Box Hora do Espanto: Série III

Edgar J. Hyde · Capítulo 12 de 17

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Box Hora do Espanto: Série III

Capítulo 12

 

 

– Como foi a escola hoje? – perguntou a mãe de Tommy assim que ele chegou.

– Normal – respondeu ele automaticamente.

– Eu ia perguntar hoje de manhã, Tommy, onde você conseguiu aquela boina? – indagou a mãe.

– Em outra época – respondeu Tommy, saindo da mesa da cozinha para seu quarto.

– Sem graça – comentou a mãe, um pouco curiosa.

Tommy estava deitado na cama, examinando os livros nas prateleiras. Ele tentava se distrair do crescente mistério da bruxa, Sally Anne, se é que ela era mesmo uma bruxa.

Exatamente naquele momento, a imagem de Sally Anne passou em sua cabeça. Ele fechou os olhos e a viu ainda mais claramente. Ela estava pegando um telefone.

“Será que estou sonhando?” – ele se perguntava, tentando escapar daquilo. “Será que estou imaginando coisas?”

A cabeça dele parecia descontrolada. Ele teve a visão de Sally Anne discando números num aparelho de telefone, e tentou ver quais números eram, mas só conseguiu pegar os quatro últimos dígitos: 4, 1, 8, 1.

“Ei!” – ele pensou. “São os quatro últimos dígitos do meu número de telefone!”

Naquele exato momento, a visão desapareceu e Tommy ouviu o telefone tocar no andar de baixo. Ele escutou seu pai atender.

– Alô? – disse o pai. – Sim, vou ver se ele está… Tommy! É para você.

Tommy ficou paralisado. Uau! Talvez existisse alguma verdade nessa coisa de clarividência, afinal de contas. Ele tentava esclarecer aquilo. De qualquer forma, não poderia ser Sally Anne. Ela sequer sabia o número dele.

“Deve ser o George” – ele pensou.

Conforme desceu as escadas, ouviu a mãe perguntar ao pai quem queria falar com o Tommy.

– Ela disse que é uma antiga namorada – o pai retrucou.

– Uma antiga namorada! – exclamou a mãe. – Mas o Tommy nunca teve namorada, pelo menos não que eu saiba.

Tommy viu o telefone em cima da mesinha. Será que devia atender? A mãe estava certa. Ele nunca teve nenhuma namorada. Pelo menos achava que não. Não nesta vida! Ele atendeu.

– Alô?

– Oi, Tommy.

Era Sally Anne!

– Com certeza, Tommy, não nesta vida – ela disse, como se tivesse acabado de ler o pensamento dele.

– Precisamos conversar – ele disse, impaciente.

– Quem é essa garota no telefone, Tommy? – gritou a mãe, levantando-se da cadeira.

– Você está namorando escondido da gente e não conta nada! – gritou o pai, também levantando-se.

– Vamos ter que grampear o telefone – riu a senhora McDonald. – É a única maneira de descobrirmos o que está acontecendo por aqui.

– Tommy – chamou Sally Anne ao telefone, tentando retomar a atenção de Tommy. – Encontre-se comigo na estação de trem em uma hora.

– Como conseguiu o meu número? – ele questionou, mas ela desligou.

A estação de trem!

“Motivos para preocupação…” – pensou Tommy. “Primeiro: ela sabe o meu número. Segundo: está escuro. Terceiro: a última viagem de trem com Sally Anne me deixou doido. Quarto: está chovendo e vou me molhar. Quinto: a mamãe e o papai também estão muito interessados na pessoa que acham que é o amor da minha vida. Sexto: ainda não tenho o amor da minha vida. Sétimo: estou entrando em pânico!”

Enquanto enumerava os motivos de preocupação, ele subiu a escada, trocou de roupa, colocou os jeans e a jaqueta e, ao mesmo tempo, escapou de todas as perguntas que seus pais intrometidos fizeram.

– Tommy, você não está ouvindo. Aonde vai? – perguntou a mãe.

– Tem alguma coisa errada, filho? – perguntou o pai quando Tommy saltou os últimos degraus da escada.

– Acho que tem algo errado, Jean – ele ouviu agora a voz distante do pai dizer para a mãe.

“Belo detetive” – pensou Tommy com ironia. “Oitavo: os meus pais são chatos! Nono: aonde isso vai me levar?! Décimo: que droga eu vim fazer aqui?”

Ele agora estava na estação. Chegou meia hora mais cedo. Estava ensopado, cansado, confuso. Essa meia hora passou lentamente. Demorou, mas passou.

E, décimo primeiro: lá vem Sally Anne!