A democracia inconclusa: um estudo da reforma sanitária brasileira
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Notas
1. Avaliação, Análise e Integração de Programas e Experiências
Inovadoras de Políticas de Saúde e Políticas Sociais (dados
atualizados em 2002). Coordenação: Silvia Gerschman.
Professora associada: Maria Lucia Werneck Viana.
↩
2. A comissão intergestora tripartite é de âmbito nacional, tem
caráter paritário e nela estão representados o Ministério da
Saúde, o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de
Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretários
Municipais de Saúde (Conasems). Sua função é assistir ao
Ministério da Saúde na implantação e operacionalização do
SUS, devendo se submeter ao poder deliberativo e fiscalizador
do Conselho Nacional de Saúde. Já as comissões bipartites de
âmbito estadual são formadas paritariamente por dirigentes da
Secretaria Estadual e órgãos de representação dos Secretários
Municipais do Estado (Cosems). Nessas comissões são
decididos os aspectos operacionais do SUS (Manual do Gestor
do SUS, publicado pelo Cosems-RJ, em março de 1997).
↩
3. A exclusão deve-se ao fato de a questão do Movimento
Sanitário ter sido objeto específico da análise de outros estudos
no setor, dentre eles, o de Escorel (1987).
↩
4. São países simultaneamente sujeitos às pressões de diferentes
modalidades de transição: as elites autoritárias dominantes
acreditam possuir todo o poder em mãos (freqüentemente de
uma maneira rápida); as elites políticas de oposição procuram
efetuar um pacto entre elas (excluindo as elites dominantes); as
massas são mobilizadas nas ruas, trazendo à cena a ameaça
da extensão da violência ou de uma saída revolucionária.
Nossa idéia é que, com essa simultaneidade de lógicas, é
quase impossível os diversos atores terem uma estratégia
vitoriosa. O Brasil entrou nessa situação devido à morte
prematura de Tancredo Neves, que tirou da cena política o ator
mais decidido e capaz de dar uma seqüência ao processo de
democratização por meio de resultados pactuados (Schmitter,
1991b:18). [tradução da autora]
↩
5. Tradução da autora.
↩
6. Tradução da autora.
↩
7. “a idéia básica, comum a tudo isto, é que as relações sociais se
tornem estruturas, ou seja, padrões de interação ocorram
regulamente, estejam dotados de significado e sejam
suficientemente capazes de motivar condutas, de modo que
possam vir a ter um funcionamento autônomo para resistir a
mudanças induzidas do exterior. Simplificando, estruturas são
coletividades nas quais ‘o todo é maior que a soma das partes’.
As estratégias e normas dos indivíduos dentro delas são
restringidas pela totalidade. As ações e metas da estrutura não
são redutíveis àquelas de suas partes componentes. O que se
precisa é de uma definição mais específica e de teorias da
estruturação/ institucionalização/estabilização/rotinização que
capturem esta modalidade e expliquem como ela poderia ser
adotada, e também porque os atores poderiam preferi-las com
prazer.” [tradução da autora]
↩
8. “A partir da esfera privada publicamente relevante da sociedade
civil burguesa constitui-se uma esfera social repolitizada, em
que instituições estatais e sociais se sintetizam em um único
complexo de que não é mais diferenciável. Essa nova
interdependência de esferas, até então separadas, encontra a
sua expressão jurídica na ruptura do sistema clássico de Direito
Privado (...). Na sociedade industrial organizada como Estado-
social multiplicam-se relações e relacionamentos que não
podem ser suficientemente ordenados em institutos quer do
Direito Privado, quer do Direito Público; obrigam, antes, a
introduzir normas do assim chamado Direito Social” (Habermas,
1984:177).
↩
9. “Nós agora temos que considerar o último, mas não certamente
o menos importante dos componentes da cultura, a saber, o
caminho no qual as relações sociais, como um objeto sexual
para outros, como membro de uma família ou do Estado. É
especialmente difícil neste assunto não ter preconceitos que
obedecem a padrões ideais e determinar com exatidão o que é
especificamente cultural. Possivelmente poder-se-ia começar
por estabelecer que a primeira tentativa para regular as
relações sociais conteve de maneira acabada os elementos
essenciais da civilização. Se esta tentativa não tivesse sido
feita, estas relações seriam sujeitas ao arbítrio dos indivíduos:
isto é, o homem mais forte psicologicamente poderia decidir as
coisas de acordo com seus próprios interesses e desejos. A
vida humana em comunidades apenas se torna possível
quando os homens se juntam e isto constitui uma força superior
à de qualquer homem isolado e esta unidade se mantém contra
toda a singularidade individual. A força deste corpo unido é
oposta, com ‘Direito’, à força de um indivíduo, o qual é
condenado à força bruta. Esta substituição do poder pela união
dos indivíduos perante um homem singular é um passo decisivo
em direção à civilização. A essência disto é que os membros de
uma comunidade têm restringido suas possibilidades de
gratificação enquanto o indivíduo não tem reconhecido tal
restrição” (Freud, 1957:59).
