Golpe de Amor

Anne K. Silva · Capítulo 10 de 14

Páginas do PDF

Golpe de Amor

Capítulo 9

 

Lia Carneiro

 

Trigésima semana de gravidez. Minha barriga coça, me empanzino de cremes e óleos para não me entregar a coceirinha que surgiu. Ainda tenho que ouvir minha mãe falar que caso não me besunte de creme e óleo ficarei cheia de estrias.

No trabalho, fui colocada apenas no caixa, já que Janaina não queria uma mulher muito grávida andando pela livraria e subindo em escadas para retirar livros do alto. Eu também não subiria. No entanto, ficar tanto tempo sentada tem deixado minhas pernas ainda mais inchadas. Levi tem se mostrado um príncipe. Alguns faz questão de vir me ver apenas para fazer massagens e me trazer comidas gostosas. Como hoje.

Estou diante de uma cesta cheia de frutas e chocolate e creme branco para fondue.

— Está tão lindo que estou com pena de abrir, amor. — falo e Levi me encara sorrindo. Sabe que mesmo achando lindo essa caixa não irá durar duas horas. O que posso fazer? Repolhinho Carneiro Costa desejava algo doce.

— Está bonito e deve estar gostoso. Mas não mais gostoso do que eu. — Levi brinca.

— Às vezes é muito convencido. Quando eu terminar de comer tudo isso estarei do tamanho de uma vaca.

Ele sorri. Meu noivo adora rir de tudo que falo.

— Não estará como uma vaca, estará como a grávida linda e gostosa por quem me apaixonei.

— Não se apaixonou por uma grávida. Você me engravidou para casar comigo, confessa.

— Claro. O que acha que pensei ao entrar na livraria e te ver? Sabia que seria minha.

— Até parece. Tivemos milhares de encontros até finalmente conseguirmos ir para cama. — digo.

— Sexo não é tudo, sabe disso. Eu te amo por quem é.

— Continua me elogiando, o repolhinho está gostando. — falo.

— É a mãe mais indecisa e perfeita que RC terá.

— Não sou indecisa.

— Decidiu sobre o parto? — pergunta.

— Óbvio que não. Ainda não consegui sair da parte em que penso que toda a equipe estará olhando a Joana enquanto o Repolhinho nasce.

— Quem é Joana? — Levi pergunta e sorrio. — Não acredito que deu um nome para sua vagina. E um nome de uma mulher.

— Queria um masculino? Já pensou em dizer, amor vou beijar Carlão? - pergunto e Levi rouba-me um beijo.

Sorri ao sentir o gosto do chocolate em minha boca. Levi é um quase uma formiguinha. Só perde para mim.

— A gravidez te deixou lou... — começa e o olho brava. Cansei de ouvir que a gravidez me deixou surtada. Então se Levi terminar a frase serei uma grávida, louca e presa. — criativa. Muito criativa, Lia. — Muda e decido perdoar seu erro.

— Amor, você que é médico... preciso amar o parto normal? Para ser uma boa mãe e tudo mais? — pergunto em dúvida. Mamãe já me falou tanto da dor de morte que já estou com medo de parir e deixar o moleque órfão.

— Amor, o parto é opcional...

— Acha mesmo que essa criança vai decidir se quer viver para sempre dentro da minha barriga, no meu útero, empurrando minha bexiga ou se vai nascer? — interrompo-o e Levi sorri.

— Se me deixasse terminar ouviria que o parto é uma opção sua. Natural, cirurgia, em casa, numa banheira, num hospital. Você decide junto com a equipe médica. A mulher decide. De toda forma, parto é mágico.

— Até parece. Já viu vídeos de partos? Mamãe insiste em dizer que é uma "dor de morte", mas que é a coisa mais linda que viverei.

— Esqueça essa associação. Vai trazer para nossos braços o RC. Conheceremos o cheiro, o rosto dele. Tocaremos, ouviremos seu choro. Não dê ouvidos a cobranças e relaxe. Você decide como irá dar à luz.

— Eu realmente gostaria de acreditar nisso, no fim, quem decide é o bebê. Acha que não sei? Isso é louco. Passo nove meses planejando e no fim Repolhinho quem dirá como será.

— As belezas do parto.

— Vai querer ver? Eu acho que não desejo que veja. Já basta toda aquela gente com o rosto bem no meio da Joana esperando Repolhinho sair e então você a olha e nunca mais vai querer transar comigo.

Levi gargalha. O som de sua risada é alto e natural.

— Para Lia. Eu vou querer transar com você por toda a minha vida. Todos os dias. Não vai ser o parto que mudará isso.

— Promete que mesmo que Repolhinho permita que seja um parto natural, não vai colocar seu lindo rosto lá?

— Prometo.

— Nada de sair do meu lado.

— Jamais sairei do seu lado.

— Então vou começar a pensar no parto. — falo como se realmente não pensar no parto fosse uma opção.

Se essa criança entrou, precisará sair.

Eu só espero que saia de forma tão leve como quando entrou.