de Germânico: trata-se da tragédia Germânico, de Arnauld, cuja primeira representação, em 1817, no Théâtre-Français — por causa das alusões à política do dia que o público descobria nela (Arnauld estava proscrito) —, levantou verdadeira tempestade com intervenção da polícia e foi seguida de vários duelos, um deles entre o filho do autor e Manainville. É possível que Giroudeau, como “guarda-costas” do jornal liberal de Finot, tenha ido proteger Germânico.
[170] Segundo seu costume, Balzac mistura na mesma enumeração Canalis, personagem de sua invenção, e alguns de seus contemporâneos mais famosos.
[171] Os monarquistas são românticos, os liberais são clássicos: afirmação exata pelo menos quanto à primeira fase do romantismo. O próprio Victor Hugo foi monarquista no início de sua carreira literária.
[172] Este soneto e os seguintes não são de Balzac, que não era bom versejador. O primeiro foi escrito a pedido do romancista pela sra. de Girardin, o quarto por Théophile Gautier, os demais por Lassailly. A tradução dos quatro poemas é de Mario Quintana.
[173] Ainda hoje, os cais do Sena em Paris são o centro de intensíssimo comércio de livros usados. Os antiquários, os conhecidos bouquinistes, muitos dos quais não têm loja, guardam a sua mercadoria em caixas enfileiradas no parapeito.
[174] Florina: atriz, uma das mulheres galantes de A comédia humana; já a encontramos numa fase ulterior de sua vida como amante de Nathan, em Uma filha de Eva (volume 2 desta edição).
[175] Nathan: Raul Nathan, protagonista de A comédia humana, romancista e teatrólogo, que tentou conquistar em vão a condessa Maria de Vandenesse (Uma filha de Eva); parece que o modelo desta personagem foi em parte o dramaturgo Léon Gozlan, amigo de Balzac e, após a sua morte, seu biógrafo.
[176] Mil e um dias: coletânea de contos persas de Moclah, provavelmente imitados de As mil e uma noites; tradução francesa por Pétis de la Croix, revista por Alain-Renè Lesage. — A princesa Turandocte, da China, só consente em casar com quem lhe responde às perguntas. O único que o consegue é o príncipe Calaf, enquanto seus rivais são decapitados.
[177] Le Constitutionnel: jornal liberal, fundado durante os Cem Dias, em 1815; de tendências bonapartistas, preparou com suas campanhas contra os Bourbon a Revolução de 1830.
[178] La Quotidienne: ver a nota 42.
[179] Journal des Débats: primitivamente simples registro das assembleias revolucionárias; durante a Restauração, tornou-se órgão de centro-esquerda, de tendências semiliberais.
[180] Heitor Merlin: personagem inventada por Balzac.
[181] Rivalizar com o Registro Civil: isto é, criar personagens que parecem tão vivas como as personagens reais inscritas no Registro Civil; era uma glória que Balzac várias vezes reivindicava para si.
[182] Adolfo, Corina, Clarissa, Renato, Manon: personagens, respectivamente, de Benjamin Constant, da Madame de Staël, de Richardson, de Chateaubriand e do Abade Prévost.
[183] Obermann: famoso romance de Sénancour (1804), de atmosfera melancólica e pessimista (motivo pelo qual Balzac o qualifica de pianto, “choro”, “queixa”). O herói é um parente francês do Werther de Goethe. O livro é constituído por uma série de cartas sem resposta a um amigo, nas quais Obermann conta as suas desilusões e a inquietação do seu espírito.
[184] O tempo é um grande bacalhau: tradução aproximativa de um dos frequentes trocadilhos de Balzac, da espécie dos provérbios estropiados; no texto francês lê-se: Le temps est un grand maigre, deformação do provérbio: Le temps est un grand maître (“O tempo é um grande mestre”). Esse mesmo trocadilho, como muitos outros de igual espécie, figura em Uma estreia na vida.
[185] Lâmpada Carcel: lâmpada mecânica, na qual o óleo é levantado pela distensão de uma mola que põe em movimento um mecanismo de rodas; Carcel é o nome de seu inventor.
[186] O tubo vermelho de Fumade: parece tratar-se de um isqueiro — Fumade é o inventor — que consistia num frasco (ou tubo?) com fósforo, com o qual se acendiam palitos de cabeça sulfurada. Os nossos fósforos de hoje ainda não eram conhecidos.
[187] Viagem no Egito: havia várias obras com este título. A mais famosa de todas era a Viagem no Egito e na Síria (1787), de Volney, autor de Ruínas, obra importante na história do pré-romantismo.
[188] Marais: ver a nota 97.
[189] Paul de Kock: Charles-Paul de Kock (1794-1871), romancista francês de origem holandesa, autor de um sem-número de romances frívolos e alegres, misto de realismo e pieguice, que tiveram enorme voga durante todo o século xix entre o grande público.
[190] Yseult de Dôle: crônica em dois volumes (1823) de Charles Léonard Dusillet.
[191] Deve tratar-se de Religions de l’Antiquité, considérées principalement dans leurs formes symboliques et mythologiques (1825).
[192] Antes da letra e depois do artigo: para compreender o trocadilho de Balzac é preciso lembrar que a expressão francesa avant la lettre se emprega em relação a uma gravura tirada antes que se lhe imprima o título.
[193] Hipócrates recusando os presentes de Artaxerxes: título de um quadro de Girodet (1792) que orna a Escola de Medicina de Paris.
[194] Chevet: personagem real, negociante de comestíveis, fornecedor da Corte.
[195] Paul-Louis Courier (1772-1825): escritor político, autor de panfletos liberais mordazes contra a Restauração; deve a seu estilo, modelo de clareza, vivacidade e espírito, o figurar entre os clássicos da prosa francesa.
[196] As aventuras da filha de um rei, contadas por ela mesma: obra anônima de Julien Vatout, publicada em 1820, e que contém, sob forma alegórica, a história da Carta dada à França por Luís xviii (ver a nota 167).
[197] Fontaine: Pierre-François-Léonard Fontaine (1762-1853), célebre arquiteto, restaurador de Malmaison, das Tuileries, do Louvre.
[198] Grisette: ver a nota 16.
[199] Hoffmann, o berlinês: ver a nota 152.
[200] Smarra ou Os demônios da noite, sonhos românticos: obra traduzida do esclavônio pelo conde Maxime Odine, Paris, 1821. Essa pretensa tradução é, na realidade, de Charles Nodier.
[201] Pedro Schlémihl: novela fantástica de Chamisso (1814), história dos infortúnios de um infeliz que vendeu a sombra ao diabo em troca da bolsa de Fortunatus.
[202] Jean Sbogar: romance de Charles Nodier (1818), história romântica de um bandido.
[203] Jocko, episódio destacado das cartas inéditas sobre o instinto dos animais: história sentimental da autoria de Charles Pougens (1824), cuja heroína é uma macaca e que teve extraordinário êxito; dela foi tirado, um ano depois, o drama Jocko ou A macaca do Brasil, representado duzentas vezes seguidas.
