A Terceira Potência
Capítulo II
O aspecto exterior do general Lesley Pounder era tão marcante que dava a qualquer um a idéia de sua resistência e força. De constituição sólida, seu corpo revelava uma força de vontade e uma energia inacreditáveis. Todo mundo sabia que não recuava diante de nada, nem mesmo de Washington ou do Pentágono. Era chefe da Força Espacial dos Estados Unidos e seus homens adoravam-no e temiam-no ao mesmo tempo. Podiam procurá-lo a qualquer hora se tivessem algum problema. Raramente dava mostras do seu humor mordaz. Isso fez com que os maledicentes afirmassem que um dia o general acabaria devorado pela própria raiva.
Estava no gabinete do quartel-general, sentado atrás da enorme escrivaninha, cuja superfície estava quase totalmente tomada pelos mais variados equipamentos de comunicação. O restante do espaço era ocupado por pilhas de papéis e pastas. Tinha diante de si um homem de aparência modesta. Este era o extremo oposto do general. Um círculo ralo de cabelo castanho circundava sua calva lustrosa. A impressão pacata era reforçada por algumas mechas de cabelos brancos nas têmporas. Apesar da coroa de cabelo e das têmporas grisalhas, esse homem tinha um aspecto jovem e inofensivo. Seus olhos pareciam transmitir uma impressão suave de tolerância.
Todavia, Allan D. Mercant era tudo, menos suave e tolerante quando se tratava do cumprimento do dever. No desempenho das suas funções de chefe do Conselho Internacional de Defesa de todo o bloco ocidental, era o caçador mais obstinado que se poderia imaginar.
— O senhor confia muito no major Rhodan e nos seus homens — disse em tom brando, apontando para o mapa do mundo pendurado na parede. — A Stardust pousou no deserto de Gobi. Ainda é de opinião que foi por simples acaso?
— A nave expediu o sinal internacional de perigo antes que seu equipamento silenciasse. O mecanismo propulsor, certamente, falhou.
— Por que Rhodan não permitiu que o pouso fosse dirigido pelo controle remoto? Dessa forma a nave teria atingido a base de Nevada sã e salva. Por que ele mesmo assumiu o comando? O senhor pode dar alguma explicação?
O general Pounder sacudiu a cabeça, sem saber o que dizer.
— Não tenho nenhuma explicação para isso. Mas não é por esta razão que eu deva estar preso, com meu estado-maior, aqui na base. Certamente foi sua a idéia de cercar toda a base de Nevada Fields.
— É apenas uma medida de precaução — disse Mercant com um sorriso amável, para tranqüilizá-lo.
— Quem conta com o pior nunca sai decepcionado.
— Mas quem sempre conta com o pior também cria problemas desnecessários — advertiu Pounder.
— Ainda que Rhodan tenha pousado no deserto de Gobi por sua livre e espontânea vontade, ele deve tê-lo feito com uma idéia bem definida.
— Tenho certeza que é assim! — observou Mercant em tom irônico.
— A finalidade que tem em vista não deve ser, de forma alguma, dirigida contra nós. Se o senhor acha que ele pretende entregar a Stardust à Federação Asiática, está muito enganado.
— Que outra finalidade poderia ter ele em vista?
— Não sei — admitiu Pounder. — Mas conheço o major Rhodan muito bem. É digno de toda a confiança. Trata-se de um elemento que está acima de qualquer suspeita.
— O homem sempre constitui um fator de incerteza em qualquer equação, general. Ninguém consegue ver a alma do próximo. A riqueza e o poder, ou melhor, a esperança de obter essas coisas, pode perturbar até mesmo o espírito mais íntegro.
O general Pounder pareceu crescer atrás de sua escrivaninha.
— Será que o senhor quer insinuar que Rhodan ficou louco?
— De forma alguma, general. Uma pessoa que ambiciona o dinheiro e o poder não pode ser considerada louca. Conforme o caso poderá ser um traidor...
Pounder saltou da cadeira. Inclinou o enorme corpo sobre a escrivaninha e colocou o punho cerrado por baixo do nariz do outro.
