Golpe de Amor
Capítulo 8
Lia Carneiro
Meus seios estão grandes e parecem que não param de mudar. Segundo Levi, isso não é e nunca será um problema, não imagino o porquê.
Minhas noites se tornaram agitadas, os sonhos me dominam. Eles passam dos mais tranquilos aos mais loucos e intensos, tornando minhas noites inquietas.
A barriga é tocada a cada cinco minutos. Por conhecidos e desconhecidos. Parece que meu bebê assinou um termo de patrimônio público e minha barriga se tornou um bem coletivo. A cada minuto ou hora há alguém querendo tocar, saber se o bebê já se mexe, se já sabemos o sexo ou se já tem um nome.
Entre as muitas indecisões que me acompanham nessa gestação, a maior delas até agora é saber o sexo. Há dias que acordo querendo saber, há dias que não quero. Então novamente, decidido que desejo e logo mudo de ideia. Levi me pediu para tomar uma decisão e focar nela, como se fosse realmente fácil. Não sei se quero saber ou se quero uma surpresa. Mas e se for surpresa e nada combinar?
— É tão difícil escolher. — falo e Levi me olha.
— É só ponderar. Gosta de surpresa? — pergunta como se não soubesse a resposta.
— Não todas.
— Quer montar o quarto específico ou geral?
— Específico. Geral ficará tão frio, como se não fosse realmente dele ou dela.
— Já sabe a resposta.
Volta a focar no livro sobre crianças que foi comprar pela segunda vez.
— Ok. Saberemos.
— Graças a Deus! — resmunga e para irritá-lo passo as pernas inchadas em cima dele e do seu livro.
Uma semana e finalmente descobrimos o sexo do nosso bebê. Há um menino dentro de mim que cresce forte e saudável. Dona Claudete, vulgo mamãe, disse que sempre teve certeza já que segundo ela, meus cabelos estão brilhantes demais, minha barriga está pontuda e meus pés, que ela não tocou estão mais frios.
— Diz isso, mas até hoje de manhã ela pregava que havia uma menina dentro de mim. — falo e Levi sorri.
— Sabia! Devia ter apostado com a vizinha mexeriqueira. — minha mãe fala.
— Só se fosse para perder. — resmungo.
— O que disse, Lia?
— Que iria ganhar fácil essa.
— Claro que sim. Eu já fiquei grávida, sabia? Sei muito bem quando há um menino dentro de uma barriga linda como a sua. Agora, qual o nome do bebê da vovó?
— Couve Carneiro Costa.
— Ainda com isso de checar o tamanho do moleque? Precisa pensar em um nome, de preferência um que não tragam apelidos horrorosos. — diz.
— CC está de volta, filhota? — meu pai pergunta e sorrio.
— Está. Por algum tempo pelo menos.
— Esse bebê nascerá traumatizado. — minha mãe volta a falar.
— Mais do que todos nós, pelo visto. — Volto a resmungar.
Levi não consegue parar de rir. Sei que não faz por mal, eu não resisto e falo besteira e ele paga o pato, já que dona Claudete sempre acha que o pediatra bonitão está zoando com ela. Resultado? Travesseiradas.
Ele até se acostumou. Diz que não liga. Que é uma forma de amor.
Mas a mais linda e intensa forma de amor eu sinto mesmo é quando esse bebê se mostra dentro de mim. Quando isso acontece, sinto que não há intensidade maior do que amar alguém que nunca viu. Sinto que não há amor maior que esse.
Sentir e ouvir o coração desse bebê , é a forma mais linda de amor que eu já pude conhecer.
E também a mais louca.
O que seria da vida sem as pitadas de loucura, não é?
O que seria de mim sem meu CC?
Eu já não sei. E não desejaria saber...