O Morgado de Fafe em Lisboa

Camilo Castelo Branco · Capítulo 3 de 53

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O Morgado de Fafe em Lisboa

Cena Ii

OS MESMOS, JOÃO LEITE, A BARONESA, E O MORGADO DE FAFE

 

BARONESA (Salte de uma porta lateral, quando os recém-vindos assomam à porta do fundo.)

Aqui está o senhor João Leito.

 

D. LEOCÁDIA

Que singularidade de homem é aquilo?

 

LEITE (Conduzindo o morgado ao barão, que se levanta.)

Sr. Barão, eu tenho a honra de apresentar a V. Exa. o meu particular amigo e um dos mais distintos e abastados cavalheiros da nossa província, o senhor António dos Amarais Tinoco Albergaria e Valadares, morgado de Fafe.

O BARÃO

Muito folgo de receber nesta casa o Sr. Morgado, o estimarei que a frequente com a familiaridade que torna precisas e agradáveis as relações. Quando chegou da nossa bela província?

 

MORGADO

Cheguei há três dias pela estrada a vapor, e acho que é bem engenhada aquela ideia. (Os dois ficam gesticulando.)

 

LEITE (Ás damas, a meia voz.)

O meu amigo é um puro provinciano, minhas senhoras. V. Exas terão de sufocar algumas vezes o riso. Porque o morgado tem a rústica franqueza da ignorância, e entra pela primeira vez numa sala cerimoniosa. (Recua.)

 

BARÃO

Senhor morgado, aqui lhe apresento minha mulher,

 

MORGADO

Passasse muito bem.

 

BARÃO (Recuando.)

Minha filha...

 

O MORGADO

Passasse muito bem. É galantina, benza-a Deus.

 

BARÃO

Estas três meninas, Iodas irmãs, minhas sobrinhas, filhas do meu primo, o conselheiro Alberto de Menezes, que se acha naquela mesa. (Cumprimentam-se; o morgado tem seguido acanhadamente o barão, de sorte que se acha fora do grupo das damas, quando entra António Soares.)