[204] Vernou já apareceu em Um conchego de solteirão, onde usou de sua influência para fazer estrear Marieta no Théâtre de la Porte Saint-Martin.
[205] Emílio Blondet: protagonista de A comédia humana, já apareceu em várias novelas e contos, a última vez em O gabinete das antiguidades (volume 6 esta edição), a cujos acontecimentos assistiu como adolescente, dedicando um amor platônico à srta. d’Esgrignon. Foi ele quem apresentou Nathan à condessa Félix de Vandenesse (Uma filha de Eva) e quem deu uma definição da mulher comme il fault (Outro estudo de mulher).
[206] Matifat: personagem balzaquiana que desempenhará papéis em César Birotteau, A Casa Nucingen etc.
[207] Du Bruel: já apareceu no banquete de Frederico Marest e na orgia que lhe seguiu em casa de Florentina (Uma estreia na vida), como também no meio literário descrito em Uma filha de Eva.
[208] O pai Cardot: protetor da bailarina Florentina, tio do estouvado Oscar Husson; já o encontramos em Uma filha de Eva.
[209] Camusot: comerciante de sedas, genro e sucessor de Cardot; em Uma estreia na vida — cuja ação é ulterior à deste romance —, vimo-lo como protetor da atriz Fanny Beaupré; amigo dos Guillaume (Ao “Chat-qui-pelote’’).
[210] Trata-se provavelmente do semanário La Minerve Française, de tendência liberal, fundado em fevereiro de 1818, e que cessou de sair em março de 1820, por se ter recusado a submeter-se à censura restabelecida pelo governo da Restauração.
[211] Eymery: Alexis-Blaise Eymery (1774-1854), livreiro e autor de obras para a mocidade.
[212] Conservateur: revista fundada em 1818 por Chateaubriand, Bonald e Lamennais, de caráter clerical e ultramonarquista.
[213] Dussault: Jean-Joseph Dussault (1769-1824), historiador e crítico do Journal des Débats, onde usava o pseudônimo “Y”.
[214] Fiévée: Joseph Fiévée (1767-1839), jornalista espirituoso e inteligente, de grande influência, que desempenhou várias missões confidenciais de Napoleão.
[215] Geoffroi (sic): Julien Louis Geoffroy (1743-1814), diretor de L’Année littéraire; depois crítico dramático do Journal des Débats.
[216] Cláudio Vignon: protagonista de Beatriz, a quem Balzac teria dado os traços de Gustave Planche, crítico de renome na época.
[217] Nesta lista, Balzac, segundo seu hábito, mistura os nomes de suas personagens inventadas (Emílio Blondet, Cláudio Vignon, Feliciano Vernou, Lousteau) aos de personagens reais, como Eugène Scribe (1791-1861), talentoso e fecundo comediógrafo, autor de Um copo de água; Michel-Théodore Leclercq (1777-1851), autor de provérbios dramáticos muito populares no tempo; Antoine Jay (1770-1854), político liberal, publicista e historiador da literatura, autor de um Quadro literário do século xviii; Victor-Joseph Étienne, dito De Jouy (1764-1846), dramaturgo, autor de crônicas reunidas sob o título de O eremita da calçada de Antin.
[218] Panckoucke: importante casa editora que publicou, entre outras obras, a Bibliothèque Latine-Française (obras de autores latinos em edição bilíngue) em 174 volumes.
[219] Os Beaudouin: outra casa editora existente na época.
[220] Teatros estrangeiros: uma coleção em 25 volumes das obras-primas dos teatros estrangeiros, de grande aceitação na época.
[221] Vitórias e conquistas: importante coleção editada pelo livreiro Panckoucke, primeiro (1817-1821) em 24, depois (1828-1829) em 34 volumes.
[222] Memórias sobre a Revolução (em francês: Collection de mémoires relatifs à la Révolution Française): obra em quarenta volumes dirigida por Barrière e Berville e cuja publicação começou em 1822.
[223] Os versos hão de devorar os livreiros: no texto francês, Les vers dévoreront la librairie, há um trocadilho intraduzível, baseado nos homônimos vers (“versos”) e vers (“vermes”).
[224] Corsário: poema em três cantos de Byron (1814); no herói, o aventureiro Conrad, que procura o esquecimento na embriaguez do combate, o poeta pintou a si mesmo.
[225] Lara: título de um poema de Byron (1814) e nome do personagem principal que não é outro senão o Conrad do Corsário, mais desiludido e mais cruel — o qual não admite outra lei senão as suas paixões e morre cético em um combate.
[226] Delille: Abade Jacques Delille (1738-1813), tradutor de Virgílio e de Milton, autor de poesias campestres; bom versificador, de imensa popularidade; suas perífrases ficaram célebres.
[227] Esta obra de Benjamin Constant é intitulada Memórias sobre os Cem Dias.
[228] Potemkin (1736-1791) era favorito de Catarina ii da Rússia; Benjamin Constant, por sua vez, teve uma ligação de treze anos com a Madame de Staël, a quem conheceu em 1794 e que sobre ele exerceu grande influência. Exilados os dois por Napoleão, foram ambos para a Alemanha. Muitos viram na história de Adolfo uma disfarçada história da ligação dos dois.
[229] Bouffé: Désiré Bouffé (1800-1884), conhecido ator cômico.
[230] Potier: Charles Potier (1775-1837), conhecido ator cômico.
[231] Porte Saint-Martin: teatro do Boulevard Saint-Martin, junto ao monumento deste nome, onde mais tarde se representaria o Vautrin, de Balzac.
[232] Foi o próprio Maturin, autor irlandês de romances terríficos, quem tirou de um de seus romances o drama intitulado Bertram ou O castelo de Santo Aldobrando (1814), representado em Londres com êxito enorme, sendo que o papel principal foi desempenhado pelo famoso Kean. Em Paris a peça foi representada em tradução de Charles Nodier.
[233] Gazette de France: jornal monarquista, moderado, que durante a Restauração teve entre seus redatores Joseph de Maistre e Bonald.
[234] A Pasta: Giuditta Pasta (1798-1865), célebre cantora italiana.
[235] Tancredo: ópera séria com palavras de Rossi, baseadas na tragédia de Voltaire, e música de Rossini; representada pela primeira vez em 1813.
[236] Mignon: personagem do romance de Goethe Anos de peregrinação de Wilhelm Meister, filha de um monge e sua penitente, menina infeliz desde o nascer, raptada por funâmbulos que a forçam a executar acrobacias nas feiras. Wilhelm Meister toma-a consigo; a menina segue-o fielmente e termina apaixonando-se por ele.
[237] Termo: deus da mitologia romana, protetor dos limites, representado na extremidade dos campos sob a forma de um marco encimado de um busto.
[238] Girodet: Anne-Louis Girodet de Roussy (1767-1824), pintor da escola de David.
