Box Hora do Espanto: Série III

Edgar J. Hyde · Capítulo 10 de 17

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Box Hora do Espanto: Série III

Capítulo 10

 

– Acorde, Tommy, acorde – a senhora McDonald sacudiu o filho.

– Não pode ser – ele continuava murmurando para si mesmo.

– Acorde, filho – insistiu a mãe.

Tommy abriu os olhos, mas estava difícil acordar.

– Onde estou? – ele murmurou, totalmente confuso.

– Na sua cama! Onde mais estaria? Levante, depressa! Você vai se atrasar. Vamos, Tommy, você não é assim. Onde anda com a cabeça nos últimos tempos? – perguntou a senhora McDonald.

– Gostaria de saber… – disse Tommy.

– O que disse?

– Nada – ele respondeu, sonolento.

“Será que Sally Anne, a garota que senta do meu lado na escola, é realmente uma bruxa?” – Tommy pensou.

Como ele foi parar na cama na noite passada? Mais diretamente ao ponto, como ele chegou em casa? Teria sido um sonho? Afinal de contas, ele havia sonhado com Sally Anne antes.

Enquanto se vestia, pensando nos estranhos acontecimentos recentes, ele ouviu a mãe gritar para o pai.

– David, essa boina é sua?

– Boina? Não tenho nenhuma boina. Está me chamando de velho ou algo assim?

– Algo assim… – gritou Tommy no andar de baixo.

– Muito engraçado – gritou o pai. – É sua, Tommy?

– Claro que não! – ele escutou a mãe dizer bruscamente para o pai.

Então, a ficha caiu. Claro que a boina era dele! Ele lembrou de tê-la usado quando foi levado misteriosamente de volta no tempo. Mas como poderia ter certeza?

– Na verdade, é minha sim – disse Tommy, pegando a boina de cima da mesa. Ele correu para a porta, ainda dizendo:

– Tenho que ir – e sumiu na rua.

“Meus pais não fizeram nenhuma pergunta a respeito de ontem. Devo ter chegado em casa no horário e sem nenhuma circunstância suspeita. Caso contrário, eles teriam feito perguntas constrangedoras” – Tommy pensou.

Sally Anne faltou no dia seguinte.

“Droga! Precisava esclarecer algumas coisas com ela” – pensou Tommy. Ele esperou até chegar a hora da aula de Artes para observar a pintura de Sally Anne. Queria verificar se a boina que o garoto na carroça usava era igual à que ele encontrou em casa naquela manhã. Assim ele poderia ter certeza se realmente havia alguma conexão entre o quadro e as suas experiências no dia anterior. Onde estaria Sally Anne? Ele realmente queria perguntar a ela o que estava acontecendo. “E que diabos ela quer comigo?” – pensou mais uma vez.

Ele foi o primeiro a chegar à aula de Artes. Conseguiu escapar de George quando a turma ia da sala de matemática em direção à sala de artes. Ele queria olhar a pintura sozinho. Tommy examinou ao redor para ter certeza de que ninguém estava prestando atenção nele, e então abriu sua mochila. Pegou a boina e colocou ao lado da pintura. Mas a pintura agora era diferente! Retratava uma cena completamente diferente daquela do dia anterior.

Tommy não acreditou no que via. “Acho que estou olhando o quadro errado” – ele pensou. Mas não estava. A assinatura era de Sally Anne. “Ela deve ter entrado às escondidas e substituído o original” – Tommy pensou consigo mesmo. Por algum motivo, no fundo ele sabia que aquilo não era verdade. Mas o ajudou a se acalmar no momento. A nova cena mostrava o mesmo garoto e a mesma garota, mas ambos estavam numa carruagem! Uma daquelas da Idade do Bronze. De fato, as pessoas que andavam ao lado da tal carruagem pareciam vikings ou saxões. Não existiam construções de pedra, apenas cabanas de palha.

Tommy se perguntava se ele não deveria procurar a enfermaria da escola para confessar que havia perdido o juízo! Ela devia ter trocado o quadro. Só podia! Era a única explicação. O quadro não poderia ter mudado sozinho, poderia? Tommy não sabia mais no que devia acreditar.

Ele se sentou, mais confuso do que nunca. George sentou-se ao lado dele.

– Eu fiz alguma coisa de errado? – George perguntou.

– Não, por quê?

– Porque acho que você não trocou mais do que duas palavras comigo o dia todo. Qual o problema? Preocupado demais com o futuro de novo? – provocou George.

– Preocupado com o meu passado – retrucou Tommy.

– Do que você está falando agora? – George não entendeu.

– George, dê uma olhada no quadro da Sally Anne depois da aula.

– Por quê?

– Apenas dê uma olhada.

– Tudo bem, tudo bem.