Adolpho Lutz: Dermatologia e Micologia
Apresentação histórica/Historical introduction
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.
LUTZ, A Sul modo di trasporto dell'Ascaris lumbricoides. Giornale della R. Accademia di Medicina diTorino, ano 51, v.36, n. 2-3, p.84-6, 1888d.
_________.Vorschläge und Betrachtungen zur Frage der Trichinosistherapie und ihrer experimentellen Begründung von dr. Adolf Lutz in São Paulo in Brasilien. Deutsche Medizinal-Zeitung, Berlin, n.13, p.151-3, 13.fev.1888; n.15, p.175-6, 20.fev.1888e. [Trad. em português: Sugestões e considerações sobre a terapia da triquinose e suas fundamentações experimenatais pelo dr. Adolpho Lutz de São Paulo, Brasil.]
_________.Weiteres zur Frage der Uebertragung des menschlichen Spulwurmes von Adolph Lutz. Centralblatt für Bakteriologie und Parasitenkunde, Jena, ano II, parte 1, v.3, n.9, p.265-8, 1888; parte 2 (final), n.10, p.297-9, 1888f. [Trad. em português: Acréscimo à questão da transmissão da solitária humana.]
_________.Zur Frage der Uebertragung des menschlichen Spulwurmes. Weitere Mittheilungen von dr. Adolpho Lutz in São Paulo. Centralblatt für Bakterologie und Parasitenkunde, ano II, v.3, n.14, p.425-8, 1888g. [Trad. em português: Sobre a questão da transmissão da solitária humana.]
_________.Zur Frage der Uebertragung von Taenia elliptica. Centralblatt für Bakteriologie und Parasitenkunde, Jena, ano II, v.3, n.16, p.489-90, 1888h. [Trad. em português: Sobre a questão da transmissão da Taenia elliptica.]
_________.Ueber ein Myxosporidium aus der Gallenblase brasilianischer Batrachier von dr. Adolph Lutz in São Paulo. Centralblatt für Bakterologie und Parasitenkunde, Jena, v.5, n.3, p.84-8, 1889. [Trad. em português: Sobre um mixosporídio da vesícula biliar de batráquios brasileiros.]
_________.Zur Kasuistik des Rhinoskleroms von dr. A. Lutz zur Zeit Honolulu. Monatshefte für Praktische Dermatologie, v.11, n.2, p.49-51, 15.jul.1890. [Trad. em português: Sobre a casuística do rinoscleroma.]
_________.Korrespondenz aus Honolulu. Monatshefte für Praktische Dermatologie, Hamburg, n.13, p.389-92 e 488-90, set. 1891; n.14, p.30-4 e 152-5, set. 1891); p.275-7 e 307-11, nov. 1891; n.15, p.382-9, 1891-1892. [Trad. em português: Correspondência de Honolulu.]
_________.Zur Behandlung der Atherome. Dermatologische Wochenschrift, p.505-6, 1891. [Trad. em português: Sobre o tratamento dos ateromas.]
_________.Observações sobre as molestias da cidade e do estado de São Paulo pelo dr. Adolpho Lutz, director do Instituto Bacteriologico de S. Paulo. São Paulo: Typographia Paulista, 1898. (Publicações da Revista Médica de São Paulo. Jornal Pratico de Medicina, Cirurgia e Hygiene, v.1, n.1, p.4-6; n.3, p.39-41; n.4, p.60-1; n.6, p.95-9. 1898.
_________.Um caso de myiase ou bicheira da garganta. Revista Médica de São Paulo. Jornal Pratico de Medicina, Cirurgia e Hygiene, v.2, n.8, p.215-9 (2 quadros), 1899.
_________.Uma mycose pseudococcidica localizada na bocca e observada no Brazil. Contribuição ao conhecimento das Hyphoblastomycoses americanas. Rio de Janeiro: Typ. Besnard Frères, 1908. (Publicações do Brazil-Medico). O Brazil-Medico, Revista Semanal de Medicina e Cirurgia, ano 22, n.13, p.121-4; n.15, p.141-4, 1908.
_________.A transmissão da lepra e suas indicações prophylaticas (Transmission of Leprosy and Prophylactic Indications). Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v.31, n.2, p.373-90, 1936.
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Notas
1 Ver no Livro 1 desta coleção correspondência enviada do Rio de Janeiro em abril de 1882 ao Correspondenz-Blatt für Schweizer Aerzte (v. XII, n.7, p.210-4).
2 Os trabalhos de Adolpho Lutz sobre veterinária serão reunidos no Volume IV, Livro 3 desta edição da Obra Completa.
3 Os trabalhos de Adolpho Lutz sobre helmintos serão enfeixados no Volume V, Livro 1 desta edição de sua Obra Completa.
4 Foi traduzido para o inglês por C. H. Fagge e publicado com o título On diseases of the skin, including the exanthemata. London, 1866-1880. New Sydenham Society (Series); v.30, 5v. illus. (v.3-5 por F. Hebra & M. Kaposi). Atlas of portraits of diseases of the skin foi publicado em Londres em 1860-1875.
5 Pathologie et traitement des maladies de la peau; leçons à l'usage des médecins praticiens et des étudiants. Paris: Masson, 1891, 2.éd. française; A edição inglesa é Pathology and treatment of diseases of the skin; for practitioners and students. London: Baillière, Tindall and Cox, 1895.
6 Esse médico organizou em Munique o primeiro laboratório de química médica associado a um hospital. Além do Handbuch der hautkrankheiten, 1881-1884, que era o v.14 (em 2 partes) do Handbuch der speciellen pathologie und therapie (Leipzig, 1874-1884), havia o Handbuch der Krankheiten des Nervensystems (Leipzig: F. C. W. Vogel, 1878), em dois tomos, o primeiro relacionado a doenças do sistema nervoso periférico, e o segundo, concernente a doenças do sistema vasomotor, epilepsia, eclâmpsia, tétano, doença de Parkinson, histeria e desordens do movimento. Numa paciente cujo coração estava à mostra depois de uma intervenção cirúrgica no tórax, em 1882 Hugo von Ziemssen, que ficou conhecido, também, como eletroterapeuta, demonstrou, pela primeira vez numa pessoa viva, que os impulsos elétricos controlavam a atividade do ventrículo.
