O Morgado de Fafe em Lisboa
Cena Ii
OS MESMOS, JOÃO LEITE, A BARONESA, E O MORGADO DE FAFE
BARONESA (Salte de uma porta lateral, quando os recém-vindos assomam à porta do fundo.)
Aqui está o senhor João Leito.
D. LEOCÁDIA
Que singularidade de homem é aquilo?
LEITE (Conduzindo o morgado ao barão, que se levanta.)
Sr. Barão, eu tenho a honra de apresentar a V. Exa. o meu particular amigo e um dos mais distintos e abastados cavalheiros da nossa província, o senhor António dos Amarais Tinoco Albergaria e Valadares, morgado de Fafe.
O BARÃO
Muito folgo de receber nesta casa o Sr. Morgado, o estimarei que a frequente com a familiaridade que torna precisas e agradáveis as relações. Quando chegou da nossa bela província?
MORGADO
Cheguei há três dias pela estrada a vapor, e acho que é bem engenhada aquela ideia. (Os dois ficam gesticulando.)
LEITE (Ás damas, a meia voz.)
O meu amigo é um puro provinciano, minhas senhoras. V. Exas terão de sufocar algumas vezes o riso. Porque o morgado tem a rústica franqueza da ignorância, e entra pela primeira vez numa sala cerimoniosa. (Recua.)
BARÃO
Senhor morgado, aqui lhe apresento minha mulher,
MORGADO
Passasse muito bem.
BARÃO (Recuando.)
Minha filha...
O MORGADO
Passasse muito bem. É galantina, benza-a Deus.
BARÃO
Estas três meninas, Iodas irmãs, minhas sobrinhas, filhas do meu primo, o conselheiro Alberto de Menezes, que se acha naquela mesa. (Cumprimentam-se; o morgado tem seguido acanhadamente o barão, de sorte que se acha fora do grupo das damas, quando entra António Soares.)