Empreendedorismo: Dando Asas ao Espírito Empreendedor

Idalberto Chiavenato · Capítulo 10 de 12 · parte 2/3

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Empreendedorismo: Dando Asas ao Espírito Empreendedor

Marketing

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

 

O gerenciam ento fi nanceiro é a área da em presa que cuida dos recursos fi nanceiros. Com o verem os adiante, o gerenciam ento fi nanceiro preocupa-se 1 Baseado em HINGSTON, Peter. Como abrir e administrar seu próprio negócio. São Paulo: Publifolha, 2001. p. 66.

 

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com dois aspectos im portantes: a rentabilidade e a liquidez. Isso signifi ca que gerenciar as fi nanças é tentar fazer com que os recursos fi nanceiros sej am lucrativos e líquidos ao m esm o tem po. Na realidade, esses são os dois obj etivos principais das fi nanças: o m elhor retorno possível do investim ento (rentabilidade ou lucratividade) e a sua rápida conversão em dinheiro (liquidez). Tendo esses dois obj etivos em m ente, o em preendedor pode tocar tranqüilam ente suas fi nanças.

 

A rentabilidade é alcançada à m edida que o negócio da em presa proporciona a m axim ização dos retornos dos investim entos feitos pelos proprietá-

 

rios ou acionistas.

 

Contudo, a rentabilidade m áxim a pode com prom eter a liquidez da em presa, pois os retornos estão subm etidos a diferentes períodos. Daí surge o confl ito entre m áxim a rentabilidade e m áxim a liquidez: não é possível conseguir a m axim ização dos dois obj etivos sim ultaneam ente. A m áxim a rentabilidade sacrifi ca a liquidez e a m áxim a liquidez sacrifi ca a rentabilidade. Quase sem pre a rentabilidade deve ter prioridade sobre a liquidez. Deve-se aplicar boa parte dos fundos disponíveis e m anter inativa outra parte com o proteção ou defesa contra os riscos de não conseguir pagar algum débito. Esses fundos inativos não produzem retorno ao investidor. Assim , não é possível m anter sim ultaneam ente a m axim ização da rentabilidade e da liquidez. Em vez da m axim ização, procura-se a satisfação, ou sej a, um m eio-term o.

Um dos principais desafi os do gerenciam ento fi nanceiro é m anter a rentabilidade e a liquidez da em presa em nível satisfatório, j á que em nível m áxim o não é possível. Para alcançar rentabilidade e liquidez satisfatórias, o em preendedor deve procurar obter recursos fi nanceiros do m ercado e utilizá-los e aplicá-los em seu negócio ou em atividades paralelas.

 

Com o se pode perceber, as três principais atribuições do gerenciam ento fi nanceiro são:

 

■ obter recursos fi nanceiros para que a em presa possa funcionar ou expandir suas atividades; a obtenção ou captação de recursos fi nanceiros pode ser feita no m ercado de capitais, sej a por aum ento de capital, fi nanciam ento sej a por condições de pagam ento aos fornecedores, em -préstim os bancários etc.;

 

■ utilizar recursos fi nanceiros para suprir as operações com uns da em presa, em vários setores e áreas de atividade, com o com pra de Chiavenato_Book.indb 225

 

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m atérias-prim as, aquisição de m áquinas e equipam entos, pagam ento de salários, im postos etc.;

 

■ aplicar recursos fi nanceiros excedentes, com o aplicações no m ercado de capitais ou no m ercado m onetário, aquisição de im óveis ou terrenos etc.

 

Em presa

Entradas

 

Saídas

 

Captação de

 

Utilização de

 

Aplicação de

 

recursos financeiros

 

recursos financeiros

 

recursos financeiros

 

Figura 12.1 Áreas de decisão do gerenciam ento fi nanceiro.

 

A Figura 12.2 a seguir perm ite um a visão sim plifi cada dessas três áreas de decisão fi nanceira, m ostrando as diversas entradas e saídas de recursos fi nanceiros da em presa e sua destinação.

 

Entrada de recursos

 

Saída de recursos para

 

do mercado

 

o mercado

 

• Contas a receber

• Contas a pagar

 

Caixa

 

(fornecedores)

 

• Recursos próprios;

 

integralização e aum ento

 

• Pagam ento de dividendos

 

de capital

 

a acionistas

 

• Em préstim os e

 

• Pagam ento de pessoal

 

financiam entos

 

• Pagam ento de im postos

 

• Recebim ento da venda

 

Bancos

 

de ativos im obilizados

 

• Pagam ento de em préstim os

e financiam entos

 

• Desinvestim ento do

 

m ercado de capitais,

 

• Pagam ento de ativos

 

fundos etc.

 

im obilizados

 

• Aplicações no m ercado

 

de capitais, fundos etc.

 

Figura 12.2 Processo de gerenciam ento fi nanceiro.

 

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O processo de gerenciam ento fi nanceiro resum ido na fi gura anterior é cí-

clico e repetitivo, precisa ser constantem ente m onitorado e avaliado para que a rentabilidade e a liquidez da em presa sej am preservadas. Para tanto, utilizam -se essencialm ente estas ferram entas:

 

Quadro 12.1 As principais ferram entas de gerenciam ento fi nanceiro 1. Controle de caixa: a tesouraria deve saber a todo m om ento o seu saldo bancário 2. Controle de conta corrente: é o extrato elaborado pela tesouraria por m eio do m ovim ento diário de caixa e bancos, com créditos, débitos e respectivas datas 3. Conciliação bancária: com para o extrato da tesouraria com o do banco para verifi car pendências ou erros

 

4.

 

Contas a pagar: é o agendam ento diário feito por segm ento: fornecedores, tributos, despesas adm inistrativas, com erciais e industriais, provisões etc.

 

5.

 

Contas a receber: é o agendam ento da cobrança em carteira com a cobrança bancária

 

6.