7 "Seu tratado sobre a sífilis é monumental" (Pusey, 1933, p.111). Publicou importante estudo sobre a pele senil em 1869, intitulado Über die senilen Veränderungen der Haut des Menschen (Holubar, 1998).
8 A referência encontra-se em Olpp (1932). Hollander (1987) cita resumo, provavelmente, Archiv für Mikroskopische Anatomie (1876, v.12, p.665) publicado com o título "Beiträge zur Histologie und Entwicklungsgeschichte der menschlichen Oberhaut und ihrer Anhangsgebilde" (Contribuições à histologia e embriologia da epiderme humana e seus apêndices). A abordagem original de Unna foi muito criticada por Friedrich Daniel von Recklinghausen (1833-1910) que não acreditava que se pudessem obter conclusões cientificamente válidas com o uso de corantes. A tese teve de ser rescrita antes de ser aceita, em 1875 (Olpp , 1932; Enersen, 1994-2001).
9 Além do texto de Unna e do já referido trabalho de Auspitz, sobre patologia e terapêutica da pele, o Handbuch der hautkrankheiten, publicado em inglês como Handbook of diseases of the skin (New York: W. Wood and co., 1885), continha os seguintes trabalhos: Physiology, por H. von Ziemssen; Hyperæmiæ, anæmiæ, and hemorrhages of the skin, por E. Schwimmer; Dermatitis superficiales, por T. Veiel; Acute deep-spreading inflammations, por E. Geber; Chronic deep-spreading inflammations, por E. Schwimmer; Anomalies of the epidermis; parte I, por E. Lesser; parte II, por A. Weyl; Chronic infectious diseases of the skin, por A. Neisser; Neuroses of the skin, por E. Schwimmer; Anomalies in the growth and color of the hair, por P. Michelson; Anomalies in the color of the skin, por E. Lesser; Anomalies of the sebaceous glands, por E. Veiel; Acne rosacea and sycosis, por T. Veiel; Morbid changes of the nail and its bed, por E. Geber; Anomalies of the sudoriparous glands, por E. Geber; Parasitic diseases of the skin, por A. Weyl & E. Geber; New-formations of the skin, por E. Schwimmer & V. Babes e Neuroma, adenoma, epithelioma molluscum, and carcinoma of the skin, por E. Geber.
10 O verbete de Enersen dá como ano de fundação da clínica 1881.
11 De periodicidade mensal, tornou-se semanal em 1912, quando teve o nome mudado para Dermatologische-Wochenschrift. Continuou a ser publicado como Dermatologische Monatsschrift, quando se tornou o órgão da Sociedade de Dermatologia da República Democrática Alemã.
12 Somente Hollander indica a defasagem de tempo entre a nova clínica e as atividades de especialização. Esse autor era o último discípulo vivo de Unna à época em que apresentou seu trabalho ao 17º Congresso Internacional de Dermatologia, em 1987. As cartas de Unna a Lutz na década de 1880 trazem o timbre "Heilanstalt für Hautkranke von Dr. P. G. Unna. Eimsbüttel, Parkallée 13, bei Hamburg". A defasagem talvez seja maior, pois em carta de 10.ago.1902, Unna comenta: "O senhor deve estar sabendo da intensificação da minha atividade de ensino, que foi se desenvolvendo pouco a pouco, da fundação do meu dermatologicum e dos dois cursos ... para médicos". E, em 1.set.1904, escreve: "Depois do Congresso Dermatológico, que terá início daqui a 8 dias em Berlim, será instituído meu novo dermatologicum, que eu mesmo edifiquei e no qual acontecerá em outubro o primeiro curso" (Museu Nacional. Arquivo. Fundo Adolpho Lutz.)
13 Hansen trabalhava no hospital de Lungegaard como assistente de Danielssen, com cuja filha casar-se-ia (Obregon, 2002, p.129).
14 Em Baumgarten (1887, p.244, 251-2), lê-se que Unna relatou em Wiesbaden a cura de um segundo caso de lepra tuberosa usando principalmente o emplastro de ácido salicílico, creosoto e crisarobina, sob o qual "os nódulos desapareceram de maneira visível, em parte por reabsorção, em parte por exfoliação". O trabalho de Unna citado nessa obra é "Zur Histologie und Therapie der Lepra (Verhandlgn. des V Congresses f. innere Medicin zu Wiesbaden, p.277. Wiesvabden, Bergmann, 1886).
15 Danielssen indagava, na época, se a lepra não era uma manifestação da tuberculose. Além da semelhança dos respectivos bacilos, encontrara com muita freqüência as duas doenças num mesmo indivíduo; observara muitas vezes que surgia uma tuberculose pulmonar, do abdome ou das meninges quando os nodos começavam a ser reabsorvidos. Danielssen julgava que, nas erupções nodulares agudas da lepra, o agente patogênico era um veneno produzido pelos bacilos pois não havia ainda provas da presença deles nas erupções "frescas" ou em circulação no sangue (Baumgarten, 1887, p.257). Ao transcrever esses comentário, Baumgarten cita o seguinte trabalho do dermatologista norueguês: "Beretning om Lungegaardshopitalets Virksomhed i Treaaret 1883 bis 1885 (Sep.-A. af N. Mag. f. Laegev. 1886, n.9).
16 Obregon (2002, p.130) fornece as seguintes referências: Gerhard Armauer Hansen, "Bacillus leprae", Virchow's Archiv, t. LXXIX, 1880, p.79; Nordiskt Medicinskt Arkiv, 1880, v.12, p.1-10; Quarterly Journal of Microscopical Science, 1880, 20 (jan), p.92-102.
