Golpe de Amor

Anne K. Silva · Capítulo 7 de 14

Páginas do PDF

Golpe de Amor

Capítulo 6

 

Lia Carneiro

 

Há semanas tenho feito mais do que não encarar a minha mãe. Eu fugi. Há dias, muitos dias tenho dormido na casa de Levi. Maçã Carneiro Costa finalmente ganhou outro apelido, ao invés de CC, é agora MC.

Andar, pelo apartamento de Levi e pela livraria se tornou cansativo. MC rouba meu ar alguns vezes tornando difícil respirar fundo. No entanto, agora finalmente pareço uma grávida. Os sintomas chatos já estão passando e embora às vezes andar seja cansativo, a energia voltou.

Levi e eu falamos com MC com tanta frequência que esse bebê já sabe quem é quem. Comecei por acaso, mas Levi disse que ele podia ouvir então não parei. Agora, falamos com MC com muita frequência.

Essa fase da gestação tem me empolgado e quero comprar roupas que mostrem MC, mas para isso, preciso criar vergonha na cara e ir até minha mãe. Escolhemos um restaurante bonito e central para dar a grande novidade a mamãe.

— Acha que ela vem? — pergunto já que Levi e eu chegamos mais cedo.

— Ela virá.

— Se não vir, vai ser a prova de que não nos apoia.

O sorriso contido de Levi diz que ele sempre soube que ela nunca nos apoiou. Não é estranho? Acho que toda mãe iria desejar o melhor para sua filha e a minha acha que estou escolhendo errado.

Continuamos esperando, até que a vejo. Mamãe segue na frente de modo bravo enquanto meu pai, caminha tentando alcançá-la. Quando nos localiza, caminha até nós. Meu coração bate tão forte, sinto o ar faltar e minha mão suar.

— Finalmente apareceu, Lia Carneiro! — fala ao se sentar.

— Falamos por mensagem todo esses dias. — defendo-me.

— Está sumida porque está com medo de falar comigo, não é? Acha que não a conheço? Sinto muito ser sempre a mãe má e encrenqueira, mas a amo. Não precisa fugir de mim.

— Só...

— E outra, Lia, sei que Levi a ama. Sei que se amam. Mas... Só é difícil vê-la sair de casa e ser independente.

— Sinto muito. — digo sem saber exatamente pelo quê.

— Pode contar.

— Estou grávida.

— E acha que não sabia? Engravidei de você, Lia. Sei reconhecer as mudanças. E você? Nunca soube guardar segredos.

— Está chateada?

— No início fiquei. Esperava que fosse alguém...

— Eu sou alguém. — interrompo.

— Que finalmente entrasse na faculdade e quisesse mais da vida do que ler romances.

— Mas eu quero. Só não quero o mesmo que você. Quero trabalhar com livros, seja em uma livraria, uma editora, um sebo, qualquer coisa, porque essa é a minha paixão. Livros.

— Entendo.

— Não entende.

— Mas aceito. E está tudo bem. Também está tudo bem sobre sua gravidez. Pode voltar para casa. — ela me olha séria. — Não quer voltar para casa?

— Quero. Não sei. — confesso.

— Pode voltar para sua casa e marcamos o casamento, amor. O que acha? — Levi pergunta e digo que sim.

— Então me conte, como tem sido?

— CC ganhou um nove nome. Finalmente. Agora é MC e segundo Levi já pode nos ouvir. Estou feliz, empolgada. Os enjoos passaram e as crises de choro também.

— Igualzinha à sua mãe. Chorava como uma bezerra desmamada. — papai diz e sinto Levi travar ao meu lado. Ele quer rir. Eu sei que sim.

O jantar se passa com a promessa de que logo irei para casa. No entanto, deixo para o dia seguinte. No apartamento de Levi, não resisto.

— Amor, já viu bezerra desmamada chorar?

— Vejo uma todo dia.

— O que você falou, Levi?

— Que eu te amo todo os dias.

— Acho bom!

— Eu te amo minha bezerra desmamada chorona, mãe de Maçã Carneiro Costa, amor da minha vida.

— Eu te amo.

Posso estar mais sensível e chorona, mas o amo. E amo ter a Maçã dentro de mim.