Golpe de Amor

Anne K. Silva · Capítulo 8 de 14

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Golpe de Amor

Capítulo 7

 

Lia Carneiro

 

Vigésima terceira semana de gravidez e sinto como se a minha vida fosse uma loucura. Há uma beringela dentro de mim. Uma beringela capaz de fazer comer coisas que nunca gostei e de odiar coisas que sempre amei.

Levi tem estado cada vez mais presente, mesmo que dona Claudete continue pegando em seu pé. Alguns banhos voltaram a acontecer, o motivo era a demora. Segundo minha mãe, ficávamos muito dentro do carro, já que estávamos noivos e com um bolo assando no forno que fôssemos namorar dentro de casa.

Entramos, mas só para não poder namorar. Levi me deu um beijo durante toda a noite, e cada vez que insinuávamos nos beijar, dona Claudete, vulgo Cecília, começa a perguntar sobre pediatria, crianças, novelas e acreditem, até meu trabalho. Ela, que detestava minha função, vivia me perguntando sobre as vendas que faço, quais livros estão em alta. Tudo para que os beijos não rolassem soltos.

Entro no apartamento de Levi em um domingo e quase suspiro. Recebo um abraço apertado e um carinho na barriga.

— Estava tão cansada e com tanta saudade. Uma semana sem te beijar parece um ano. — falo.

— Sua mãe sempre tem um plano na manga para nos manter longe.

— Agora diga-me, do que adianta proibir nossos beijos se já temos Berinjela crescendo dentro de mim? Como ela acha que ele entrou? Por telepatia?

Levi gargalha.

— Você deve ter entrado na livraria me visto e pensado: aquela vendedora gostosa deve ser a mãe do meu filho. Vou seduzi-la quando ela menos esperar haverá uma berinjela dentro dela.

Mais risos ecoa pelo lugar.

— E pior que foi por sem esperar, amor. — fala e me beija.

Que saudade de o beijar.

— Por que parou de me beijar? Estou em abstinência e preciso de muitos deles.

— Porque quero que veja algumas ideias para o quarto de Berinjela.

— Você podia ser um namorado normal e dizer que é estranho chamá-lo dessa forma. Já que ele escuta, deve estar com crise de identidade.

— Amor, você é única.

— Único para mim é você.

— Que doçura. O que deseja hoje? — pergunta zombando, já que sempre o elogio com excesso de açúcar quando quero algo.

— Quero todos os beijos que me impediram de receber, mas já que você quer me mostrar o quarto de Berinjela. — dou de ombros.

— Que tal vermos o tamanho do quarto, algumas ideias que recebi da decoradora e então irmos para o meu quarto.

— Há algo interessante no seu quarto? Porque no de berinjela há.

— Há um noivo que pode te beijar.

— Não sei. Beijo é algo muito comum. — brinco.

— Faço o que quiser, mas para isso precisamos ir logo.

O sigo pelo apartamento. O quarto separado para o bebê é grande. Maior do que meu quarto atual na casa dos meus pais. Bebê privilegiado.

— E aí, o que achou do tamanho?

— Ideal para perdemos ele dentro. Uma hora para achar.

— É grande demais? O outro segue o mesmo padrão. Quando tudo estiver aqui faltará espaço.

— Só uma dúvida, caso encha esse quarto de brinquedos, quem vai limpar?

— Juro que limpo.

— Ah, fala sério. Você não limpa nada. Vai bagunçar tudo. Meu filho será organizado.

— Se puxar a você será tão organizado que se perderá no quarto e realmente, teremos um ano para encontrar a criança.

— Falando assim você está merecendo um banho gelado. Acho que minha mãe pode ajudar.

Sorrimos nos olhando, olhando o quarto. Já posso ver mapas e letras pelas paredes. Algo sobre descobrir o mundo e através de livros.

— Pensei em balões, ursos, talvez alguns animais.

— Se for menina decoro tudo, se for um menino, faz como quiser. O que acha? — pergunto.

Levi aperta minha mão em um acerto silencioso. Coitado, nem sabe que ganharei. Já pesquisei no Google formatos de barrigas de grávidas e fiz todos aqueles testes que avós faziam. Todos davam menina. Vem uma berinjela aí e Levi nem sabe disso.

Certa de que vou vencer essa, sigo para o quarto do meu noivo. Deito-me em sua cama grande e confortável e sorrio. Por alguns minutos o vejo me olhar. Estou deitada em sua cama o observando parado na porta do quarto. Levi, parado encarando-me como se visse de perto a razão de sua felicidade.

Meu sorriso aumenta quando meu noivo, médico, gostoso resolve entrar no quarto e ir tirando a roupa.

Eu estou no paraíso desde o dia em que saí com ele a primeira vez. Isso eu nunca posso negar.

Abençoado sejam os primeiros encontros.