Box Hora do Espanto: Série III
Capítulo 7
No pátio, na hora do almoço, George notou que Tommy caminhava como se estivesse com a cabeça nas nuvens.
– Olá, sonhador! Pare de fingir que algo interessante está acontecendo dentro dessa sua cabeça oca – ele gritou para Tommy.
– Oi, George.
– Tommy, eu estava pensando a respeito do que você disse sobre a pintura da Sally Anne. É meio fantasmagórica, não é? – George arriscou.
Agora Tommy queria ser o único a saber do segredo de Sally Anne. Então, ele mentiu para George dizendo que havia resolvido o mistério da pintora mais rápida da história da escola.
– Bem, falei com Sally Anne ontem à noite.
– Ontem à noite? Quer dizer que se encontrou com ela fora da escola? – perguntou George, surpreso.
– Algum problema? Ela disse que já fez essa mesma pintura muitas vezes e que por isso consegue pintá-la tão rápido – Tommy revelou.
– Então, nenhum mistério? – perguntou George, parecendo pouco convencido.
– Nenhum.
– Bem, talvez você esteja certo, Tommy – George mostrou-se pensativo.
– Agora é você quem parece ter algo interessante dentro da cabeça – Tommy comentou.
– Você prestou atenção naquela pintura, Tommy? – perguntou George em tom de mistério.
– Não muito. Por quê? – perguntou Tommy, intrigado.
– Porque você está nela! – disse George.
George levou Tommy até a sala de artes imediatamente. O professor Mendel estava fazendo anotações numas cadernetas. George bateu à porta.
– Entre – disse o professor Mendel, acrescentando –, se for preciso.
– Olá, professor. Importa-se de olharmos umas pinturas que o senhor colocou na parede esta semana? – George perguntou.
O professor Mendel costumava emoldurar pinturas recentes dos alunos e colocar os quadros na parede da sua sala. Não porque estivesse interessado, ou que admirasse seus talentosos alunos, mas para mostrar para a professora Lewis, diretora do Departamento de Artes, que seus alunos realmente faziam alguma coisa. Sem dúvida, ele acreditava que isso acontecia porque ele era um ótimo professor. A professora Lewis certa vez disse a ele que os alunos conseguiam fazer qualquer coisa independentemente das habilidades de ensino dele. Como não estava interessado no trabalho de seus alunos, ele quase não havia reparado no quadro de Sally Anne quando o colocou na parede no dia anterior.
– Então, você virou crítico de arte? – disse o professor Mendel, desconfiado.
– Não, nada disso, professor. Estou apenas procurando formas de melhorar o meu trabalho – disse George.
– E você precisa do jovem senhor McDonald para ajudá-lo? – perguntou o professor Mendel.
– Não – disse Tommy –, também quero melhorar o meu trabalho.
O professor Mendel olhou intensamente para os dois garotos e se lembrou da professora Lewis dizendo que estava desapontada porque ele não incentivava seus alunos a se interessarem por artes. Tendo isso em mente, ele disse:
– Tudo bem, mas não façam nenhum barulho nem demorem muito.
Tommy observou o quadro. Era de um vilarejo antigo. Parecia uma cena de um livro de Charles Dickens. Havia uma fábrica feia em segundo plano e um garoto e uma garota numa carroça puxada por um cavalo de aparência muito envelhecida. Essa carroça parecia transportar carvão. Era um quadro bastante sombrio, com o céu nublado, cores escuras e pessoas carrancudas.
– Repare no garoto na carroça – disse George.
Era um verdadeiro sósia de Tommy. Mas Tommy olhava para a garota na carroça. Era a cópia de Sally Anne. O garoto e a garota eram as únicas pessoas que sorriam no quadro.
– O lugar parece bem familiar – disse Tommy.
– Ela deve ter uma queda por você – disse George.
– Silêncio! – disse o professor Mendel.
– Vamos comer alguma coisa, George – disse Tommy.