↩
10. “Defino política emancipatória como uma perspectiva genérica
referente fundamentalmente à liberação de indivíduos e grupos
dos entraves que afetam de maneira adversa suas chances de
vida. As políticas emancipatórias envolvem dois elementos
principais: o esforço de deixar para trás o passado, permitindo
uma atitude de transformação em direção ao futuro; e o
propósito de superação da dominação ilegítima de alguns
indivíduos ou grupos sobre outros (...). As políticas
emancipatórias objetivam reduzir ou eliminar exploração,
desigualdades e opressões” (Giddens, 1991:212-213).
↩
11. Przeworski (1992:109) tem um enfoque diferente dessa
questão: “Minha versão a respeito desta questão – as
contradições inerentes ao capitalismo – defende que o
capitalismo é irracional porque não pode acender a certas
distribuições de bem-estar que são tecnicamente factíveis. Nós
podemos ter meios tecnológicos e organizacionais de alimentar
a todos na Terra e a vontade de fazê-lo; mas, ainda assim, ser
incapazes de conseguir isto sob o capitalismo (...). Imagine uma
economia na qual há dois agentes, P e W. Se os resultados não
dependessem das taxas de retorno dos investimentos
controlados por estes agentes, logo sob um dado estágio da
tecnologia, toda a distribuição do bem-estar se resume ao nível
em que os resultados sejam acessíveis (...). Mas, sob o
capitalismo, os resultados dependem das taxas de retorno dos
investimentos. Se os capitalistas recebessem o retorno
completo do capital e os trabalhadores, o retorno completo do
trabalho, logo os recursos poderiam ser eficientemente
alocados, e a distribuição dos ingressos poderia refletir a
produtividade marginal dos fatores (...). Mas, se os capitalistas
ou trabalhadores não têm o retorno completo, isto é, se a
distribuição de ingressos difere do mercado competitivo, eles
poderão retirar capital ou trabalho e os recursos seriam
subutilizados. Sob o capitalismo, investimentos – capital e força
de trabalho – propriedade privada e quem decide “se vão e
como vão” utilizá-los são os próprios interessados”.
↩
12. A consolidação da democracia pode ser vista como um
processo (o melhor dos processos) que torna esses
procedimentos possíveis (...). Esta institucionaliza a incerteza
em um subconjunto de papéis políticos e arenas políticas,
enquanto institucionaliza a certeza em outras (Schmitter,
1991a:6).
↩
13. Na Previdência Social, a condução comprometida com as
reformas manteve-se até meados de 1988, quando da
negociação do mandato presidencial e do regime de governo. A
partir de 1988, nenhum representante do Movimento Sanitário
permaneceu em cargos da direção do Inamps (Escorel,
1992:23).
↩
14. “sobre a constante pressão dos operários agindo por fora,
nunca essa intervenção dar-se-ia. Em todo caso, este resultado
não teria sido alcançado por meio de convênios privados entre
os operários e os capitalistas” (Marx, 1978a:96).
↩
15. A trajetória histórica do Movimento Popular em Saúde e do
Movimento Médico no período de estudo será tratada mais
detidamente na Parte II.
↩
16. A tarefa dos dirigentes empresariais será convencer os
empresários individuais a agirem de maneira tal que, embora do
ponto de vista de cada um deles sua ação não traga nem
ganhos nem benefícios, ela trará benefícios coletivos caso seja
adotada por todos. A liderança, portanto, consiste em utilizar a
‘zona de indiferença’ dos indivíduos.
↩
17. Para se analisar os movimentos sociais, não se deve ensejar
generalizações apressadas, mas ter em mente a necessidade
de um conceito que seja suficientemente abrangente para dar
conta da diversidade de movimentos, surgidos em contextos
sociopolítico diferentes e/ou marcados por matrizes
organizativas distintas. Considerar que os movimentos sociais
em sua concretude podem ser definidos pela conjugação das
contradições históricas e estruturalmente dadas, pelas
influências da conjuntura política e, sobretudo, pela forma como
agem e reagem as partes em conflito, ou seja, pela efetividade
que assumem as proposições de natureza
organizativa/política/ideológica no jogo das relações sociais,
cultura e instituições (Doimo & Bank, 1989).