— Agora, chega! Embora seja Allan D. Mercant, não admito que insulte os meus homens. Rhodan não é um traidor. A Stardust realizou um pouso de emergência. Prove o contrário! Enquanto não conseguir fazê-lo, fique bem quieto. De resto, Washington já estabeleceu contato com o governo da Federação Asiática.
— Interessante! — observou Mercant, e afastou o punho do general com uma elegância tão displicente que este ficou desarmado. — Posso perguntar qual foi o resultado?
— Até agora, nada — respondeu Pounder. — Aguardo informações diretas do meu pessoal em Washington.
— Pois eu lhe digo qual será o teor dessas informações: o governo da Federação Asiática lamenta o incidente e afirma ter tomado todas as providências que estavam a seu alcance para salvar os cosmonautas. Os destroços da Stardust serão liberados, desde que não tenham sido completamente destruídos. Pouco depois, receberemos outra nota na qual se dirá que a nave foi totalmente destruída e que só foram encontrados os cadáveres irreconhecíveis dos tripulantes. Depois disso, o assunto será envolvido pelo mais absoluto silêncio; ninguém falará mais nada a respeito. A realidade, porém, será completamente outra.
— Se eu fosse dotado de sua fantasia, escreveria romances — disse Pounder fingindo admiração pelo interlocutor. — Todavia, ouçamos qual será a realidade... na sua opinião.
— Os asiáticos desmontarão a Stardust e utilizarão o resultado da viagem em seu beneficio. Rhodan e os demais tripulantes, que evidentemente estão sãos e salvos, receberão a recompensa prometida, depois de terem revelado tudo o que sabem. Talvez a recompensa seja um palacete situado no Tibet, talvez seja um tiro na cabeça.
Pounder voltou a sentar-se.
— O senhor não é um homem normal; é uma vítima da sua profissão — diagnosticou Pounder. — Rhodan sabia muito bem que entre nós teria uma existência tranqüila e ganharia até dois palacetes, se quisesse. Por outro lado, também não ocorre nenhum motivo ideológico. Logo, só resta o pouso de emergência. É a minha opinião. Rhodan entrará, logo que possa, em contato conosco. Aguarde.
Mercant passou a mão pela calva.
— Prefiro confiar nas informações dos meus agentes. O major Perkins não nos deixará na mão.
Perkins — até mesmo Pounder conhecia-o de fama — era um dos melhores agentes de Mercant.
— Não foi ele quem descobriu o atentado planejado contra o campo de provas da NATOM, situado na Austrália, e liquidou os cabeças?
— Foi ele mesmo! Mandei-o a Pequim há poucas horas a fim de cuidar do assunto.
— E o senhor acredita...
— É claro que viaja com nome falso. Os documentos são legais e o fato de mantermos boas relações comerciais com a Federação Asiática facilitará bastante seu trabalho.
Nesse momento, o ruído do videofone chamou a atenção de Pounder. Ele girou um botão e a tela iluminou-se. Um rosto surgiu.
— Ligação de Washington — disse uma voz suave. — É para os senhores Pounder e Mercant.
— Estão ambos presentes — disse Pounder com a voz ofegante. — Tem certeza de que é com os dois que a pessoa pretende falar?
— Washington faz questão disso. Pediram que só completasse a ligação quando as pessoas solicitadas estivessem no aparelho.
— Pode ligar. O senhor Mercant está aqui no meu gabinete.
— Um instante, cavalheiro. Continue com o aparelho ligado.
Pounder olhou para Mercant.
— Quais são suas relações com Washington? — perguntou espantado.
— São muitas — disse Mercant com um sorriso ingênuo. — Basta citar um exemplo: é lá que se encontra o meu superior imediato, o Presidente.
Pounder engoliu em seco, conservando os olhos fixos na tela de imagem como se de lá pudesse vir algo em seu auxílio.
O rosto da operadora tinha desaparecido. No seu lugar, surgiu outro: era o chefe do Setor de Informações da Casa Branca.