17 O caule e as raízes dessa planta têm propriedades medicinais e deles se extrai a matéria corante que contém a hematoxilina.
18 Nascido em Dresden, Baumgarten assumira aquela cátedra em 1874, tornando-se professor da mesma disciplina em Tübingen, em 1889. Segundo Bulloch (1938, p.351), foi um dos pioneiros da bacteriologia e fez muito pelo progresso dessa ciência com seus livros e artigos, sobretudo com a publicação já mencionada, que o historiador inglês considerava um guia preciso e crítico, de grande utilidade para os bacteriologistas. Entre as obras de Baumgarten sobressai, também, o Lehrbuch der pathologischen Mykologie: Vorlesungen für Ärzte und Studirende. Braunschweig: Harald Bruhn, 1890, em dois volumes (a publicação do primeiro, em fascículos, começou em 1886).
19 Baumgarten (1886, p.90-2; 1887, p.247-51); os trabalhos de Unna citados por esse autor são "Die Bacillenklumpen in der Haut sind keine Zellen", Virchow's Archiv, Bd. CIII, 1886, p.553; "Die Lepra-Bacillen in ihrem Verhältniss zum Hautgewebe", Dermatolog. Studien, Heft 1., Hamburg, Voss, 1886.
20 Baumgarten (1887, p.287). O trabalho de Hansen resenhado nessa fonte é "Die Lage der Leprabacillen", Virchow's Archiv, Bd. CIII, 1886, p.388.
21 Baumgarten (1887, p.290). O artigo de Neisser citado por esse comentarista é "Histologische und bacteriologische Lepra – Untersuchungen", Virchow's Archiv, Bd. CIII, 1886, p.355.
22 Baumgarten (1887, p.293-6); esse autor comenta quatro trabalhos de K. Touton: "Wo liegen die Leprabacillen?", Fortschr. d. Med., n.2, 1886; "Erwiderung auf Unna's: Wo liegen die Lepra bacillen?", Deutsche med. Wochenschr., n.8, 1886; n.13, p.222; "Demonstration von Leprabacillen in Hautschnitten", Verhandlgn. d. V. Congresses f. innere Medicin zu Wiesbaden. Wiesbaden, Bergmann, 1886, p.242; por último, "Zur Topographie der Bacillen in der Leprahaut", Virchow's Archiv, Bd. CIV, 1886, p.381.
23 Baumgarten (1889, p.218-23). Os trabalhos resenhados são, de Beaven Rake, "Bacillen der Lepra", Transact. Pathol. Soc. London, v.XXXVIII, 1887, p.439; e "Berich über Züchtungsveruche mit dem Leprabacillus", Brit. Med. Journ., 1888, p.215; de J. Sudakewitsch, "Beträge zur pathologischen Anatomie der Lepra. II. Veränderungen der Pacini'schen Körper", Beitr. zur path. Anat. u. Phys. von Ziegler u. Nauwerck Bd. II, p.327.
24 O trabalho de R. Campana comentado por Baumgarten (1887, p.255-7; 1888, p.218-20) é "Ancora della trapiantazione della lepra negli animali bruti", Bollet. della reale Accademia medica di Genova, n.7, 1886; o de J. L. Bidenkap é o mesmo que foi resenhado por Lutz (ver Livro 2 desta coleção): "An abstract of lectures on Lepra", Christiania, 1886 — Referat Fortsch. d. Med. 1886, n.24, p.806). As observações de H. Kühne provêm de dois trabalhos: "Zur pathologischen Anatomie der Lepra", Dermatolog. Studien, 1887, Heft 6, p.15; e "Demonstration von Leprapräparaten", Tagebl. d. 60. Versamml. Deutscher Naturf. u. Aerzte zu Wiesbaden 1887, p.340.
25 Referido em conceituado tratado de medicina e terapêutica de Brouardel, Gilbert e Girode (1896, p.314), o trabalho de Lutz foi reproduzido, quase na íntegra, por Adrien Doyon (1886-1887) nos Annales de Dermatologie et de Syphiligraphhie. Foi resenhado, também, em Vierteljahrsschrift Derm. Syph. (v.18, p.331-4, 1886), Friedländer's Fortschritte der Medizen (Kokkothrix leprae, 1886) e em Baumgarten (1886, p.250-1).
26 No trabalho que Unna apresentou ao V Congresso de Medicina Interna, em Wiesbaden ("Zur Histologie und Therapie der Lepra", 1886), ele declarou que havia chegado a conclusões similares às de Lutz sobre a morfologia dos micróbios da lepra. Estudara quais os fatores químicos do "método de Lutz-Unna" que estariam implicados na dissolução dos bacilos da lepra em fileiras de cocos, e chegara à conclusão de que o predominante era o iodo Baumgarten, 1887, p.251-2). Campana (Ibidem) encontrara o Coccothrix leprae apenas em nodos mais antigos; as fileiras de pequenas esferas pigmentadas localizavam-se nas células, o que fazia crer que as formações de Coccothrix eram resíduos de bacilos antigos.
27 Baumgarten (1887, p.259-6) comenta trabalho desse autor intitulado "Ueber Bacillen bei Syphillis", Mittheil. a. d. med. Klinik d. Univ. Würzburg. Wiesbaden, Bergmann, 1886.
28 Lutz ainda não fazia menção ao hematozoário descoberto em 1880 na Argélia pelo médico militar francês Charles Louis Alphonse Laveran. O Oscillaria malariae (depois chamado Plasmodium) era um protozoário, e apesar de a disenteria e a surra terem sido relacionadas já a esses animais unicelulares, não havia provas conclusivas de que causassem doença humana importante. A demonstração de uma etiologia dessa natureza era dificultada pela complexidade dos ciclos de vida dos animais desse sub-reino, pela ausência de um sistema de classificação preciso e pela dificuldade de se obterem meios artificiais para seu cultivo. Isso contribuiu para deixar a descoberta de Laveran à sombra do bacilo de Klebs e Tommasi Crudelli por alguns anos. Laveran publicou sua descoberta em 1880 nos Annales de Dermatologie (v.1, p.173) e no Bulletin de l'Academie de Medecine de Paris (v.44, 2ème série., n.9, p.1346). A esse respeito ver Busvine (1993, p.18-20).
