O Morgado de Fafe em Lisboa
Morgado
Não sei quando isso será; isto de mulheres é preciso escolhê-las com vagar, ia estudando-as e examinando-as à medida que vão aparecendo. Não há remedio senão casar tarde ou cedo, porque não quero que o vinculo dos meus avós passe para parentes. Tendo uma casa de lavoura, que rende quinze mil cruzados limpos e secos, e quero deixa-la ao meu sangue.
BARÃO (À parte.)
Que ideia!
MORGADO
Eu, não se me dava de casar, à proporção, com uma menina de boa gente, e que tivesse um palmo de cara simpático, porque, a falar a verdade, uma mulher bonita é coisa boa, Sr. Barão, e eu já li na novela de um grande matemático, que o homem sem mulher é como o peixe fora de água, e o meu mano frade é da mesma opinião.
BARÃO
Assim o entendo também eu. A vida de casados é o único estado em que, neste mundo, se encontra a sólida e verdadeira felicidade. Anda muito acertadamente, casando, meu amigo, e a senhora que o merecer, há de ser forçosamente feliz. Oxalá que a fortuna me depare a minha filha, marido tão digno como Vossa Senhoria
MORGADO
Isso são favores, senhor barão. A sua filha é criatura galante, e quando Deus me castigar, seja com ela assim. Mas, se quer que lhe diga, acho-a viva de mais. O meu irmão frade diz que as mulheres idiotas não provam bem...
BARÃO
Mas minha filha não é idiota.