Infância dos Mortos

José Louzeiro · Capítulo 10 de 10

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Infância dos Mortos

O Autor e sua obra

 

 

A infância de José de Jesus Louzeiro, maranhense de Gamboa do Mato, distante subúrbio de São Luís, onde nasceu em 19 de setembro de 1932, certamente não favoreceu o desenvolvimento intelectual do menino que viria a ser um dos mais pródigos escritores brasileiros da atualidade.

Filho de um pedreiro pobre, seguidor da seita mais sectária do protestantismo, a presbiteriana, onde tudo era pecado, o menino só tinha o estímulo da avó materna, que lia para ele e recomendava-lhe que estudasse. Quando estava no quarto ano primário, um acidente interrompeu seus estudos por dois anos, mas, em compensação, ligou-o para sempre aos tipos mais marginalizados da sociedade.

O acidente havia provocado uma ferida crônica em seu ouvido, e os médicos o desenganaram. Foi Umbelina, uma prostituta, inquilina de seus pais, quem sugeriu que o levassem à sua casa numa noite em que ela ia estar com um médico homeopata. José Louzeiro sarou e ficou eternamente grato às prostitutas e seus amantes.

Por influência da Igreja, o pai havia conseguido um emprego público de mestre de obras, e uma de suas funções era supervisionar o calçamento de ruas de São Luís, executado por presidiários. José ia levar o almoço do pai e, enquanto ele comia, ficava ouvindo as histórias dos crimes contados pelos próprios autores.

Aos vinte c um anos, depois de uma experiência como repórter no diário “O Imparcial”, de São Luís, foi para o Rio de Janeiro. Arrumou emprego em “0 Jornal”, e já estava achando que vencer no Rio não era tão difícil assim, quando alguém o alertou de que a empresa não costumava pagar seus empregados regularmente. Sem dinheiro, desenvolveu todas as artimanhas para sobreviver. Bancos de rodoviária, de aeroporto, albergues, e até pedir dinheiro na rua, tudo isso o ligou ainda mais aos marginais. Mas foi uma dessas experiências — a de dormir clandestinamente na Casa do Estudante do Brasil — que o aproximou de um grupo de intelectuais com quem tem amizade até hoje.

Com novos conhecimentos, conseguiu emprego, e chegou, em 1958, a copidesque do importante jornal “Correio da Manha” Nesse ano, publicou seu primeiro livro, “Depois da luta”, e iniciou uma trajetória que dali para a frente o faria passar várias vezes pelos principais jornais cariocas.

Em 1965, junto com outros jornalistas, editou “Assim marcha a família”, publicando matérias censuradas e sendo obrigado a responder inquérito policial-militar. Dez anos depois, publicou outro livro, “Lúcio Flávio, o passageiro da agonia”, e “Aracelli, meu amor”, apreendido pela Censura Federal e liberado em 1981.

De 1976 em diante, passou a se dedicar exclusivamente à literatura. “Infância dos mortos” (1977), que deu origem ao filme “Pixote, a lei do mais fraco”, “O estranho hábito de viver” (1978) (publicado pelo Círculo), “Em carne viva” (1980), “20° axioma” (1980) e “M-20” (1980), são alguns dos títulos de José Louzeiro, romances baseados em acontecimentos policiais verídicos, em que sempre são denunciadas as misérias da condição humana.

Sua tarimba de repórter e romancista leva-o a ser constantemente requisitado para escrever argumentos e roteiros de filmes. Entre os mais famosos, figuram “Os amores da pantera", “Amor bandido", “Lúcio Flávio, o passageiro da agonia", “O caso Cláudia" e “Pixote, a lei do mais fraco", que ganhou dez prêmios da crítica cinematográfica estrangeira, como o grande prêmio do Festival do Cinema Ibérico e Latino-Americano de Biarritz, França, e o de melhor filme estrangeiro, da crítica de cinema de Los Angeles.

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