O atendimento socioassistencial para crianças e adolescentes

Sobre a genealogia: saberes, poderes e sujeitos em produção

A Atenção Psicossocial se pauta por um viés crítico e politizante dos problemas sociais em geral, sendo que seu equacionamento integral passa necessariamente pela construção de uma cidadania radicalmente democrática e popular.

 

Sobre a genealogia: saberes, poderes

 

e sujeitos em produção

 

Outro plano de análise pode ser encontrado na perspectiva genealógica. Foucault (1999) desenvolveu a noção de “arquipélago carcerário”, expressando com essa ideia a difusão do poder disciplinar pelo tecido social. Parece ser uma hipótese interessante para estudar a emergência de estabelecimentos abertos e flexíveis para a gestão social de crianças e adolescentes considerados em “situação pessoal e social de risco”. Foucault afirmou que diversas outras instituições, bem além do direito penal, construíram o arquipélago carcerário: colônias agrícolas para adultos e crianças pobres, abandonadas e consideradas vadias; refúgios para tirar moças e meninas da prostituição; colônias penitenciárias industriais; orfanatos para crianças abandonadas ou indigentes; estabelecimentos para aprendizes; fábricas-conventos etc. Houve um alargamento dos círculos carcerários, e nessas instituições a prisão foi se diluindo lentamente, até desaparecer por completo. Surgiu também uma série de dispositivos que não reproduzem a prisão “compacta”, mas utilizam alguns dos mecanismos e técnicas carcerárias, tais como os patronatos, as obras de moralização, as centrais de distribuição de auxílios e vigilância, a construção de cidades operárias. Haveria uma grande organização carcerária que reúne todos os dispositivos disciplinares que funcionam disseminados na sociedade.