 

Fluxo de caixa: é um resum o das contas a receber e a pagar e a proj eção do saldo positivo ou negativo em caixa para efeito de aplicação ou obtenção de crédito 7.

 

Controle dos ativos circulantes: é o acom panham ento do nível dos estoques e das contas a receber

 

8.

 

Arquivo de documentos: os docum entos j á lançados devem ser guardados em um arquivo, separados dos tributos, para envio à contabilidade no fi nal de cada m ês O adequado gerenciam ento fi nanceiro da em presa exige um trabalho perm anente com todas essas ferram entas em conj unto.

 

Qual é o investimento inicial necessário para o seu

 

empreendimento?

 

No cálculo do investim ento inicial, devem entrar todas as despesas necessárias para m ontar e/ou desenvolver sua em presa, além de estoques e provisão de caixa para cobrir os custos do prim eiro m ês de funcionam ento. A planilha a seguir pode aj udá-lo nesse aspecto.

 

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Discriminação:

 

Q uantidade

 

Valor em R$

 

A. Investimento fixo:

 

Ponto com ercial (aquisição ou luvas)

Ponto com ercial (reform a ou decoração)

 

Veículos

 

Equipam entos de segurança

 

Equipam ento A

 

Equipam ento B

 

Equipam ento C

 

Ferram entas e acessórios

 

Móveis e utensílios

 

Linhas telefônicas

 

Fax

 

Com putadores e periféricos

 

Softwares

 

Im pressora de cheques

 

Uniform es profissionais

 

Criação e produção de logom arca

 

Outros m ateriais

Subtotal 1

 

B. Capital de giro

 

Estoque inicial de m ercadorias

 

Mão-de-obra e encargos sociais

 

Custos fixos

 

Reserva financeira para contingências

 

Subtotal 2

 

Total (subtotal 1 + subtotal 2)

 

Figura 12.3 Planilha de investim ento inicial.

 

FONTES DE FINANCIAMENTO

 

O fi nanciam ento é um a operação por m eio da qual a em presa obtém recursos fi nanceiros de terceiros para o capital de giro ou para os ativos circulantes tem porários e perm anentes, bem com o para o investim ento. O fi nanciam ento pode ser classifi cado em dois tipos: a curto prazo e a m édio e longo prazo.

 

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Financiamento a curto prazo

 

O fi nanciam ento a curto prazo (CP) é um a operação por m eio da qual a em presa levanta recursos por um período inferior a um ano, a fi m de proporcionar ativos circulantes, com o caixa, títulos negociáveis, contas a pagar, estoques ou ainda destinados ao fi nanciam ento aos clientes. O fi nanciam ento a CP é obtido com :

 

■ bancos com erciais privados e públicos (com o o Banco do Brasil);

 

■ sociedades de crédito, fi nanciam ento e investim ento (tam bém denom inadas fi nanceiras).

 

O fi nanciam ento a CP consiste em obrigações que devem ser cum pridas dentro de um ano ou m enos. Pode ser efetuado m ediante quatro tipos de operações fi nanceiras: desconto de duplicatas, em préstim o bancário em conta corrente, crédito direto ao consum idor e crédito m ercantil. A seguir, verem os cada um desses tipos de fi nanciam ento a CP.

 

1. Desconto de duplicatas. As duplicatas são títulos exatam ente iguais, em valor e em outras características, às faturas em itidas pela em presa, ou sej a, são as cópias das faturas. Quando vende a prazo, a em presa perm anece em posição de espera até a data de vencim ento da fatura, m om ento em que poderá receber a im portância vendida ao cliente. Se, porém , a em presa tiver necessidade de recursos para o giro de suas operações, ela pode descontar duplicatas em um banco com ercial, recebendo dele um em préstim o de recursos, cuj o prazo vai desde o m om ento em que a em presa recebe o em préstim o bancário até a data do vencim ento da fatura. A em presa faz um a cessão de direitos sobre os valores a receber dos seus clientes e paga antecipadam ente os j uros e o desconto bancário de praxe, recebendo recursos com relativa rapidez para o fi nanciam ento de capital de giro tem porário. O banco com ercial geralm ente exige com o garantia:

■ solidez dos títulos subm etidos ao desconto;

 

■ saldo m édio, ou sej a, a obrigação de a em presa m anter um a propor-

 

ção dos seus saldos em conta corrente;

 

■ reciprocidade em substituição ao saldo m édio, ou sej a, a atribuição ao banco de todas as operações de recolhim ento de tributos ao poder público federal, estadual e m unicipal.

 

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2. Empréstimos bancários em conta corrente. É um serviço denom inado linha de crédito ou adiantam ento em conta corrente. Trata-se de um com prom isso pelo qual o banco com ercial concede à em presa um crédito em um a conta corrente que pode ser m ovim entada à vista. No desconto de duplicatas os recursos são entregues integralm ente, m as, nesse caso, os fundos são obtidos pela em presa gradativam ente, segundo as necessidades e a disponibilidade de saldo em sua conta bancária.

 

A em presa pode efetuar depósitos para reduzir a dívida. Os j uros fi xados não incidem sobre o valor m áxim o colocado à disposição da em presa, m as são calculados sobre o m ovim ento diário dos saldos devedores.

 

O banco com ercial geralm ente exige com o garantia:

■ saldo m édio;

 

■ taxa de j uros;

 

■ entrega em caução de títulos para garantir a devolução do valor do principal na data de vencim ento da operação.

 

3. Crédito direto ao consumidor. É um a operação de fi nanciam ento destinada ao com prador fi nal dos produtos da em presa. O com prador assina um contrato de fi nanciam ento com um a sociedade de crédito, fi -

 

nanciam ento e investim ento (fi nanceira), que paga o valor da com pra à em presa vendedora, com a alienação fi duciária do produto à fi nanceira até o pagam ento da últim a prestação pelo com prador. É um a operação que facilita ao com prador a aquisição de um bem durável (com o um autom óvel ou um eletrodom éstico) e perm ite m aior volum e de vendas para a em presa que produz ou com ercializa.