29 Ver a esse respeito Théodoridès (1984, p.39-40); Bulloch (1938, p.171-5) e Encyclopaedia Britannica (v.20, p.109; v.23, p.178-9).
30 Stanier e Lwoff (op. cit., p.1192). Fervoroso discípulo de Darwin, Haeckel (1834-1919) formulou a "lei biogenética" segundo a qual a ontogênese (desenvolvimento do indivíduo desde a fecundação até a maturidade) seria uma curta recapitulação da filogênese (sucessão das fases ancestrais). Suas principais obras são Natürliche Schöpfungsgechichte (História natural da criação, 1868) e Prinzipien der generellen Morphologie der Organismen (Princípio da morfologia geral dos organismos, 1906). Die Welträtsel (Os mistérios do universo, 1889) foi durante muito tempo um manual para os materialistas.
31 Cohn já havia chamado atenção para a coexistência nos textos de Pasteur, como sinônimos quase, de vegetais criptógamos microscópicos, animálculos, cogumelos, infusórios, toruláceas, bactérias, vibrionianos, mônadas, mucedíneas, lêvedo etc. (Bulloch, op. cit., p.187). Stanier e Lwoff (op. cit., p.1191) confirmam: "Para Pasteur, o conceito de microrganismo enquanto objeto biológico permanecia bastante vago. Era a atividade que contava; pouco importava a posição taxonômica".
32 A referência completa fornecida por Mazumdar (1994, p.426) é Grundzüge der wissenschaftliche Botanik, nebst einer methodologischen Einleitung, als Einletung zum Studium der Pflanze, Leipzig, Engelmann, 1842-1843. Foi traduzida para o inglês por Edwin Ray Lankaster sob o título Principles of Scientific Botany, or Botany as an Inductive Science, London: Longmans, 1849.
33 A citação encontra-se em Mazumdar (op. cit., p.37), que fornece a referência bibliográfica completa (p.417): Mechanisch-physiologische Theorie der Abstammungslehre, mit einem Anhang: 1. Die Schanken der naturwissenschaftlichen Erkenntniss. 2. Kräfte und Gestaltlungen im molecularen Gebiet. Munich, Oldenbourg, 1884.
34 Especialmente "Die neueren Algensysteme und Versuch zur Begrünung eines Eigenen Systems der Algens und Florideen", Neue Denksch. der Scweizer naturforschende Gesellsch., 9, 1847 (referência em Mazumdar, op. cit., p.417).
35 Die niederen Pilze in ihren Beziehungen zu den Infektionskrankheitenund der Gesundheitspflege, Munich, Oldenbourg, 1877. Ele já havia renunciado à idéia de que os fungos eram gerados espontaneamente, mas negava a existência de gêneros e espécies entre os microrganismos que adquiriam variadas formas e funções ao se aclimatarem às condições externas. Opondo-se tanto à classificação de Cohn como às fermentações específicas de Pasteur, sustentava que uma mesma bactéria, transplantada para meios diferentes, podia "sucessivamente, no decurso de suas gerações, produzir aqui a acidez do leite ou a fermentação butírica, ou a alteração dos vinhos, ou a putrefação das matérias albuminóides, ou ainda a destruição da uréia ... e lá engendrar a difteria, ou o tifo, ou a febre recorrente, ou o cólera" (Wasserzug, 1888, p.76-7, 157).
36 Bulloch (op. cit., p.186-7) aponta como representantes da era dos fungos Klob (1867) e Thomé (1867), que os encontraram no cólera; Letzerich (1869, 1873) e Talomon (1881), que atribuíram a eles a difteria. De 1867 a 1877 descreveram-se micrococos em casos de difteria (Buhl, 1867; Tommasi & Hueter, 1868; Oertel, 1868; Nassiloff, 1870; Eberth, 1872); endocardite (Winge, 1870; Waldeyer, 1872; Heiberg, 1872; Eberth, 1872, 1875, 1878); e em infecções sépticas e pútridas (Leyden & Jaffe, 1867; Hueter, 1868; von Recklinghausen, 1871; Cohn, 1872; Klebs, 1873; Weigert, 1876). Bulloch não faz referência aos fungos e algas polimorfos associados à febre amarela na década de 1880 (ver a esse respeito Benchimol, 1999), mas, para demonstrar como eram ingênuos os partidários dessas teorias, alonga-se na descrição do Gemiasma (miasma da terra), fungo capturado em pântanos maláricos por J. H. Salisbury (1862-1866).
37 Lister descreveu mudanças na forma das bactérias por efeito de variações nutricionais. Para Huxley, eram o estágio mais simples do desenvolvimento de fungos. Para o cirurgião vienense Theodor Billroth, as formas encontradas em infusões pútridas, infecções cirúrgicas e em cadáveres não passavam de estágios da alga Coccobacteria septica. Nomes criados por ele sobreviveram à refutação de suas idéias. Denominou cocos (do grego kókkos, semente) as menores formas dessa alga, diferenciando-as conforme o tamanho ou a disposição: micrococos, diplococos, estreptococos etc. Após a classificação de Cohn, o zoologista inglês Ray Edwin Lankester estudou um micróbio colorido, o Bacterium rubescens, que apresentava as quatro formas fixadas naquele sistema como estágios de seu desenvolvimento (1873-1876). A conexão entre elas podia ser autenticada por matéria corante específica ao micróbio. Cohn procurou demonstrar que as formas correspondiam a diferentes espécies Bulloch (op. cit., p.196-200).
38 Mazumdar (1994, p.52-5). A referência fornecida por essa autora é: "Conspectus familiarum crytogamarum secundum methodum naturalem dispositarum auctore Ferdinand Cohn", Hedwigia, v.11, p.17-20, 1872.
