O Morgado de Fafe em Lisboa
Morgado
Assim, assim. Não me dou bem com ás comidas de Lisboa. Lá na minha hospedaria põem-me na mesa umas iguarias à francesa, que não tem senão casca e molho. A gente come daquelas fritangadas, e fica com vontade de comer e o estomago derrancado. Nós cá, os portugueses, sabemos comer muito melhor que os estrangeiros. Os franceses, por exemplo, não sabem o que é arroz de pato. As senhoras já comeram arroz de pato?
BARÃO
Pois não! na minha casa usa-se muito. Está Vossa Senhoria convidado para jantar hoje connosco. Há de ter o seu manjar favorito.
MORGADO
A que horas se janta cá em casa?
BARÃO
Á hora regular.
MORGADO
À uma hora? É do que eu gosto. Cá em Lisboa é costume jantar-se à hora em que eu ceio na minha terra, das cinco para as seis.
BARÃO
Pois essa é justamente a nossa hora; mas em atenção ao Sr. Morgado jantar-se-á mais cedo.
MORGADO
Não senhor, tudo se arranja; eu vou jantar à minha hora, e venho cear ás seis com o senhor.
BARÃO
Que tem feito nestes três dias, que não apareceu?