Adolpho Lutz: Dermatologia e Micologia

Adolpho Lutz · Capítulo 32 de 32 · parte 4/4

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Adolpho Lutz: Dermatologia e Micologia

Anexo/Annex

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

O Dr. Rabello acha que esse espessamenteo das túnicas já foi notado em lesões do sarcóide, ao lado de lesões foliculares tuberculosas, como células gigantes e epitelióides. Aliás, o grupo dos sarcóides, como viu em Paris no serviço de Brocq, deve sofrer uma revisão, no sentido das idéias de Pautrier, que os considera simples síndrome clínica de origem tuberculosa, sifilítica ou mesmo especial.

6ª Sessão Ordinária, 24 de setembro de 1915 64

Presidente – Prof. F. Terra

Secretários – Drs. E. Rabello e Linneu Silva

Compareceram mais os Drs. Adolpho Lutz, Zopiro Goulart,

Sampaio Vianna, Victor de Teive, Neves Armond, Arthur Moses,

Henrique Aragão, Oscar D'Utra, e Silva Araújo Filho.

O Prof. Terra chama a atenção da sociedade para os casos de lepra que tem visto nos asilos desta capital e pede que a Sociedade se interesse junto à Comissão de Profilaxia da Lepra para que sejam tomadas providências.

O Prof. E. Rabello propõe que se represente aos poderes públicos no sentido de se promover nos países europeus a facilidade de aquisição do Salvarsan, cujo preço em nosso mercado vai tornando-o inacessível à bolsa dos doentes.

Tuberculose pápulo-necrótica, pelo Dr. E. Rabello 65

Refere-se o caso de um indivíduo, de 30 anos, exibindo uma tubercúlide pápulo- necrótica.

Sofre da doença há cerca de um ano. Localiza-se de preferência nos membros, onde apresenta lesões acnéicas que lembram os folliculés de Barthelemy, e no tronco.

Cutirreação à tuberculina positiva com reação papulosa franca.

Algum tempo depois manifestou-se bronquite dos ápices com falta de apetite e depauperamento rápido, tendo o doente se retirado para fora desta capital.

O Dr. Terra, como subsídio à freqüência da tubercúlide pápulo-necrótica, refere um caso que observou nesta capital em uma mocinha. Além das pápulas necróticas esparsas nas mãos e antebraços, apresentava lesões congestivas no nariz e face, simulando lúpus eritematoso.

O Dr. Lutz lembra que se empregue, de preferência à cutirreação, a injeção de tuberculina, que pode determinar a reação local nas lesões, o que facilita o diagnóstico.

O Dr. Zopiro Goulart diz que, ao contrário do que referem os autores, os casos, aqui observados, têm, como sintoma muito freqüente, o prurido.

7ª Sessão Ordinária, 8 de dezembro de 1915

Presidente – Prof. F. Terra

Secretários – Drs. E. Rabello e Arthur Moses

Compareceram os Drs. Adolpho Lutz, Linneu Silva, Zopiro

Goulart, Sampaio Vianna, Silva Araújo Filho, Luiz Felicio Torres

e Neves Armond.

Foram propostos sócios efetivos os Drs. Jesuino Maciel,

Antônio Cardoso Fontes, Camacho Crespo e Luis Felicio

Torres.

Caso pró-diagnose, pelo Dr. F. Terra

Trata-se de um indivíduo brasileiro, preto, de 70 anos, residente no interior, apresentando na extremidade cefálica várias lesões, cujo início não sabe precisar.

Existem no couro cabeludo várias cicatrizes róseas, deprimidas, com alopecia, e outras de vários tamanhos, assestadas na região frontal, adiante do pavilhão da orelha, no nariz e na região malar de ambos os lados e no mento.

O interessante é que essas lesões guardam certa simetria, fazendo lembrar o lúpus eritematoso.

Apresenta também lesões pustulosas, tanto na cabeça como na face.

O Dr. Lutz pensa tratar-se de sífilis crostosa, baseando-se antes na reação de Wassermann, visto ser curiosa a história clínica.

O Dr. Zopiro Goulart diz que se pode desdobrar o caso clínico; assim, pode ser que se trate de sífilis; existem, porém, concomitantemente lesões próprias do impetigo.

Leishmaniose mista, pelo Dr. Silva Araújo Filho 66

Apresenta um doente portador de lesões muito semelhantes às que exibiram os três doentes que apresentou na última sessão.

A. R., brasileiro, branco, de 25 anos, carroceiro, adoeceu há quase quatro anos, em Santa Luzia do Carangola, onde reside.

Começou lesão por um nódulo assestado na região lombar esquerda, o qual se ulcerou. Com o emprego de plantas, segundo a indicação de curandeiros, fazendo várias lavagens por dia, a lesão cicatrizou com pouco mais de um mês. Nesse local vê-se agora uma grande cicatriz branca, superficial e lisa. Pouco tempo depois surgiu uma ulceração com o mesmo aspecto no pavilhão da orelha esquerda, lesão que cicatrizou em parte.

Apresenta ulceração do lábio inferior e terço superior da região mentoniana. Grande ulceração do lábio superior, invadindo o soalho das fossas nasais. Destruição do lóbulo do nariz e subsepto.

As ulcerações apresentam o mesmo característico de leishmaniose, devendo-se assinalar a presença de reação mucótica.

O Dr. F. Terra, a propósito desse caso, cita um fato de sua clínica particular, que mostra a dificuldade que se purulenta [+] extraordinariamente abundante.

As lesões que oferecia a seu doente eram muito semelhantes às deste. Houve destruição do lóbulo e asas do nariz, do septo cartilaginoso e soalho da entrada das fossas nasais.

A pele do nariz tinha espessamento e cor próprios da leishmaniose. É casado e tem filhos, sendo sadia a prole. Wassermann fracamente positiva e o doente submetido a tratamento mercurial, não colheu resultado algum.

Hesitando entre sífilis e leishmaniose, aplicou fortes doses de iodureto de potássio e injeções amiudadas de biodureto de mercúrio, sem melhora apreciável. Insistindo nesses meios viu em breve as melhoras se acentuarem e a cura tornou-se por fim definitiva.

O Dr. Lutz diz acreditar que o doente ora apresentado seja um caso de leishmaniose, mesmo na ausência do exame bacteriológico. Viu em São Paulo casos semelhantes, que não cederam ao tratamento mercurial, nem em alta dose, o que certamente faria bem, se se tratasse de sífilis. Quanto à confusão com o lúpus, não acha justificável, sendo essa doença muito rara entre nós, tendo visto em trinta anos de prática apenas três casos. As lesões da orelha e do nariz são, pelo seu aspecto, muito semelhantes aos demais casos de leishmaniose.

Na Europa, se examinassem esses casos, não seria de estranhar que se estabelecesse o diagnóstico de sífilis.

Sifílide anular, pelo Dr. Silva Araújo Filho 67

Este ano foram já observados quatro casos de sífilis anular no serviço do Prof. Terra. Mostra as fotografias de três desses casos e um doente. Desses doentes, três eram brasileiros, dois pretos e um mestiço, sendo o outro o que apresenta à Sociedade.

Trata-se de um indivíduo português branco, 32 anos, ferreiro, residente na ilha de Paquetá. Há três meses teve um cancro hunteriano assestado no sulco balanoprepucial, acompanhado de adenite inguinal direita, conservando ainda a esclerose consecutiva à ulceração. Apresenta na região correspondente ao triângulo de Scarpa direito sifílides circinadas, muito regulares, formadas por anéis papulosos enquadrando uma porção central da pele escura. Na pele da verga apresenta lesão com o mesmo aspecto.

