A Paciência
O que a vida espera de nós
Deus só tem uma mão: o Amor. O egoísmo trafega em outro sentido. É significativo que uma condição prévia para andar na mão de Deus e para aprender o amor cristão seja esta: Quem quiser salvar a sua vida – diz Cristo – a perderá; mas quem perder a sua vida por amor de mim [quem souber sacrificá-la por amor], a salvará (cf. Mt 16, 25 e Mc 8, 35). A mão de Deus é o Amor. Sair dela é atravessar-se na estrada, e aí todas as colisões são inevitáveis.
O egoísmo colide com tudo e, além disso, tem a triste faculdade de tornar negativas todas as coisas, opondo-as a si. O egoísta, por exemplo, em vez de valer-se do temperamento da esposa para saber “como” deve amá-la, serve-se disso como motivo para humilhá-la e ofendê-la. Não pensa: “Ela é lenta, vou estimulá-la, vou ajudá-la”. Pensa: “Ela é lenta; atrasa tudo! Não julgava que fosse tão vagarosa quando casei! Isto não pode continuar!” São duas maneiras opostas de reagir perante uma mesma situação. Duas maneiras que se podem dar em todas as situações. As mais belas coisas estiolam nas mãos do egoísta.
Vale a pena repisar bem a afirmação de que o nosso egoísmo é a causa fundamental dos nossos aborrecimentos. Assim como o lendário Rei Midas tinha o poder de transformar em ouro tudo o que tocava, o egoísta tem a virtude de transformar em pontas, em cacos de vidro, em navalhas e espinheiros, tudo o que não se curva aos seus desejos.
O QUE A VIDA ESPERA DE NÓS
No relato autobiográfico intitulado Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração [3ª ed., Sinodal-Vozes, 1993, págs. 76 e segs.], o psiquiatra Viktor Frankl relata o ambiente de profundo abatimento que se ia apossando do espírito de seus companheiros de barracão, no campo de concentração nazista em que se encontravam, à medida que as expectativas de libertação se afunilavam e o futuro aparecia cada vez mais sombrio.
Era comum ouvir-se dizer: – “Eu já não espero mais nada da vida”.