 

4. Crédito mercantil. Enquanto as três m odalidades de fi nanciam ento a CP

 

m encionadas são efetuadas por interm ediários fi nanceiros (com o os bancos com erciais e as fi nanceiras), o crédito m ercantil é um a fonte espontânea de recursos fi nanceiros proporcionada pelos fatores de produção que a em presa utiliza sem o pagam ento instantâneo. No caso da m ão-de-obra, os salários são pagos quinzenal ou m ensalm ente, alguns dias após o fi nal do m ês. No caso de com pras de m ercadorias ou m atérias-prim as com os fornecedores, a em presa pode obter um prazo de pagam ento, perm itindo-lhe processá-las e transform á-las em produtos acabados que Chiavenato_Book.indb 230

 

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podem ser vendidos, proporcionando recebim entos antes do pagam ento aos fornecedores. O custo do crédito m ercantil pode ser avaliado pelo desconto que o fornecedor efetuaria se a venda fosse à vista.

 

Financiamento de médio e de longo prazo

 

Os fi nanciam entos de m édio (MP) e de longo prazo (LP) destinam -se à obtenção de recursos de terceiros a prazos superiores a seis m eses ou a um ano, respectivam ente. São, em geral, efetuados por m eio de organism os ou program as geridos pelo poder público, com o o Banco do Brasil, o Banco Central, os bancos de desenvolvim ento, a Caixa Econôm ica Federal e as caixas econôm icas estaduais. O Sebrae tam bém oferece linhas de fi nanciam ento para as m icro e pequenas em presas.

 

O fi nanciam ento a MP ou a LP pode ser obtido por m eio de fundos especiais de instituições públicas, por m eio de recursos captados no exterior, de-bêntures e recursos próprios. Vej am os rapidam ente cada um desses tipos de fi nanciam entos a MP ou a LP.

 

1. Fundos especiais de instituições públicas. São fundos especiais que os órgãos governam entais disponibilizam para investim entos públicos ou para em presas privadas. Os organism os que concedem fi nanciam entos a MP ou a LP utilizando fundos especiais são:

 

■ Banco Nacional de Desenvolvim ento Econôm ico e Social (BNDES);

 

■ Banco do Brasil S.A. (BB);

 

■ Bancos estaduais e regionais de desenvolvim ento, com o o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o Banco da Am azônia (Basa);

 

■ Caixa Econôm ica Federal (CEF);

■ Caixas econôm icas estaduais;

 

■ Agência Especial de Financiam ento Industrial (Finam e).

 

2. Recursos captados no exterior. São constituídos pelas operações de em préstim os em m oeda com recursos captados no exterior e aprovados previam ente pelo Banco Central e pelos fi nanciam entos de im porta-

 

ções, isto é, os fi nanciam entos de com pras da em presa por fornecedores estrangeiros.

 

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3. Debêntures. São títulos de dívida em itidos pela em presa para levan-tar grandes volum es de dinheiro a longo prazo de diversos grupos de em prestadores ou de aplicadores. A em issão e a venda de debêntures proporcionam — com o no caso das ações — fl exibilidade na utilização dos recursos, pois perm item a obtenção de fi nanciam ento a longo prazo para suas operações. Os debêntures podem ser nom inativos ou ao portador. São certifi cados que dão ao seu com prador o direito de receber j uros prefi xados no próprio título, correção m onetária variável e valor nom inal na data de resgate (data de vencim ento previam ente estabelecida). Difere da ação preferencial pela fi xação do prazo e do valor de resgate pela em presa. É um a alternativa de fi nanciam ento a longo prazo e a um custo prefi xado.

 

4. Recursos próprios. Os recursos próprios da em presa são o capital social, as reservas e os lucros acum ulados, itens que integram o patrim ô-

nio líquido do balanço. A obtenção de recursos externos para aum entar o capital social se faz com o lançam ento de novas ações ao público ou com a oferta de direitos de subscrição aos acionistas atuais, no caso das sociedades anônim as.

 

Quadro 12.2 Classifi cação de fi nanciam entos

 

Financiamento a curto prazo

 

Financiamento a médio e a longo prazo

 

• Desconto de duplicatas

 

• Fundos especiais de instituições públicas

 

• Em préstim os bancários em contacorrente

 

• Recursos captados no exterior

 

• Crédito direto ao consum idor

 

• Debêntures

 

• Crédito m ercantil

 

• Recursos próprios

 

O fi nanciam ento de curto prazo serve para cobrir insufi ciências de caixa e propicia condições para adm inistrar as contas a pagar e os estoques. Já os fi nanciam entos de m édio e de longo prazo servem para angariar recursos de terceiros, por prazos superiores a seis m eses ou um ano e propiciam condições para aum entar a capacidade de produção e, conseqüentem ente, das vendas da Chiavenato_Book.indb 232

 

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em presa, para atender aos planos de expansão ou de desenvolvim ento tecnológico da em presa.

 

Por essas razões, a obtenção de fi nanciam entos externos é um a das fun-

 

ções cruciais do gerenciam ento fi nanceiro, por exigir cuidadoso estudo do m ercado fi nanceiro e das opções referentes às condições de custo e de pagam ento.

 

Fontes de recurso para começar um novo negócio

 

A m aioria dos novos negócios realiza um a captação de recursos fi nanceiros em m ais de um a fonte. Em geral, os bancos participam com m ais de 50%

 

do capital, m as, no caso de franquias, esse investim ento inicial pode chegar a 70%. A seguir, dem onstrarem os a com posição do investim ento total necessário em porcentagens.

