A Paciência
A ira é diferente
A impaciência é rica em apresentações. Pode-se manifestar quer no nosso interior, quer externamente, de maneiras muito variadas. Com muita frequência, aflora em forma de queixas internas (quando a pessoa se lamenta no íntimo, sentindo-se vítima), ou de reclamações ásperas ou lamurientas com os outros, ou de exigências insistentes, ou de suspiros lastimosos, ou de trejeitos e desabafos reveladores de cansaços morais (“Já não suporto mais! Cheguei ao limite! Isto é superior às minhas forças!”). Também são frutos da impaciência os comentários de desânimo e os olhares de tristeza… É interessante saber que um dos principais efeitos da paciência, mencionado por São Tomás de Aquino, é expulsar a tristeza do coração. [Suma Teológica, II-II, q. 136, a. 2, 1.]
A IRA É DIFERENTE
Ao lado da impaciência, um segundo modo de reagir perante as contrariedades é a ira, a irritação já acima mencionada como assídua parceira da impaciência. Quando alguém se deixa levar pela ira, é porque perdeu – repentinamente ou por acumulação de contrariedades – o controle emocional. A pessoa irada não tem mais autodomínio e extravasa a sua revolta por meio do grito (os terríveis gritos das mães desgovernadas!), do safanão, da injúria, do palavrão (abra-se o ouvido no meio do trânsito de uma grande cidade), do comentário ofensivo e grosseiro, da “cortada” (fecha a cara, levanta-se da mesa e vai-se embora sem acabar de jantar) ou da violência: desde dar um pontapé num objeto ou fechar uma porta com estrondo, até sacar o revólver e disparar.
Assim é a ira. Parente próxima, irmã siamesa até – dizíamos – da impaciência, mas diferente dela. Não é inútil, pois, repisar que a impaciência é, essencialmente, a incapacidade de sofrer, de sofrer “com classe”, dignamente, como um filho de Deus.