— É o general Lesley Pounder?
— Ele mesmo — disse o general. Mercant inclinou-se ligeiramente para a frente para que a câmera receptora pudesse captar a sua imagem. — Mercant também está presente.
— Obrigado. Acaba de chegar a resposta do governo de Pequim. Seu conteúdo é tão estranho que resolvemos não tomar qualquer medida antes de ouvir sua opinião. Seu gravador está ligado?
Pounder comprimiu um botão oculto sob a tampa da escrivaninha.
— Acabo de ligar.
— Muito bem. Ouça. O teor da nossa mensagem a Pequim foi o seguinte:
De Washington para Pequim. Solicitamos autorização imediata para enviar uma comissão que deverá examinar os destroços da nave espacial Stardust que realizou um pouso forçado. Acreditamos que não haja qualquer impedimento diplomático já que a nave destinava-se a investigação científica. Aguardamos sua concordância.
“A resposta, que acabamos de receber, diz o seguinte:
Autorização recusada. O governo da Federação Asiática entende que a instalação de uma base ocidental no seu território constitui uma violação grave dos acordos celebrados. Não se trata do pouso forçado de um pretenso foguete espacial. A tripulação rechaçou um comando de resgate e, para isso, usou uma nova arma que subtrai aos homens a ação da gravidade. A base, que já foi cercada pelas nossas tropas, será destruída, a não ser que seu governo ordene imediatamente que a mesma nos seja entregue em boas condições. Concedemos-lhes um prazo de duas horas.
“É este o teor das duas mensagens. Que me diz a respeito, general Pounder?”
O chefe da Força Espacial estava exultante.
— Quer dizer que a Stardust conseguiu pousar em boas condições. Ainda bem! Rhodan e os outros tripulantes estão vivos. Fomos os primeiros a alcançar a Lua e conseguimos pousar nela. Formidável!
— Realmente é muito interessante — admitiu o chefe do Setor de Informações de Washington. — Mas, no momento, o importante é a sua opinião a respeito da mensagem dos asiáticos. O que significa isso? Uma arma que subtrai aos homens a ação da gravidade? A Stardust levava alguma coisa parecida com isso a bordo?
— Em absoluto! Eliminar a força da gravidade? Já foram realizadas pesquisas nesse sentido, mas não produziram qualquer resultado. Os asiáticos estão blefando. Querem é fazer desaparecer a Stardust, mais nada.
Mercant interveio.
— Existe alguma prova de que a nave espacial pousou em boas condições?
— Não dispomos de qualquer prova — respondeu o chefe do Setor de Informações. — Se dispuséssemos, a respectiva observação teria chegado a nós por seu intermédio, senhor Mercant. Comunicamos a Pequim que infelizmente não conseguimos estabelecer contato com a Stardust e, por isso mesmo, não podíamos tomar qualquer providência. Rejeitamos com a maior energia a afirmação insensata de que a nave seria uma base americana. Ainda não recebemos a resposta. Aguarde! Pequim está chamando. Continue com o aparelho ligado. Vou colocá-los na linha para que possam ouvir, também, a mensagem. O rosto do chefe do Setor de Informações desapareceu. A tela ficou vazia. Mas Pounder e Mercant ouviram cada palavra que era pronunciada naquela sala situada a mais de três mil quilômetros de distância. Sem querer, testemunharam o início de uma série de acontecimentos que conduziriam à extinção da espécie humana, caso não acontecesse um milagre antes.
— Aqui é Washington. Pode falar, Pequim.
— Pequim falando. Os senhores não atenderam às nossas exigências. A base que montaram no deserto de Gobi também se recusou a permitir uma investigação. Em vista disso, a divisão comandada pelo marechal Roon recebeu ordens de destruir a base. Embora devam estar bem informados, queremos dar-lhes um ligeiro relato do que aconteceu.