 

Tabela 12.1 Com posição do investim ento total necessário Capital

 

Investimento/ Empréstimo

 

Crédito

Caso

 

próprio

 

garantia

 

bancário

 

automático

 

Se o proj eto é pequeno e não

 

dispõe de capital, o banco pode

 

oferecer crédito autom ático, com as

 

100%

 

garantias necessárias

 

Se o em preendedor tem o capital

 

inicial, o banco pode oferecer o

 

50 a 100%

 

0 a 50%

 

crédito autom ático para com pletá-lo

O investim ento bancário pode ser

 

50 a 100%

 

0 a 50%

 

elevado com a garantia adequada

 

O em preendedor investe m etade

 

do capital necessário e o banco o

 

restante, um a parte com o

 

50 a 100%

 

0 a 50%

 

em préstim o e outra com o

 

crédito autom ático

 

Se for franquia, o banco pode

 

em prestar de 60% a 70% do capital

 

30 a 100%

 

0 a 70%

 

necessário

Um a sociedade anônim a com ações

 

negociadas em bolsa pode atrair

 

50 a 100%

 

0 a 50%

 

investidores externos ou ainda um

 

capitalista de risco

 

Fonte: Baseado em HINGSTON, 2001, op. cit., p. 67.

 

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CAPITAL DE G IRO DA EMPRESA

 

O capital da em presa pode ser classifi cado, quanto à sua utilização, em dois tipos: o capital fi xo e o capital de giro (ou capital circulante). O capital fi xo e o capital de giro com plem entam -se.

 

Capital

fi xo

 

É constituído de ativos im obilizados. Os investim entos em ativos im obilizados são efetuados a longo prazo, são estáveis e sofrem poucas alterações. É o caso de edifícios, fábricas, instalações, m áquinas, equipam entos etc.

 

Capital de giro

 

O capital de giro representa a quantidade de dinheiro que a em presa utiliza para m ovim entar seus negócios. Envolve estoques, dinheiro em caixa e em bancos, fi nanciam entos a clientes por m eio de contas a receber, salários e encargos, aluguel, contas de luz, água, telefone etc.

 

Quadro 12.3 Fatores de aum ento ou dim inuição da necessidade de capital de giro O que aumenta a necessidade

 

O que diminui a necessidade de

 

de capital de giro

 

capital de giro

 

• Vendas com prazos longos de pagam ento

 

• Vendas à vista

 

• Cobrança ineficiente dos clientes em

 

• Cobrança eficiente dos clientes

 

atraso

 

• Reinvestim ento dos lucros

• Com pras à vista

 

• Prazos longos para pagam ento de

 

• Prazos m enores para pagam ento de

 

fornecedores

 

fornecedores

 

• Maior lucratividade do negócio

 

• Investim ento elevado em estoques

 

• Giro m ais rápido dos estoques

 

• Giro lento dos estoques

 

• Venda de ativos desnecessários ao

 

• Com pra de ativos não operacionais

 

negócio

 

• Retiradas excessivas

 

• Aum ento de capital com recursos próprios

 

Fonte: Extraído de: Guia PEGN: com o m ontar seu próprio negócio. Rio de Janeiro: Globo, 2002. p. 64.

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O capital de giro é constituído de ativos circulantes, tam bém cham ados ativos correntes. Os investim entos em ativos circulantes sofrem alterações constantes, quase cotidianas, pois o capital de giro está relacionado principalm ente às vendas, que são realizadas diariam ente e sofrem oscilações freqüentes. Esses investim entos são efetuados no curto prazo por causa do ciclo de operações da em presa. Parte das aplicações de fundos da em presa destinam -se ao seu capital de giro. Existe um a diferença entre capital de giro bruto e o capital de giro líquido.

 

1. Capital de giro bruto (CGB) é constituído dos seguintes itens:

 

■ disponibilidades (disponível em caixas e bancos);

 

■ investim entos tem porários (títulos e valores m obiliários);

 

■ contas a receber;

 

■ estoque (m atérias-prim as, m ateriais em vias e produtos acabados).

 

2. Capital de giro líquido (CGL) é o capital de giro bruto sem os com prom issos a curto prazo com fornecedores, funcionários, fi sco etc.

 

O capital de giro envolve as contas circulantes da em presa, inclusive os ativos e os passivos circulantes. Com o os ativos circulantes representam prati-cam ente a m etade do ativo total e os passivos circulantes, geralm ente um terço do faturam ento — nas em presas industriais, por exem plo —, a adm inistração do capital de giro constitui um dos itens m ais im portantes do gerenciam ento fi nanceiro. Toda em presa precisa m anter um nível razoável de capital de giro, pois os ativos circulantes devem ser sufi cientes para cobrir os passivos circulantes com algum a m argem de segurança.

 

A adm inistração do capital de giro tem por obj etivo adm inistrar cada um dos ativos e dos passivos circulantes da em presa, para garantir um nível aceitá-

 

vel de capital circulante líquido.

 

Os ativos circulantes m ais im portantes são: caixa, títulos negociáveis, duplicatas a receber e estoques. Cada um deles deve ser bem adm inistrado a fi m de garantir a liquidez da em presa e, sim ultaneam ente, evitar um nível m uito elevado para qualquer um deles.

 

Os passivos circulantes m ais im portantes são: duplicatas a pagar, títulos a pagar e despesas provisionadas a pagar — com o provisões de passivos, salários Chiavenato_Book.indb 235

 

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a pagar, j uros a pagar etc., ou sej a, despesas j á incorridas no regim e de com petência, m as ainda não pagas.

 

Esses passivos circulantes devem ser bem dosados para garantir que cada um a das fontes de fi nanciam ento de curto prazo sej a utilizada adequadam ente.

Na realidade, o dia-a-dia do em preendedor é quase totalm ente tom ado pela adm inistração dos ativos correntes. O planej am ento e a operação das entradas e das saídas do caixa constituem talvez a parte m ais representativa da operação fi nanceira da em presa. O capital de giro funciona no curto prazo. O

 

curto prazo é defi nido com o um período igual ao de um exercício social, que na grande m aioria dos casos corresponde a um ano.