O Dr. Adolpho Lutz diz ser a sifílide anular muito comum entre os pretos, lembrando-se de ter visto uma criança de três anos afetada dessa forma. O tratamento local dá muito bom resultado.

Esses fatos eram outrora conhecidos por lúpus sifilítico, atendendo ao aspecto da pele crivada de pequenos tubérculos.

O Dr. Silva Araújo Filho chama a atenção da Sociedade para o fato de se tratar de um indivíduo branco, pois alguns especialistas consideram a sifílide circinada como peculiar aos indivíduos de cor. Os três casos já referidos foram tratados unicamente com mercúrio, sem tratamento local, o que vem destruir a hipótese de uma micose evoluindo em um sifilítico, como pensam também alguns autores.

Psoríases e tuberculose, pelo Dr. Felício Torres 68

Refere ter visto uns doentes de psoríase vulgar, que pertenciam a família de tuberculosos, sem que eles fossem tuberculosos.

Impressionado com as referências de Demoulière, que pretende estabelecer relações entre a psoríase e a tuberculose, indaga se se poderá admitir nos seus casos essa influência mútua.

O Dr. Lutz pensa não haver relação entre as duas doenças, porque então o número de psoríacos seria muito maior tendo-se em vista a grande freqüência da tuberculose entre nós. A psoríase encontra-se também em nacionais, porém é mais comum em estrangeiros. Quanto ao contágio, nada se pode precisar. Um dos seus doentes, brasileiro, esteve muito tempo em contato com um indivíduo estrangeiro afetado de psoríase de forma grave.

O Dr. Silva Araújo Filho diz que em geral os doentes que tem visto afetados de psoríase são fortes, bem constituídos, não aparentando ser turbeculosos, nunca tendo, porém, investigado nesse sentido. Nada apurou tampouco quanto ao contágio. Lembra-se de ter visto oito casos de psoríases, sendo apenas três brasileiros.

 

1916

Sessão em 2 de junho de 1916 69

Larva migrans 70

O Dr. Emilio Gomes refere-se a um menino de seis anos de idade, natural desta cidade, e que brincava às vezes na praia de Icaraí. Apresenta, há cerca de dois meses, uma zona rubra onde serpenteia uma linha sinuosa, saliente, que vai terminar na região palmar. Encontram-se também alguns grupos de vesículas e crostas, e a lesão se acompanha de prurido.

Instituiu o tratamento com aplicações de tintura de iodo e compressas de água quente, tendo, porém, se realizado a cura por meio da congelação pelo cloreto de etila.

O aspecto das lesões não deixa margem à dúvida de que se trata da miíase linear, a qual, com freqüência, se vai observando entre nós.

O Dr. Adolpho Lutz acha que não tanto a freqüência da miíase linear, que já não é pequena, mas o conhecimento da larva é que mais nos deve interessar. Torna-se bem difícil perceber a larva, visto como a lesão produzida por ela se manifesta tardiamente.

Lembra o método da vitro-pressão, como se faz para se pôr em evidência o tubérculo do lúpus, obtendo-se assim mais fácil descortino da larva nos tecidos. Talvez assim se simplificasse o problema, tendo-se hoje melhor conhecimento das larvas dos dípteros.

O Dr. Cardoso Fontes também reconhece a dificuldade da cura dessa dermatose, parecendo que o calor é o melhor agente no seu tratamento. Refere o caso observado em Copacabana de uma menina de 9 anos, que apresentava lesões típicas nas pernas e pés, tendo obtido a cura com compressas de água quente, aplicadas três vezes ao dia, bem demoradamente.

O Dr. Eduardo Rabello aplaude a lembrança do Dr. Lutz de recorrer à compressão vítrea para se ver a larva. Hoje sabe-se que esta se encontra em sítio que excede de cerca de 1 centímetro o ponto terminal da linha inflamatória.

Na pesquisa seria conveniente levar-se em conta mais este dado.

Sessão em 7 de julho de 1916 71

Úlcera tropical 72

O Dr. Adolpho Lutz assinala o fato de serem consideradas como devidas a leishmânia úlceras de outra natureza. São em geral úlceras consecutivas a traumatismos, com pouca tendência para cura espontânea, existindo em algumas zonas com caráter epidêmico. São freqüentes em Avanhandava, Capela Nova e Espírito Santo do Pinhal. Cedem com tártaro emético e qualquer tratamento antisséptico brando. O exame microscópico revela a presença da simbiose fuso-espirilar. Os bacilos apresentam extremidades arredondadas. O papel patogênico dos espirilos evidencia-se pela localização profunda que ocupam nas lesões. A transmissão parece fazer-se por um díptero do gênero Ipelatis.

A leishmaniose é provavelmente transmitida pelos flebótomos.

A cronicidade é um dos caracteres dessas úlceras, sendo a gangrena nosocomial de marcha muito mais rápida. São muito comuns nos membros inferiores; alguns doentes, porém, exibem também lesões assestadas nas mãos e no rosto.

Para corar os germes emprega um novo processo: fixa rapidamente em alúmen formolisado, cora dois minutos com uma solução concentrada de azul vitória, tira o excesso, seca e examina em água entre lâmina e lamínula. Os espirilos ficam mais bem corados.

O Dr. Eduardo Rabello refere que o que acaba de dizer o Prof. Lutz está de acordo com o que tem observado na Clínica Dermatológica.

Sessão em 4 de agosto de 1916 73

Nodosidades justarticulares de Jeanselme 74

O Dr. Eduardo Rabello lembra que essa denominação foi empregada por Jeanselme para designar certos tumores de consistência fibrocartilaginosa, justarticulares, aflegmásicos, de marcha e duração tórpida e longa, que viu pela primeira fez em 1899, em naturais da Indochina. Esses tumores, que em geral aparecem sem pródromos e que, apenas pela sua sede e volume, podem incomodar o paciente, localizam-se mais vezes nas imediações das articulações dos cotovelos, dos quadris e dos joelhos, poupando quase sempre as pequenas articulações.

Depois de Jeanselme, Steiner, Gras, Neveux, Brault, Brumpt, Fontoynont e Carougeau e, ultimamente, Jojot e Commes têm-se referido a casos análogos, vistos em diversas regiões da Ásia e da África. Entre nós, e cremos mesmo que na América, ainda não foi visto caso análogo, sendo certo, pois, que o doente que hoje apresenta, pestado dessas nodosidades, é o primeiro visto no nosso país.

O paciente é um rapaz de 30 anos de idade, sem antecedentes interessantes a não ser cancros venéreos por duas vezes, a última, há 11 meses, sem acidentes conseqüentes. Há cerca de nove meses, viu com espanto aparecerem dois pequenos nódulos, um em cada antebraço, na sua face posterior, junto à articulação do cotovelo. Esses nódulos foram crescendo pouco a pouco e, junto do que aparecera no braço esquerdo, um outro surgiu algum tempo depois. Há cerca de seis meses, começaram a se mostrar outros nódulos próximos à articulação do quadril direito, onde hoje podem ser percebidos três. Todos esses tumores têm o mesmo aspecto: nódulos duros, aflegmásicos, subcutâneos, móveis, um só do cotovelo direito apresentando certa aderência aponevrotica; de tamanho variável entre uma avelã e uma noz, e não incomodando em nada o portador. Sob o nódulo do cotovelo direito, um pouco aderente, foi notada pequena exostose do cúbito. A palpação, além da dureza fibrosa e da indolência, deixa perceber que os nódulos são irregulares e bossados. Esse tumor maior do braço direito foi retirado para exame histológico e o corte a navalha confirmou a sua consistência e aspecto fibrosos. Foram feitas culturas em meio de Sabouraud com a polpa desse nódulo e, até agora, nada ainda revelaram quanto à hipótese de uma micose.