[239] Balzac faz aqui mais um trocadilho: Finot é palavra homófona de finaud, que significa esperto, malandro, matreiro.
[240] Srta. Mars: Anne Boutet, dita srta. Mars (1779-1847), célebre atriz cômica.
[241] Bayle: Pierre Bayle (1647-1706), autor de um Dicionário Histórico caracterizado por grande erudição e forte espírito crítico; predecessor de Voltaire e dos enciclopedistas.
[242] Sainte-Pélagie: antiga prisão de Paris, na Rue de la Clef, a qual, na época de Balzac, tinha uma seção para devedores insolventes.
[243] Oitenta mil libras de renda: nesta expressão, o termo “libra” é equivalente a “franco”.
[244] Sra. Perrin: personagem real, atriz que desempenhou o papel principal de Fanchon ou A sanfonineira, popular comédia vaudeville de Bouilly e Pain, representada pela primeira vez no Théâtre du Vaudeville de Paris, em 1800. Teve morte prematura.
[245] Srta. Fleuriet (1801-1823): personagem real, atriz que desempenhou seu papel mais famoso em Miguel e Cristina, vaudeville de Scribe e Dupin, representada pela primeira vez no Gymnase de Paris, em 1821.
[246] Cântico dos Cânticos: um dos livros do Antigo Testamento, atribuído a Salomão; epitalâmio simbólico, cheio de uma poesia sensual, em que o amado e a amada se exaltam reciprocamente.
[247] De Marsay: ver nota 104.
[248] O chanceler Cruzoé: alcunha dada pela imprensa liberal ao chanceler Dambray.
[249] Bouffé: ver a nota 229.
[250] Raul: Raul Nathan. — De Cursy: pseudônimo de Du Bruel.
[251] Cavaleiros da vara: alusão à profissão de Camusot, que media as peças de seda com a vara (antiga medida de comprimento).
[252] Thomire: firma de ourivesaria e trabalhos de bronze, existente na época de Balzac, na Rue Blanche.
[253] Grindot: arquiteto — inventado por Balzac — que construiu ou restaurou as residências luxuosas de várias personagens de A comédia humana, como as do conde de Sérisy (Uma estreia na vida), de Artur de Rochefide e de Fabiano du Ronceret (Beatriz).
[254] O duque de Rhétoré: filho mais velho do duque de Chaulieu, irmão de Luísa de Chaulieu (Memórias de duas jovens esposas); é ele que desposaria mais tarde a duquesa de Argaiolo (Alberto Savarus).
[255] Almaviva: aristocrata libertino, personagem de O casamento de Fígaro, de Beaumarchais.
[256] Figaro: jornal satírico de Henri de Latouche e Nestor Roqueplan, que existiu sob a Restauração e se fez notado por violenta campanha antirromântica. (Não confundir com outro jornal deste nome, ainda existente, fundado em 1854.)
[257] Sr. Pasquier: barão Étienne-Denis Pasquier (1767-1862), político francês, membro de vários governos sob a Restauração, presidente da Câmara dos Pares no reinado de Luís Felipe. Como ministro da Justiça, fez votar, em 1821, uma lei restringindo a liberdade da imprensa.
[258] Decazes: duque Élie Decazes (1780-1860), primeiro-ministro de Luís xviii . Assinalou-se pelas tendências liberais de seu governo, tendo abolido a censura e as leis da exceção. Caiu em consequência dos ataques dos ultramonarquistas, que o responsabilizavam pelo assassínio do duque de Berry.
[259] O quinto pecado capital é a gula.
[260] Blücher: Gebhard-Leberecht von Blücher (1742-1819), general prussiano, um dos vencedores de Waterloo.
[261] Saacken: mais exatamente conde Dmitri Osten-Saacken (1790-1864), general russo que se distinguiu nas batalhas de Eylau e de Friedland.
[262] Tartufo: personagem de Molière, tipo de hipócrita devasso que finge devoção.
[263] Carta: documento constitucional outorgado por Luís xviii em 4 de junho de 1814 e que, embora baseado na soberania real, garantia certas liberdades fundamentais ao povo (ver a nota 167).
[264] Bobèche: alcunha de Mardelard ou Mandelard, famoso palhaço da época.
[265] Como diz Charlet: provavelmente Nicolas Toussaint Charlet (1792-1845), desenhista de renome, na legenda de um de seus retratos de soldados da guarda ou de suas cenas populares.
[266] Rasgando o ventre de sua nutriz para predizer o futuro: alusão aos arúspices, sacerdotes romanos que prediziam o futuro pelo exame das entranhas de suas vítimas.
[267] Gabinete das Fadas: coletânea anônima (dirigida por Charles Joseph Mayer) de contos de fadas e outros contos maravilhosos, em 41 volumes, publicada em 1745.
[268] Forcas caudinas: desfiladeiro do antigo país dos samnitas, onde os romanos foram obrigados a render-se incondicionalmente; em sentido figurado, concessão humilhante arrancada aos vencidos.
[269] Essa deslumbrante sra. du Val-Noble, graças a uma das metamorfoses tão frequentes no mundo galante de A comédia humana, não é outra senão Susana, a linda e jovem operária de Alençon, a preferida do Cavaleiro de Valois (A solteirona).
[270] Na peça de Shakespeare, essa profecia é a origem do crime e perdição de Macbeth.
[271] Fazendo a sua cabeça: “exibindo um ar satisfeito”.
[272] A casa em leilão (em francês: La Maison en loterie): comédia de Picard e Radet, que teve grande êxito na época. Balzac faz em várias de suas obras alusões a uma das personagens da peça, o intrigante Rigaudin, o qual, sentado à sua janela, sem ser visto, se diverte a criar complicações e brigas entre os vizinhos, os transeuntes etc.
[273] Mamamouchi: alto dignitário turco, nome forjado por Molière para designar um cargo burlesco. (O cargo de mamamouchi é conferido ao burguês gentil-homem pelo namorado da filha, que se travestiu de grão-turco para obter a mão da namorada.)
[274] O trocadilho versa sobre Jano, antigo deus romano que sempre tinha presentes diante dos olhos o passado e o futuro, e por isso era representado com duas faces, e Janot, tipo cômico inventado no século xviii por Dorvigny, e que personificava a estupidez lastimosa e grotesca.
[275] Segundo sabemos por Um conchego de solteirão (volume 6 desta edição), Felipe Bridau, o decaído coronel de meio-soldo, esteve algum tempo empregado no jornal de Finot precisamente para desempenhar serviços como este.
[276] Odéon: nome dado ao segundo Théâtre-Français (teatro nacional), fundado em 1797.
[277] Porte Saint-Martin: ver a nota 231.
[278] Circo Olímpico: o atual Cirque d’Hiver.
[279] Bobino: teatrinho de acrobatas fundado perto do Jardin du Luxembourg, aproximadamente em 1816, por um palhaço deste nome; autorizado mais tarde a representar vaudevilles, tomou o nome de Théâtre du Luxembourg.