 

A gaita do cotidiano

 

Enquanto o em preendim ento não alcançar um ritm o regular de faturam ento e não garantir suas entradas fi nanceiras, o em preendedor terá de bancar sua sobrevivência sem depender apenas do pagam ento dos clientes. A planilha do capital de giro inicial deve entrar na conta do investim ento inicial.

 

Se os recursos disponíveis para capital de giro forem insufi cientes para cobrir as necessidades fi nanceiras, o em preendim ento precisará de um a cobertura adicional de terceiros para suprir seu ciclo operacional, sej a em term os de cré-

 

dito bancário sej a outras opções — com o a utilização de cartões de crédito, lim ites de cheque especial e cheques pré-datados para pagam ento de contas ou em préstim os de am igos e parentes, com o fazem m uitos pequenos em preendedores — ou ainda, pagam ento de fornecedores a prazo e desconto de prom issórias e duplicatas. São opções perigosas que podem levar o em preendim ento a difi culdades fi nanceiras.

 

A necessidade de capital de giro varia conform e o volum e de vendas e os prazos concedidos. O valor aum enta se os prazos de pagam ento aos fornecedores forem m enores do que os prazos dos recebim entos dos clientes e se os estoques forem altos. O valor dim inui se o giro dos estoques for rápido e os prazos de recebim ento dos clientes forem inferiores aos prazos de pagam ento aos fornecedores. Segue um exem plo de um a planilha do capital de giro.

 

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Discriminação

 

Em Reais (R$)

 

Em %

 

A. Disponibilidades

 

Caixa e bancos

 

Contas a receber

 

Cheques pré-datados

 

Ferram entas e acessórios

 

Subtotal 1:

 

B. Necessidades de cobertura

 

Fornecedores

 

Im postos a pagar

Salários e encargos sociais

 

Aluguel

 

Outras contas a pagar

 

Subtotal 2:

 

C. Capital de giro (subtotal 1 + subtotal 2)

 

Figura 12.4 Planilha de capital de giro.

 

FLUXO DE CAIXA

 

Na verdade, os ativos circulantes constituem o capital da em presa que gira até que se transform e em dinheiro, em um ciclo de operações que varia de em presa para em presa conform e a natureza de suas operações. Esse ciclo constitui o tem po necessário para que um a aplicação de dinheiro em insum os circule inteiram ente, desde a com pra de m atérias-prim as e o pagam ento do pessoal até o recebim ento pela venda do produto/serviço ao cliente. Esse ciclo é denom inado ciclo de operações da em presa ou, sim plesm ente, ciclo de caixa.

 

Cada em presa tem o seu ciclo de caixa, que pode variar enorm em ente. A em presa de ciclo de caixa curto e rápido tem um capital de giro capaz de circular m ais vezes durante o ano. Os pequenos negócios caracterizam -se por um ciclo de caixa curto e rápido. A em presa de ciclo de caixa longo e dem orado não tem Chiavenato_Book.indb 237

 

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238 GERENCIANDO OS RECURSOS EMPRESARIAIS

 

condições de fazer circular m ais rapidam ente o seu capital de giro. É o caso de em presas de grande porte, com o construtoras de navios ou de m ontagem de hidrelétricas. A Figura 12.3 a seguir dá um a idéia resum ida do ciclo de caixa.

 

Caixa

 

Caixa

 

Recebim ento

 

Com pra de

 

dos clientes

 

m atérias-prim as

 

Contas

 

Estoque de

 

a receber

 

m atérias-prim as

 

Vendas

 

Produção

 

(a prazo)

Pr

 

Pr odutos

 

odutos

 

acabados

 

acabados

 

Figura 12.3 O ciclo de caixa.

 

Fonte: SANVICENTE, Antonio Zoratto. Administração fi nanceira. São Paulo: Atlas, 1988. p. 121.

 

Para evitar surpresas desagradáveis, o caixa precisa ser devidam ente planej ado, de acordo com o ciclo de caixa da em presa. Em geral, a previsão do fl uxo de caixa é feita em um a planilha de com putador. Parte do boletim diário da tesouraria, que deve indicar o fl uxo diário das entradas e saídas de recursos fi nanceiros.

 

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GERENCIANDO AS FINANÇAS 239

 

Tabela 12.4 Boletim diário da tesouraria

Contas

 

Movimento do dia

 

Acumulado

 

Orçado no mês

 

Saldo inicial:

 

Entradas:

 

Vendas à vista

 

Vendas a prazo

 

Cobrança bancária

 

Financiam entos

 

Receitas financeiras

 

Total de entradas:

 

Saídas:

 

Fornecedores

 

Im postos

 

Despesas com pessoal

Despesas com erciais

 

Despesas de produção

 

Despesas financeiras

 

Despesas tributárias

 

Im obilizações

 

Despesas gerais

 

Total de saídas:

 

Saldo final:

 

O boletim diário da tesouraria passa a ser am pliado para o boletim m ensal da tesouraria, bastando apenas acrescentar os dias úteis do m ês na tabela representada pela Tabela 12.4. Com os dados obtidos no decorrer do m ês, pode-se proj etar o resultado m ensal da em presa, com o na Tabela 12.5 a seguir.

 

Tabela 12.5 Proj eção do resultado m ensal da em presa 1

 

Receita bruta de vendas

 

R$ ........................................

 

2

 

Im postos sobre vendas ( ___ %)

 

R$ ........................................

3

 

Receita líquida de vendas

 

R$ ........................................

 

4

 

Custo direto dos produtos vendidos

 

R$ ........................................

 

5

 

Lucro bruto

 

R$ ........................................

 

6

 

Despesas operacionais

 

R$ ........................................

 

a. Despesas adm inistrativas

 

R$ ........................................

 

b. Despesas de vendas

 

R$ ........................................

7

 

Lucro operacional

 

R$ ........................................

