Golpe de Amor

Anne K. Silva · Capítulo 14 de 14

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Golpe de Amor

Epílogo

 

Lia Carneiro

 

Cinco meses depois

 

Respiro fundo pronta para o segundo desafio mais enlouquecedor da minha vida. O primeiro foi a maternidade.

Casar-me é algo louco, sei que nem sempre teremos dias felizes e que haverá brigas, mas sinto-me tão pronta para esse passo. Pronta como nunca achei que estaria. A maternidade é um desafio constante, amar o Otto é o que sei fazer de melhor. Eu daria minha vida por aquele pequeno, e cada sorriso babão que me dá me faz sorrir e chorar de emoção.

Amar Levi é tão tranquilo, recompensador. É como estar nas nuvens, embora eu nunca tenha estado em uma. Desde que Otto nasceu, Levi e eu vivemos juntos, por isso esse momento é mais para oficializar um sonho antigo, para provar a minha mãe que o golpe de Levi deu certo.

Olho para o meu filho vestido com um terno feito especialmente para ele e sorrio. Tão lindo, a cara do pai. E eu jurava que seria parecido comigo. Nem a personalidade puxou a minha. Otto é tão Levi que às vezes me assusta. Espero que o próximo golpe seja ao menos parecido comigo.

Sorrio com o choramingo do meu filho. Acho que algo de mim ele puxou. A impaciência. Por mim, já estaríamos na igreja, mas não. Dona Claudete me fez prometer que daria um chá de cadeira em Levi e o deixaria me esperando. Estamos há quase uma hora, começo a achar que meus pais não me levarão a igreja. Estou quase pedindo um Uber quando ela aparece e diz que estamos prontos.

Durante o caminho agradeço o vestido que visto ser leve e não tão tradicional, assim consigo amamentar Otto. O percurso não é longo, por isso, logo preciso me recompor. A entrada da igreja pequena está linda, cheia de flores coloridas. De braços dado ao meu pai, respiro fundo e dou os primeiros passos que me unirão para sempre ao homem que amo.

A igreja está lotada me fazendo lembrar o quão difícil foi fazer a lista de convidados, mas aqui estamos nós. Com várias pessoas se espremendo nos bancos da igrejinha que mamãe adora só para que eu possa me casar com Levi.

O caminho até Levi é pequeno, mas sinto que durou uma eternidade. Meu pai entrega minha mão a ele recebendo um sorriso cheio de gratidão em troca. Levi é grato por eu amá-lo e sinto-me igual.

— Irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para celebrar a união de Levi Costa e Lia Carneiro. O amor meus irmãos, é algo sublime. Não o escolhemos, somos escolhidos por ele. E Lia e Levi foram escolhidos para viver um amor puro e único. Levi, aceita casar-se com Lia Carneiro para amar e respeitar, ser fiel, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza até que a morte os separe?

— Sim, padre.

— Lia Carneiro, aceita casar-se com Levi prometendo amar e respeitar, ser fiel, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza até que a morte os separe? — pergunta.

— Sim, padre.

— Há alguém que se oponha a esse casamento? — questiona a igreja e ouço Otto chorar. — Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar sua esposa, Levi.

Viro-me para meu marido e sorrio.

— Antes, gostaria de dizer que a amo mais hoje do que te amei ontem. E amanhã irei amar mais do que hoje e assim será todos os dias porque tive a sorte de ser escolhido por você. Você foi o golpe mais bonito que eu já dei. Agradeço a Deus todos os dias por ter entrado na livraria naquele dia, agradeço por ter aceitado sair comigo. Eu te amo.

— Beije-me longo, doutor. — falo e ele sorri.

O beijo suave me faz suspirar. Amo Levi com todo meu coração, amo Levi com minha alma.

— Obrigada por ser o golpista mais amoroso, dedicado e lindo que conheço. Pode roubar meu coração todos os dias.

— Pronta para mais um golpe? — pergunta me fazendo sorri.

— Se isso significa que iremos pular a festa e fugir para nossa lua de mel, estou mais do que pronta.

Levi pega minha mão e caminha para fora da igreja comigo. A festa no salão segue animada, mas totalmente do nosso jeito. Quando a música que pedi começa a tocar, Levi me leva para o meio do salão cheio de luzes e flores. Segurando minha mão, ele me gira e não consigo não sorrir. Que sorte a minha o ter encontrado.

Sou puxada para os braços do homem que amo.

— Lindo, carinhoso e meu. Que golpe você me deu. — brinco.

— O golpe mais bonito que poderia receber. — fala sorrindo.

— É, nunca pensei que o receberia, sou grata por tê-lo recebido.

A risada gostosa de Levi me faz sorrir. Ele me rodopia mais uma vez e começa a cantar:

 

Amo tanto a tua voz

Igualmente o teu sorriso, amor

E pra minha sorte você fala sorrindo

Meu mundo gira até menos veloz

Pra eu te admirar e ver você em nós

De fato, puro destino.

Eu descobri ao te ouvir

Que você é a música mais linda que eu já senti

Eu te encontrei

E percebi que você era tudo que faltava em mim

E agora eu entendi

Porque não deu certo com ninguém até aqui

Tão particular quanto nós dois

Todos os detalhes e razões

Que me fazem chamar o teu abraço de abrigo

Não é pra me gabar ou coisa assim

Mas só pra te contar o quanto eu sou feliz

Que sorte ter você comigo

Eu descobri ao te ouvir

Que você é a música mais linda que eu já senti

Eu te encontrei

E percebi que você era tudo que faltava em mim

E agora eu entendi

Porque não deu certo com ninguém até aqui [i]

 

Continuamos rodopiando, sorrindo e nos beijando enquanto minha música favorita toca para nós. O amor chegou em minha vida totalmente por acaso, mas ele permaneceu graças as escolhas que Levi e eu fizemos. Nosso pequeno golpe está cochilando quando caminhamos até meus pais, agradecendo por olharem nosso bem mais precioso.

Juntos, pegamos um Otto totalmente adormecido e embarcamos para nosso destino preferido. A felicidade.

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