↩
18. De fato, observa-se que os articuladores sociais têm
desempenhado um papel significativo, o que não tem
representado necessariamente perda de autonomia, tão
reivindicada pelos movimentos. Mas esse ocultamento das
conexões políticas que envolvem posições partidárias ou
confessionais não pode ser minimizado no caso do Movimento
Popular em Saúde, já que, apesar das resistências dos seus
integrantes, salta aos olhos a influência dos setores
progressistas da Igreja através das Comunidades Eclesiais de
Base, dos médicos sanitaristas e de militantes do Partido dos
Trabalhadores, que, embora não formalizem laços orgânicos
com a estrutura partidária, explicitam uma cultura política
característica do partido (Jacobi, 1989).
↩
19. Temas abordados: Controle dos Serviços de Saúde pelo Povo;
Movimento Popular em Saúde e Movimentos Populares no
Momento Atual; Avaliação, Diretrizes e Organização do Novo
Movimento.
↩
20. “Vimos que o partido político é uma das ferramentas, isto é,
uma das formas de organização que temos. E nós, agentes
pastorais e/ou educadores, temos um grande desafio: o de
construir um novo exercício político de forma séria e
comprometida com as bases. Por essa razão é que devemos
ter claro a natureza de cada ferramenta de que dispomos, o que
cada uma nos oferece, e onde como e quando podemos usá-la.
O Mops tem que ser alheio aos partidos por ser um movimento
formado por entidades, grupos e pessoas de diferentes religiões
e ideologias. Não devemos ser puristas, mas termos claro os
pontos que nos unem e encontrarmos uma forma democrática
de convivermos com essas várias diferenças” (Relatório final da
Reunião de Coordenadores – Brasília, 1985).
↩
21. Foi, inclusive, elaborado um cartaz amplamente distribuído
junto aos movimentos locais e também um documento para a
discussão nas bases.
↩
22. Herbert de Souza (Betinho), Sonia Fleury e Ivo Poletto foram os
assessores do VII Encontro.
↩
23. A dinâmica foi semelhante aos encontros anteriores e os temas
tratados foram: Saúde do Trabalhador, Saúde da Mulher,
Saneamento Básico, Pastoral da Criança e da Saúde,
Hanseníase. Plantas Medicinais, Hortas Comunitárias e Saúde
do Consumidor. A Constituinte, ainda tema desse encontro, foi
debatida: delineou-se o perfil de seus integrantes –
conservadores em sua maioria –, assim como as possibilidades
das teses populares serem incluídas no texto constitucional.
Foram discutidos também os temas apresentados pelos
assessores sobre a conjuntura nacional, o sistema de saúde do
País e a reforma agrária.
↩
24. Segundo dados divulgados pela própria entidade.
↩
25. Lucia Souto, presidente da Famerj em 1989. Entrevista
realizada durante a pesquisa “Movimentos Sociais, Construção
de Hegemonia e Formulação de Políticas: um estudo sobre o
Movimento Médico e os movimentos populares em saúde no
Estado do Rio de Janeiro”, 1992.
↩
26. Entrevista realizada com Dilceia Nahon, presidente do MAB,
1989. Citada na pesquisa “Movimentos Sociais, Construção de
Hegemonia e Formulação de Políticas: um estudo sobre o
Movimento Médico e os movimentos populares em saúde no
estado do Rio de Janeiro”, 1992.
↩
27. Entrevista com Dilceia Nahon, 1989 (Ver nota anterior).
↩
28. Outras mobilizações aconteceram – na Assembléia Legislativa,
na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e na Superintendência de
Campanhas de Saúde Pública (Sucam) –, tendo assim
possibilitado a generalização e a expansão da luta do Mops
contra a epidemia de dengue, sendo criado também para isso
um comitê popular de combate à doença.
↩
29. Posteriormente à VIII Conferência, a Famerj convocou também
o Movimento Popular em Saúde do Estado do Rio para uma
reunião de avaliação; resultou um documento que se referia a
problemas de caráter organizativo – limitantes de uma
participação mais efetiva dos representantes do movimento – e
a outros, de caráter político, no sentido de se levantar suspeita
de que a VIII Conferência tivesse sido uma forma de legitimar
as propostas do governo. Apesar disso, foi positiva a avaliação
da Conferência tanto em termos de procedimentos – a exemplo
da participação do Movimento Popular – como de resultados.
