O Morgado de Fafe em Lisboa

Camilo Castelo Branco · Capítulo 24 de 53

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O Morgado de Fafe em Lisboa

Morgado

 

Assim, assim. Não me dou bem com ás comidas de Lisboa. Lá na minha hospedaria põem-me na mesa umas iguarias à francesa, que não tem senão casca e molho. A gente come daquelas fritangadas, e fica com vontade de comer e o estomago derrancado. Nós cá, os portugueses, sabemos comer muito melhor que os estrangeiros. Os franceses, por exemplo, não sabem o que é arroz de pato. As senhoras já comeram arroz de pato?

 

BARÃO

Pois não! na minha casa usa-se muito. Está Vossa Senhoria convidado para jantar hoje connosco. Há de ter o seu manjar favorito.

 

MORGADO

A que horas se janta cá em casa?

BARÃO

Á hora regular.

 

MORGADO

À uma hora? É do que eu gosto. Cá em Lisboa é costume jantar-se à hora em que eu ceio na minha terra, das cinco para as seis.

 

BARÃO

Pois essa é justamente a nossa hora; mas em atenção ao Sr. Morgado jantar-se-á mais cedo.

 

MORGADO

Não senhor, tudo se arranja; eu vou jantar à minha hora, e venho cear ás seis com o senhor.

 

BARÃO

Que tem feito nestes três dias, que não apareceu?