A Paciência
Uma luta enamorada no meio da dor
“Montse – lembra ainda Rosa – queria ir à Novena para rezar a Nossa Senhora. Terminada a Novena, ficava em Llar falando com as estudantes que tinham comparecido e fazendo apostolado, ainda que teria estado muito mais confortável em sua casa, na cama […]. Mas achava que não tinha o direito de pensar em si mesma quando havia tantas pessoas a quem podia aproximar de Deus”. Num desses dias da Novena, em que o oratório estava repleto, com umas sessenta moças, “lembro-me – é sempre Rosa quem conta – de que Montse estava sentada, com a perna apoiada em cima do assento de uma cadeira, porque já não a podia flexionar e nessa posição se sentia melhor. Como sempre, procurava não chamar a atenção. Naquele momento, entrou uma estudante que, na penumbra, não percebeu que Montse tinha a perna apoiada na cadeira e lhe perguntou: – «Está livre?» Ela sorriu e respondeu: – «Sim, sim, por favor, sente-se»…, e foi retirando a perna sem que a outra percebesse, cedendo-lhe o lugar”.
A moça voluntariosa e um tanto caprichosa, agora sorria à contrariedade e a amava, como consequência do seu amor a Deus; e ainda, no meio de tantos gestos de singelo heroísmo, desculpava-se às vezes: – “Que pouco sofrida eu sou, não é verdade? Olhe que vergonha”…
UMA LUTA ENAMORADA NO MEIO DA DOR
Amadureceu amando muito, e por isso aprendeu a arte de sofrer com alegria, que é uma arte essencialmente cristã e que se designa – como sabemos – pela palavra paciência.
Montse agonizou numa dura “forja de dor” – como diria Mons. Escrivá – e morreu consumida pela doença. Mas agonizou alegre e morreu feliz. Na véspera da morte, abrindo os olhos, viu as suas amigas perto dela: – “Eu lhes quero muito a todas – disse-lhes –, mas a Jesus muito mais!”. Passou as últimas horas daquela Quinta-feira Santa apertando estreitamente o seu crucifixo, dizendo com voz quase inaudível a Nossa Senhora: “Mãezinha, quanto te amo! Quando virás buscar-me?”, e invocando uma e outra vez o nome de Jesus.