A nova razão do mundo

Pierre Dardot · Capítulo 20 de 20

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Estação Perdido

 

Miéville, China

9788575594902

610 páginas

 

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"Com seu novo romance, o colossal, intricado e visceral Estação

Perdido, Miéville se desloca sem esforço entre aqueles que usam as

ferramentas e armas do fantástico para definir e criar a ficção do

século que está por vir." – Neil Gaiman "Não se pode falar sobre Miéville sem usar a palavra 'brilhante'." – Ursula K. Le Guin O

aclamado romance que consagrou o escritor inglês China Miéville

como um dos maiores nomes da fantasia e da ficção científica

contemporânea. Miéville escreve fantasia, mas suas histórias

passam longe de contos de fadas. Em Estação Perdido, primeiro

livro de uma trilogia que lhe rendeu prêmios como o British Fantasy

(2000) e o Arthur C. Clarke (2001), o leitor é levado para Nova

Crobuzon, no planeta Bas-Lag, uma cidade imaginária cuja

semelhança com o real provoca uma assustadora intuição: a de que

a verdadeira distopia seja o mundo em que vivemos. Com pitadas

de David Cronenberg e Charles Dickens, Bas-Lag é um mundo

habitado por diferentes espécies racionais, dotadas de habilidades

físicas e mágicas, mas ao mesmo tempo preso a uma estrutura

hierárquica bastante rígida e onde os donos do poder têm a última

palavra. Nesse ambiente, Estação Perdido conta a saga de Isaac

Dan der Grimnebulin, excêntrico cientista que divide seu tempo

entre uma pesquisa acadêmica pouco ortodoxa e a paixão

interespécies por uma artista boêmia, a impetuosa Lin, com quem

se relaciona em segredo. Sua rotina será afetada pela inesperada

visita de um garuda chamado Yagharek, um ser meio humano e

meio pássaro que lhe pede ajuda para voltar a voar após ter as asas

cortadas em um julgamento que culminou em seu exílio. Instigado

pelo desafio, Isaac se lança em experimentos energéticos que logo

sairão do controle, colocando em perigo a vida de todos na

tumultuada e corrupta Nova Crobuzon.

 

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Cabo de guerra

 

 

Benedetti, Ivone

9788575594919

306 páginas

 

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Finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2010, Ivone

Benedetti lança pela Boitempo seu segundo romance, o arrebatador

Cabo de guerra, que invoca fantasmas do passado militar brasileiro pela perspectiva incômoda de um homem sem convicções

transformado em agente infiltrado. No final da década de 1960, um

rapaz deixa o aconchego da casa materna na Bahia para tentar a

sorte em São Paulo. Em meio à efervescência política da época,

que não fazia parte de seus planos, ele flerta com a militância de

esquerda, vai parar nos porões da ditadura e muda radicalmente de

rumo, selando não apenas seu destino, mas o de muitos de seus

ex-companheiros. Quarenta anos depois, ainda é difícil o balanço:

como decidir entre dois lados, dois polos, duas pontas do cabo de

guerra que lhe ofertaram? E, entre as visões fantasmagóricas que o

assaltam desde criança e a realidade que ele acredita enxergar,

esse protagonista com vocação para coadjuvante se entrega

durante três dias a um estranho acerto de contas com a própria

existência. Assistido por uma irmã devota e rodeado por uma série

de personagens emersos de páginas infelizes, ele chafurda numa

ferida eternamente aberta na história do país. Narradora talentosa,

Ivone Benedetti tem pleno domínio da construção do romance. Num

texto em que nenhum elemento aparece por acaso e no qual, a

cada leitura, uma nova referência se revela, o leitor se vê

completamente envolvido pela história de um protagonista

desprovido de paixões, dono de uma biografia banal e indiferente à

polarização política que tanto marcou a década de 1970 no Brasil.

Essa figura anônima será, nessa ficção histórica, peça fundamental

no desfecho de um trágico enredo. Neste Cabo de guerra, são

inúmeras e incômodas as pontes lançadas entre passado e

presente, entre realidade e invenção. Para mencionar apenas uma,

a abordagem do ato de delação política não poderia ser mais

instigante para a reflexão sobre o Brasil contemporâneo.

