Equidade e saúde: contribuições da epidemiologia
Apresentação
Em abril de 1995, a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO) - através de sua Comissão de Epidemiologia, juntamente com a Sociedade Ibero-Americana de Epidemiologia (SlAE) e a Associação Latino-Americana de Medicina Social (ALAMES) - realizou os III Congresso Brasileiro, II Congresso Ibero-Americano e I Congresso Latino-Americano de Epidemiologia, reunidos em torno do mesmo lema: A Epidemiologia na busca da eqüidade em Saúde. O Departamento de Medicina Preventiva e Social - atual Instituto de Saúde Coletiva - da Universidade Federal da Bahia contribuiu de maneira decisiva para a organização dos eventos ocorridos em Salvador.
A presente coletânea, estruturada a partir de textos apresentados naqueles Congressos, significa uma amostra do que tem sido a produção em Epidemiologia acerca das desigualdades em geral.
Por afinidades temáticas, optamos por dividi-la em cinco partes:
a primeira reúne textos de Jaime Breilh. Saúl Franco Agudelo e Moisés Goldbaum que tratam da questão da eqüidade e de sua abordagem pela Epidemiologia. A questão é enfocada tanto do ponto de vista do desenvolvimento científico quanto em seus aspectos políticos;
a segunda - com trabalhos de Asa Cristina Laurell, Richard Wilkinson e Neil Pearce - aborda aspectos predominantemente econômicos das desigualdades em saúde, situando o momento atual de globalização e seus impactos para a saúde, inclusive para a própria produção de conhecimentos; a terceira - formada por artigos de Pedro Luis Castellanos, Marilisa Berti de Azevedo Barros e Marco Akerman - discute os diferenciais de mortalidade na perspectiva da iniqüidade social. Ou seja, traz contribuições e reflexões que tomam por base
estudos empíricos no âmbito de cidades ou países do
continente americano;
a quarta apresenta dois textos relativos à transição demográfica
e epidemiológica, um deles de autoria de Mário F. Giani
Monteiro e o outro de Alberto Torres, Joaquim Pereira e Juan
Fernández;
e, finalmente, a quinta discute as heterogeneidades de raça e
gênero e suas implicações para a saúde, através das análises
de Esteia M. G. de Pinto da-Cunha, Elza Berquó e Antonio
Alberto Lopes.
Optamos pela tradução dos textos cujos originais encontravam-se em inglês ou espanhol, considerando que desta forma um espectro maior de profissionais e pesquisadores da área de Saúde Coletiva no País poderiam usufruir dessas contribuições.
Há que ressaltar que não compartilhamos, necessariamente, das visões aqui apresentadas, porém, mantendo o espírito de abertura científica que tem caracterizado a atuação da Comissão de Epidemiologia da ABRASCO, consideramos que cabe ao julgamento interpares decidir sobre a adequação ou não de correntes explicativas.
Esperamos que este primeiro volume - assim como os que se seguirão - da Série EpidemioLógica inaugure uma nova perspectiva no pensar a Epidemiologia e suas lógicas, nos anseios de efetivamente colaborar no redesenho dos atuais cenários de saúde de nossos povos.
Os Organizadores