 

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240 GERENCIANDO OS RECURSOS EMPRESARIAIS

 

A previsão e o controle de gastos são feitos pelo fl uxo de caixa. O fl uxo de caixa é o m ovim ento de entradas e saídas de recursos fi nanceiros do caixa, isto é, das origens e das aplicações de caixa. As origens de caixa são os fatores que aum entam o caixa da em presa, enquanto as aplicações de caixa são os itens que o reduzem .

 

A previsão do fl uxo de caixa perm ite conhecer e planej ar as necessidades de caixa de curto prazo, pois proporciona um a visão dos recebim entos e dos pagam entos previstos que ocorrerão durante um certo período. O processo de orçar é im portante para que a em presa saiba o que acontecerá com suas contas no futuro. Quando a previsão do fl uxo de caixa indica algum excesso de caixa (m ais recebim entos que pagam entos), pode-se planej ar aplicações fi nanceiras de curto prazo. Quando, ao contrário, a previsão do fl uxo de caixa indica um defi cit (m ais pagam entos que recebim entos), deve-se planej ar um fi nanciam ento de curto prazo ou um em préstim o bancário para cobri-lo.

 

Assim , a previsão do fl uxo de caixa retrata as estim ativas de entradas e saídas de dinheiro do caixa. Vim os que o ciclo de caixa é o período de tem po que vai desde o ponto em que a em presa faz um desem bolso para adquirir m atérias-prim as até o ponto em que recebe o dinheiro da venda do produto acabado produzido com aquelas m atérias-prim as. A previsão do fl uxo de caixa deve cobrir o ciclo de caixa, porém , geralm ente ela cobre o exercício de um ano e pode ser m ontada para qualquer período e ainda ser subdividida em interva-los m enores, que variam de dias a sem anas. A estrutura básica de um a previsão de fl uxo de caixa pode ser observada na tabela a seguir.

 

Tabela 12.6 Com posição da previsão de fl uxo de caixa Itens

 

JAN. FEV. MAR. ABR. MAIO JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ.

 

Recebim entos

 

(–)

 

Pagam entos

 

(=)

 

Fluxo líquido de caixa

 

(+)

 

Saldo inicial de caixa

 

(=)

 

Saldo final de caixa

 

(–)

 

Saldo m ínim o de caixa

(=)

 

Financiam ento necessário

 

(ou)

 

Saldo de caixa excedente

 

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GERENCIANDO AS FINANÇAS 241

 

O item recebimentos inclui todas as entradas de caixa no período, com o vendas à vista, cobrança de vendas a crédito e outros recebim entos.

 

A inform ação fundam ental para qualquer previsão de fl uxo de caixa é a estim ativa de vendas que a em presa pretende realizar. Tendo por base essa estim ativa, pode-se calcular as entradas e as receitas da em presa e os gastos relacionados com produção, estoques e distribuição, isto é, o fl uxo das entradas e saídas de dinheiro. Tam bém é possível determ inar o nível de im obilizado necessário e o fi nanciam ento a ser captado para assegurar a previsão de produção e vendas.

 

A prim eira tarefa na elaboração da previsão de fl uxo de caixa é a proj eção dos recebim entos. A previsão de vendas é um item inicial m eram ente inform ativo e serve com o subsídio para dim ensionar as receitas operacionais da em presa em decorrência das vendas esperadas dos produtos/serviços produzidos. As vendas à vista devem ser colocadas m ês a m ês no orçam ento de caixa. Suponham os que tradicionalm ente as vendas sej am realizadas nas seguintes proporções: 20% das vendas são à vista, 50% com faturam ento para 30 dias e 30% com faturam ento para 60 dias. Deve-se, então, proj etar com essas expectativas. Se a previsão de vendas, em term os m onetários, for R$ 100 m il em setem bro, R$ 200

 

m il em outubro e R$ 300 m il em novem bro, então, a proj eção dos recebim entos para o orçam ento de caixa será com o a dem onstração da Tabela 12.7 a seguir.

 

Tabela 12.7 Program ação dos recebim entos da previsão de fl uxo de caixa Itens

 

SET. OUT. NOV. DEZ.

 

Recebim entos:

 

Vendas à vista (20%)

 

20.000

 

40.000

 

60.000

 

Cobranças após 30 dias (50%)

 

50.000

 

100.000

 

150.000

Cobranças após 60 dias (30%)

 

30.000

 

60.000

 

90.000

 

Outros recebim entos (0%)

 

Total de recebim entos:

 

100.000

 

200.000

 

300.000

 

Proj etados os recebim entos, a segunda tarefa na elaboração da previsão do fl uxo de caixa é proj etar os pagam entos. Os pagam entos incluem todos os desem bolsos de caixa no decorrer do período considerado. Os pagam entos m ais com uns são, entre outros:

 

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242 GERENCIANDO OS RECURSOS EMPRESARIAIS

■ com pras à vista;

 

■ pagam ento de duplicatas;

 

■ pagam ento de dividendos a acionistas;

 

■ aluguéis;

 

■ salários do pessoal;

 

■ recolhim ento de im postos;

 

■ aquisição de equipam entos;

 

■ pagam ento de j uros.

 

Todos os pagam entos deverão ser incluídos no período considerado.

 

Para facilitar a apresentação do assunto, ignorarem os os dem ais itens de pagam entos e nos concentrarem os nas com pras. Suponham os que as com pras representem tradicionalm ente 50% das vendas da em presa, sendo 10% delas pagas à vista, 50% com faturam ento para 30 dias e os 40% restantes com faturam ento para 60 dias. Deixando de lado, provisoriam ente, os dem ais itens de pagam entos, pode-se program ar os pagam entos de com pras no orçam ento de caixa da m aneira que observam os na Tabela 12.8 a seguir.

 

Tabela 12.8 Program ação dos pagam entos para o orçam ento de caixa Itens

 

SET. OUT. NOV. DEZ.