39 Definia bactérias como células destituídas de clorofila, com algumas formas determináveis, que se reproduziam exclusivamente por divisão celular e viviam isoladas ou em famílias de células. Segundo Cohn, apesar de serem reconhecidas pela ausência de cor, as bactérias tinham semelhanças com as cianofíceas, classe de algas unicelulares ou filamentosas de estrutura simples com pigmentos verde-azulados. Tanto nestas "algas azuis" como nas bactérias, a reprodução se dava por cisão binária. A célula bacteriana parecia sempre homogênea, sem diferenciação interna, particularidade notável também nas algas azuis, em que não se conseguia discernir os cloroplastos, já reconhecidos como sede dos pigmentos fotossintéticos das plantas vasculares e das demais algas. Cohn propôs, então, reunir num compartimento do reino vegetal que denominou Schizophytae os dois grupos microbianos constituídos pelas formas mais simples dos seres vivos.
40 "Untersuchung über Bacterien", Beiträge zur Biologie der Pflanzen, v.1, p.127-222, 1875; v.2, 1877, p.249-76. De Ferdinand Julius Cohn, ver também Bacteria, the smallest of living organisms. Baltimore, Johns Hopkins Press, 1939. Traduzido de Ueber die Bacterien, die kleinsten lebenden Wesen (1872) por Charles S. Dolley (1881). Bibliografia de Cohn (p.40-4). Tradução para o inglês publicada também em Bulletin of the history of medicine, v.VII, n.1, Jan. 1939.
41 Tribus I: Sphaerobacteria – Genus I: Micrococcus. Tribus II: Microbacteria – Genus 2: Bacterium. Tribus III: Desmobacteria – Genus 3: Bacillus; Genus 4: Vibrio. Tribus IV: Spirobacteria – Genus 5: Spirillum; Genus 6: Spirochaete. Entre as bactérias redondas (Sphaerobacteria) diferenciou espécies cromógenas (colorem o meio onde se encontram), zimogênicas (produzem fermentação química) e patogênicas.
42 Segundo os manuais de bacteriologia do fim do século, bacilos eram bactérias em forma de bastonete, retilíneos ou encurvados, com dimensões que variavam de 30u a 0,4u de comprimento (1u = 1 milésimo de milímetro). Cocos eram corpos esféricos ou arredondados, com diâmetro que variava de cerca de 0,3u ao de uma célula de levedo (aproximadamente 3u). Dividindo-se em uma ou mais direções, e nem sempre num único plano, produziam arranjos característicos: chamavam-se diplococos os esféricos, unidos dois a dois; tétrade, o agrupamente de quatro; sarcina, de oito. Em rosário ou numa longa série, tomavam o nome de estreptococos. Estafilococos eram cachos parecidos com os de uva. Zoogléia, o amontoado amorfo de bactérias. Os bacilos também podiam aparecer alinhados pelas extremidades (artrobactérias). Se os cilindros dos filamentos eram retos, chamavam-se Leptotrix. Os sinuosos: Streptotrix. O gênero Crenothrix designava as formas filamentosas e arredondadas cercadas por bainha gelatinosa; e Cladothrix, a reunião de segmentos, não em linha reta, mas lateralmente, formando falsas ramificações. Quando os filamentos agrupavam-se em forma de couve-flor, pertenciam aos Beggiatoa. Finalmente, os micróbios reunidos em longos fios flexíveis eram chamados espiroquetas (Galvão, 1901, p.173; Bulloch, op. cit., p.193-5).
43 Trecho citado por Mazumdar (1994, p.66) de Robert Koch, Investigations into the Etiology of Traumatic Infective Disease, London, New Sydenham Society, 1880, p.65. Tradução para o inglês, por W. Watson Cheyne, de Untersuchungen über die Aetiologie der Wundinfektionskrankheiten, Leipzig, Vogel, 1878.
44 O dicionário de Cuvier (1867, p.138, 203) traz um verbete sobre o Coccotrichum, que dá como sinônimo de Collarium, gênero de cogumelos da ordem dos hifomicetos (Sépédoniées) estabelecida por Link para vegetais microscópicos com filamentos próximos, ramosos e espórulos reunidos em pequenos aglomerados sobre os filamentos. Link descreveu duas espécies, o C. nigrispermum, que crescia sobre a cola seca, e o C. fructigerum, sobre as maçãs apodrecidas.
45 Neumann era docente da Universidade de Heidelberg e agregado à Seemannskrankenhause (Casa de Saúde de Marinheiros) e ao Institut für Schiffs und Tropenkrankheiten (Instituto de Doenças Navais e Tropicais), em Hamburgo. No verão de 1904, faria uma viagem ao Brasil, com M. Otto, para estudar a febre amarela, publicando em seguida Studien über das Gelbe Fieber in Brasilien (Leipzig, 1906).
46 O autor relaciona não poucos microbiologistas que usaram indevidamente Coccothrix tuberculosis Lutz ou Coccothrix leprae Lutz: Unna (1887, p.11); Toni & Trevisan (1889, p.943-4); Vuillemin (1913, p.527); Buchanan (1925, p.275); Bergey et al. (1934, p.536); Hauduroy et al. (1937, p.291; 1953, p.327 e 335); Reed (1939, p.810; 1948, p.877); Krassilnikov (1941, p.107 e 109; 1949, p.179-80); Hanks (1948, p.882). De acordo com o International Code of Nomenclature of Bacteria, a espécie Mycobacterium leprae Lehmann & Neumann tem como sinônimos: Bacillus leprae Hansen 1874; Coccothrix leprae Lutz 1886; Discomyces leprae Neveu-Lemaire 1921; Mycobacterium leprae hominis Lowe 1937; Mycobacterium Leprosy bacillus Hansen 1880; Sclerothrix leprae
Vuillemin 1921 (www.dsmz.de/bactnom/bactname.htm, 2000).