[280] Funambules: o Théâtre des Funambules, fundado por volta de 1816, como o precedente, para representações acrobáticas; mais tarde se transformou em cena cômica.
[281] Sra. Saqui (1786-1866): famosa acrobata, de incrível popularidade, chamada por Napoleão “a primeira acrobata da França”; dirigia uma companhia.
[282] Sosthène-Démosthène: trata-se de pilhérias sobre o visconde Sosthène Doudeauville de la Rochefoucauld (1785-1864), político ultramonarquista que se assinalou por haver proposto a derrubada da estátua de Napoleão colocada no alto da coluna de Vendôme e por haver tomado parte pessoalmente na execução desta proposta. Nomeado pelo governo da Restauração diretor das Belas-Artes, promulgou decretos inspirados pela Congregação e que constituíam alvo permanente dos sarcasmos dos jornais liberais. Assim, obrigou as bailarinas a dançarem de saias compridas, mandou esconder sob folhas de figueira a nudez das estátuas etc.
[283] Sr. de Bonald: visconde Louis de Bonald (1754-1840), filósofo católico e político absolutista; autor, entre outras obras, de Demonstração filosófica do princípio constitutivo das sociedades.
[284] Beugnot: Jacques-Claude Beugnot (1761-1835), conselheiro de Estado e conde do Império; no reinado dos Bourbon, chefe da polícia; homem espirituoso, mas político versátil e de consciência elástica.
[285] Siryeis de Mayrinhac: Jean-Jacques Siryeis de Mayrinhac (1777-1831), político ultrarreacionário, cujos solecismos e gafes forneciam assunto permanente para as troças dos jornais liberais.
[286] Os casos de recusas de sepultura religiosa feitas por alguns sacerdotes quando se tratava de enterrar pessoas consideradas inimigos da Igreja provocavam nessa época fortes protestos da imprensa liberal.
[287] Benjamin Franklin: homem político, publicista e inventor do para-raios, foi à França em 1777 para negociar a aliança de Luís xvi com a nova república dos Estados Unidos da América.
[288] Raynal: abade Guillaume Raynal (1713-1796), jesuíta que, abandonando a Ordem, se consagrou ao jornalismo e à historiografia. Entre suas obras históricas, de caráter bastante anedótico, destaca-se a História filosófica e política dos estabelecimentos e do comércio dos europeus nas duas Índias, de espírito antimonárquico e anticlerical, na qual Diderot parece ter colaborado e que contribuiu para a preparação da Revolução Francesa.
[289] Necker: Jacques Necker (1732-1804), financista francês, ministro de Luís xvi em 1777; pai da Madame de Staël.
[290] Apesar dos pesares: ver a nota 43.
[291] Rabener: Wilhelm Rabener (1714-1771), moralista alemão, cuja sátira se dirige principalmente contra os ridículos da classe média.
[292] La Bruyère: Jean de la Bruyère (1645-1696), moralista francês, autor de famosos Caracteres.
[293] Kant: Immanuel Kant (1724-1804), filósofo alemão, autor, entre outras obras, da Crítica da razão pura.
[294] Cousin: Victor Cousin (1792-1867), filósofo francês, chefe da escola espiritualista eclética, autor da obra Do verdadeiro, do belo e do bem.
[295] Étienne: ver a nota 26.
[296] Jouy: ver a nota 217.
[297] Tissot: ver a nota 26.
[298] Gosse: Étienne Gosse (1773-1834), autor de comédias como A maledicência, Os jesuítas, Provérbios dramáticos; fundador do jornal humorístico liberal Pandore.
[299] Duval: Alexandre Duval (1767-1842), autor dramático, adversário do romantismo.
[300] Jay: ver a nota 217.
[301] Benjamin Constant: ver a nota 165.
[302] Aignan: ver a nota 26.
[303] Baour-Lormian: Pierre Baour-Lormian (1770-1854), poeta e autor dramático, e tradutor de Ossian; escreveu algumas peças de grande êxito, como Omasis, A auriflama etc., e um diálogo intitulado Clássico e romântico (1825).
[304] Villemain: ver a nota 26.
[305] Non bis in idem (em latim no original): “Não [se deve julgar ninguém] duas vezes pelo mesmo crime”; axioma de jurisprudência.
[306] Os transeuntes de Paris: reminiscência de A teoria do andar, pequeno ensaio pilhérico de Balzac, publicado em 1833, e das diversas “fisiologias” tão populares na época das quais o romancista também compôs mais de uma.
[307] Cartas persas: obra satírica de Montesquieu (1721), sob forma de uma correspondência imaginária entre dois persas vindos à Europa e seus amigos da Pérsia, na qual eles criticam a sociedade francesa da época.
[308] O espírito das leis: obra capital de Montesquieu (1784) em que examina as diversas legislações no decorrer da história e sua influência sobre a prosperidade dos povos.
[309] Sr. de Villèle: conde Joseph de Villèle (1773-1853), primeiro-ministro de 1821 a 1828, ultramonarquista, autor de medidas reacionárias.
[310] A contrafação belga: nome dado às edições de obras francesas feitas clandestinamente na Bélgica logo depois da saída da edição francesa, sem que os editores belgas pagassem um tostão de direitos nem ao autor nem ao editor francês. Essa prática prejudicava bastante o próprio Balzac.
[311] As messênicas: coletânea de elegias patrióticas de Casimir Delavigne, de grande popularidade (1818-1822).
[312] Acerca de Talma, ver a nota 132. — Mânlio, peça de Lafosse (1698) no gênero de Corneille, e que na época do romantismo voltou a ser popular graças à interpretação do grande ator.
[313] Potosi: cidade da Bolívia, famosa por suas minas de prata.
[314] Bixiou: personagem balzaquiana, desenhista de talento, já aparecido em Um conchego de solteirão; neto da sra. Descoings.
[315] Barão de Nucingen: protagonista de A comédia humana, rico banqueiro casado com Delfina Goriot.
[316] Beaudenord: personagem balzaquiana, um dos pretendentes recusados pela srta. Emília de Fontaine (em O baile de Sceaux).
[317] Conti: personagem balzaquiana, famoso compositor, amante da srta. des Touches e, depois, da marquesa de Rochefide (Beatriz).
[318] Corina: ver a nota 53.
[319] Condessa de Montcornet: personagem balzaquiana, em cujo salão a condessa Félix de Vandenesse viu pela primeira vez o poeta Nathan.
[320] Cadran Bleu: restaurante à esquina do Boulevard du Temple e da Rue Charlot.
[321] Alceste: personagem intransigente, o oposto de Filinto, de caráter conciliador, no Misantropo, de Molière. — Otávio: o futuro imperador Augusto, que, na tragédia Cina, de Corneille, perdoa generosamente ao conspirador deste nome.
[322] A nova Heloísa: romance epistolar de Jean-Jacques Rousseau, importantíssimo no século xviii.
[323] Toga pretexta: toga branca, franjada de púrpura, usada na antiga Roma pelos mancebos das famílias patrícias.
