Golpe de Amor

Anne K. Silva · Capítulo 6 de 14

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Golpe de Amor

Capítulo 5

 

Lia Carneiro

 

Já ouviu dizer que algumas pessoas não sabem mentir? Que demonstram demais que há algo errado? Com onze semanas de gravidez passei a ter medo de encarar dona Claudete, afinal, ela sempre dizia que mulheres sempre reconhecem quando outra mente, guarda segredos e estão grávidas. Meu medo dela descobrir era tamanho que passei não a encarar. Eu sei, péssima escolha para quem está mentindo. Mas ela achou que minha "fuga" era por causa de Levi. O que não era uma mentira.

Minhas roupas continuavam escondendo da minha mãe o que eu tanto temia contar. Já podia ver Levi sendo expulso de forma definitiva da minha casa, levando uma surra de vassoura e meu casamento indo por água abaixo.

Eu não queria isso. Embora ele estivesse há várias semanas dizendo que respeita todas as minhas decisões, inclusive a escolha de manter em segredo, eu sabia que também não queria viver esse cenário.

Fujo de casa mais uma vez sem o café da manhã. Não quero passar mal e entregar tudo, graças a isso tenho aproveitado para comer no café em frente à loja.

Em alguns dias Levi me encontra, outros acabo com os desconhecidos que já sabem tanto da minha vida que se tornaram capazes de opinar, pois é, o que o não fazemos no desespero, não é? Levi senta-se ao meu lado de repente, fazendo-me pular de susto, já que não o esperava.

— Está devendo, Lia? — pergunta sorrindo de modo brincalhão.

Que homem bonito!

— Estou devendo a verdade a minha mãe.

— Poderíamos contar. Acho que agora pode ser o momento.

— Ela seria presa, você seria morto e eu estaria viúva antes mesmo do nosso casamento sair.

Levi gargalha. Já disse o quão lindo esse homem fica quando sorri de forma livre e espontânea? Pois ele fica.

— Está frio hoje, não? — mudo de assunto.

— Está. Está bonita nesse casaco de frio do polo norte. — zomba.

— Estou aquecendo Couve Carneiro Costa. Onze semanas, e ainda assim, nosso bebê não se livrou do apelido de CC.

— CC é lindo.

— Fala por você, que nunca ouviu um "bééé" ao ouvir seu nome sendo chamado na escola.

— Mas já ouvi um "frente".

Fico sem entender.

— Costa, amor. — Tenta explicar a piada.

— Era para ter graça? — pergunto séria e ele me puxa para um beijo.

O gosto de chocolate quente em sua boca me faz suspirar.

— Precisamos contar. — fala.

— Ainda não. Viu o que aconteceu quando tentamos. Couve ainda é apenas um bebê desprotegido da loucura da mamãe.

— Coitado do CC. Gostou de ouvir o coração?

— O som mais lindo da minha vida. Não é loucura? Nem o conheço e acho que já é o dono do som mais bonito do mundo.

— Isso se chama amor. E ele te conhece. Conhece o papai. É um pequeno Couve de Bruxelas esperto e amado.

— Couve Carneiro Costa está desejando uma coxinha cheia de frango e catupiry. — falo e o olho.

— Você é uma graça sabia? Esse bebê ainda vai levar a culpa por muitos desejos seus.

— E como sabe se não é ele? Pague-me a coxinha ou seu filho nasceram com rosto de coxinha. Já percebi que o C nos segue? Cerejinha, Couve, Coxinha.

— Um sinal do universo.

— Pare de zombar, Levi. Quero a coxinha.

— Não deve ser de hoje. — resmunga.

— E daí, você não é de hoje e está na minha vida. Anda, Levi.

Insatisfeito, meu noivo pede o salgado e com uma carranca me ver comer de forma apaixonada uma coxinha da noite anterior.

O que amor não faz, não é? Como prova de gratidão e amor, beijo Levi. Quando me separo dele, suspiro.

— Que sorte a minha te ter.

Digo e exibo o sorriso mais doce que eu poderia ter. Doce, até que tudo dentro de mim se embrulha fazendo-me virar e vomitar quase aos pés do meu amor.