A Paciência
“Dá-me a parte que me corresponde”
É comum perguntar a uma criança: – “O que você quer ser quando crescer?” A resposta pode ir desde “engenheiro igual ao papá” até “bombeiro” ou “jogador de futebol”.
Menos comum é perguntar: – “O que você quer fazer quando for grande?” Possivelmente, a resposta será: “Estudar, namorar, casar”… Mas outras crianças ficarão desnorteadas perante uma pergunta dessas. Elas sabem bem qual é a imagem ideal de si mesmas em seus “sonhos”, mas custa-lhes considerar a vida como tarefa.
Ora, o que é totalmente incomum é perguntar: – “O que você quer dar, o que você gostaria de dar quando for grande?” E, no entanto, esta é a única pergunta que deveria fazer realmente sentido para um ser humano.
A atitude de muitos perante a vida é radicalmente egoísta. O mundo é “para mim”, a vida é “para mim”. Mesmo os amores são vistos como um meio de obter o benefício da realização pessoal. É por isso que muitos pensam em marido ou mulher só enquanto “gostarmos”, ou seja, enquanto o egoísmo receber vantagens dessa união. É só começarem, porém, os sacrifícios, que haverá despedida e partirão para outra. E os filhos? Às vezes, nem sequer se pensa neles, e se espera tanto para tê-los que – com perdão do leitor – a decisão de deixar descendência acaba por ser tomada depois da menopausa.
O egoísta, aquele que só quer usufruir da vida, que quer “realizar-se” colocando o seu “eu” como meta e centro do mundo, esse só sabe repetir as palavras que Cristo põe na boca do filho pródigo: “Pai, dá-me a parte que me toca” (cf. Lc 15, 12).
O egoísta é monótono. Dirige-se a Deus e aos outros, dizendo sempre: “Dá-me!” É um homem que vive para pegar, para tomar, para armazenar, para desfrutar, em suma, para obter…