[324] Júlia: protagonista do romance epistolar de Rousseau, A nova Heloísa; Clara, sua prima, é sua correspondente e confidente.
[325] Proh pudor! (em latim no texto): “Oh vergonha!” .
[326] Os Vandenesse: o marquês Carlos de Vandenesse, amante de Júlia d’Aiglemont (a “Mulher de trinta anos”), e o conde Félix de Vandenesse, amante de Natália de Manerville (em O contrato de casamento), em seguida marido de Angélica Maria de Granville (em Uma filha de Eva).
[327] D’Ajuda-Pinto: aristocrata português, protagonista de A comédia humana — amante da viscondessa de Beauséant, a quem abandonou para casar com a srta. de Rochefide (ver O pai Goriot).
[328] Máximo de Trailles: protagonista de A comédia humana, tipo do condottiere moderno; já o encontramos como amante da condessa de Restaud, a quem levou à ruína (em Gobseck). Foi ele que reconciliou Calisto du Guénic com a esposa (em Beatriz).
[329] Turcaret: título de uma comédia de Lesage (1709) e nome do protagonista, lacaio que, elevado a homem de negócios, engana os outros e é enganado. Seu nome passou, na língua francesa, a designar um homem grosseiro e de uma suficiência ridícula que enriqueceu em operações de finança.
[330] Os três primeiros convidados são personagens reais: Adèle Dupuis, atriz do Théâtre de la Gaîté; acerca de Victor Ducange, ver a nota 138; Frédéric Dupetit-Méré (1785-1821), autor de melodramas e de vaudevilles. A srta. Millot é personagem inventada por Balzac.
[331] Chevet: ver a nota 194.
[332] O trocadilho de Dauriat, intraduzível em português, versa sobre as palavras Laure (“Laura”) e l’or (“o ouro”), homofônicas em francês.
[333] Faciamus experimentum in anima vili (em latim no original): “Façamos uma experiência num ser vil”, locução empregada geralmente a respeito das experiências feitas em animais.
[334] Champcenetz: o cavaleiro Champcenetz (1760-1794), jornalista ultramonarquista, colaborador de Rivarol em seus panfletos; executado durante a Revolução Francesa.
[335] Bossuet: Jacques-Bénigne Bossuet (1627-1704), prelado e orador sacro, autor de famosas Orações fúnebres e de obras da história eclesiástica e universal.
[336] Vico (1668-1744): ilustre filósofo e historiador italiano, professor da Universidade de Nápoles que teve uma vida difícil e morreu na miséria. — Saint-Simon (1760-1825): sociólogo, fundador da doutrina que lhe traz o nome, teve também vida acidentada e passou seus últimos anos no meio de privações; acerca de Fourier, ver a nota 75.
[337] Uma brochura pedindo o restabelecimento do direito de primogenitura: reminiscência pessoal de Balzac, pois foi ele que, quando ainda estreante, em 1824, publicou anonimamente uma brochura sobre este assunto, intitulada Do direito de primogenitura, e na qual defendia, contra suas convicções de então, a tese ultramonarquista a favor do restabelecimento desse direito.
[338] Chabot: François Chabot (1759-1794), monge capuchinho que aderiu à Revolução e fez parte da extrema-esquerda da Convenção; em 1793 casou com a irmã de um rico banqueiro, e se meteu logo depois em negócios suspeitos que o levaram ao cadafalso. Era acusado de especulações ilícitas e de tentativas de suborno junto a vários de seus colegas para obter deles a falsificação de um decreto sobre a Companhia das Índias.
[339] Srta. des Touches, ou, pelo seu pseudônimo, Camille Maupin: personagem balzaquiana, escritora ilustre, uma das protagonistas de Beatriz.
[340] Le Réveil: título de um jornal realmente existente que saiu em 1822 e 1823.
[341] Le Miroir des spectacles, des lettres, des mœurs et des arts: periódico de tendências liberais, sucessor do famoso Le Nain Jaune e fundado igualmente por Cauchois-Lemaire; processado pelo governo da Restauração por suas alusões políticas.
[342] As segundas Meditações de Lamartine: trata-se da coletânea Nouvelles Méditations Poétiques, publicada em 1823.
[343] Paráfrase pilhérica da inscrição do frontão do Panteon: “Aos grandes homens a pátria reconhecida”.
[344] Galt: John Galt (1779-1839), romancista inglês de vida aventurosa; escreveu uma vida de Byron, a quem encontrara no Oriente, livro muito discutido na época, e uma série de romances sobre a vida rural da Escócia.
[345] O próprio Balzac escreveu um romance Sobre Catarina de Médicis: ver no volume 16 desta edição.
[346] Bravi (palavra italiana empregada em francês): “espadachins”, “capangas”.
[347] O príncipe e a princesa Galathione são personagens de A comédia humana, mas em nenhum trecho desta há outra alusão ao caso dos seus diamantes. — Marie-Armand Maubreuil, marquês de Orvault (1784-1864), era personagem real, que se tornou famoso por uma tentativa de assassínio contra Napoleão, da qual teria sido encarregado por Talleyrand e os aliados, por um ataque à rainha de Vestfália, cujas joias teria roubado, e por uma agressão contra Talleyrand, a quem esbofeteou numa cerimônia pública. — Pombreton é personagem balzaquiana, a quem o cavaleiro de Valois teria emprestado durante a Revolução, para salvá-lo, importante quantia e que ele lhe teria pago depois em prestações. Na realidade, essa história fora inventada pelo próprio cavaleiro para coonestar seus lucros no jogo, único meio de vida de que ele dispunha (A solteirona, no volume 6 desta edição).
[348] Mil escudos: três mil francos.
[349] Ducerceau: Jacques Androuet Ducerceau (século xvi), famoso arquiteto protestante, autor, entre outras obras ilustradas, de Os mais excelentes edifícios da França (1576).
[350] Os Keller: família de ricos banqueiros, inventada por Balzac.
[351] Todos personagens balzaquianas, usurários que auxiliam e despojam os jovens elegantes de A comédia humana: Gigonnet foi quem comprou o soldo atrasado do oficial Luigi Porta (em A vendeta); Palma e Werbrust aparecem em O baile de Sceaux e A Casa Nucingen; quanto a Gobseck, conhecemo-lo na novela que lhe traz o nome.
[352] Frascati: café e sorveteria fundado por um napolitano deste nome na esquina do boulevar e da Rue du Richelieu durante o Diretório; depois se transformou em casa de jogo elegante que existiu até 1837.
[353] La Foudre: jornal ultramonarquista, fundado em 1821, cuja veemência se tornou tão incômoda para o gabinete Villèle que acabou por comprá-lo dois anos depois dentro do plano de “amortização”.
[354] Le Drapeau Blanc: jornal ultramonarquista, fundado em 1819, por Martainville, sob a epígrafe “Viva o rei!... apesar dos pesares”. De uma virulência extraordinária, desapareceu pouco antes da Revolução de 1830. O título alude à bandeira branca, a dos Bourbon; em 1830 Luís Felipe adotou a bandeira tricolor, em uso até hoje.
