Golpe de Amor

Anne K. Silva · Capítulo 5 de 14

Páginas do PDF

Golpe de Amor

Capítulo 4

 

Lia Carneiro

 

Nove semanas de gestação. Tenho dentro de mim uma cereja. A minha cerejinha. Só de pensar nesse bebê já sinto o coração errar todas as batidas e bater apressado. Ou seja, esse bebê pode me dar um ataque cardíaco antes mesmo de nascer. Um ataque graças ao amor que está nascendo em mim.

Saio da loja em que trabalho e dou de cara com Levi. Ele sempre que pode, me espera sair do trabalho. Acabamos jantamos juntos e ele sempre me leva em casa, para tomar banho de mangueira e água gelada.

Nada mudou.

— Pronta para jantar?

— Claro. Podíamos ir à pizza de seu João, não podíamos? — pergunto e Levi sorri. Acostumei o doutor a comer em uma pizzaria pequena de bairro.

— Sabia que nosso bebê está do tamanho de uma cereja? E que natação pode ser uma boa para grávidas? Acho que devo me matricular.

— Sabia. Esse é um momento importante para a formação de braços e pernas.

— Li no Google que ele começa a se movimentar, mas que não posso sentir. — falo amuada e Levi sorri.

— Também é um momento de seios sensíveis e grandes. Estou realmente fascinado pelo que a gravidez pode fazer a você.

Sorrio.

— Amo você sabia? E a Cerejinha Carneiro Costa. Péssimo nome filha. Na escola te chamarão de CC.

Levi gargalha.

— E olha, que o bullying está começando por quem deveria te amar. — falo.

— Amo você, CC. — Levi fala rindo.

Está adorando minhas loucuras que eu sei. Levi é um homem bem humorado. Quando percebo a sorte grande que tive, sinto vontade de agradecer ao universo. Inteligente, bonito, bem humorado e que gosta de ler? Quando eu acharia um homem assim fora dos livros?

Nunca. Talvez seja por isso que dona Claudete vive dizendo que estou no mundo da lua, apaixonadinha por uma ilusão.

Olho Levi estacionar na minha pizzaria favorita e suspiro. Não há nenhuma possibilidade de Levi ser uma ilusão. Ele é tão real, tão humano. O amor que sempre esperei viver. Saber disso me emociona. E os hormônios da gravidez me atacam. Começo a chorar dentro do carro.

Um choro doido, cheio de soluços. Levi se preocupa, insiste em saber se está tudo bem, se quero ir ao hospital, mas eu só consigo chorar e me agarrar a ele. E quando tudo passa, eu apenas o olho apaixonada.

— Eu percebi que você é o grande amor da minha vida.

O sorriso bonito que dá me encanta. Sou puxada para seus braços e sinto o perfume gostoso.

— Você também é o grande amor da minha vida.

— Obrigada pela paciência. Podemos jantar? — A gargalhada toma o carro.

— Vamos jantar, CC. Sua mãe só pensa na pizza do seu João.

— Não chama a Cerejinha de CC. Vai traumatizar.

Não consigo não me apaixonar pelo som forte de sua risada.

O jantar se passa rápido, como todo tempo ao lado dele passa, mas novamente, quando meu médico bonitão me deixa em casa, quando se despede de forma apaixonada de mim, quando carinhosamente se despede de CC entendo que sim. Levi sempre tornará meu dia mais leve. Sempre fará meu coração bater acelerado.

Percebo que Levi é o meu conto de fadas, mesmo que conto de fadas não existam.