De fato é até agora desconhecida a etiologia desses tumores e os exames histológicos de Jeanselme e Commes falam por um tumor fibroso, de natureza um pouco especial, com zonas de reação inflamatória e células gigantes; mas, com esses dois autores, as pesquisas dos germes resultaram infrutuosas. Fontoynont e Carougeau descreveram, como causa, o Discomyces carougeani, mas até hoje diversos autores, como Pinoy, para citar, acaso, o mais competente no assunto, não têm confirmado esse achado. Um outro fato que fala algum tanto, também, em favor de uma micose, é a regressão desses tumores já assinalada por mais de um autor, após o uso do iodeto de potássio.

O exame histológico do seu caso está sendo feito; prescreveu o iodeto de potássio, para mais uma vez verificar a sua ação, e o resultado dessas pesquisas, juntamente com a prova final das culturas, será oportunamente referido.

O Dr. Adolpho Lutz reivindica a sua prioridade na questão das nodosidades justarticulares, lendo a seguinte tradução de um artigo que publicou em 1892, no Monastschrift für Dermatologie:

Depois da lepra e da sífilis, quero mencionar uma afecção que observei várias vezes, tanto em indígenas como em estrangeiros. A fotografia, que acompanha, mostra um caso bem caracterizado. Os doentes, só em parte, eram leprosos; mas todos eram suspeitos de sífilis.

Trata-se de tumores encontrados sempre perto de um osso e, geralmente, numa região articular. A sua consistência é tal que se pode pensar em condromas, mas distinguem-se de exostoses por não fazer parte do osso. Com o uso do iodeto de potássio esses tumores desaparecem, às vezes, completamente, nas mais vezes, só em parte, não todavia com a rapidez das gomas comuns. No original da fotografia extirpei os restos dos tumores do cotovelo, depois de esgotado o efeito do iodeto, e encontrei tumores de tecido conectivo branco, tendinoso, solidamente aderentes aos tecidos vizinhos.

O mesmo constatei num filho do doente, que tinha sobre uma costela um tumor semelhante, exposto pela ulceração dos tecidos sobrepostos; havia também um estado caquético, com sintomas de sífilis congênita; o pai tinha uma mancha de eritema, certamente leprosa. Outros casos, onde, indubitavelmente, se tratava da mesma afecção, exibiam tumores nos quadris, palmas das mãos, antebraços e dedos, sendo geralmente menores e de data mais recente.

Comunica também ter visto casos no Brasil, notando tendência à bilateralidade. Um dos casos era sifilítico e foi melhorado com o iodeto, sendo a sede principal, nesse caso, os quadris. Acha muito duvidoso que essa afecção seja causada por um Discomyces, mas a sua relação com a sífilis merece ser estudada.

O Dr. Eduardo Rabello, à vista dessa publicação que desconhecia, como aliás todos os que se têm ocupado do assunto, lembra que é de justiça dar-se à doença o nome de "nodosidade justarticular de Lutz-Jeanselme".

O Dr. D'Utra e Silva acredita que na América é o caso do Dr. Rabello o primeiro publicado, pois os do Dr. Lutz foram vistos fora do país. Pensa que se deve pesquisar a sífilis, pois, competências negam a origem micótica. Referências de Pinoy, que viu cortes nitratados, assentam em que alterações de tecidos, descritas como germes, não passavam de lesões de capilares.

O Dr. Eduardo Rabello confessa que, no seu caso, o Wassermann foi negativo, e não existem indícios de sífilis, a não ser uma exostose cubital, já referida, sendo agora o doente submetido ao iodeto de potássio.

O Dr. Adolpho Lutz pondera que, em certos casos, os tumores se ulceram, sendo a perda de fora para dentro, e quanto ao tamanho, às vezes excedem de muito o de uma noz, como num dos seus casos, dependendo isso do tempo de duração. Em certos casos, a ulceração pode ser conseqüência de processo degenerativo.

O Dr. D'Utra e Silva diz que o processo ulceroso pode vir de dentro para fora, ligado o fato à progressão da zona inflamatória, que tem sido descrita no tumor.

Ceratodermia simétrica das extremidades 75

O Dr. Sampaio Vianna apresenta um doente, português, cocheiro, solteiro, apresentando placas de ceratose simétrica situadas na porção intradigital dos polegares e indicadores e estendendo-se para o dorso das mãos. No bordo interno dos calcanhares e na sua face plantar, existem lesões semelhantes, porém mais espessas e atravessadas por sulcos.

Refere não ter usado de medicamento por tempo demorado. Como antecedentes, nega a lues, acusando blenorragia, que teve há cinco anos, hoje curada. Não há estigma de heredossífilis, e aguarda o exame do sangue para Wassermann.

O Dr. Eduardo Rabello aventa a hipótese de sífilis e blenorragia, que favorece o desenvolvimento das ceratoses.

O Dr. Adolpho Lutz tem visto casos de ceratoses, que se grupam nas ictioses, de influência congênita.

Sessão em 1o de setembro de 1916 76

Nodosidades justarticulares 77

O Dr. Adolpho Lutz, a propósito do caso apresentado na sessão anterior, lembra que no livro de Castellani há observações mais antigas que a de Jeanselme, como a de Stein, porém todas posteriores à de sua autoria.

Sarna – Pediculose 78

O Dr. Fernando Terra refere que, este ano, têm tido desusada freqüência nas salas da Clínica Dermatológica os casos das dermatoses acima referidas. Só se lembra de análoga freqüência em 1893, quando entrou a esquadra legal com muitos marinheiros afetados. A grande maioria de doentes, que há observado, é de indivíduos que têm dormido em albergues noturnos, agora instalados pela cidade. Lembra que a Sociedade se dirija às autoridades sanitárias pedindo providências para o caso.

O Dr. Sampaio Vianna diz que tem notado o mesmo fato no ambulatório da Santa Casa, onde quase todos os casos são de indivíduos que têm dormido nos albergues.

O Dr. Eduardo Rabello constata que mesmo na clínica privada têm sido muito fre- qüentes, este ano, os casos de sarna, às vezes constituindo epidemias em famílias inteiras.

Quase uniformemente essas epidemias provêm de casos verificados em criados que naturalmente podem estar em contato com indivíduos que tenham dormido nos albergues, ou que tenham eles mesmos neles permanecido.

O Dr. Adolpho Lutz acha que o caso não é assim tão simples como, à primeira vista, parece, pois os piolhos são tidos como responsáveis pela transmissão do tipo exantemático. Como entre nós têm sido vistos casos esporádicos dessa doença, são necessárias medidas de cautela.

Sessão em 10 de novembro de 1916 79

Eritema pelagróide 80

O Dr. Sampaio Vianna apresenta à Sociedade o indivíduo A. N., do sexo masculino, branco, português, solteiro, vendedor de doces, residente na estação de Ramos, subúrbio do Distrito Federal, doente que em fins de outubro procurou o ambulatório de moléstias de pele da Santa Casa e que, atualmente, ocupa um dos leitos da Clínica Dermatológica do Prof. Fernando Terra.