[355] Alphonse Martainville (1776-1830): jornalista ultramonarquista, fundador do Le Drapeau Blanc [A Flâmula Branca]; apóstolo do despotismo absoluto, tornou-se famoso pela veemência de seus ataques aos liberais; Louis-Simon Auger (1722-1839), escritor e jornalista, entrou na Academia Francesa por ordem real; Eugéne Destains (1793-1830), escritor e jornalista, diretor da Gazette de France, autor de uma tradução de As mil e uma noites.
[356] Justum et tenacem propositi virum: palavras latinas, as primeiras de uma ode de Horácio que exalta a firmeza do ânimo. “Ao homem justo e de caráter firme” — escreve o poeta latino — “não o abala em sua sólida determinação nem o ardor dos cidadãos que lhe dão ordens iníquas...”.
[357] Gilles: tipo da comédia bufa, espécie de palhaço tolo e covarde.
[358] Le Constitutionnel: ver a nota 177. — Sargento Mercier: sargento da guarda nacional que se recusou, em 4 de março de 1823, a cumprir a ordem de expulsar da Câmara o deputado liberal Manuel.
[359] Poeta sem sonetos: trocadilho intraduzível, baseado na homonímia de sans sonnets (“sem sonetos”) e sansonnets (“estorninhos”).
[360] A tradução deste soneto, escrito provavelmente por Lassailly a pedido de Balzac, é devida a Manuel Bandeira.
[361] Martainville (ver a nota 355), retirado com a esposa, durante os Cem Dias, numa casa de campo do Pecq, assistiu à passagem do Sena pelos prussianos; daí a acusação de que ele lhes facilitou a travessia.
[362] Trocadilho intraduzível que versa sobre a analogia entre as palavras Pecq e Pecque (“besta”, “idiota”) e sobre a expressão pont auxânes (“ponte dos asnos”), que se aplica ao teorema de Pitágoras e, usada familiarmente, indica dificuldade que só embaraça aos ignorantes.
[363] Aretino (1492-1556): famoso satírico italiano, autor de obras licenciosas e espirituosas, temido pelos contemporâneos; Beaumarchais (1732-1799): autor do Barbeiro de Sevilha e do Casamento de Fígaro, crítico audacioso da sociedade do seu tempo; Fréron (1719-1776): crítico inimigo de Voltaire e dos enciclopedistas, afamado pelo tom violento de suas polêmicas.
[364] Duquesa de Grandlieu: personagem balzaquiana, assim como a sra. Firmiani, sogra de Calisto du Guénic (Beatriz, no volume 3 desta edição).
[365] O mais brilhante dos escritores monarquistas: trata-se de Chateaubriand, partidário fervoroso da Restauração e ministro das Relações Exteriores no reinado de Luís xviii; dispensado em 1824 de suas funções, por despeito aliou-se à oposição liberal, escrevendo artigos contra o governo, até que em 1828 foi nomeado embaixador da França em Roma. Depois da Revolução de 1830, Chateaubriand retirou-se de vez da vida política. A alusão de Balzac à “Doutrina” refere-se ao grupo moderado da oposição liberal, formado pelos “doutrinários” chefiados por Guizot e Royer-Collard, igualmente infensos aos princípios da Revolução e aos da Restauração monárquica.
[366] Milão de Crotona: atleta do século vi a.C., várias vezes vencedor nos Jogos Olímpicos, de força e apetite lendários. Segundo a tradição, quis experimentar certa vez as suas forças rachando um carvalho fendido. As duas partes da árvore juntaram-se, porém, em vez de se separarem, e o atleta, que não soube desvencilhar-se, foi devorado pelas feras. Esta cena forma o assunto de um famoso grupo do escultor Puget.
[367] Conti: ver nota 317.
[368] Cinti: cantora francesa, cujo verdadeiro nome é Laura-Cynthia Montalant-Damoreau (1801-1863); Giuditta Pasta: ver a nota 234; Vicente Garcia (1775-1832): compositor e cantor espanhol, pai da célebre Malibran; Nicolas Pierre Levasseur (1791-1871): cantor francês, professor do Conservatório de Paris.
[369] Acerca deste trocadilho ver a nota 49.
[370] A pequena Fay: Leontina Fay, atriz nascida em 1810; Balzac chama-lhe “a pequena Fay”, para distingui-la da mãe, em solteira Jeanne Rousselon, também cantora estimada na época.
[371] Trata-se da condessa du Cayla, favorita de Luís xviii, a quem Béranger atacou numa canção virulenta, intitulada Otávia, cheia de alusões bastante fortes aos amores senis do monarca que tinha então (1823) 68 anos.
[372] Monsieur: nome dado ao irmão mais jovem de Luís xviii, o conde de Artois, depois rei da França, sob o nome de Carlos x; durante o reino de Luís xviii chefiou o partido ultramonarquista.
[373] Corsaire: jornal teatral e literário, fundado em 1823, que acessoriamente se ocupava também de política, apoiando as ideias liberais.
[374] Le Courrier: mais tarde Le Courrier Français, jornal liberal, fundado em 1819, que combatia a Restauração com muito vigor.
[375] Aristarque: jornal da direita que saiu de 1815 a 1827.
[376] L’Oriflamme: lapso de Balzac, pois o jornal monarquista deste nome só começou a sair a partir de julho de 1824, ao passo que a ação de Ilusões perdidas se desenvolve de 1819 a 1823.
[377] Desroches: personagem balzaquiana, solicitador, em cujo cartório Oscar Husson trabalhava (Uma estreia na vida, no volume 4 desta edição), e que representava a marquesa d’Espard contra o marido (A interdição, no volume 4 desta edição).
[378] A canção, provavelmente escrita a pedido de Balzac por um poeta amigo, foi traduzida por Manuel Bandeira.
[379] Triste confissão de um filho do século: título imitado de o de Confissão de um filho do século, romance autobiográfico de Alfred de Musset (1836).
[380] Ouvrard: Gabriel Julien Ouvrard (1770-1846), financista genial, banqueiro de fortuna enorme, que várias vezes emprestou dinheiro e forneceu munições aos governos sucessivos do Diretório, do Império e da Restauração. A especulação sobre os papéis foi apenas o início de sua carreira acidentada, em que períodos de influência extraordinária alternam com processos e encarceramentos.
[381] Seíd: escravo e primeiro adepto de Maomé; a palavra, afrancesada por Voltaire, e hoje um nome comum da língua francesa (séide), significa “satélite”, “agente de crimes”.
[382] Não é homem para procurar versais na caixa baixa: não mete os pés pelas mãos, sabe o que faz. Nas tipografias, o tabuleiro, com os caixotins das letras tipográficas, chamado “caixa”, é dividido em duas partes. Na de cima encontram-se os versais ou maiúsculas (chamadas, por isso, também “caixa alta”); na de baixo, as minúsculas, “caixa baixa”.