Documento da Famerj, abr/1986. Citado na pesquisa
“Movimentos Sociais, Construção de Hegemonia e Formulação
de Políticas: um estado sobre o Movimento Médico e os
Movimentos Populares em Saúde no Estado do Rio de Janeiro”,
1992.
↩
30. O SOS Baixada, por exemplo, primeiro a se transformar mais
tarde no Programa Especial de Saúde da Baixada (Pesb).
↩
31. Entrevista realizada com liderança do MAB. Citada na pesquisa
“Movimentos Sociais, Construção de Hegemonia e Formulação
de Políticas: um estudo sobre o Movimento Médico e os
movimentos populares em saúde no Estado do Rio de Janeiro”,
1992.
↩
32. O ambulatório funcionava com duas equipes de dois clínicos,
um ginecologista, dois pediatras, um dentista e um nutricionista.
Incluía, além de agentes administrativos, visitadores sanitários,
assistente social e auxiliares de serviços gerais. O setor de
urgência tinha seis equipes, das quais a de enfermagem –
juntamente com auxiliares, radiologia e laboratório – assistiam
também ao setor ambulatório.
↩
33. Ministério da Saúde, Brasília, 1992.
↩
34. Realizado nos dias 28 e 29 de novembro de 1987, esse II
Encontro contou com a participação de cerca de 250 pessoas,
entre representantes de 57 entidades de caráter geral,
sindicatos, organizações não-governamentais e outras, 24
associações de bairro, 23 associações de favelas, de
funcionários de órgãos públicos e de profissionais de saúde. O
temário incluiu: Reforma Sanitária, Saúde do Trabalhador,
Saúde da Mulher, Saúde Mental. Foram discutidos também o
papel dos Conselhos de Saúde e, ainda, Conselhos
Comunitários de Saúde, Grupos Executivos de Saúde ou outras
tantas denominações dadas às instâncias previstas pelo SUS
para a participação da sociedade nos aparelhos de Estado do
setor saúde.
↩
35. As reuniões abrangeram três temas: Constituição Federal –
texto saúde aprovado e suas implicações; Diagnóstico de saúde
e assistência médica no estado do Rio de Janeiro; Avaliação e
propostas dos movimentos populares e sindicais.
↩
36. O Hospital da Lagoa é um dos maiores hospitais gerais do
estado do Rio de Janeiro, tem excelente localização – zona sul
do município – e atende à população da região, especialmente
das favelas Dona Marta, Rocinha e Vidigal. Em março de 1988,
em um processo peculiar, o Dr. Waldinez Lima de Oliveira foi
eleito diretor pelos funcionários, com a participação daquelas
comunidades. O Hospital passou então a enfrentar um grande
impasse em razão das divergências entre sua diretoria e a do
Escritório Regional do Inamps. O alvo desse conflito foi o tipo
de administração implementada, que se pautou pela
descentralização dos serviços – inaugurou um posto de saúde
na favela Dona Marta –, pelo maior rigor nos critérios de
compra de material hospitalar, pelo aumento do número de
atendimentos etc. Na época foi considerada uma administração
de qualidade diferenciada.
↩
37. “os três elementos constitutivos de um movimento social – a
definição do próprio setor social, de seu adversário e do campo
de disputa de seu conflito – encontram-se simultaneamente
separados uns dos outros, desintegrados e invertidos, o que
leva a uma ação mais expressiva do que instrumental, segundo
o vocabulário clássico da sociologia (...) a defesa de interesses
específicos, a luta contra os empregadores ou mesmo contra a
política urbana é que impedem o espírito comunitário de fechar-
se sobre si mesmo e permitem-lhe contribuir para a formação
de movimentos sociais. Porém, os movimentos comunitários
que se formam nas cidades e ainda, é necessário sublinhar, a
sua fragilidade e sua fragmentação permanecem antes de tudo
no domínio dos movimentos históricos. Isto quer dizer que o
seu interlocutor é mais o Estado do que uma categoria social,
Estado que é adversário e protetor ao mesmo tempo” (Touraine,
1989:54).
↩
38. A intervenção no Cremerj obedeceu ao fato de que a chapa
Renovação e Unidade, formada por profissionais afinados com
a concepção de reformulação do sistema de saúde, ganhou as
eleições com mais de 75% dos votos e em aberta oposição ao
regime militar e ao Ministério do Trabalho.