Referiu o doente não ter conhecido pai e haver perdido a mãe há cinco anos, mais ou menos, já bastante idosa e vitimada por causa que ignora. Tem dois irmãos robustos e sadios, residindo ambos nesta Capital. Homem forte, tendo gozado sempre saúde, sem nunca ter contraído moléstia alguma venérea, trabalhava das 6 horas da manhã às 10 horas da noite no comércio ambulante de doces, carregando caixa à cabeça e expondo-se à ação dos raios solares durante todo o dia. Confessa que usava e abusava de bebidas alcoólicas, tomando, diariamente, para mais de uma garrafa de aguardente. Como conseqüência do vício a que se entregava, mal se alimentava, mesmo porque a comida lhe causava repugnância (textual). Procurava despertar o apetite escolhendo iguarias extravagantes. Assim, comia amiudadas vezes (duas por semana) pão de milho e azeitonas. Referiu mais, que depois de lhe aparecer a moléstia de pele, todas as manhãs ao levantar-se era acometido de vômitos pituitosos. Algumas vezes, também, sofreu de diarréia. Não precisa bem o paciente como se iniciou a dermatose que apresenta; lembra- se, porém, da formação de pequenas bolhas que se rompiam, deixando escoar um líquido viscoso, e cercadas de manchas de cor vermelho-escura, lesões essas localizadas na face dorsal das mãos e dos pés e nas regiões laterais e posterior do pescoço.

Diz que buscou o hospital porque tal é a astenia de que padece, que mal tem forças para elevar a caixa de doces à altura da cabeça, o que fazia, antes de adoecer, com a maior facilidade. Queixa-se mais de forte prurido generalizado e de sensação de frio, dizendo ter enregeladas as pernas dos joelhos aos pés. Presentemente não mais existem as bolhas a que o doente se referiu e que são as lesões do primeiro período da doença. Encontram-se agora, além de um eritema bronzeado, pigmentado, de bordos difusos, crostas, reliquat das antigas bolhas, leves escamas e uma certa tendência à atrofia da pele. Nas proximidades das articulações metacarpofalangianas existem duas fendas mais ou menos profundas. No pescoço não há o clássico colar, mas, em quase toda a extensão do eritema que existe nessa região, está a pele liquenificada. O resto do corpo apresenta lesões de escabiose, que o doente contraiu depois de aparecer a primitiva dermatose. Não há indícios de sífilis: nem cefaléia, nem algias noturnas, nenhum gânglio engorgitado. O doente conserva normais os reflexos rotulianos. Não foi encontrada estomatite nem outra qualquer lesão das mucosas.

O caso que apresenta é duplamente interessante, pela sua relativa raridade numa cidade onde são comuns os dias de sol ardente, e pelo conjunto de condições etiológicas que, associando-se, fazem oscilar o diagnóstico entre um eritema pelagróide ou pseudopelagra e uma pelagra verdadeira esporádica. Com relação à pouca freqüência dos casos entre nós, basta lembrar que, a não ser aqueles apresentados à Sociedade pelo Prof. Rabello, quase todos doentes da clínica do Prof. Terra, não consta ao orador que outros tenham sido assinalados e publicados.

O interesse maior, porém, é o do diagnóstico. Embora não lhe repugne a idéia de classificar o seu caso como pelagra esporádica, tanto mais quanto, além dos sintomas apresentados pelo doente, confessou ele fazer uso freqüente de pão de milho, acredita antes tratar-se de um eritema pelagróide acidental descrito por Bouchard como comum em certos indivíduos predispostos que se expõem à ação prolongada dos raios solares. Ora, o seu doente era um alcoólatra inveterado, e o alcoolismo é justamente com a alienação mental e outros estados debilitantes uma das causas predisponentes dos eritemas pelagróides.

Quando viu pela primeira vez o doente e soube que ele exercia a profissão de vendedor de doces, a primeira idéia que lhe veio à mente foi que ele se alimentasse das sobras do negócio, ingerindo, dois e três dias depois de fabricadas, broas de milho, nas quais germinasse o Aspergillus a que se atribui a pelagra verdadeira. Nas indagações que fez, verificou o contrário do que supunha, confessando apenas o doente comer duas vezes por semana pão de milho, mas este em bom estado. Darier diz "que em França tem sido observada uma síndrome absolutamente idêntica à pelagra ou algumas vezes atenuada, nos alienados, alcoólicos e nos malnutridos e moralmente debilitados". É o caso deste doente: além de mal-alimentado, abusava do álcool e expunha-se ao sol o dia inteiro. O diagnóstico de acidente actínico é o que se impõe, salvo melhor juízo.

O Dr. Eduardo Rabello diz que os casos do Dr. Sampaio Vianna são idênticos aos observados na Clínica Dermatológica. Em todos eles se tem visto que os indivíduos viviam expostos à ação dos raios solares, e que eram intoxicados pelo álcool. Convém referir esse fatos para que ulteriormente sirvam de esclarecimento à etiologia da afecção.

O Dr. Adolpho Lutz acha que não há lugar para se incriminar o álcool como fator etiológico, sendo que o mais que poderia fazer é predispor à doença, como ocorre com o beribéri. Observa-se antes a coincidência de o alcoolismo ser comum na classe baixa, onde se encontra a pelagra. Há anos teve ocasião de observar uma doença que classificou de pelagróide e que consistia em um exantema, situado nos pés, desenvolvendo-se nas crianças e que se assestava nas partes declives, transformando-se pela hipóstase em uma afecção purpúrica. Acompanhava-se esta de edemas, diarréia, bronquites, sendo que os edemas às vezes precediam os acidentes cutâneos.

 

1919

1ª Sessão Ordinária (junho)

Presidente – Dr. F. Terra

Secretário – Dr. A. F. da Costa Júnior

Compareceram mais os

,Drs. Pacheco Mendes, Adolpho Lutz, Silva Araújo Filho,

Gilberto M. Costa, Victor de Teive, Barros Barreto e A. Vidigal.

Sifilomas primários extragenitais – Dr. Gilberto M. Costa 81 Teve ocasião de ver um caso de cancro assestado na região do punho, com semelhança perfeita com a úlcera da leishmaniose. O Wassermann foi fortemente positivo quando surgiam os acidentes secundários da infecção.

O outro caso era de um cancro ulceroso do lábio inferior, que há 15 dias ainda perdurava, tendo a lesão começado em dezembro do ano passado.

O terceiro caso é o do doente aqui presente, e cujo cancro se localiza no lábio inferior, datando de cinco meses, e com o gânglio satélite na região submaxilar esquerda.

O Dr. Adolpho Lutz diz serem já numerosos os fatos de localização desses acidentes fora da zona habitual.

Lembra o caso de uma doente que tinha o sifiloma inicial assestado em todo o dorso da mão. A lesão era muito superficial e cedeu facilmente ao tratamento mercurial, tendo aplicado localmente a pomada cinérea dupla.

Explica-se facilmente essa localização porque a doente exercia a profissão de parteira. Curado o acidente cutâneo, surgiram na época própria os fenômenos constitucionais, entre os quais avultaram manifestações oculares, que bastante incomodavam a doente.

Nodosidades justarticulares – Dr. F. Terra 82

Por ser de observação pouco freqüente entre nós, traz ao conhecimento da Sociedade um caso, que teve ocasião de ver em março deste ano.

Achava-se nessa ocasião em Cambuquira, estância hidromineral bastante conhecida, quando lhe foi dado ensejo de travar relações com um colega que exerce a clínica na cidade de Campanha.