 

Pagam entos:

 

Vendas à vista (20%)

10.000

 

20.000

 

30.000

 

Cobranças após 30 dias (50%)

 

25.000

 

50.000

 

75.000

 

Cobranças após 60 dias (30%)

 

15.000

 

30.000

 

45.000

 

Outros recebim entos (0%)

 

Total de pagam entos:

 

50.000

 

100.000

 

150.000

Proj etados os recebim entos e os pagam entos, a terceira tarefa na elabora-

 

ção da previsão de fl uxo de caixa é calcular o fl uxo líquido de caixa, subtrain-do-se os pagam entos dos recebim entos em cada m ês. A seguir, som a-se o saldo inicial de caixa de cada m ês ao fl uxo líquido de caixa para se chegar ao saldo fi nal de caixa de cada m ês. Finalm ente, subtrai-se do saldo fi nal de caixa o saldo m ínim o de caixa, para saber se há excesso (saldo positivo) ou insufi ciência de caixa (saldo negativo).

 

Se o saldo fi nal de caixa for m enor que o saldo m ínim o de caixa, há necessidade de um fi nanciam ento. Se o saldo fi nal de caixa for superior ao saldo Chiavenato_Book.indb 242

 

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GERENCIANDO AS FINANÇAS 243

 

m ínim o de caixa, existe um saldo de caixa excedente, que deve ser aplicado no m ercado fi nanceiro.

 

O obj etivo fundam ental da previsão do fl uxo de caixa é operar de m odo a requerer sem pre um m ínim o de dinheiro em caixa, isto é, um pequeno saldo positivo, bem com o evitar a necessidade de fi nanciam ento externo para cobrir eventuais defi cits. Cada um dos itens da previsão do fl uxo de caixa pode ser desdobrado e detalhado de acordo com as necessidades de cada em presa.

 

Ao longo das operações da em presa, à m edida que a previsão de fl uxo de caixa vai ocorrendo, ele passa a ser real. Deve-se com parar o previsto com o realizado para verifi car possíveis distorções e aprender com os erros para evitá-

los no futuro. Nos períodos seguintes é interessante com parar o estim ado e o real para que as futuras previsões de fl uxo de caixa sej am m ais realistas.

 

Tabela 12.9 Exem plo de um fl uxo de caixa (em R$) Itens

 

jan. fev. mar. abr. maio jun. jul. ago. set. out. nov. dez. Total Entradas

 

1 Vendas

 

5.000

 

5.000 5.000 6.000

 

6.000 6.000

 

6.000

 

6.000 7.000 8.000 10.000 75.000

 

2 Em préstim os bancários

 

4.000

 

4.000

 

3 Capital dos sócios

 

10.000

 

10.000

 

4 Outras entradas

Total de entradas

 

14.500

 

5.000

 

5.000 5.000 6.000

 

6.000 6.000

 

6.000 45.000 7.000 8.000 10.000 89.000

 

Saídas

 

5 Aluguel

 

200

 

200

 

200

 

200

 

200

 

200

 

200

 

200

200

 

200

 

200

 

200

 

2.400

 

6 Retiradas dos sócios

 

1.000

 

1.000

 

1.000 1.000 1.000

 

1.000 1.000

 

1.000 1.000

 

1.000 1.000

 

2.000 13.000

 

Honorários

 

Despesas com veículos

 

30

30

 

30

 

30

 

30

 

30

 

30

 

30

 

30

 

30

 

30

 

50

 

380

 

Com bustível

 

30

 

30

 

30

30

 

30

 

30

 

30

 

30

 

30

 

30

 

30

 

50

 

380

 

Propaganda e prom oção

 

50

 

50

 

50

 

50

 

50

50

 

50

 

50

 

50

 

50

 

50

 

100

 

650

 

Seguro

 

300

 

300

 

Custos com erciais

 

200

 

200

 

200

 

200

200

 

1.000

 

Lim peza

 

Luz/Água/Gás

 

50

 

50

 

50

 

50

 

50

 

50

 

300

 

Juros bancários

 

100

 

100

 

100

 

100

100

 

600

 

Custos financeiros

 

Correio

 

Manutenção e reparos

 

Outras despesas

 

50

 

50

 

50

 

50

 

50

 

50

 

50

 

50

 

50

 

50

50

 

50

 

600

 

Salários dos funcionários

 

1.000

 

1.000

 

1.000 1.000 1.000

 

1.000 1.000

 

1.000 1.000

 

1.000 1.000

 

2.000 13.000

 

Encargos sociais e trabalhistas

 

280

 

280

 

280

 

280

280

 

280

 

280

 

280

 

280

 

280

 

280

 

280

 

3.360

 

Material de escritório

 

Estoque e m atérias-prim as

 

2.000

 

2.000

 

2.000 2.000 3.000

 

3.000 3.000

 

4.000 5.000

5.000 6.000

 

9.000 46.000

 

Telefone/Fax/Internet

 

80

 

80

 

80

 

80

 

80

 

80

 

80

 

80

 

100

 

100

 

100

 

100

 

1.040

Despesas de viagens

 

Im postos e taxas

 

100

 

100

 

100

 

100

 

100

 

100

 

100

 

100

 

100

 

100

 

100

 

100

 

1200

 

Gastos de capital

Total de saídas

 

5.170

 

4.820

 

5.170 4.820 6.160

 

5.820 6.170

 

6.820 8.190

 

7.840 8.190 13.930 67.000

 

Fluxo de caixa líquido

 

8.830

 

180

 

-170

 

180

 

-170

 

180

 

-170

 

-820 -2.190

-840

 

-190 -3.930

 

Balanço inicial

 

8.830

 

9.010 8.840 9.020

 

8.850 9.030

 

8.860 8.040

 

5.850 5.010

 

4.820

 

Balanço final

 

8.830

 

9.010

 

8.840 9.020 8.850

 

9.030 8.860

 

8.040 5.850

5.010 4.820

 

890

 

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244 GERENCIANDO OS RECURSOS EMPRESARIAIS

 

Nesse sentido, a adm inistração do caixa requer alguns cuidados básicos, a saber:

 

■ adiam ento dos pagam entos de duplicatas, sem prej udicar o conceito de crédito da em presa;

 

■ aproveitam ento de quaisquer descontos fi nanceiros nos pagam entos;

 

■ giro dos estoques com a m aior rapidez possível, evitando as faltas de estoques, que podem interrom per a linha de produção ou provocar perdas de vendas;

 

■ recebim ento das duplicatas no m enor tem po possível, sem perder vendas por cobrar rigidam ente; esse obj etivo pode ser alcançado por m eio de descontos fi nanceiros adequados para incentivar o pagam ento antecipado.

