Box Hora do Espanto: Série III
Capítulo 4
O professor Mendel era chamado de “professor Pincel” pelos alunos porque parecia mais apropriado a um professor de Artes. Ele também perdia a paciência com facilidade, então, as crianças às vezes o chamavam de “Pavio Curto”, porque ele se irritava rapidinho. Tinha só 42 anos, mas, para as crianças, qualquer pessoa que tivesse mais de 16 anos de idade já estava velha. Sendo assim, alguém com 42 anos era praticamente um ancião. Então, Mendel Pavio Curto era velho e assustador. Quando George e Tommy chegaram à aula faltando apenas dez minutos para o final, Pavio Curto já estava soltando fumaça em cima deles.
– Eu sou o responsável por vocês durante o horário em que vocês deveriam estar na minha aula! Se alguma coisa acontecesse com vocês, eu estaria em grandes apuros! – ele gritou.
– É justa a sua preocupação conosco, Pavio Curto, quer dizer, professor Mendel… – concordou George.
O professor Mendel ordenou que eles sentassem e não fizessem mais nada nos minutos restantes da aula.
– George… – cochichou Tommy.
– O que foi?
– Olhe o que a Sally Anne está pintando.
Alguns alunos da aula de Artes obviamente pintavam um ramalhete de flores.
– Espero que tenham gostado da aula sobre natureza morta – professor Mendel comentou.
– Ela parece morta mesmo para mim – gritou Ronnie Ryan, provocando muitas risadas.
– Se quiser continuar vivo, fique de boca fechada, Ryan! – rosnou o homem do pavio curto.
– Vou continuar muito vivo sim, professor Mendel. Afinal de contas, você explicou que é responsável pelo meu bem-estar enquanto eu estiver na sua aula – disse Ronnie, com ar de espertalhão.
– Exatamente, enquanto estiver na minha aula. Não mencionei nada que possa ocorrer fora da minha aula, certo? – retrucou o professor Mendel, ameaçador. Ronnie calou-se.
Assim que esse incidente sem importância acabou, George fez o que Tommy havia pedido antes e olhou o que Sally Anne estava pintando. Parecia ótimo. George ficou intrigado. Por que Tommy lhe pediria para olhar aquilo? Nenhum dos dois se importava muito com as artes.
– O que é que tem? – indagou George depois da aula de Artes, quando os alunos corriam para tomar ar fresco no intervalo.
– Como assim? – retrucou Tommy. – Não estranhou nada na pintura?
George pensou a respeito antes de responder.
– Bem, ela pintou um vilarejo, em vez daquelas begônias sem graça. Eu teria usado um tom de cinza mais suave para o céu – ele disse, irônico. Depois acrescentou: – Eu não entendo nada de pintura. O que era estranho?
– Estava terminada, não estava?
– Sim, e daí?
– Aliás, a pintura da Sally Anne era a única pronta da classe.
– Onde quer chegar, Tommy?
– Como ela poderia ter tempo para isso? Afinal de contas, ela não havia saído para nos avisar que o professor Mendel estava nos esperando?
– Sim, mas ela voltou antes de nós, lembra? Ela correu na nossa frente de volta para a aula – argumentou George.
– Mas a escola fica a uns dez minutos de caminhada da banca. E dez minutos de volta.
– O que está querendo dizer, Tommy?
– Ela ainda conversou com a gente, quer dizer, com você, durante quase cinco minutos.
– E ainda conseguiu voltar para a classe e terminar a pintura… – concluiu George.
– Exato, não daria tempo.
– A menos que ela fosse uma artista talentosa – arriscou George.
– Ela teria que ser melhor e mais rápida do que qualquer um. Como nós sabemos, Lucy Stevenson é de longe a melhor, concorda? – perguntou Tommy.
– É…
– Bem, nem ela terminou a tempo.
– Então a Sally Anne é boa em Artes, grande coisa – emendou George, sem qualquer interesse pela conclusão do raciocínio. – Vejo você amanhã.
George se despediu e correu para pegar o ônibus escolar para casa.
Tommy voltou para casa caminhando lentamente. Parecia intrigado, pela expressão estampada em seu rosto. Ouviu passos atrás de si. Quando olhou, viu surpreso que era Sally Anne tentando alcançá-lo.
– Oi, Tommy – ela disse.