“Nossos tanques avançaram. A dois quilômetros do lugar onde se encontra pousada a Stardust esbarraram num obstáculo invisível. As buscas que mandamos realizar revelaram que esse obstáculo cerca a nave por todos os lados, delimitando um território de pouco mais de doze quilômetros quadrados que, segundo um certo Rhodan, é o território de uma potência neutra recém-criada. Nossos tanques recuaram e abriram fogo contra a base. As granadas detonaram muito antes do alvo, como se o anteparo invisível também continuasse acima da nave, cobrindo-a como uma cúpula protetora. Nossos consultores científicos são de opinião que a base está coberta por uma cúpula energética. Dessa forma, seria inexpugnável. Queremos avisá-los de que consideramos a Stardust uma ameaça à paz mundial e extrairemos as conseqüências cabíveis dos fatos. Pedimos que a base seja retirada ou entregue às nossas autoridades dentro do prazo de vinte e quatro horas. De outra forma, consideraremos rompidas as relações diplomáticas entre Pequim e Washington. Aguardaremos o seu pronunciamento. Não transmitiremos outras mensagens sobre o assunto. Fim”.
Pounder olhou para Mercant. Sua pele já não tinha a cor sadia de dez minutos antes. O sorriso suave do chefe do Conselho Internacional de Defesa também tinha sido substituído por algumas rugas que demonstravam sua preocupação.
— Um anteparo energético? — disse, esticando as palavras. — Nem mesmo nós tivemos conhecimento disso. Meus respeitos, Pounder. Os seus cientistas souberam guardar segredo.
— Não diga tolices, Mercant. Também nunca tive conhecimento da existência de um anteparo energético. Esses asiáticos estão blefando e é só. Há tempos estão procurando um pretexto para despachar seus foguetes atômicos. Agora, encontraram um.
Mercant inclinou o corpo.
— O senhor quer fazer crer que não sabe nada a respeito do anteparo energético que está cobrindo a Stardust? E quer afirmar, também, que não tem conhecimento do aparelho que subtrai às pessoas a ação da gravidade?
— Eu considero isso tolice! Uma coisa dessas não existe! Para mim os asiáticos estão blefando, já disse!
— Alô! — A discussão foi interrompida pela voz do chefe do Setor de Informações de Washington. — Os senhores ouviram, não é?
— É claro que ouvimos! — confirmou o general Pounder. — Isso é a mais formidável estupidez que já vi alguém pronunciar até hoje. Julgo conveniente...
— Essa estupidez pode se transformar numa estupidez pior: a guerra. Temos que impedir que isso aconteça.. Procure entrar em contato com a Stardust. Mercant lhe prestará auxilio. E procure descobrir o que vem a ser este antepara energético. Lehmann deve estar em condições de dar alguma informação. Aguardo sua resposta antes do término do ultimato formulado pela Federação Asiática.
— Combinado — resmungou Pounder, que ainda não tinha a menor idéia do que devia fazer. — Entrarei em contato com o senhor antes que o prazo se encerre.
A tela apagou-se. Mercant soltou um suspiro.
— Se não recebermos logo notícias do major Perkins estaremos em maus lençóis. Sugiro que chamemos Lehmann. É possível?
Pounder berrou algumas ordens pelo intercomunicador. Poucos minutos depois, um homem alto, de meia-idade, entrou no gabinete. Era o professor Lehmann, diretor-científico do Programa Lunar. Há muito ocupava o cargo de diretor da Academia de Tecnologia Espacial da Califórnia. Era o maior especialista no setor. Quando sentia uma disposição toda especial para ser sincero, o general Pounder era levado a confessar que Lehmann era o pai espiritual da Stardust.
O professor parecia bastante admirado. Cumprimentou os dois homens com um aceno de cabeça.
— Querem falar comigo?
Pounder confirmou com um aceno de cabeça.
— O senhor já conhece Mercant, portanto não há necessidade de apresentações. Quero evitar todo e qualquer rodeio. Ouça!
Suas mãos moveram-se sob a tampa da escrivaninha. Ouviu-se o leve chiado de uma fita em movimento.
— Preste atenção a esta conversa, Lehmann. Bastante atenção!