 

A Figura 12.4 a seguir perm ite a visualização do fl uxo de caixa com suas entradas e saídas.

Estoques

 

Ativo fixo

 

Contas a

 

receber

 

Caixa

 

• Dívidas

 

Contas a pagar

 

•

 

T

 

• ributos

 

Credores

 

Jur

 

•

 

os

 

Acionistas

 

•

Acionistas

 

Figura 12.4 O

 

fl uxo de caixa.

 

O fl uxo de caixa constitui o term ôm etro do dia-a-dia da em presa, ou sej a, m ostra o com portam ento da em presa quanto aos recebim entos e aos pagam entos de suas operações cotidianas.

 

Chiavenato_Book.indb 244

 

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GERENCIANDO AS FINANÇAS 245

 

Dicas para montar a previsão do fl uxo de caixa

 

Nada com o um m odelo j á pronto para adaptar, aj ustar e com eçar. Observe os itens a seguir.

 

1. Com ece fazendo o boletim diário da tesouraria para saber a estim ativa de entradas (vendas) e de saídas (despesas) de dinheiro no caixa. Essa operação indica o total do capital necessário para o início das atividades.

 

É conveniente criar um a planilha no com putador com linhas para os itens m ais relevantes da em presa.

 

2. Crie as colunas para os m eses, com eçando pelo prim eiro m ês de atividade do negócio, e adicione um a coluna fi nal para o total do ano.

 

3. Faça o registro das estim ativas de receitas. Estim e as vendas e todas as entradas de dinheiro. Calcule o total das receitas.

 

4. Faça o registro das estim ativas de despesas. Estim e todas as saídas de dinheiro do caixa. Calcule o total das despesas.

 

5. Faça o balanço fi nal entre o total das receitas e o total das despesas.

 

6. Considere tam bém suas retiradas de dinheiro para cobrir suas despesas pessoais.

 

7. Verifi que os saldos m ensais positivos (em quais itens sobra dinheiro para aplicar) e negativos (em quais itens falta dinheiro) para estim ar eventuais em préstim os ou fi nanciam entos para cobrir o fl uxo de caixa.

 

8. Inclua o pagam ento de em préstim os ou fi nanciam entos no registro das despesas (saídas) no fl uxo de caixa.

 

9. Não se esqueça de incluir tam bém o dinheiro para com pra de estoque ou m atérias-prim as (quase sem pre bancadas com o crédito autom ático e com a aquisição de equipam entos).

 

ATIVOS

 

CIRCULANTES

 

Os principais ativos circulantes são as contas a receber e os estoques, que constituem cerca de 80% de todos os ativos circulantes da m aioria das em presas industriais de porte m édio. Daí a extrem a im portância da adm inistração dos ativos circulantes da em presa, que será analisada separadam ente da adm inistração das contas a receber e da adm inistração fi nanceira dos estoques.

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246 GERENCIANDO OS RECURSOS EMPRESARIAIS

 

Contas a receber

 

Gerenciam ento

 

dos ativos circulantes

 

Estoques

 

Figura 12.5 O gerenciam ento dos ativos circulantes.

 

Qual é o risco do negócio?

 

Quando o negócio apresenta um padrão de receita volátil ou pouco regular, a previsão de entrada de dinheiro em caixa torna-se precária. Isso traz duas conseqüências perigosas:

 

■ a em presa pode não ter condições de cum prir suas obrigações de pagam ento nos prazos devidos (a possibilidade de insolvência torna-se m aior);

 

■ a irregularidade no fl uxo de caixa provoca instabilidade do volum e de lucros (essa irregularidade pode baixar o valor da em presa).

 

A avaliação do risco do negócio depende diretam ente da previsão de receita e de outras variáveis que podem infl uenciar o fl uxo de caixa. Existem custos operacionais fi xos — com o depreciação, despesas operacionais e salários do pessoal — que são inerentes ao funcionam ento de certas em presas. Se um a em presa tem custos operacionais fi xos elevados, a possibilidade de insolvência aum enta, pois os custos fi xos não se reduzem no caso de um a eventual redução ou queda da produção. Isso aum enta a fl utuação dos lucros. Por outro lado, Chiavenato_Book.indb 246

 

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GERENCIANDO AS FINANÇAS 247

 

itens com o depreciação — que não correspondem à saída de caixa — podem infl uenciar a fl utuação dos lucros, m as não aum entam a possibilidade de que a em presa fi que sem dinheiro em caixa.

 

Contas a receber

 

As contas a receber — e principalm ente as duplicatas a receber — representam a concessão de créditos em conta corrente aos clientes. Na realidade, as contas a receber existem para conservar os atuais clientes e atrair novos e são necessárias em quase todas as atividades com erciais no m undo m oderno.

 

A adm inistração das contas a receber deve ser feita de m odo a m inim izar o investim ento e, ao m esm o tem po, m anter um nível adequado de serviço aos clientes. Existem três aspectos im portantes da adm inistração de contas a receber: as políticas de crédito, as condições de crédito e as políticas de cobrança.

Continuar: parte 3 de 3