47 Trecho da carta enviada de Altersdorf em 29.jun.1906 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).
48 Trechos da carta de Unna a Lutz, de 3.jan.1887 (BR. MN. Fundo Adolpho Lutz).
49 Em Monatshefte für Praktsche Dermatologie (1887, n.13, p.596-7) foi publicado artigo traduzido do português para o alemão por Adolpho Lutz da autoria de Azevedo Lima (diretor do hospital) e Guedes de Mello, "Über das Vorkommen der einzelnen Lepraformen, sowie der Erscheinungen an Augen, Nase un Ohren", contendo observações clínicas sobre a lepra, especialmente sobre as lesões no nariz, nos olhos e nas orelhas. Em outra edição do periódico (n.6, p.237), saiu outro trabalho de Azevedo Lima, "Mittheilungen über das Lepra-Hospital in Rio de Janeiro"; pode ter sido traduzido por Lutz também. Ambos os trabalhos foram resenhados em Baumgarten (1888, p.231).
50 O rinoscleroma foi descrito por Hebra em 1870 em Wiener Med. Wshschr (v.21, n.1). A descrição do líquen escrofuloso (1874) encontra-se em Maladies de la peau (p.456), obra de Hebra traduzida por Doyon. Estas referências encontram-se em Tilles (1989, p.125-7) que apresenta relação muito interessante das "principais doenças cutâneas descritas entre 1780 e 1880".
51 Ver a esse respeito Crissey, Parish & Holubar (2002) e Direction de la Communication de l'AP-HP, site internet institutionnel de
l'Assistance Publique – Hôpitaux de Paris: www.ap-hp.fr (acesso em 22.fev.2004).
52 Já existiam sociedades similares nos Estados Unidos, Alemanha, Itália e Inglaterra (Londres). As reuniões mensais da sociedade francesa foram realizadas no museu do hospital Saint-Louis de 1890 a 1897. Segundo Tilles (2002), as inclinações de seus fundadores combinavam a tradição da Escola francesa (Ricord, Hardy), a abertura às idéias novas (Besnier) e o lugar preponderante da sífilis na especialidade (Fournier).
53 Estivera na Alemanha e na Áustria, conhecia bem o idioma e manteria estreitas relações com Hebra, Neisser, Auspitz e Kaposi. Interno dos hospitais de Lyon em 1848, médico, em seguida, do Hospice de l'Antiquaille, Doyon tivera como mestres Rollet e Diday, conhecidos dermatologistas e sifilógrafos; com este último, publicara diversos trabalhos sobre herpes genitais, terapêutica das dermatoses e ensino da dermatologia e venereologia. Em 1858, mudou-se para Uriage e participou da criação dessa estação termal, da qual se tornou o médico inspetor, até sua morte, naquela cidade, em 21.set.1907. Oficial da Legião de Honra e membro associado da Academia de Medicina, Doyon traduziu as Leçons sur les maladies de la peau, de M. Kaposi, em colaboração com E. Besnier; a edição de 1881 era acrescida de numerosas notas que detalhavam pontos de divergência entre as escolas francesa e vienense.
54 O privilégio que ele conferia à sífilis motivou a proposição de que fosse desdobrada a cadeira, migrando a de sifilografia para o hospital do Midi. Em assembléia dos professores, em 19.maio.1881, foi rejeitada a proposta. Gaucher sucedeu Fournier em 1902, depois Jeanselme ocupou a cadeira a partir de 1918 e passou o bastão a Gougerot em 1928. Somente em 1953 seria criada na Faculdade de Medicina de Paris uma cadeira destinada à clínica dermatológica.
55 Ver no Livro 1 desta coleção a carta publicada em abril de 1882 no Correspondenz-Blatt für Schweizer Aerzte (v.XII, n.7, p.210-4).
56 A Policlínica destinava-se "ao tratamento gratuito dos doentes pobres ... bem como ao ensinamento das especialidades médicas e cirúrgicas, e, mais ainda, a todos os trabalhos de investigação relativamente … medicina experimental". Foi inaugurada em 28.jun.1882 no modesto sobrado do Arquivo Público, à rua dos Ourives no 1, tendo como vizinha, no andar superior, a Academia Imperial de Medicina. Durante a remodelação urbana do Rio de Janeiro seria transferida para a Avenida Central. A primeira defesa da criação de Policlínicas no Brasil, desde o início associada a um projeto de modernização do ensino médico, foi feita por Pacífico Pereira, professor da Faculdade de Medicina da Bahia. Em 1877, publicou vários artigos na Gazeta Médica da Bahia sobre a utilidade da instituição vienense. Na capital do Império, o projeto foi encampado pelo Dr. Moncorvo de Figueiredo, em seu livro Do exercício e ensino médico no Brasil, e por um grupo de clínicos, entre os quais Ramiz Galvão, Hilário de Gouveia e Nuno de Andrade. Assinaram também a ata de criação da Policlínica, em 10.dez.1881, alguns sólidos padrinhos arregimentados na praça do Rio de Janeiro, entre eles o Visconde de Figueiredo (Benchimol, 1990).
57 Carrara, op. cit., p.83-4. Formado na Bahia, Chaves publicou em 1887 tese de doutoramento sobre "Mercúrio e seus compostos", indicando-os para tratamento da sífilis. O trabalho teve resumos publicados no Medical and Surgical Reporter, de Filadéfia, e nos Annales de Dermatologie e de Syphiligraphie. Por causa disso, foi indicado para membro estrangeiro da Sociedade Francesa de Dermatologia e de Sifilografia. Quando viajou para Paris, já estava radicado em Pelotas (Carneiro, 2002, p.44).
58 Sua intensa atividade iria levá-lo à primeira Secretaria, em 1889, à Presidência, em 1897 e à posição de Presidente Perpétuo. Coube-lhe ainda instituir o Museu da Academia Nacional de Medicina (Azulay, 1974, p.221).