Pouco tempo antes viera ao Rio para se operar de um tumor que, localizado perto da articulação do cotovelo direito, já lhe tolhia o movimento, impedindo-o de praticar a cirurgia, em que é exímio especialista. A ferida operatória achava-se em via de cicatrização, e o tumor retirado ficara no Rio para o estudo histológico.

Referiu o colega, brasileiro, solteiro, com cerca de 32 anos, que desde estudante de medicina tem essas nodosidades, que foram de crescimento excessivamente lento. Nenhum incômodo lhe traziam esses tumores, a não ser o embaraço que lhe causava ao movimento do membro em que aquele se assestava junto à articulação, e que maior desenvolvimento adquirira. Notou o Dr. Terra que próximo à articulação ainda existiam dois nódulos, situados em plano profundo, móveis, bastante consistentes, e tendo o volume mais ou menos de ovo de pomba.

Nas proximidades da articulação do cotovelo esquerdo também encontrou dois ou três nódulos, do mesmo tamanho daqueles, também de consistência dura, e sotopostos ao tegumento cutâneo.

A sua longa evolução, para mais de dez anos, a sede, a perfeita simetria e os demais caracteres não permitiram a menor dúvida de tratar-se da afecção conhecida por nodosidade justarticular, denominação que o Dr. Terra crê dada por Jeanselme, mas assinalada por outros autores.

O Dr. Gilberto Costa quer apenas chamar a atenção para o fato de esses tumores se assestarem nas imediações das articulações do cotovelo. Assim tem sido sempre nos fatos ocorridos entre nós.

O Dr. Rabello teve ocasião de comunicar duas observações dessa afecção, e em ambos os casos o tratamento específico, pelo iodureto e mercúrio, deu bons resultados.

O Dr. Adolpho Lutz publicou há anos a história de dois doentes dessa afecção, cuja natureza é ainda obscura. A consistência dos tumores é bem acentuada, fazendo lembrar o encondroma. O iodureto de potássio determina a redução do tumor. Explica-se o fato porque se trata de lesão onde há abundantes células de granulação, em uma trama de tecido conjuntivo. Aquelas sofrem a reabsorção sob a influência dos ioduretos, o que diminui o volume e consistência dos tumores.

Bubonulo do sulco balanoprepucial – Dr. F. Terra 83

Da clínica particular tem em tratamento um caso interessante de complicação do cancro, idêntico a fatos sobre os quais chama a atenção o Prof. Radaeli, da Universidade de Cagliari, e a que deu o nome de bubonulo do sulco.

Trata-se de um moço de cerca de 20 anos, brasileiro, branco, solteiro, morador nesta cidade e bacharelando em Direito. Há pouco mais de um mês apareceu-lhe, dias após um coito, uma pequena úlcera no sulco balanoprepucial, junto ao freio, do lado esquerdo.

Sem que houvesse aplicação de substância cáustica, os tecidos sobre que assentava a úlcera tornaram-se um pouco duros, o que despertou no paciente a suspeita de tratar-se de um cancro sifilítico. O processo de cicatrização fez-se naturalmente, persistindo, todavia, aquela dureza. Quando me procurou para esclarecer a dúvida sobre a natureza da ulceração, esta achava-se quase extinta, subsistindo apenas uma pequena zona não epidermizada. A pesquisa microscópica feita pelo Dr. A. Moses, requisitada pelo Dr. Terra, foi negativa tanto em relação ao bacilo de Ducrey, como ao treponema. Em todo esse tempo nenhuma reação se produziu nos gânglios linfáticos da região vizinha, que até hoje conservam seu volume normal.

Há dez dias o doente de novo consultou o Dr. Terra, mais alarmado, porque ao lado da úlcera, que se havia reaberto, formara-se um nódulo.

Com efeito, para fora da ulceração, situada exatamente sobre o sulco, existia um nódulo, do tamanho de uma avelã, um pouco consistente, bastante doloroso, e já com tendência a se abrir para o exterior.

Com a ponta do termocautério procedeu-se à abertura do abcesso, eliminando-se então uma certa quantidade de pus espesso, e pôde-se verificar que havia uma cavidade um tanto profunda.

A úlcera resultante da abertura do abcesso tomou no dia seguinte o aspecto do cancro mole, o que fez o Dr. Terra recear a formação do cancro dissecante. Procedeu a nova cauterização com a faca de Paquelin, aconselhando a aplicação diária de álcool fenicado a 10%, com o que vai o doente conquistando rápidas melhoras. A localização do bubonulo no sulco é de observação recente, pois eram mais conhecidos esses acidentes no dorso do pênis, situados no cordão linfático dessa região. São, portanto, casos de linfangite nodular supurativa, complicando o cancro venéreo simples, bubonulos de Nisbet.

O Dr. Gilberto Costa tem observado o abcesso complicando o cancro mole, porém situado na folha externa do prepúcio.

Nesses casos encontrou o diplococo de Neisser, embora na úlcera existisse o Ducrey.

Dr. Adolpho Lutz – A originalidade do que se observa está na proximidade do acidente em relação ao cancro, ao contrário do bubão, que se faz a distância. Mas no fundo o processo é o mesmo, porque se trata de uma linfangite aqui localizada na rede muscular, ali no gânglio.

Acho que se poderia, por analogia, aplicar o nome de bubonulo à linfangite de esporotricose nodular.

Dr. Silva Araújo Filho – Pertence a Nisbet a prioridade do conhecimento do bubonulo. Ocorre-me o caso narrado por Stanziale de um nódulo de esporotricose, assestado no prepúcio, assumindo

o aspecto de bubonulo.84

 

1921

Sessão de Julho de 1921 85

Sob a presidência do Prof. F. Terra, e secretariado pelo Dr. A. F. da Costa Júnior, realizou-se a sessão mensal de julho da Sociedade Brasileira de Dermatologia, estando presentes o Prof. Rabello, o Prof. Adolpho Lutz, e Drs. Arthur Moses, Mário Magalhães, G. Moura Costa, Henrique Aragão e Victor de Teive.

Aprovada a ata da sessão anterior, passou-se ao expediente.

Foi lido um ofício da Sociedade Médica dos Hospitais da Bahia, comunicando a sua nova diretoria. Foram propostos sócios; pelo Dr. Costa Júnior, o Dr. Joaquim Pereira da Motta; pelo Dr. Moura Costa, os Drs. Orsini de Castro e Aroeira de Belo Horizonte; o Dr. Pereira da Motta, estando presente, tomou posse.

Caso pró-diagnose 86

O Dr. A. F. da Costa Júnior expõe o seu caso "pró-diagnose". Trata-se de uma menina de 8 anos, com uma lesão única ulcerada na face direita, datando de três anos. Tem Wassermann negativo, cutirreação negativa, pesquisa de leishmânia negativa; não pôde ser feito o exame histopatológico. Semeando o produto da lesão, foi isolado o Penicillium glaucum. A doente, que foi submetida a variados tratamentos, sem resultados, viu a lesão cicatrizar rapidamente com a administração de iodureto. Sobre o caso falam o Prof. Rabello e os Drs. Adolpho Lutz e H. Aragão. O Dr. Rabello acha que o diagnóstico está entre uma micose e sífilis, mas que não se pode responsabilizar o Penicillium pela lesão descrita. Faz considerações sobre as pesquisas de germes micóticos em lesões cutâneas, que podem ser infectadas por um saprófita; ultimamente na clínica de Iadassohn observou-se um caso dessa natureza, e não só na Alemanha como na França chama-se a atenção para tais casos.