↩
39. A porcentagem restante nas duas datas consideradas
corresponde, na tabela original, à categoria ‘outros setores’.
Planejamento I. Recursos Humanos em Saúde. RI: Textos de
Apoio. PEC-Ensp/ Fiocruz, 1987.
↩
40. “el tipo de determinación de interés ‘múltiple, disperso, no
jerárquico y voluntario’ – es decir, el pluralismo –, y el tipo
singular, concentrado, diferenciado funcionalmente, jerárquico y
obligatorio: es decir el corporativismo. Una hipótesis obvia es
que existe una compatibilidad estructural o afinidad selectiva
entre el comproativismo y la concertación y entre el pluralismo y
la presión (...). En el primero, los intereses afectados, por muy
organizados que sean quedan incoporados al proceso político
como negociadores reconocidos e indispensables y son
corresponsables (y en ocasiones totalmente responsables (y
em ocasiones totalmente respnsables) de la aplicación de las
decisiones políticas, que entonces adoptan una calidad
caracteristicamente semipública o paraestatal. En la última los
interesses afectados quedan esencialmente fuera del proceso
político, como consultores o combatientes en las cuestiones
que se trate, y la aplicación ocurre exclusivamente bajo la
responsabilidad de las autoridades públicas, por muy
influenciadas que puedan estar por las acciones autónomas de
los intereses organizados en el curso de sus actividades”
(Schmitter, 1992).
↩
41. Ainda que este trabalho não inclua o Movimento Sanitário como
objeto específico de análise, fazemos freqüentes referências às
relações entre o Movimento Popular em Saúde e o Movimento
Médico com o Movimento Sanitário, na medida em que tais
relações nos possibilitam compreendê-los melhor.
↩
42. Segundo dados fornecidos pela diretoria do Cremerj.
↩
43. Declarações de Roberto Chabo, presidente do SinMed. Edição
Médica, 67:7, 1987.
↩
44. Edição Médica, 68:7, 1987.
↩
45. Como exemplo há um editorial do periódico Edição Médica em
que são feitas críticas à situação da medicina no estado do Rio.
Segundo o editorial, as lutas do Movimento Médico teriam
conquistado importantes avanços salariais, mas com poucos
reflexos na maior parte do atendimento assistencial, o que
tirava sua respeitabilidade até para “reivindicar melhor salários
e condições de trabalho”. Acrescenta que: “é crescente o
número daqueles que compreendem que sem o resgate da
respeitabilidade do médico perante a sociedade em geral,
qualquer movimento médico cairá no vazio” (Edição Médica, 70,
1988).
↩
46. Qualifica-se, então, também por essa via, a prática médica
como prática fundada na competência pessoal do médico para
desenvolver tal senso de particularização e exercitar sua
subjetividade, estabelecendo inclusive as próprias regras de
decisão e os limites de sua intervenção, ou de autoregulação.
Para tal exercício, carregado de tantos e tão complexos
requerimentos, não poderia ser outra a forma de desempenho,
por necessidade de adequação do médico a seu ato de prática,
que não aquela realizada por meio de sua inserção autônoma,
quando então disporá o médico de amplas condições de
adquirir e exercer sua experiência clínica individual.
↩
47. Porcentagem calculada a partir dos dados obtidos em:
Conjuntura e Saúde, Quadro I (Gastos Sociais do Governo
Federal), Rio de janeiro: NUPES, ago. 1992, p.6.
↩
48. Entre os últimos atos do Governo Sarney esteve um decreto
transferindo o Inamps para o Ministério da Saúde.
↩
49. Vide o projeto de governo sobre a privatização da Previdência,
nos moldes chilenos, que até hoje não conseguiu passar na
Câmara.
↩
50. Ver, sobre a IX Conferência, Escorel (1992).
↩
51. Mesa-redonda intitulada “Sociedade, Saúde e Governo”,
realizada em setembro de 1991, durante a I Conferência
Municipal de Saúde.
↩
52. Conjuntura em Saúde. Nupes/Daps/Ensp/Fiocruz, abril de 1993.
↩
53. Gastão Wagner, no artigo ‘Sai Inamps, entra... ?’, publicado no
periódico Proposta, Jornal da Reforma Sanitária, em abril de
1993.
