O Morgado de Fafe em Lisboa

Camilo Castelo Branco · Capítulo 31 de 53

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O Morgado de Fafe em Lisboa

Morgado

 

Não sei quando isso será; isto de mulheres é preciso escolhê-las com vagar, ia estudando-as e examinando-as à medida que vão aparecendo. Não há remedio senão casar tarde ou cedo, porque não quero que o vinculo dos meus avós passe para parentes. Tendo uma casa de lavoura, que rende quinze mil cruzados limpos e secos, e quero deixa-la ao meu sangue.

 

BARÃO (À parte.)

Que ideia!

 

MORGADO

Eu, não se me dava de casar, à proporção, com uma menina de boa gente, e que tivesse um palmo de cara simpático, porque, a falar a verdade, uma mulher bonita é coisa boa, Sr. Barão, e eu já li na novela de um grande matemático, que o homem sem mulher é como o peixe fora de água, e o meu mano frade é da mesma opinião.

 

BARÃO

Assim o entendo também eu. A vida de casados é o único estado em que, neste mundo, se encontra a sólida e verdadeira felicidade. Anda muito acertadamente, casando, meu amigo, e a senhora que o merecer, há de ser forçosamente feliz. Oxalá que a fortuna me depare a minha filha, marido tão digno como Vossa Senhoria

 

MORGADO

Isso são favores, senhor barão. A sua filha é criatura galante, e quando Deus me castigar, seja com ela assim. Mas, se quer que lhe diga, acho-a viva de mais. O meu irmão frade diz que as mulheres idiotas não provam bem...

 

BARÃO

Mas minha filha não é idiota.