O Dr. Lutz diz que verificou que o Penicillium vive em uma solução de iodureto.

O Dr. Aragão acha que todos os bolores vivem bem no iodureto e cita que o tártaro não mata a leishmânia mas cura a doença, pois que a ação desses medicamentos é indireta, agindo sobre o meio.

Sobre o rinoscleroma 87

O Dr. Mário Magalhães fala sobre rinoscleroma a propósito do bacilo de Frisch, que tem estudado em confronto com outros germes encapsulados. Diz que a literatura é, no caso, deficiente e contraditória. Estudou o germe isolado do caso (já apresentado na Sociedade), bacteriologicamente. Pode dizer que não é um Friedländer. Relata minuciosamente as metódicas pesquisas que vem fazendo sobre o germe isolado, quer quanto à sua biologia, quer quanto à sua patogenia. Promete continuar as suas pesquisas a fim de ver se pode concluir que o germe encapsulado, que sempre se encontra no rinoscleroma, é ou não responsável pela moléstia, estando como está esta parte do problema deficientemente estudada.

O Prof. Lutz diz ter especial interesse pelo caso, pois foi quem estudou o primeiro caso no Brasil, há 31 anos.

Pelo adiantado da hora foi suspensa a sessão.

Sessão de setembro de 192188

A sífilis e os problemas neurológicos 89

Em seguida às palavras do Prof. Terra, o Dr. Teixeira Mendes inicia a sua comunicação, precedendo-a de singelo e rápido discurso, em que agradece a honra que lhe foi concedida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Salienta os laços da união que intimamente entrelaçam as duas partes dos conhecimentos médicos: neurologia e sifiligrafia.

Evidencia a importância que ressalta da noção de se pensar sempre na sífilis quando se esteja em presença de problema neurológico, pois pode-se dizer que para o conhecimento da etiologia e terapêutica nervosas, na maior parte das doenças, é indispensável ter-se sempre as vistas voltadas para a sífilis. Para demonstração do que vem de assinalar vai apresentar à Sociedade um caso de esclerogoma da base do encéfalo, em que variados e interessantes sintomas se encontram presentes.

Trata-se de uma mulher de cor parda, brasileira, que apresenta marcha ebriosa, desigualdade dos reflexos patelares, ptose palpebral, paralisia facial, nistagmo.

Dos sintomas encontrados verifica-se que a lesão pode ser localizada na base do encéfalo, no ponto em que emergem os nervos cranianos. Quanto ao processo etiológico não padece dúvida ser sifilítico, como demonstram as reações de Wassermann positivas no sangue e no líquido céfalorraquidiano, a linfocitose e a reação de Nonne.

O tratamento instituído conseguiu melhorar por algum tanto a paciente, mostrando-se agora paralisadas as melhoras.

Discutem o caso os Drs. Adolpho Lutz e Moura Costa. O primeiro indaga sobre o exame do fundo do olho, sendo-lhe informado nada apresentar de extraordinário; o segundo indaga sobre o tratamento sofrido pela doente antes de entrar para o Hospital, por pensar que se possa atribuir tal sintomatologia a uma neuro-recidiva. O autor diz não saber se a doente sofreu ou não algum tratamento antes de ser internada, mas acha que não.

Quanto ao tratamento o Dr. Moura Costa lembra injeções intra-raquidianas, relatando casos em que tem obtido melhoras, ao que o Dr. T. Mendes diz recear muito a via intra-raquidiana pelos riscos que apresenta, mas não vê inconveniente em que seja ela

ensaiada.90

Sobre um caso de eritema medicamentoso 91

Apresenta-se um caso de eritema medicamentoso, produzido por ingestão de quinino e aspirina, com as lesões típicas muito características.

Falam sobre o caso os Drs. Terra, Moncorvo, F. Torres e Adolpho Lutz, discutindo a suscetibilidade de certos indivíduos, mesmo na infância, a certos medicamentos, tendo os Drs. Moncorvo e Lutz citado casos numerosos que têm observado.

Aproveitando a reunião da Sociedade o Prof. F. Terra comunica aos senhores sócios ter recebido do Prof. Brito Foresti uma carta, convidando-o para delegado efetivo no Brasil, do II Congresso Sul-americano de Dermatologia, a reunir-se em Montevidéu, em outubro próximo. Assim, diz ter ficado a comissão brasileira composta pelos Profs. F. Terra, E. Rabello e Werneck Machado. Tendo havido igualmente convite oficial ao nosso governo, o Prof. Terra declara já ter se entendido com os Srs. Ministros do Interior e Exterior, sobre a organização da representação brasileira. Entretanto, encarrega-se de receber as adesões ao dito Congresso.

 

1922

3ª Sessão Ordinária, 25 de abril de 1922 92

Presidida por Adolpho Lutz

Eritema arsenical 93

O Dr. Gilberto M. Costa referiu-se a uma série de nove casos de eritema arsenical, tratados pela urotropina. Em todos esses casos, obteve bons resultados, mas não encontrou ainda explicação bem clara para a maneira por que atua a urotropina.

O Dr. Moncorvo Filho lembrou ensaiar a urotropina no tratamento dos casos de iodismo. O Prof. Rabello lembrou fosse empregada a urotropina associada ao brometo de potássio em vista da dificuldade de substituir esse sal que, sendo indispensável na clínica, prova freqüentemente acidentes cutâneos; tem ensaiado o cloreto de cálcio para modificar e mesmo curar os acidentes cutâneos provocados pelo brometo de potássio.

O Dr. A. Fontes disse ter já lido uma comunicação sobre acidentes séricos tratados pela urotropina.

O Dr. Adolpho Lutz lembrou que o brometo de potássio pode ser substituído pela uretana, sem inconvenientes, citando casos.

 

1926

Sessão de 31 de agosto de 1926 94

Presidência do Prof. Adolpho Lutz

Casos de lúpus eritematoso, pelo Prof. Felício Torres 95

Discutem a comunicação o Dr. Silva Araújo e o Prof. Lutz.

O Dr. Silva Araújo diz aproveitar a oportunidade para recordar um caso de lúpus eritematoso da face, em uma rapariguinha na qual mais tarde foi verificada tuberculose pulmonar, com pesquisa positiva do bacilo. Essa paciente teve também, após esse surto pulmonar, eritema nodoso.

O Prof. Lutz lembra a hipótese de ser o lúpus eritematoso causado pelo bacilo da tuberculose bovina. Fala a favor dessa idéia o fato de ser o lúpus tuberculoso mais comum nos lugares onde o homem fica mais em contato com o gado. Talvez haja um transmissor que transporte o germe para o homem, explicando a localização nas partes descobertas.

No nosso meio, a raridade do lúpus eritematoso seria devida à ação dos raios solares e à não estabulação do gado.

Diz o Dr. Silva Araújo que a tuberculose cutânea é realmente muito mais rara no Brasil do que no Uruguai e na Argentina, conforme pôde observar quando visitou esses países.

Blastomicose, pelo Prof. Rabello 96

Apresenta à Sociedade um doente internado no seu serviço hospitalar com lesões ulcerosas vegetantes nos lábios e boca e invasão dos gânglios do pescoço. A pesquisa, tanto no pus como em um fragmento de tecido retirado, revelou a presença de parasitos de blastomicose. É mais um caso a ser incluído no rol dos em que a terapêutica nada pode fazer.