[383] Liard: antiga moeda de cobre que valia a quarta parte de um sou, quer dizer, 1,25 cêntimos.
[384] Montanhês: durante a Revolução Francesa, membros da Montanha, o grupo mais radical da Convenção, assim chamado por ocupar as filas mais elevadas da assembleia. A Montanha, chefiada por Marat e Robespierre, depois de esmagar os girondinos, tomou conta do poder e iniciou o Terror.
[385] Mercier: Louis-Sébastien Mercier (1740-1814), autor de Quadro de Paris (1781), curioso relatório da vida parisiense na véspera da Revolução.
[386] Jacquart ou Jacquard: Joseph-Marie Jacquard (1752-1834), técnico francês, inventor do tear que lhe conserva o nome.
[387] Graindorge: Jacques Graindorge (1602-1680), beneditino francês, astrônomo a quem alguns atribuem o método de determinar as longitudes em alto-mar.
[388] Rouvet: Jean Rouvet (século xvi), inventor do transporte da madeira pelos rios por meio de flutuação.
[389] Van Robais: Josse van Robais (1630-1685), fabricante de panos que instituíra na França uma importante manufatura de pano fino.
[390] Las Cases: conde Emanuel de Las Cases (1766-1842), historiador francês que acompanhou Napoleão no exílio e redigiu o Memorial de Santa Helena.
[391] Meissonier: Ernest Meissonier (1815-1891), pintor francês que se tornou famoso sobretudo por quadros de dimensões mínimas, de gênero, representando cenas de interior no estilo dos neerlandeses; ilustrador de várias obras de Balzac.
[392] Mascarilho: tipo do criado malandro, intrigante e impudico, nas comédias dos séculos xvii e xviii.
[393] Lablache (1794-1858): célebre cantor italiano, contratado sucessivamente pelo Teatro San Carlo, de Nápoles, o do Italiens, de Paris, e a Ópera de São Petersburgo.
[394] A casa Keller: ver a nota 350. — A sra. baronesa de Nucingen: ver a nota 103.
[395] Bernard de Palissy (1510-1590): famoso artista especializado na pintura sobre vidro; inventor do esmalte; ao mesmo tempo geômetra e estudioso dos fenômenos da natureza; professou em Paris durante dez anos num curso de história natural.
[396] São Bartolomeu: episódio sangrento da história da França em que o rei promove uma violenta repressão aos protestantes, assassinando vários deles, em 1572.
[397] Balzac costuma figurar a pronúncia das personagens estrangeiras, sobretudo alemãs, que falam o francês com sotaque. Foi o que se procurou imitar nas falas de Kolb.
[398] O primeiro marechal de Biron: Armand de Gontaut (1524-1592), marechal da França; combateu os huguenotes; em seguida negociou com eles a paz de Saint-Germain; partidário de Henrique iv, tomou parte na batalha de Ivry e no sítio de Paris.
[399] Fábio Cunctator (275-203 a.C.): general romano que combateu Aníbal com êxito e a quem a tática de prudente contemporização valeu o sobrenome de Cunctator (“contemporizador”).
[400] Hic et nunc: locução latina que significa “aqui e agora”, isto é, “imediatamente”.
[401] In extremis (em latim no original): “no último momento (da vida)”.
[402] Este Milaud de Nevers é parente de Milaud de la Baudraye, marido da “Musa do departamento”.
[403] Pomona: na mitologia antiga, divindade das frutas e das hortas.
[404] Tartufo: ver a nota 262.
[405] Paulo e Virgínia: protagonistas e título de um famoso romance de Bernardin de Saint-Pierre.
[406] Eloá ou A irmã dos anjos: mistério em três cantos, de Alfred de Vigny.
[407] Guez: Jean-Louis Guez de Balzac (1597-1654), nascido em Angoulême, autor do Sócrates cristão e de famosas Cartas, escritor de estilo empolado e algo vazio, que contribuiu para a criação da língua literária francesa. O romancista não era seu descendente, embora gostasse que o tomassem por tal.
[408] Dupuytren: Guillaume Dupuytren (1777-1835), célebre cirurgião; um museu de anatomia, criado com os fundos que deixou para criação de uma cadeira de Anatomia Patológica, perpetua-lhe o nome.
[409] Montlosier: François-Dominique Reynaud, conde de Montlosier (1755-1838), político católico e monarquista, autor de uma obra sobre A Monarquia francesa (1814); depois aproximou-se dos liberais e passou a combater a influência crescente dos jesuítas e da Igreja em diversas obras.
[410] O imortal autor da Carta: Luís xviii.
[411] O sr. Domingos: personagem de Don Juan, de Molière; tipo do credor tímido, que se deixa desarmar pelas atenções e as belas palavras do devedor.
[412] Lafleur: tipo de criado das comédias de Regnard, e que aparece também em muitas comédias do século xviii.
[413] Duvicquet: trata-se provavelmente do crítico Pierre Duvicquet (1766-1835), que, depois de ter ocupado um lugar na polícia sob a direção de Fouché, ficou arruinado e viu-se metido em grandes dificuldades, até que em 1814 lhe foi confiado o folhetim crítico do Journal des Débats.
[414] A Torpedo: alcunha da cortesã Ester van Gobseck, personagem de A comédia humana, que desempenhará papel maior em Esplendores e misérias das cortesãs; sobrinha-bisneta do usurário Gobseck.
[415] Viva o rei, viva a França: “Chant Français”, hino nacional da Restauração, de Bouillé e Ilersorei.
[416] O sr. Peyronnet: Pierre-Denis Peyronnet (1778-1854), ministro da Justiça do reacionário gabinete Villèle (1821), autor de uma lei de censura e outras medidas reacionárias. Começou a sua carreira como advogado em Bordeaux, sua cidade natal. Nomeado conde por Luís xviii, par da França por Carlos xviii; condenado à prisão perpétua pelo governo de Luís Felipe, passou seis anos na prisão, depois foi perdoado.
[417] Porte Saint-Denis: monumento de Paris, arco de triunfo de 24 metros de altura.
[418] Tancredo: ver a nota 235.
[419] Lauzun: Antoine Nompar de Caumont, duque de Lauzun (1632-1723), tipo do cortesão hábil e ambicioso, famoso pela paixão que soube inspirar à srta. de Montpensier, prima de Luís xiv, com quem acabou casando-se.
[420] Ainda hoje pairam dúvidas sobre o fim de Rousseau, e um de seus últimos biógrafos, Ernest Seillière (1921), não acha desprovida de fundamento a hipótese do suicídio. Seja como for, o autor das Confissões esteve diversas vezes a ponto de pôr fim à própria existência; na “Terceira parte” da Nova Heloísa há uma apologia do suicídio feita pelo protagonista Saint-Preux numa de suas cartas.
[421] O barão de Goertz (segunda metade do século xvii-1719): emissário diplomático, ministro da Fazenda de Carlos xii da Suécia, processado e decapitado depois da morte deste príncipe.
