A Terceira Potência

Clark Darlton · Capítulo 8 de 17

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A Terceira Potência

Capítulo VII

 

A estação receptora da patrulha chefiada pelo tenente Durbas estava captando notícias alarmantes, vindas de todas as partes do mundo. Subitamente as transmissões em todas as faixas foram superadas por uma emissora desconhecida. O radio-telegrafista procurou, em vão, controlar o seu aparelho, mas, mesmo com o mínimo de volume, a voz de Perry Rhodan era ouvida num raio de duzentos metros.

“Aqui fala Perry Rhodan, representante do terceiro poder da Terra. Uma vez que o mundo se prepara para a guerra que trará o fim da espécie humana, não quero deixar de formular uma última advertência. Por meio dela provarei que a nação ou Estado que disparar o primeiro foguete atômico será destruído imediatamente. Dentro de cento e quinze minutos surgirá uma cratera de cinqüenta quilômetros de diâmetro no deserto do Saara, ao norte da cordilheira de Ahaggar. O fenômeno terá origem num raio energético expedido da Lua. Pede-se a todas as pessoas que se encontrem na região indicada que se afastem o mais possível do centro do alvo. Uma vez realizada a demonstração, as potências mundiais disporão de três horas para reconsiderar as suas posições. É tudo.”

O radiotelegrafista cravou os olhos no receptor; estava atônito. O tenente Durbas, que se levantara e chegara mais perto, fez a mesma coisa.

— O que foi isso? — perguntou depois de algum tempo.

— Perry Rhodan, aquele cosmonauta que pousou na Ásia. Dizem que está colaborando com a Federação Asiática. Também se fala a respeito de novas armas que ele teria trazido da Lua.

Os homens da patrulha do deserto reuniram-se. Estavam indecisos. O veículo estava parado à sombra de um oásis. O motorista olhava para leste.

— A cordilheira fica logo ali. Será que nos encontramos a uma distância segura?

O tenente Durbas mostrou-se contrariado.

— Até parece que você está acreditando nessa bobagem, Hassan! Um raio energético vindo da Lua! Será que não podiam inventar outra coisa?

O radiotelegrafista sacudiu a cabeça, estava pensativo.

— Deve haver algo de verdade nisso, tenente. Captei algumas noticias. Dizem que esse Rhodan cobriu sua nave com uma cúpula feita exclusivamente de energia. Nem mesmo uma bomba atômica poderia atingi-la.

— São contos de fada. Não se pode acreditar em tudo o que diz o nosso pessoal, o que dizer quando se trata dos amarelos? Fundir uma cratera no deserto! Que tolice! O que diz o Forte Hussein?

— Estabelecerei contato imediatamente.

O Forte Hussein recomendou que a patrulha seguisse a advertência.

— Está bem — gemeu. Durbas, lançando um olhar saudoso para o bosque sombrio. — Vamos recuar para o oeste. Esse calhambeque faz quarenta quilômetros por hora. Acho que isso é suficiente.

Quinze minutos antes da hora marcada para a demonstração, estavam abrigados atrás de uma elevação do solo, lançando olhares impacientes em direção a leste. Admiraram-se dos numerosos aviões que, subitamente, começaram a circular bem acima deles. Próximo ao local em que se encontravam, pousou um helicóptero da Central de Informações Leste com seus aparelhos de registro. Bem perto dali, uma pacata câmera de televisão da Federação Asiática focalizava a região demarcada por Rhodan. Dos americanos, nada se via. Talvez estivessem mais ao norte.

Faltavam dez minutos.

Um círculo bem amplo formara-se em torno da área ameaçada. Os presentes não acreditavam muito naquilo que talvez fosse acontecer dali a pouco, mas ninguém queria perder a chance de assistir a um espetáculo como o que se prometia. Tratava-se, na verdade, de um espetáculo desencadeado por um poder estranho.

Passaram-se cinco minutos.

Durbas tocou no braço do cabo Abbas.

— Dentro de uma hora ficará escuro. Tomara que esse Rhodan não demore muito. Aliás, recebemos ordem para regressar imediatamente ao Forte. Deve estar acontecendo alguma coisa.

— Será que é a guerra?

— Como vou saber? Pensando bem, desde 1945 encontramo-nos numa espécie de guerra.

O tenente olhou para o relógio.

— Está na hora — murmurou e olhou para o leste. No mesmo instante, porém, fechou os olhos. As demais pessoas que se encontravam por ali fizeram a mesma coisa.

Foram ofuscados por uma extensa cortina de luz que se precipitou do céu azul e atingiu a areia do deserto a cerca de trinta quilômetros dos observadores. Continuava visível mesmo através das pálpebras fechadas. A origem do raio perdia-se no céu, onde ia se estreitando progressivamente. Mais exatamente, localizava-se no ponto em que se situava a Lua, invisível a essa hora.

Uma onda de calor passou por cima dos homens assustados. As câmeras de televisão, porém, continuaram a zumbir, transmitindo o fenômeno diretamente para todos os quadrantes do mundo. Um raio incandescente brilhou nas telas de imagens dos centros de informações. Um dos aviões, que se aproximou demais da zona de perigo, foi colhido por um imenso turbilhão que o arrastou para o interior do raio energético. No mesmo instante, foi transformado numa gigantesca gota de metal fundido que se evaporou depois de alguns instantes de queda.

O raio pousou sobre o deserto por apenas um minuto. Depois, apagou-se.

Parecia que, era noite. O Sol, que ainda há pouco emitia um brilho tão intenso, agora parecia uma estrela agonizante, embora estivesse bem acima do horizonte. Sua luz era pálida e avermelhada. Podia-se contemplá-lo com os olhos bem abertos.

No lugar em que o raio tinha tocado o solo, já não havia deserto. Uma cratera abria-se entre a areia e as rochas. Não se via o fundo. As bordas estavam incandescentes. Bem embaixo, percebia-se um brilho avermelhado. Vapores erguiam-se das profundezas do inferno recém-criado.

Só de avião a cratera podia ser abrangida com o olhar. Era gigantesca. Formava um círculo perfeito, como se tivesse sido traçada a compasso.

Durante três horas o mundo conteve a respiração. O momento em que expirava o prazo do ultimato chegou — e passou.

Três botões vermelhos deixaram de ser tocados...