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Tempos difíceis

 

Dickens, Charles

9788575594209

336 páginas

 

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Neste clássico da literatura, Charles Dickens trata da sociedade

inglesa durante a Revolução Industrial usando como pano de fundo

a fictícia e cinzenta cidade de Coketown e a história de seus habitantes. Em seu décimo romance, o autor faz uma crítica

profunda às condições de vida dos trabalhadores ingleses em fins

do século XIX, destacando a discrepância entre a pobreza extrema

em que viviam e o conforto proporcionado aos mais ricos da

Inglaterra vitoriana. Simultaneamente, lança seu olhar sagaz e bem

humorado sobre como a dominação social é assegurada por meio

da educação das crianças, com uma compreensão aguda de como

se moldam espíritos desacostumados à contestação e prontos a

obedecer à inescapável massificação de seu corpo e seu espírito.

Acompanhando a trajetória de Thomas Gradgrind, "um homem de

fatos e cálculos", e sua família, o livro satiriza os movimentos

iluminista e positivista e triunfa ao descrever quase que de forma

caricatural a sociedade industrial, transformando a própria estrutura

do romance numa argumentação antiliberal. Por meio de diversas

alegorias, como a escola da cidade, a fábrica e suas chaminés, a

trupe circense do Sr. Sleary e a oposição entre a casa do burguês

Josiah Bounderby e a de seu funcionário Stephen Blackpool, o

resultado é uma crítica à mentalidade capitalista e à exploração da

força de trabalho, imposições que Dickens alertava estarem

destruindo a criatividade humana e a alegria.

 

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O homem que amava os cachorros

 

Padura, Leonardo

9788575593622

592 páginas

 

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Esta premiadíssima e audaciosa obra do cubano Leonardo Padura,

traduzida para vários países (como Espanha, Cuba, Argentina,

Portugal, França, Inglaterra e Alemanha), é e não é uma ficção. A história é narrada, no ano de 2004, pelo personagem Iván, um

aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana e, a partir

de um encontro enigmático com um homem que passeava com

seus cães, retoma os últimos anos da vida do revolucionário russo

Leon Trotski, seu assassinato e a história de seu algoz, o catalão

Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra

Civil Espanhola e encarregado de executá-lo. Esse ser obscuro, que

Iván passa a denominar "o homem que amava os cachorros", confia

a ele histórias sobre Mercader, um amigo bastante próximo, de

quem conhece detalhes íntimos. Diante das descobertas, o narrador

reconstrói a trajetória de Liev Davidovitch Bronstein, mais conhecido

como Trotski, teórico russo e comandante do Exército Vermelho

durante a Revolução de Outubro, eLivros por Joseph Stalin após

este assumir o controle do Partido Comunista e da URSS, e a de

Ramón Mercader, o homem que empunhou a picareta que o matou,

um personagem sem voz na história e que recebeu, como militante

comunista, uma única tarefa: eliminar Trotski. São descritas sua

adesão ao Partido Comunista espanhol, o treinamento em Moscou,

a mudança de identidade e os artifícios para ser aceito na intimidade

do líder soviético, numa série de revelações que preenchem uma

história pouco conhecida e coberta, ao longo dos anos, por

inúmeras mistificações.

 

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Pssica

 

Proença, Edyr Augusto

9788575594506

96 páginas

 

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Após grande sucesso na França - onde teve três livros traduzidos -,

o paraense Edyr Augusto lança um novo romance noir de tirar o

fôlego. Em Pssica, que na gíria regional quer dizer "azar", "maldição", a narrativa se desdobra em torno do tráfico de mulheres.

Uma adolescente é raptada no centro de Belém do Pará e vendida

como escrava branca para casas de show e prostituição em Caiena.

Um imigrante angolano vai parar em Curralinho, no Marajó, onde

monta uma pequena mercearia, que é atacada por ratos d'água

(ladrões que roubam mercadorias das embarcações, os piratas da

Amazônia) e, em seguida, entra em uma busca frenética para vingar

a esposa assassinada. Entre os assaltantes está um garoto que

logo assumirá a chefia do grupo. Esses três personagens se

encontram em Breves, outra cidade do Marajó, e depois voltam a

estar próximos em Caiena, capital da Guiana Francesa, em uma

vertiginosa jornada de sexo, roubo, garimpo, drogas e assassinatos.

 

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