[422] Sr. de Malesherbes: Chrétien-Guillaume de Lamoignon de Malesherbes (1721-1794), ministro de Luís xvi, a quem defendeu perante a Convenção; morreu no cadafalso.
[423] Biren: Ernst de Biren (1690-1772), favorito de Ana, duquesa de Curlândia, mais tarde tsarina da Rússia; duque de Curlândia, nomeado regente no testamento da czarina; afastado do poder em 1740 por uma conspiração palaciana, passou muito tempo no exílio, até que em 1762 Catarina ii o restabeleceu no ducado de Curlândia.
[424] Ad usum Delphini: expressão latina que significa “para uso do Delfim”. Nome dado às edições clássicas feitas especialmente para o Delfim, filho de Luís xiv, expurgadas dos trechos julgados livres. A expressão emprega-se ironicamente a respeito de qualquer obra expurgada com algum intuito secreto.
[425] Marechal d’Ancre: o aventureiro italiano Concini, que, casado com Leonora Dori, uma das criadas da rainha Maria de Médicis, conseguiu sobre a rainha uma influência decisiva, que lhe permitiu enriquecer e chegar ao marechalato. Ministro durante algum tempo, aproveitou o poder para fins pessoais. Tendo aprisionado o príncipe de Condé, chefe de uma liga de descontentes, viu seu palacete arrasado pelo povo de Paris; em seguida, por ordem de Luís xiii, vieram aprisioná-lo e, como quisesse resistir, foi morto pelo capitão Vitry (1617). O jovem Richelieu fora apresentado a Maria de Médicis por Leonora Dori.
[426] Jacques Cœur (fim do século xiv-1456): financista e banqueiro de grande talento, cujo enriquecimento espantoso os contemporâneos atribuíram ao descobrimento que ele teria feito da pedra filosofal. Concorrente de Veneza no comércio com o Oriente, emprestou dinheiro aos príncipes. Sua imensa fortuna atraiu-lhe a inveja dos contemporâneos e do próprio rei Carlos vii, que o fizeram condenar injustamente, espoliando-o por completo. Teve a vida salva graças à intervenção do papa. Sua memória foi reabilitada sob Luís xi. Seu filho, Jean, tornou-se arcebispo de Bourges, em 1450.
[427] Semper virens: “sempre florescente”.
[428] R. P. Escobar: Antonio Escobar y Mendoza (1589-1669), jesuíta e casuísta espanhol, célebre pelas suas sutilezas e disquisições, as quais, segundo o demonstravam seus adversários, os jansenistas, justificavam as ações mais censuráveis. Seu nome tornou-se designativo de pessoa que sabe conciliar, por meio de raciocínios sutis, sua consciência com seus interesses e paixões.
[429] Sra. Tallien (1770-1835): mulher de grande beleza, em solteira Teresa Cabarrus; esposa primeiro do marquês de Fontenoy, depois do convencional Tallien, que se apaixonou por ela, quando ia julgá-la entre outros prisioneiros suspeitos; moderou o rigor excessivo do marido e animou-o, a seguir, a chefiar o movimento contra Robespierre; depois da morte de Tallien, tornou-se princesa Chimay.
[430] Sra. de Beauharnais: em solteira Joséphine Tascher de la Pagerie, nascida em 1763; depois da morte do primeiro marido, o visconde de Beauharnais, executado durante a Revolução, casou, em 1786, com o general Bonaparte; tornou-se imperatriz em 1804. Napoleão divorciou-se dela em 1809.
[431] Sans-culotte: nome dado pelos aristocratas em 1792 aos revolucionários que substituíram os calções (culotte) pelas calças (pantalon).
[432] Quando me houver libertado: no momento em que se desenrola a ação desta parte do romance, Fernando vii era prisioneiro das cortes; será libertado efetivamente em 1823 pelo corpo expedicionário francês comandado pelo duque de Angoulême, restabelecendo assim na Espanha a monarquia absoluta e um regime de terror clerical.
[433] Afrita: na mitologia árabe, espécie de espírito, de gênio malfazejo.
[434] Icoglã: oficial do palácio do sultão, adido a um dos serviços internos.
[435] Oliver Cromwell (1599-1658): chefe da oposição ao arbítrio real na Inglaterra; ordenou a execução do rei Carlos i e, na qualidade de “lorde protetor”, governou com poderes ditatoriais o seu país, ao qual anexou a Irlanda e a Escócia.
[436] O compositor de Roberto, o Diabo, a ópera romântica por excelência, Giacomo Meyerbeer, que tinha como verdadeiro nome Liebmann Beer (1791-1864), era judeu.
[437] Reisebilder (em alemão no texto): “Quadros de viagem” (1826-1830), obra do poeta Heinrich Heine, de origem judaica.
[438] Argumento ad hominem: argumento pelo qual se confunde um adversário opondo-se-lhe suas próprias palavras ou seus próprios atos.
[439] A Veneza salva: tragédia do dramaturgo inglês Thomas Otway (1651-1685), representada com grande êxito na época do romantismo e citada várias vezes por Balzac; nessa peça, a amizade dos dois protagonistas, Pedro e Jaffier, desempenha papel importante.
[440] Paraíso perdido: famosa epopeia cristã do poeta inglês Milton (1608-1674), que trata da queda do homem.
[441] Padre de Vermont: Mathieu Jacques de Vermont (1735-?), professor e leitor, desde 1769, de Maria Antonieta, cujos desregramentos em vão procurou conter. A seguir exerceu grande influência sobre ela e parece que foi a conselho dele que a rainha denunciou ao rei o escândalo do colar, que acabou por desconsiderá-la; manteve-a hostil às exigências populares e contribuiu assim para a sua ruína.
[442] Acerca do sargento Mercier, ver nota 358; acerca de Paul-Louis Courier, a nota 195; Manuel (1775-1827) era deputado liberal, um dos chefes da oposição, que sofreu diversas perseguições e em 1823 foi expulso da Câmara.
[443] Anselmo Popinot: personagem balzaquiana que desempenhará papel importante em César Birotteau; sobrinho do juiz Popinot, protagonista de A interdição.
[444] Os Gobelins: nome de célebre família de tapeceiros do século xv, em cuja oficina, localizada em Paris, foi instalada mais tarde a tapeçaria real, depois tapeçaria nacional francesa, ainda hoje existente e cujos produtos, os gobelinos, são conhecidos no mundo inteiro.
[445] Sèvres: famosa manufatura de porcelanas, instalada no parque de Saint-Cloud.
[446] A Savonnerie: antiga manufatura real de tapetes (gobelinos) no gênero oriental, que em 1728 foi reunida à manufatura dos Gobelins.
[447] Imprensa Real: fundada em 1620 por Luís xiii, mais tarde Imprensa Nacional.
[448] Vinet: personagem balzaquiana que defendeu os Rogron, acusados de terem assassinado lentamente a sua prima (Pierrette).
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Honoré de Balzac
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