O Prof. Lutz lembra que viu os primeiros casos de blastomicose observados na América do Sul.

Em Buenos Aires viu o célebre caso Posadas-Wernicke e desde logo julgou não se tratasse de coccidiose, como pensavam aqueles pesquisadores. Em 1908, no Brasil, identificou o primeiro caso em São Paulo, examinando um fragmento de tecido enviado com diagnóstico de epitelioma, no qual encontrou formas típicas do parasito. As lesões assestavam-se na boca, na garganta e nos gânglios.

Tratou improficuamente com iodeto de potássio e com raios X, vindo o paciente a morrer de caquexia. Na autópsia encontrou lesões

superficiais das mucosas, com numerosos parasitos.97

 

1927

Sessão de agosto de 1927 98

Acladiose micosa – Eduardo Rabello e Olympio da Fonseca 99

O Prof. Rabello e o Dr. Olympio da Fonseca apresentam um caso de acladiose micosa identificada micologicamente pelo Dr. Olympio da Fonseca. Foi o caso objeto de meticulosa observação da parte dos autores que o apresentaram em pequeno trabalho à Academia Nacional de Medicina. Pedem registro para o caso: o doente acha-se internado na 19a enfermaria do Hospital da Misericórdia, serviço do Prof. Rabello.

O Dr. Adolpho Lutz acha o caso de grande interesse e chama a atenção para as analogias clínicas com certos casos de escrofulodermia.

 

1930

No exemplar de 1930 do Annaes Brasileiros de Dermatologia e Syphilographia (ano IV, n.2, abr.-jun., p.95-6) há a informação de que a Sociedade havia constituído uma comissão para promover a adesão de especialistas brasileiros ao VIII Congresso Interna- cional de Dermatologia. No encontro – a ser realizado em Copenhague em agosto daquele ano – seria discutida a fundação da Associação Internacional de Dermatologia.

Lutz foi um dos vice-presidentes da comissão. Os outros nomes indicados foram os seguintes:

Presidente honorário: Prof. Fernando Terra

Presidente: Prof. Eduardo Rabello

Vice-presidentes: Profs. A. Lindenberg, Albino Leitão, Aguiar

Pupo, Antônio Aleixo, Francisco Clementino, Parreiras Horta e

Ulysses Nanohay.

Secretário-geral: Dr. Oscar da Silva Araújo

Membros: Prof. Flaviano Silva, Drs. Abílio Martins de Castro,

Arminio Fraga, J. Maria Gomes, A. da Matta, Joaquim Motta, S.

Ramos e Silva, Nicolau Rossetti, Olympio da Fonseca e Orsini

de Castro.

Para representar a Sociedade na reunião de fundação da Associação Internacional de Dermatologia foram indicados o Prof. Eduardo Rabello e os Drs. Oscar da Silva Araújo e A. F. da Costa Júnior.

1 Boletim da Sociedade Brasileira de Dermatologia (doravante referenciado nestas notas como Boletim), p.5-8, 1912.

2 Boletim, p.8-13, 1912.

3 Em setembro de 1912 a doente esteve em Poços de Caldas onde fez uso de banhos sulfurosos, tendo tomado o urodonal. Em fevereiro deste ano vimo-la magra e fraca, sem a dermatose, apenas com uma placa pigmentária na perna, e com as articulações (principalmente das mãos e pés) dolorosas.

4 Boletim, p.13-7, 1912.

5 Nesta sessão, além dos temas relacionados abaixo, sobre os quais Adolpho Lutz se pronunciou, foram apresentados casos de melanodermia em placas (Fernando Terra), de larva migrans e de piedra (Eduardo Rabello), não comentados pelos presentes.

6 Boletim, p.24-9, 1912.

7 Boletim, p.29-32, 1912.

8 Boletim, p.32-4, 1912.

9 Boletim, p.34-6, 1912.

10 Nesta sessão, além dos temas comentados por Lutz, foram apresentados um caso de tratamento de úlceras da perna (Ernesto Crissiuma) e outro sobre úlceras múltiplas cutâneas (Werneck Machado).

11 Boletim, p.43-5, 1912.

12 Boletim, p.45-6, 1912.

13 Nesta sessão, Fernando Terra apresentou um caso de lepra, Eduardo Rabello, um de Lichen spinulosus e outro de ceratodermia simétrica. Lutz não fez comentários sobre estes casos.

14 Boletim, p.50-1, 1912.

15 Boletim, p.51, 1912.

16 Boletim, p.52, 1912.

17 Boletim, p.52-3, 1912.

18 Boletim, p.53-4, 1912.

19 Boletim, p.54, 1912.

20 Boletim, p.55, 1912.

21 Boletim, p.55-6, 1912.

22 Boletim, p.56-8, 1912.

23 Nesta sessão, além dos temas comentados por Lutz, foram apresentados trabalhos sobre botriomicose (Fernando Terra), leishmaniose (Werneck Machado), vitiligo (Eduardo Rabello), favo (Eduardo Rabello) e granuloma ulceroso (Henrique Aragão e Gaspar Vianna).

24 Boletim, p.15-7, 1913.

25 Boletim, p.23, 1913. Sessão realizada no Hospital dos Lázaros.

26 Boletim, p.23-4, 1913.

27 Nesta sessão, Lutz não comentou a comunicação de Eduardo Rabello sobre lúpus.

28 Boletim, p.26-8, 1913.

29 Boletim, p.28, 1913.

30 Boletim, v.2, n.1, p.19-28, 1913.

31 Além dos casos comentados por Lutz, foram apresentadas nesta sessão comunicações sobre tinha (Zopiro Goulart), leishmaniose cutânea (Eduardo Rabello), provável úlcera tuberculosa (J. Marinho) e granuloma tropical (Henrique de Aragão).

32 Boletim, p.70-1, 1913.

33 Boletim, p.69-71, 1913.

34 Nesta sessão, além dos assuntos comentados por Lutz, houve comunicações sobre Salvarsan na blastomicose (Eduardo Rabello), leishmaniose (Gaspar Vianna), tricofitose das plantas dos pés (Eduardo Rabello) e ainhum (Gaspar Vianna).

35 Boletim, p.77-8, 1913.

36 Adolpho Lutz não comentou a apresentação de Gaspar Vianna sobre a injeção do emético na afecção denominada esponja. Existe discrepância entre as atas das sessões publicadas em português no Boletim e os resumos publicados em francês no mesmo periódico. No resumo em francês, esta sessão aparece datada de 27, e não 29 de dezembro.

37 Boletim, p.79-81, 1913.

38 Boletim, p.81, 1913.

39 Assuntos não comentados por Lutz nesta sessão: cancro mole extragenital (Silva Araújo Filho) e tinha do couro cabeludo (Silva Araújo Filho).

40 Boletim, p.23-5, 1914.

41 Segundo o Diccionario Medico Encyclopedico organizado pelo Dr. Ricardo d´Elia (RJ., Livraria Editora de Braz Lauria, 1926, p. 745), zona significava uma flegmasia cutânea, acompanhada de erupção vesiculosa, que rodeava, simulando uma faixa, o peito ou o abdome. [N.E.]

42 Boletim, p.25-7, 1914.

43 Boletim, p.27-9, 1914.

44 Boletim, p.30-1, 1914.

45 Nesta sessão, além dos assuntos comentados por Lutz, foram debatidos, sem intervenção sua, casos de leishmaniose tegumentar (Werneck Machado) e de psoríase vulgar (Eduardo Rabello).

