Golpe de Amor
Capítulo 1
Lia Carneiro
Quando entramos em um relacionamento passamos a viver um grande clichê.
A gente se apaixona e tudo aquilo que criticamos passa a fazer parte dos nossos planos. Com o coração cheio de amor queremos construir uma vida com a pessoa que está ao nosso lado. Queremos um futuro, uma família. Filhos.
Tudo bem, nem todo mundo começa a pensar assim só porque encontrou o amor da sua vida, mas eu pensei. Conhecer o Levi mudou minha vida. Eu era apenas uma vendedora de livros apaixonada por romances, e talvez a mudança dos meus planos venham daí. Afinal, eu, Lia Carneiro, vivia dizendo que filhos era algo para um futuro distante e que nem mesmo um homem completamente apaixonado me faria mudar de ideia.
Então Levi chegou, arrebatou meu coração, acendeu todo meu corpo e eu esqueci que embora a corrida seja complicada, sempre há chance de um espermatozoide esperto chegar a um óvulo sacana.
E agora... Bum!
Há um bebê dentro de mim.
Mas eu falei que meus planos mudaram, certo?
Pois é, quando Levi me conquistou com aquele jeito conquistador barato dele tudo em mim mudou. Ele era bonito, inteligente, simpático, tão educado que meu útero coçou apenas pelo modo como se dirigiu a mim. Eu devia ter desconfiado dele quando pediu um livro sobre crianças.
Que homem entra em uma livraria e pede um livro sobre crianças? Nenhum que eu tivesse conhecido antes, mas então Levi chegou.
Em nosso primeiro encontro descobri o porquê. O maldito disse em tom amoroso: sou pediatra. E eu me derreti.
Eu me derreti, porra!
O primeiro encontro levou ao segundo que levou ao terceiro e assim sucessivamente. Em todos conversávamos como se fôssemos melhores amigos. A minha alma reconheceu a de Levi e lá no décimo encontro onde já não aguentávamos mais nem nos olhar, transamos.
Falei que ele acendeu meu corpo, não foi? Que homem. Um toque dele e minha pele arrepiava, minha calcinha molhava e eu ficava pronta para dar a ele quando e como quisesse.
Levi foi o único a fazer com que me sentisse assim. Ele arrebatou meu coração, acendeu meu corpo, roubou minha alma e me fez gritar como nunca.
Depois disso não paramos.
Levi, o pediatra sacana chegou em meu trabalho e me pediu um livro chamado "aceita namorar comigo?". Segundo ele, o livro era um presente para a namorada.
O olhei tão cheia de ódio por me fazer ser amante e me tornar uma pessoa suja que ele recuou dois passos.
Lembro que perguntei qual autor do livro, já que eu, leitora voraz, perseguidora de autoras nas redes sociais nunca ouvi falar daquele título.
O espertinho voltou a se aproximar e soltou:
— O autor se chama Levi Costa. A personagem principal se chama Lia Carneiro e embora seja maluco, eles ainda vão construir todo o enredo dessa história.
Voltei a olhar Levi, agora surpresa. Ele queria uma resposta e eu estava em choque. Um médico lindo e gostoso queria namorar comigo, a vendedora de livros gostosa. Porque sim, eu sou gostosa.
Saí do balcão separado para as buscas de livros e parei a sua frente. Sorri. Eu estava apaixonada.
— Eu aceito construir essa história, Levi. — disse e o beijei apaixonadamente.
Todos os meus colegas bateram palmas empolgados, até que minha gerente nos parou.
— Que lindo, aceitou o pedido, agora volta ao trabalho, Lia. — pediu sem um pinguinho de humor. Já Levi, me olhou sorrindo.
— Pedido nenhum pouco romântico, eu quase te matei. E não tenho direito a cela especial, já que segundo minha mãe estraguei tudo ficando presa em uma livraria. — falo zombando um pouco de nós, de nossas “diferenças”.
— Achei que por ler romance você seria mais doce, amor. — brinca me fazendo sorrir.
— Vendemos romance, mas nem sempre há romance por aqui. Se prepare para conhecer minha mãe. Já posso dizer que te amo?
— Se você sentir que me ama pode. — responde.
— Eu te amo. Agora eu realmente preciso voltar a trabalhar.
— Escolhi um dia ruim.
— É, se tivesse pedido a noite estaríamos juntos na sua cama enorme. — falo tentando provocá-lo.
— Lia, o caixa. — minha chefe volta a me chamar e faço uma careta horrorosa. Levi sorri. Rouba um beijinho e então de vai.
Foi assim que meu casinho virou namoro.
Suspiro, volto para a livraria e nada mais importa.
Mas isso também não importa aqui, afinal, essa história não é sobre como um médico gostoso se apaixonou por uma vendedora de livros gostosa, não é?
É sobre como ele a engravidou.