59 "Je désire faire une remarque à propos de la propagation de la trichophytie: elle debute souvent par les chiens et il arrive très fréquemment qu'elle attient un enfant qui joue avec un chien, puis qu'elle se propage de cet enfant à d'autres enfants de la même famille. Aussi est-il indispensable, dans les familles, où on rencontre un enfant trichophytique, d'examinar les chiens qui vivent dans la maison, car s'ils sont trichophytiques, ils peuvent encore transmettre la maladie à des enfants restés indemnes ou, par des reinoculations successives, prolonger la durée de la maladie chez ceux qui etaient dejà atteints."
60 "J'ai observé la lèpre à Rio de Janeiro e à Saint-Paul au Brésil, et j'ai pu constater qu'elle n'etait pas une maladie des villes. La misère n'en est pas non plus la cause sine qua non, et des gens qui vivent bien peuvent parfaitemente en être atteints."
61 "Quand on voit se résoudre un tubercule lépreux, il faut toujours craindre qu'un autre ne survienne. Il semble se faire de veritables embolies lépreuses. Aussi la médication interne est-elle préférable au traitement externe, pour empêcher des faits de cet ordre."
62 Seu discurso está transcrito adiante, neste mesmo volume. Discursaram também Ricord e Hardy, presidentes do Congresso; Henri Feular, seu secretário; Kaposi, delegado de Viena; Malcolm-Morris, de Londres; Mansouroff, de Moscou; De Amicis, de Nápoles; Unna, de Hamburgo; Wetraszewski, de Varsóvia; Olavide, de Madri; Zambaco-Pacha, de Constantinopla, e Kalindero, de Bucareste.
63 BR. MN. Fundo Adolpho Lutz (caixa 21, pasta 254, maço 3).
64 Os demais correspondentes eram os drs. H. G. Brooke, em Manchester; Dubois-Havenith, em Bruxelas; E. von Düring, em Constantinopla; Henri Fournier, em Paris; Funk, em Varsóvia; Emil Kroug, em Hungerburg bei Narwa; E. Pontoppidan, em Copenhague, S. Róna, em Budapeste e P. Tommasoli, em Modena.
65 Esses artigos foram objeto de curto comentário de Unna em resenha na qual dava mais destaque a artigos sobre a influência da tuberculina sobre a lepra publicados no Journal of the Leprosy Investigations Comittee. Sobre Lutz, Unna limita-se a dizer que "discorre sobre algumas interessantes complicações da lepra, entre as quais se destaca especialmente aquela com a sífilis. No paciente em questão, pôde-se diagnosticar facilmente as erupções leprosas e sifilíticas. Informa-se também sobre um caso de cancróide na bochecha sobre uma base leprosa" (Baumgarten, 1893, p.271).
66 Zilberberg (1938), principal fonte utilizada aqui, era assistente da 3ª Clínica dermo-sifiligráfica do Hospital Santo Amaro, em Recife. O autor refere-se à tese sobre a doença apresentada por Flaviano Silva, à Faculdade de Medicina da Bahia, com descrição de seis casos. Sobre as nodosidades de Lutz-Jeanselme ver também Portugal (1944).
67 Zilberberg (1938) afirma que numerosas pesquisas vinham sendo feitas no Brasil com o objetivo de revelar o parasita responsável pela síndrome. Ele próprio tentara semear material proveniente de um nódulo, sem sucesso. Acreditava numa origem micótica das nodosidades, mas somente numa percentagem mínima; a sífilis e a bouba concorreriam em maior proporção para a etiologia do mal Pinoy; Le Dantec e outros autores contestaram a existência do cogumelo patógeno. Le Dantec admitia a etiologia sifilítica mas em combinação com outras afecções: micoses, bouba, filarioses etc.
68 Esses temas serão examinados, com detalhes, nos livros desta coleção dedicados aos trabalhos de Lutz nos campos da entomologia e helmintologia (Volume II, Livros 2 e 3) e como diretor do Instituto Bacteriológico do Estado de São Paulo (Volume IV, Livro 1).
69 Walter Seng nasceu em 23.maio.1873 em Viena, Áustria, e faleceu em 28.jun.1931 em São Paulo, SP. Casou-se nesta cidade com Mercedes Lisboa, em 26.out.1901. É considerado um dos iniciadores da neurocirurgia em São Paulo. Foi primeiro diretor clínico do Sanatório Santa Catarina, o mais antigo hospital particular da cidade. Há uma rua em sua homenagem no bairro da Bela Vista (Bexiga), próxima ao Hospital Santa Catarina.
70 Regeu as cadeiras de Zootécnica Geral e Especial e de Veterinária e Higiene dos Animais Domésticos do curso de engenheiros agrônomos. Extinto esse curso, Hottinger passou a reger a cadeira de Bioquímica, Físico-Química e Eletroquímica do curso de Engenharia Química. "Preocupava-se, particularmente, com o estudo de processos gerais para combater moléstias próprias do nosso meio. Entre as suas descobertas, a mais conhecida entre nós é a do aproveitamento da ação oligodinâmica dos metais, tendo conseguido com prata coloidal uma perfeita esterilização da água. Essa descoberta ficou conhecida como o processo Salus para esterilização" (página da Escola Politécnica da USP:
www.poli.usp.br/Organizacao/Historia/Historico/1893-1900.asp, acesso em 27.fev.2004).
71 Lutz (1908, p.24) menciona casos observados por Splendore, de que falaremos adiante, um descrito por Breda, que só conhecia por referência na literatura e, ainda, um caso apresentado pelo Dr. Baldomero Sommer ao Segundo Congresso Médico Latino-Americano (Buenos Aires, 1904), com o diagnóstico provável de boubas, "palavra que designa a framboésia trópica ou yaw ... sendo entre nós usada equivocadamente como sinônimo de sífilis".
72 Segundo Fialho (1946, p.12), Buschke (1927) atribuiu a criação do termo a Nägeli, e Floriano de Almeida (1939) a Frank.
