Golpe de Amor
Capítulo 12
Lia Carneiro
— Amor, aconteceu. — Aproximo-me de Levi na sala e ele me olha sem entender.
Há cinco semanas me mudei em definitivo para sua casa, que agora é nossa casa com a promessa de nos casarmos em até cinco meses após o bebê nascer.
— O que aconteceu? — pergunta tirando os olhos do livro que está estudando.
— O xixi.
— O que tem o xixi? — questiona ainda sem entender.
— O xixi que a mamãe tanto falava aconteceu e está doendo um pouquinho. — falo. Meu noivo entende o que quero dizer e sorri.
— Sabe que não é xixi, não é? A bolsa estourou. Está pronta para ir para o hospital?
— Se estivesse pronta não estaria dizendo que é xixi. Não estou pronta para esse bebê passar por Joana em frente a uma equipe gigante.
— Vai dar tudo certo.
— Diz isso porque não é você quem vai parir. Vai doer e vai ter gritos e sangue e...
— É um parto ou um filme de terror? — pergunta achando graça.
— Ainda não sei.
— Para de drama e graça Lia. O bebê vai nascer, vai ser um parto tranquilo e rápido.
— Promete?
— Prometo. — jura e confio nele. Acredito em suas palavras como se só isso bastasse.
— Ok.
— Quer ir para o hospital? — pergunta.
— Acho que ainda não.
— Então vamos para o banho.
Levi entra no chuveiro comigo. Logo em seguida coloca a equipe médica de prontidão. A madrugada se passa. Não consigo dormir. Ele também não. As dores não aumentam. São poucas.
Levi não prometeu que seria rápido?
Na metade da manhã, peço para ir ao médico. Já não aguento a demora.
A equipe me recebe prontamente. O médico pergunta o nível das contrações. Ainda tranquilas. Ele sorri calmo, diz que o parto tem seus mistérios e explica que há um tempo certo.
E então acontece, ou eu acho que algo acontece. As dores aumentam, mas após ser examinada, ouço que ainda não chegou a hora.
Se não era hora porque doíam tanto?
Vejo o médico sorrir e leio seus pensamentos. Não vai sair não doutor!
— Levi, tranca essa porra dessa porta e ninguém sai desse quarto até o bebê nascer. Eu quero que ele nasça agora, por favor. — peço olhando o médico e vejo quando Levi sorri. O MEU NOIVO SORRI.
— Ainda não está na hora, esse quarto não é a sala de parto. Vou checar outra grávida e volto logo. — o médico fala com um total de zero preocupação.
— Se esse bebê nascer quando não estiver aqui, vou processá-lo, doutor. Arrancarei suas cuecas e farei delas um quadro. Direi ao bebê que foram do médico que me abandonou em pleno trabalho de parto.
— Ok, Lia. Volto em cinco minutos.
E se vai. O filho da mãe se vai.
As dores aumentam, choro e sinto vontade de gritar. Olho para Levi. Tão centrado. Encarando-me.
— Agora entendo o que a mamãe quis dizer. Se aproveitou para armar tudo isso para mim.
— Do que está falando?
— Do seu plano para me deixar grávida.
— Não foi proposital.
— Nunca mais vou cair na sua lábia. Nunca mais vou transar com você.
— Amor, a gente vai se casar, acho que isso significa que teremos tanto sexo que outro bebê irá nascer.
Grito com a dor e olho para ele.
— Levi, amorzinho da minha vida, esse bebê nem saiu e já está planejando outro? Quantos golpes quer me dar?
— Só estou dizendo que sexo pode levar a filhos e que se não quer filhos
— É isso. Nosso casamento não terá sexo
As enfermeiras sorriem, Levi sorri, acho que até eu mesma queria sorrir. Mas então eu grito mais forte. O médico safado entra no quarto, olha mais uma vez para Joana e calmante diz que estamos prontos.
— Achei que estava desde a noite passada. — resmungo e sou levada finalmente a sala de parto. Levi fica ao meu lado, segurando minha mão. Como pedi, não ousa checar se o bebê está passando mesmo por Joana.
Grito mais algumas vezes e me questiono se meus ouvidos irão doer depois. Se os meus doerão, imagina o dele? É um longo tempo até que o bebê nasce. Tenho pena Joana que está há tanto tempo a mostra.
Caio para trás cansada. E resmungo.
— Disse que estávamos prontos e mentiu doutor.
O médico sorri, me mostra o bebê. Meu bebê. Fruto do golpe de um médico gostoso em uma vendedora de livros gostosa.
Depois de ser colocada no quarto para repousar, espero que o molequinho seja trazido até mim. Demora até o pequeno e cinza bebê seja trazido até a mamãe curiosa e o pai babão, mas tão bonito quanto um recém-nascido pode ser, ele chega até nós.
Levi e eu estamos sozinhos com ele. Pedimos a todos que aguardem que queríamos um momento só nosso e dele.
— Já pensou no nome? — pergunta.
— Já.
— E vai dizer em algum momento?
— Para de me apressar Levi. Estou admirando a beleza dele.
— É lindo...sua cara.
— Também achei. — falo empolgada.
— Pensei que diria que se parece comigo.
— Ah, não. Isso ia ser muito clichê. Ele é minha cara. Na verdade, ele não se parece com nenhum de nós. Tem certeza de que esse bebê é o nosso? — pergunto e Levi sorri.
— Absoluta.
— Então em breve saberemos com quem ele se parece.
— Aposto que será com você. — fala.
— Será? Será que puxará a mamãe, Otto? Espero que tenha a educação e gentileza do papai.
— E a graciosidade da mamãe, filho. Olha que lindo nome ela te deu?
— Lindo mesmo. Como ele.
— Nosso pequeno Otto. — Levi fala encarando o bebê.
Admiro-o admirando o filho. É tão lindo. Estamos apaixonados por Otto. Amando-nos com mais intensidade.
— Acho que te amo hoje mais do que te amava ontem. — Levi diz me fazendo sorri de forma apaixonada.
— E eu te amo mais a cada minuto.
— E juntos amamos o Otto.
— Demais. — falo olhando para o bebê em meus braços.
— Pronta para o próximo golpe?
— Pergunte-me em quarenta dias. — brinco, sabendo que sim, logo eu poderia estar pronta para um novo golpe.
Porque amar Levi é algo que eu faço com paixão. E ter filhos com ele... Ah, isso eu posso fazer com prazer.