À medida que o professor Lehmann era posto a par dos acontecimentos, Mercant, com ar distante, realizava mentalmente os movimentos de suas peças de xadrez. Se Perkins conseguisse entrar em contato com Rhodan — desde que este ainda se encontrasse no deserto de Gobi e não tivesse sido transformado em instrumento dos asiáticos, como Mercant supunha — a trapaça seria descoberta. Havia várias possibilidades.
Caso a Stardust tivesse pousado intencionalmente no território da Federação Asiática, Rhodan seria um traidor. Também era possível que a nave tivesse realizado um pouso de emergência. Nesse caso, estaria sendo desmontada pelos asiáticos, cuja afirmativa de terem sido rechaçados representaria, apenas, um simples estratagema. Mercant estava convencido de que essa afirmativa representava, tão-somente, o preparativo de um comunicado posterior, segundo o qual as defesas da Stardust teriam sido rompidas e a nave destruída.
Ainda havia uma terceira possibilidade. Mas essa era tão fantástica que quase não podia ser considerada seriamente. Apesar do seu extraordinário amor aos animais — alguém já o vira tirar uma minhoca do anzol de um pescador estarrecido, pousando-a cuidadosamente no solo — Mercant raciocinava com uma frieza tremenda. Sua vida consistia em fatos, dados, relatórios e normas.
Todavia...
Não chegou a concluir seus pensamentos. A fita gravada chegara ao fim. O general esticou o queixo e olhou para Lehmann
— Então, professor? O que me diz? Acha que o major Rhodan é um traidor?
— Um traidor? Quem teve essa idéia maluca?
Pounder lançou um olhar significativo em direção a Mercant.
— Foi só uma pergunta, professor. O que irá importar é sua opinião a respeito do anteparo energético e do resto.
— A eliminação da gravidade? Ambas as coisas representam uma utopia inatingível com os meios de que dispomos. Os asiáticos inventaram uma fábula bonita que lhes sirva de pretexto para ficarem com a Stardust. Aposto que amanhã informarão que a nave não poderá ser entregue por ter sido destruída.
Mercant aprovou com um aceno de cabeça.
— Muito bem pensado — disse. — Quando me aposentar, sugerirei o senhor como meu sucessor.
— Agradeço — retrucou seriamente o professor Lehmann. — Prefiro acompanhar a viagem a Marte. Não há dúvida de que a Stardust conseguiu pousar em boas condições. Se não fosse assim, a manobra de despistamento seria inútil. Se soubéssemos as causas, tudo estaria esclarecido; Para um bom serviço secreto isso não devia ser nenhum problema.
O golpe, desferido como se fosse por acaso, atingiu o alvo. O rosto de Mercant ficou vermelho. A expressão branda desapareceu subitamente. Seus olhos adquiriram uma expressão dura. Levantou-se sem fazer caso dos gracejos do general.
— O senhor ainda se surpreenderá com a eficiência do nosso serviço secreto — disse a Lehmann, enquanto se dirigia para a porta. — General, faça o favor de me avisar assim que haja noticias de Washington. Até logo, cavalheiros.
Fechou ruidosamente a porta. O professor Lehmann lançou um olhar de espanto para Pounder.
— O que será que houve com ele? Por que anda tão sensível?
— O senhor o atingiu no seu orgulho profissional. — Pounder sorriu; parecia muito satisfeito. — Bem feito! Quem manda tratar qualquer pessoa que não seja um dos seus espiões como um homem de categoria inferior? Bem, agora que ninguém nos incomoda mais, diga-me, com toda sinceridade, professor, qual é sua opinião a respeito de tudo isso?
Lehmann inclinou-se para a frente. Pounder continuou:
— Acho que estamos de acordo em que o major Rhodan está acima de qualquer suspeita. O que aconteceu no deserto de Gobi?
O professor Lehmann sorriu. Seu olhar perdia-se através da janela, contemplando o horizonte. Sem olhar para o general, comentou:
— Talvez seja conveniente, meu caro Pounder, reformular a parte geográfica da pergunta. O correto é: o que aconteceu na Lua?
Pounder arregalou os olhos.