46 Boletim, p.7-8, 1915.

47 Boletim, p.8-9, 1915.

48 Boletim, p.10-1, 1915.

49 Assuntos não comentados por Lutz nesta sessão: granuloma ulceroso venéreo (Silva Araújo Filho), úlcera fagedênica tropical (Silva Araújo Filho), bouba (Silva Araújo Filho), tuberculose verrucosa (Eduardo Rabello) e micetoma (Eduardo Rabello).

50 Boletim, p.13-4, 1915.

51 O termo usado pelo debatedores é "epidermophyeia". [N. E.]

52 Boletim, p.15-6, 1915.

53 Boletim, p.17-8, 1915.

54 Boletim, p.12-8, 1915.

55 Adolpho Lutz não comentou a apresentação de Silva Araújo Filho sobre bouba.

56 Boletim, p.21-2, 1915.

57 Boletim, p.22-3, 1915.

58 Boletim, p.23-4, 1915.

59 Assuntos não comentados por Lutz nesta sessão: lúpus eritematoso (Alfredo Porto), botyomicoma (Sampaio Vianna) e esponja (Arthur Moses). No original do Boletim da Sociedade Brasileira de Dermatologia existe um erro de impressão, pois o ano indicado é 1916, e não 1915.

60 Boletim, p.26-7, 1915.

61 Boletim, p.27-8, 1915.

62 Além das comunicações comentadas por Lutz, foram apresentadas nesta sessão outras que diziam respeito a lúpus eritematoso (Fernando Terra), adenoma sebáceo (Eduardo Rabello) e sífilis hereditária (Eduardo Rabello). Este propôs voto de pesar pelo falecimento de Paul Ehrlich, presidente honorário da Sociedade. O Dr. Aragão sugeriu que se transmitisse ao Instituto de Patologia Experimental de Frankfurt moção de pesar pelo passamento do seu diretor. Nessa sessão, o o Dr. Ataliba Ferraz de Sampaio foi eleito sócio efetivo.

63 Boletim, p.31-2, 1915.

64 Nesta sessão, além das comunicações comentadas por Lutz, foram apresentados trabalhos concernentes a botriomicoma (Fernando Terra), lúpus eritematoso (Sampaio Vianna), leishmaniose tegumentar (Silva Araújo Filho) e líquen (Eduardo Rabello). O original do Boletim dá como ano desta sessão, 1916, mas trata-se de um erro tipográfico.

65 Boletim, p.36-7, 1915.

66 Boletim, p.41-2, 1915.

67 Boletim, p.42-3, 1915.

68 Boletim, p.43, 1915.

69 Nesta sessão, além dos temas comentados por Adolpho Lutz, foram apresentados ainda os seguintes assuntos: granuloma ulceroso (Fernando Terra), blastomicose (Arthur Moses), reinfecção luética (Eduardo Rabello) e cancro sifilítico abdominal (Eduardo Rabello).

70 O Brazil-Medico, n.30, de 22.7.1916, p.235.

71 Nesta sessão foram discutidos outros assuntos sem que houvesse intervenções de Adolpho Lutz: eritema polimorfo (Eduardo Rabello), ceratose pilar rubra (Eduardo Rabello), granuloma ulceroso venéreo (Fernando Terra) e sífilis vesical (Jorge de Gouvea).

72 O Brazil-Medico, ano XXX, n.36, 2.9.1916, p.286.

73 Além das comunicações que foram objeto de comentários de Lutz, foram discutidos nesta sessão os seguintes assuntos: um caso de psoríase tratado pela emetina (V. de Teive), drenagem filiforme nas adenites supuradas e simbiose fuso-espirilar (Eduardo Rabello).

74 O Brazil-Medico, ano XXX, n.43, 21.10.1916, p.339-40.

75 O Brazil-Medico, ano XXX, n.43, 21.10.1916, p.340.

76 Nesta mesma sessão foram discutidos os seguintes assuntos, sem intervenções de Adolpho Lutz: leproserias (Silva Araújo), novarsenobenzol na sífilis (Fernando Terra), tubercúlide pápulo-necrótica (Sampaio Vianna), a propósito dos sarcóides cutâneos (Eduardo Rabello) e pitiríase versicolor (Silva Araújo Filho).

77 O Brazil-Medico, n.47, p.372, 18.11.1916.

78 O Brazil-Medico, n.47, p.372-4, 18.11.1916.

79 Nesta sessão, além das comunicações comentadas por Adolpho Lutz, foram discutidos os seguinte assuntos: profilaxia da lepra, casos de ulceração da língua e de prurigo de Hebra, e o tratamento do epitelioma cutâneo.

80 O Brazil-Medico, ano XXXI, p.48-9, 1917.

81 Boletim, p.35, 1919.

82 Boletim, p.36-7, 1919.

83 Boletim, p.37-8, 1919.

84 Boletim, p.35-8, 1919.

85 Nesta sessão, assuntos não comentados por Lutz foram anetodermia de Iadassohn (Moura Costa), dois casos de tinha e um de dermatose linear (Moura Costa).

86 O Brazil-Medico, ano 35, v.2, p.206, 15.10.1921.

87 O Brazil-Medico, ano 35, v.2, p.206-7, 15.10.1921.

88 Ainda nesta sessão, A. F. da Costa Júnior apresentou um caso de bouba, não comentado por Adolpho Lutz. Os periódicos consultados deixam de apresentar, doravante, os nomes dos membros presentes à sessão.

89 O Brazil-Medico, ano 35, v.2, p.258, 15.10.1921.

90 O Brazil-Medico, ano 35, v.2, p.258-9, 15.10.1921.

91 O Brazil-Medico, ano 35, v.2, p.259, 15.10.1921.

92 Adolpho Lutz não comentou o apresentação de Arthur Moses sobre a técnica da reação de Wassermann. No volume de 1925, consta a observação de que, "por não terem tido publicidade os resumos das sessões realizadas em 1922, 1923 e 1924, pela Sociedade de Dermatologia, de que os Annaes são o órgão oficial, serão publicados agora os resumos atrasados e simultaneamente os das sessões que se forem realizando". Neste volume, porém, foram publicados apenas os resumos das sessões de 1922. As sessões de 1923 e 1924, apesar da nota, não apareceram nos exemplares por nós consultados.

93 Annaes Brasileiros de Dermatologia e Syphilographia (doravante referenciados nestas notas como Annaes), ano I, n.2, p.63-4, 1925.

94 Nesta sessão, não foram comentadas por Lutz as comunicações concernentes aos seguintes assuntos: um caso de epitelioma terebrante da face (Arminio Fraga), lúpus eritematoso disseminado agudo (Eduardo Rabello) e um caso pró-diagnose (Hildebrando Portugal).

95 Annaes, ano II, n.4, p.48-9, ago. 1926.

96 Annaes, ano II, n.4, p.49-50, ago. 1926.

97 Annaes, ano II, n.3, p.48-9, 1926.

98 Assuntos não comentados por Lutz nesta sessão foram: prurido com eczematização e liquenificação (Ferreira da Rosa), sobre dentes de Hutchinson (Joaquim Motta), eritodermia medicamentosa (Joaquim Motta), micose úlcero-nodular (Fonseca Filho, Arêa Leão e Nogueira Penido), diagnóstico diferencial da blastomicose (Fonseca Filho, Arêa Leão) e micetoma podal (Eduardo Rabello e Fonseca Filho).

99 Annaes, ano III, n.1-4, p.52-3, dez. 1927.

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