73 "O primeiro caso humano de esporotricose fora descrito em 1898, nos Estados Unidos, por Schenck, e os que se lhe seguiram, dois anos depois, levaram L. Hetkoen e C. F. Perkins a estabelecer a espécie que é hoje conhecida sob o nome de Sporotrichum schenckii" (Fonseca Filho, 1974, p.80).
74 Busse, O. "Über parasitäre Zeleinschlüsse", Centralblatt für Bakteriologie und Parasitenkunde, 1894, p.16; e, do mesmo autor, "Über Saccharomycosis homins", Virchows Archiv. F. Path Ant., 1896, p.146. Buschke, por sua vez, publicou "Über Saccharomycosis", Virchow Arch., v.41, 1896; e Die Blastomikose. Biblioteca Médica, Stuttgart, 1902. Referências dadas por Fialho (1946, p.17-8, 235).
75 No laboratório de Wernike, Posadas adestrou-se em anatomía patológica e em microbiología. Posadas e Wernike foram os primeiros a relatar um caso de rhinosporidiosis, cujo agente etiológico é ainda hoje enigmático.
76 Eliseo Canton propôs que o microrganismo fosse chamado Posadasia esferiforme, mas a denominação não vingou por causa dos trabalhos realizados contemporaneamente pelos norte-americanos (Fialho, 1946, p.13).
77 Fialho (1946, p.15-6). Em estudo retrospectivo, citado por esse autor, Rixford (1931) diz que, àquela época, em São Francisco, só dois médicos estavam aparelhados para realizar investigações bacteriológicas: Mouser e Douglas Montgomery. Ambos examinaram materiais de seu caso. As culturas de Mouser permaneceram estéreis e nos tubos de Montgomery desenvolveu-se um cogumelo que este descartou como contaminante, não obstante fosse o Coccidioides. Supondo que o agente da misteriosa doença fosse um protozoário, Rixford e um outro médico californiano, dr. Thorne, enviaram materiais extraídos de seus pacientes a um conhecido protozoologista de Washington, o dr. Charles W. Stiles, que sugeriu a Rixford e a Gilchrist que dessem a seu suposto protozoário o nome de Coccidioides immitis; Stiles qualificou o de Thorne como piogenes (Fialho, 1946, p.13; Fonseca Filho, 1974, p.80).
78 Oidium coccidioides, segundo Fialho (1946, p.15).
79 Fialho (1946, p.15). Segundo Jacobson (1932), até 1932, cerca de 200 casos haviam sido diagnosticados e estudados. Publicaram-se depois outros artigos sobre o assunto, tais como os de A. M. Stober, "Systematic blastomicosis. A report of its pathological, bacteriological and clinical features", Arch. Int. Med., v.13, p.509-56, 1914; S. Snow Miller, "The reticulum of the lung. V. – Its similarity in blastomicosys to that in tuberculosis", American Journal of Pathology, v.3, p.316-20, 1927; e Medlar, "A cutaneous infection caused by a new fungus Phyalophora verrucosa, with a study of the fungus", J. Med. Res., v.32, p.507-21, 1915 (referências fornecidas por Fialho, 1946, p.242, 239). Em 1940, Conant e Howel demonstram o "estreito paralelismo" entre o agente da doença de Gilchrist e o da doença de Lutz e denominam Blastomyces brasiliensis o agente da blastomicose sul-americana (Langeron & Vanbreuseghem, 1952).
80 Fialho (1946, p.41) considera confuso esse trabalho, com estampas de má qualidade, obtendo Splendore culturas contaminadas, pelo menos as que apresentavam aspecto de oidios. Sua opinião contrasta com a de Lacaz (1960, p.242), que considera todos os trabalhos de Splendore "muito bem documentados".
81 Foi tamanho o seu interesse, recorda Fonseca Filho (1974, p.91), "que chegou ele, a dar em 1914, para um pequeno grupo de alunos do qual tivemos o privilégio de fazer parte, um curso só a ela dedicado, o qual se realizou na 19ª enfermaria do Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, onde funcionava a cátedra de Dermatologia da Faculdade de Medicina".
82 Não vira a gemulação observada por Vianna no pus, a constituir cadeias de 4 a 5 indivíduos (Fialho, p.44). Segundo esse autor, era Gaspar Vianna quem tinha razão.
83 Quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial, Ficker teve de regressar à Europa. A crise do Instituto Bacteriológico culminou com seu fechamento pelo decreto no 3.876, de 11.jul.1925 (Lemos, 1954; Stepan, 1976, p.142-3). Voltaremos ao assunto no Volume IV, Livro 1, da Obra Completa de Adolpho Lutz.
84 Almeida diplomou-se em 1924 na Faculdade de Medicina e Cirurgia que fora criada na cidade de São Paulo em dezembro de 1912. Orientado por Ernesto de Souza Campos, o catedrático de microbiologia e imunologia, estagiou com Fonseca Filho, no Instituto Oswaldo Cruz, de onde levou as primeiras culturas de fungos com as quais deu início ao ensino da micologia médica na Faculdade paulista. Começou, então, a estudar com Souza Campos o agente etiológico da doença de Lutz (Lacaz, 1983, p.266; sobre a Faculdade, ver Casa de Oswaldo Cruz,
www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br
85 Fonseca Filho (1974, p.83-8). Segundo Lacaz (1983, p.265), fora descrita pela primeira vez pelo médico alemão Max Rudolph, com o nome de Figueira.
86 52 eram do Distrito Federal, 13 de Minas, oito de São Paulo, dois da Bahia, um do Rio Grande do Sul e um do Espírito Santo. Os médicos da cidade e do Estado do Rio de Janeiro seriam maioria na Sociedade até a década de 1970 (Carneiro, 2002, p.55-6).
87 O relatório dessa viagem será reimpresso em outro livro da Obra Completa de Adolpho Lutz.
88 Hugo de Sousa Lopes, p.14, fita 1, lado B, 1a entrevista. Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz.