Gilberto Bem Perto
Capitulo 9: Cabeça aberta e coração a mil “No futuro você vai tocar Meu samba duro sem querer”
“Primeiro é o tempo obrigatório dedicado ao trabalho. Você tem que sair da casa, ir para algum lugar onde
vai fazer uma apresentação, ou vai a um encontro, dar uma palestra, ou seja, vai cumprir uma tarefa ligada
ao trabalho. Eu tenho que trabalhar, muito do meu tempo ainda é dedicado ao trabalho. Cada vez
considero mais trabalho o tempo dedicado a ouvir meu violão, e isso tem que se tornar uma exigência na
questão das priorizações, das disputas com os outros tempos que sou obrigado a me dar. Depois, tem a
criação, que é um segundo movimento. O terceiro elemento é o descanso, é a recomposição. Aos setenta
anos de idade há a necessidade de descansar, de dormir, de esvaziar a fonte emissora de energia, deixar
espaços abertos vazios para a recomposição. Tento heroicamente me organizar para ter esse tempo,
porque na juventude uma noite perdida não importa. Se sou jovem posso passar a noite e emendar com o
dia seguinte sem muito problema. Hoje em dia não é possível. Os impactos são imediatos. Se eu não durmo
aquelas quatro horas a mais que eu precisava e concedo essas horas para uma outra coisa, uma farra ou
mesmo para ler ou para tocar, não dá certo. Eu tenho o cuidado de refrear todo esse ímpeto que é
extremamente prazeroso e sedutor, que é estar ali e ficar tocando. Tem uma hora que eu digo não. O
terceiro tripé é a restauração de todas as energias tomadas pelo trabalho e pela criação, devidas a essa
fonte inicial que tem que estar mantida. São esses três movimentos o tempo todo: o trabalho, a criação e o
descanso.”
CABEÇA ABERTA E
CORAÇÃO A MIL
“No futuro você vai tocar
Meu samba duro sem querer”
“Máquina de ritmo”
O mar e o horizonte, o sertão e o fim do mundo foram as primeiras distâncias que Beto,
despertando para o mundo, acreditou que precisava vencer. “Umbigo atado ao torrão natal e
alma vagabunda de navegador” — como ele próprio, já adulto, mencionou em discurso
voltado para os grandes nomes da tecnologia moderna — era a vocação do menino de
Salvador e o acompanha por todos os lugares. “Para falar na linguagem internacional da
música sobre um certo povo, que habita em algum lugar, e sobre esse lugar comum, onde todos
somos iguais em nossas imensas diferenças.”
As distâncias foram encurtando para o artista que misturou banda larga com cordel,
parabólica com camará e sintomaticamente botou na capa do seu disco Parabolicamará uma
antena parabólica presa num cesto de vime. Gil brinca entre as raízes e o extraordinário
mundo da modernidade tecnológica. Um pé lá, outro cá.
Quem não vem no cordel da banda larga,
Vai viver sem saber que mundo é o seu
(...)
Diabo de menino agora quer
Um iPod e um computador novinho
Certo é que o sertão quer virar mar
Certo é que o sertão quer navegar
No micro do menino internetinho
(“BANDA LARGA CORDEL”)
Com essa compreensão da natureza de Gil — de penetrar de peito aberto no mais
avançado mundo das invenções de ponta, trazendo sempre com ele a tradição e a raiz — é
fácil entender que o CD Fé na festa, inteiramente dedicado aos ritmos nordestinos como o
baião, o xote e o maxixe, lançado durante as festas juninas de 2010, tenha vindo pouco depois
de Banda larga cordel.
“Em mais um tributo, desta vez não a um artista como fez com Bob Marley e Luiz
Gonzaga, mas a um gênero musical que há muito deixou de ser regional, Gilberto Gil se impõe
pela sua personalidade e por seu talento”, escreveu o jornalista João Pimentel, em junho 2010,
no jornal O Globo. “As experiências mais interessantes de atualização do forró estão em
discos conceituais, como este Fé na festa”, afirmou outro jornalista, Rosualdo Rodrigues, na
sua crítica “Forró para todo o ano”. “Gilberto Gil não é forrozeiro, mas para ele a música
difundida por Luiz Gonzaga é, além de influência, uma referência afetiva.”
Afetividade e sensibilidade são marcas de toda a vida e a carreira de Gil, que se diz um
romântico incorrigível. Sua relação com o mundo passa sempre, em qualquer circunstância,
pela emoção. Não reprime o sentimento e se deixa emocionar sempre que o coração manda um
sinal. Os olhos enchem d’água e as lágrimas rolam sem cerimônia. Chorou quando escutou a
mãe cantar, quando se lembrou da canção que fez para o pai, quando pensou no filho que se
foi, quando falou da sua criação ou relembrou as histórias de sua vida.
Sabe, gente
É tanta coisa que eu fico sem jeito
Sou eu sozinho e esse nó no peito
Já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder
(“PRECISO APRENDER A SÓ SER”)
No final de 2012, Gil foi assistir a uma apresentação dos Flautistas da Pró-Arte, no Teatro Tom Jobim, em que ele era o homenageado. Emocionou-se profundamente ao ver aqueles
meninos interpretando suas músicas e a alegria contagiante do espetáculo. Na casa dos setenta
anos, pode olhar para sua música e se reconhecer plenamente romântico.
“Fiquei vendo lá os meninos tocando minhas músicas e tal, e eu ficava dizendo: ‘Meu Deus, olha que coisa
romântica, como eu me entreguei a essa coisa romanesca mesmo’. As canções, aqueles borbotões de
melodias e acordes todos. Aí eu fico vendo essa coisa de modernista que me é atribuída, mas não é nada
disso, eu não sou nada disso, sou romântico mesmo, sou artista do romantismo, com arremedo de coisas
dessa racionalidade modernista, mas romântico, romântico, romântico. Meus amores e minhas amizades
foram marcados por isso, nada pode estar distante da fantasia, tudo tem que estar fantasiado, tem que ser
Carnaval.”
Gil fala com naturalidade que nunca foi moderno.
“Cada vez mais eu vejo que vim para o mundo no momento em que a música, as artes em geral, as formas
de expressão, todas estavam passando pelo crivo dessa transição entre o romantismo e a modernidade, e
sendo jogadas nessa fragmentação louca da pós-modernidade, em que esses conjuntos de noções não se
sustentam mais, estão sujeitos à fragmentação de um pedacinho de uma coisa, de outra. Nesse sentido me
reconheço muito mais pós-moderno do que moderno. Quando se fala da modernidade eu não vejo o
romantismo, mas quando se fala da pós-modernidade, onde o que existe é o garimpar despudorado da
fragmentação, a possibilidade de pedacinho de uma coisa, pedacinho de outra, aí me reconheço. Mas é
como se eu tivesse saltado do romantismo para a pós-modernidade, sem propriamente passar pela
modernidade. Não foi preciso, não tive muito essa preocupação, sabia que ia chegar um tempo de outra
coisa em que se podia ter pedacinhos de tudo, fragmentos, colchas de retalho, patchworks diferentes. Por
isso talvez que eu tenha esse entusiasmo tão grande com a pós-modernidade, com essa história da
fragmentação contemporânea. É porque eu já era isso, já estava disponível para isso.”
Os anos trouxeram muito reconhecimento. Quincy Jones, célebre produtor, compositor e
arranjador americano, ao ser perguntado que música gostaria de ouvir numa ilha deserta,
respondeu: “Citar Miles Davis ou os reis do blues seria muito óbvio. Eu levaria a música de
Gilberto Gil”. Esse pequeno trecho foi publicado pela famosa revista americana Billboard,
em 2013.
Ao fazer setenta anos, Gil ganhou homenagens em todo o Brasil e fora dele, além de uma
exposição: Gil70. Lançou também um disco-síntese do seu trabalho, Concerto de cordas &
máquinas de ritmo, que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 28 de maio de
2012, acompanhado da Orquestra Sinfônica Brasileira, com produção e orquestração de
Jaques Morelenbaum.
Para a exposição Gil70, Gil colaborou musicalmente com uma das instalações interativas
e não interferiu na curadoria. Mas manteve a tradição de jogar o I Ching, para associar o
projeto a um dos 64 hexagramas do milenar oráculo chinês. Obteve o de número 29 — k’an/o
abismal: “A água flui ininterruptamente e chega à sua meta: a imagem do abismal repetido. Assim o homem superior caminha em constante virtude e exerce o magistério”.
Para o disco, Gil escolheu na sua obra canções de todas as épocas da carreira para
revesti-las e recriá-las com os sons do consistente diálogo entre cordas e percussão: “Eu vim
da Bahia” (1965), “Domingo no parque” (que lançou no festival da Record, em 1967),
“Futurível” (que fez na prisão, em 1969), “Quanta” (do disco de 1997, da época em que se
encantou com a física quântica), “Refazenda” (lançada em 1975), “Máquina de ritmo” (2002),
“Não tenho medo da morte” (2008) e a inédita “Eu descobri” (2012). O disco foi gravado ao
vivo e tem coprodução musical de Bem Gil.
Na Argentina, um dos lugares em que Gil esteve com o show, Fernando López escreveu
um artigo para o La Nación que dizia:
“Os anos podem ter causado algum dano a sua garganta, que ele segue usando com a perícia e o
atrevimento de sempre, mas nada pôde se contrapor ao vigor do seu espírito. Gilberto Gil segue inquieto,
curioso e disposto a encarar cada vez mais novos desafios, com os quais, sem fazer alarde, demonstra que
sua criatividade e sua sede de renovação são, pelo visto, inesgotáveis”.
Assim como na vida prefere todas as cores e todos os sabores, na música isso também
acontece. “Há várias maneiras de se cantar e fazer música brasileira: Gilberto Gil prefere
todas”, disse Torquato Neto na contracapa do disco Louvação, de 1967.
Depois de quase quinhentas músicas Gil já perdeu a conta. O saldo é extraordinário. A
volúpia de compor era imensa no início da carreira. Gil tinha a urgência da juventude e a
vontade premente de desvendar o solo fértil da sua própria criatividade. Naquela época, e
durante um bom tempo, fazia uma canção por dia.
“Todo olhar sobre o mundo, toda a leitura, toda decifração sobre qualquer enigma existencial tinha que se
transformar numa música. A canção acabou sendo meu texto, meu discurso, minha forma de depoimento,
meu instrumento de diálogo com o mundo para dizer: ‘Olha, passou uma coisa aqui agora, eu vi, você
viu?!’ Era uma volúpia enorme o tempo todo. Eu via uma coisa, uma cena qualquer na rua, aquilo
despertava um frêmito qualquer que me obrigava a chegar em casa e cantar aquilo.”
Com Steve Wonder.
Federico Fellini.
Com Flora, Fellini, Nelson Motta, Sonia Braga e outros.
Com Flora e Spike Lee.
Com Jimmy Cliff.
Com Georges Moustaki.
Com Bono Vox.
Com o tempo e a maturidade, as composições foram rareando, a volúpia serenou. Hoje as
composições chegam mais espaçadas, num ritmo diferente, sem afobação. Existem as músicas
preferidas, claro, mas a partir de várias maneiras de considerar o valor e a importância delas.
“Tem aquelas que são muito íntimas, emanações de necessidades existenciais, profundas, eu
diante de mim mesmo, o espanto da existência, as grandes interrogações. Tem as canções de
amor, sempre.”
Para Gil, compor é a expressão máxima de seu olhar sobre o mundo.
“Sou eu vendo o mundo e é o reflexo do mundo em mim. Essa necessidade de refletir, de ser superfície
polida, o mais polida possível, para que o mundo se reflita em mim da forma mais nítida. Algumas canções
têm, de certa forma, valor muito grande porque falam de mim mesmo, são confessionais. São muitas,
como ‘Aqui e agora’. Elas incluem meditação religiosa, filosófica, existencial, ético-moral. Outra canção que
também é assim é ‘Retiros espirituais’. ‘Se eu quiser falar com Deus’ tem um tombo já mais para a religião, a
noção de Deus, da divindade, mas implicando também toda uma questão filosofal.”
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar
(“SE EU QUISER FALAR COM DEUS”)
“É Deus no sentido de mistério. Esse grande buraco, esse grande vazio aberto na nossa frente, para cima,
para baixo, para todos os lados. Sempre pensei nessas questões, sempre me voltei para essas buscas.
Porque viver é a tentativa permanente de preenchimento desse vazio. A tentativa de explicar a existência.
Sou eu e o mistério.”
Curriculum Vitae
Gilberto Passos Gil Moreira
Nascido em 26/6/1942, Salvador, Bahia.
Casado
Formação acadêmica
1961-1964 Bacharel em administração de empresas,
Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil
Idiomas
Português — língua materna
Inglês — fala, lê e escreve
Francês — fala, lê e escreve
Espanhol — fala, lê e escreve
Cargos Exercidos
1961-1964 Gessy Lever, São Paulo, Brasil
Trainee
1979 Conselho de Cultura do Estado da Bahia, Salvador, Brasil
Integrante da Câmara de Música
1987-1988 Fundação Gregório de Matos, Salvador, Brasil
Presidente
1989-1992 Câmara Municipal de Salvador, Brasil
Vereador
1989 Comissão de Defesa do Meio Ambiente, Salvador, Brasil
Presidente
Fundação Mata Virgem, Salvador, Brasil
Conselho consultivo
Fundação Alerta Brasil Pantanal, São Paulo, Brasil
Conselho consultivo
1989 Centro de Referência Negro-Mestiça, Brasil
Presidente
Partido Verde, Brasil
Membro da Comissão Nacional Executiva
Movimento OndAzul, Salvador, Brasil
Fundador
1990-2002 Fundação OndAzul, Brasil
Presidente
1995-2002 Comunidade Solidária, Brasil
Integrante do Conselho
1996 Instituição do Fundo Nacional da Música (FNM) —
Ministério da Cultura
Integrante do Conselho
1996-2002 Festival Internacional de Percussão (PercPan), Salvador, Brasil
Diretor artístico
1999-2001 Entidade Afoxé Filhos de Gandhy, Salvador, Brasil
Vice-presidente
2003-2008 Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ministro da Cultura
Prêmios e condecorações
1981 Medalha Anchieta e Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, Câmara Municipal de São Paulo,
Brasil
1986 Golfinho de Ouro, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
1990 Título de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, Ministério da Cultura da França
Comendador da Ordem do Rio Branco, Brasília, Brasil
Prêmio Shell de Música
1994 Prêmio Sharp de Música
1997 Ordem Nacional do Mérito, Paris, França
1999 Prêmio Grammy de World Music
Ordem do Mérito Cultural, Ministério da Cultura, Brasília, Brasil
Artista da UNESCO pela paz, ONU, Paris, França
2001 Prêmio Grammy Latino
Prêmio Grammy de Best World Music Album
Embaixador da FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura, Roma, Itália
2003 Comendador da Ordem das Artes e Letras da França,
Paris, França
2005 Polar Music Prize — The Royal Swedish Academy of Music Award
Prêmio Grammy de Best World Music Album
Principais livros editados sobre:
1972 Expresso 2222, editora Corrupio, organização de Antonio Risério
1982 Literatura comentada: Gilberto Gil, editora Abril Educação,
por Fred Góes
1988 O poético e o político, editora Paz e Terra, por Antonio Risério e Gilberto Gil
1992 Songbook Gilberto Gil, editora Lumiar,
organização de Almir Chediak
1996 Gilberto Gil: todas as letras, editora Companhia das Letras,
organização de Carlos Rennó
1999 GiLuminoso: a Po.Ética do Ser, editora UNB, por Bené Fonteles
Ensaio Geral, Universal Music, por Marcelo Fróes e Carlos Rennó
2000 A imagem do som, vol. 3, editora Francisco Alves,
por Felipe Taborda
2002 O Viramundo, Warner Music, por Marcelo Fróes
Gil 60: todas as contas, fotobiografia comemorativa dos sessenta anos do artista, editora Gege Edições, organização de Priscila Casaes Franco e Bené Fonteles
Gilberto Gil (coleção Mestres da música no Brasil), editora Moderna, por Mabel Velloso
2003 Gilberto Gil: todas as letras (edição revista e ampliada), editora Companhia
das Letras, organização de Carlos Rennó
2004 Gilberto Gil: I´immaginazione al potere, editora Arcana (Itália), por Silvia Boschero
2006 Gilberto Gil: Gil em verso, Quasi Edições (Portugal), organização de Manuel Jorge Marmelo
2008 Gilberto Gil, coleção Encontros, editora Azougue Editorial, organização de Sergio Cohn
2011 Jangada digital, editora Azougue Editorial, por Eliane Costa
2013 Cultura pela palavra: coletânea de artigos, entrevistas e discursos dos ministros da cultura 2003-
2010, editora Versal Editores, por Gilberto Gil e Juca Ferreira
Filmes realizados sobre:
1976 Doces Bárbaros, direção de Jom Tob Azulay
1983 Corações a mil, direção de Jom Tob Azulay
1996 Gilberto Gil: especial 30 anos — Tempo Rei, direção de Andrucha Waddington e Lula Buarque de
Hollanda
1998 Pierre Fatumbi Verger, direção de Lula Buarque de Hollanda
2000 Filhos de Gandhy, direção de Lula Buarque de Hollanda
2001 Viva São João!, direção de Andrucha Waddington
Discografia
1967 Louvação, Philips
1968 Gilberto Gil, Philips
Tropicália ou Panis et Circencis, Philips
1969 Gilberto Gil, Philips
1970 Copacabana Mon Amour (trilha), Philips
1971 Gilberto Gil, Philips
1972 Expresso 2222, Philips
1973 Barra 69 — Caetano e Gil ao vivo na Bahia, Philips
1974 Cidade do Salvador, Philips
Temporada de verão — ao vivo na Bahia: Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil, Philips
Gilberto Gil ao vivo, Philips
1975 Gil Jorge Oxum Xangô, Philips
Refazenda, WEA
1976 Doces Bárbaros, Philips
1977 Refavela, WEA
1978 Refestança, Som Livre
Antologia do samba-choro: Gilberto Gil & Germano Mathias, Philips
Gilberto Gil ao vivo em Montreux, WEA
1979 Nightingale, WEA
Realce, WEA
1981 A gente precisa ver o luar, WEA
Brasil — João Gilberto, Gil, Caetano e Bethânia, WEA
1982 Um banda um, WEA
1983 Extra, WEA
1984 Quilombo (trilha), WEA
Raça humana, WEA
Dia dorim noite neon, WEA
1987 Gilberto Gil em concerto, WEA
Ao vivo em Tóquio, WEA
Soy loco por ti, América, WEA
1988 Um trem para as estrelas (trilha), WEA
1989 O eterno Deus Mu dança, WEA
1992 Parabolicamará, WEA
1993 Tropicália 2, Poligram
1994 Gilberto Gil Unplugged, WEA
1997 Quanta, WEA
1998 Quanta gente veio ver, WEA
2000 Gilberto Gil e as canções de Eu Tu Eles (trilha), WEA
2000 Gil & Milton, WEA
2001 São João vivo, WEA
2002 Kaya N’Gan Daya, WEA
2003 Kaya N’Gan Daya ao vivo, WEA
2004 Eletracústico, WEA
2006 Balé de Berlim, WEA
Gil Luminoso, Geleia Geral/Biscoito Fino
2008 Banda larga cordel, Geleia Geral/WEA
2009 BandaDois, WEA
2010 Fé na festa, Geleia Geral/Universal
Fé na festa ao vivo, Geleia Geral/Universal
2012 Concerto de cordas & máquinas de ritmo,
Geleia Geral/Biscoito Fino