↩
54. Dois eixos analíticos vão requerer a nossa atenção: a própria
gestão governamental da política de âmbito local, no contexto
do estabelecimento da democracia, e a incidência da atuação
dos momentos sociais nas experiências de municipalização
escolhidas através dos Conselhos de Saúde.
↩
55. “Em síntese, decompor-se, durante os anos 70, o pacto
desenvolvimentista, desfez-se sua articulação econômica e sua
aliança política, perdendo ademais sua aparente autonomia a
coalizão tecno-burocrático-militar responsável pela gestão do
governo e da economia durante os vinte anos de autoritarismo
desenvolvimentista. Este quadro se mantém durante os anos 80
sem que se afirme nenhuma nova hegemonia, coalizão ou
estratégia. E este, para nós, é o núcleo da crise orgânica vivida
pelo Estado brasileiro. (...) As transformações que se impõem
são radicais e apontam para uma mudança qualitativa do papel
do Estado (...) assentada num pacto nacional que incorpore a
população até hoje excluída permitirá reformar o aparelho do
Estado e dotá-lo da flexibilidade instrumental capaz de viabilizar
um Estado ágil – interna e externamente – (...) cujas
intervenções sejam definidas por uma estratégia que solidarize
os setores empresariais hegemônicos com as burocracias
estatais, e estes, em conjunto com os ideais de dignidade e
cidadania popular, completamente ausentes até agora da vida
política brasileira (...). Só um estado ‘forte’ (...) poderá cumprir
estes objetivos...” (Fiori, 1992).
↩
56. Campos (1992) afirma, a partir de uma perspectiva muito
próxima a essa, que não se pode pensar em mudanças
enquanto se mantiver um modelo liberal de atenção à saúde.
Considera, contudo, que os médicos constituem “um dos
principais fatores que têm impedido a efetiva transformação do
modelo de assistência médico-sanitária brasileiro”, questão à
qual retornaremos.
↩
57. Entre tais publicações, podemos destacar: Saúde em Debate,
periódico do Cebes (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde);
Proposta, Jornal da Reforma Sanitária, do Radis/Fiocruz
(Reunião, Análise e Difusão de Informação sobre Saúde);
Edição Médica, órgão oficial da SMCRJ (Sociedade de
Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro); Cadernos de Saúde
Pública, da Ensp/Fiocruz (Escola Nacional de Saúde Pública).
↩
58. Os dados discutidos em relação ao município de São Paulo
foram obtidos do trabalho “Participação popular e gestão de
serviços de saúde: um olhar sobre a experiência de São Paulo”
(realizado por Amelia Cohn, Paulo Elias e Pedro Jacobi) e do
periódico Conjuntura em Saúde (jul a out, nov/ 1992 e mar, abr,
maio e jun/1993).
↩
59. Folha de S. Paulo, 17/06/92.
↩
60. O Plano de Saúde da Baixada já foi comentado no segundo
capítulo, na parte que se refere ao Movimento Popular em
Saúde.
↩
61. Jornal do Cremerj, jan. de 1993.
↩
62. Anais da IX Conferência Nacional de Saúde. Brasília, 1992.
↩
63. Entrevista com o Secretário Estadual de Saúde. Proposta,
Jornal da Reforma Sanitária, set./out. de 1992.
↩
64. Proposta, Jornal da Reforma Sanitária, 31, 1993.
↩
65. Vide no financiamento da saúde a modalidade de repasse dos
recursos.
↩
66. Os dados sobre os Conselhos foram obtidos da pesquisa
“Avaliação do Funcionamento dos Conselhos Estaduais e
Municipais de Saúde”, desenvolvida pelas seguintes entidades:
Ibam; IMS/Uerj; Nesc/CE; Nescon/UFMG; Ness/BA. Relatório
Nacional, versão preliminar, agosto de 1993, Ministério da
Saúde-Conselho Nacional de Saúde.
↩
67. Em relação à dinâmica de funcionamento, a pesquisa
considerada analisou 12 estados, já que os restantes não se
encontravam ainda em pleno funcionamento e os que
funcionam eram muito recentes, o que dificultam a avaliação.
↩
68. Ver Cohn, Elias & Jacobi (1993).
↩
69. Avaliação do Funcionamento dos Conselhos Estaduais e
Municipais de Saúde (agosto de 1993).
↩
70. Se Liga no Sinal, 3(12), jul./ago. 1993 (Informativo do Cepel,
Rio de Janeiro).
↩
71. Vide conflito sobre o Hospital da Posse, mencionado no
capítulo 5.
↩
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Silvia Gerschman
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