O Morgado de Fafe em Lisboa

Camilo Castelo Branco · Capítulo 39 de 53

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O Morgado de Fafe em Lisboa

Cena Viii

AS MESMAS, O BARÃO, e PESSANHA.

 

PESSANHA

Minhas senhoras... Como passou, prima Leocádia? O Sr. Morgado... Rijo e intrépido, como um português dos bons tempos, não é assim? Olhe que tem já em Lisboa reputação de rico e valente. Não lhe falta nada para se fazer querido das damas, e respeitado dos homens.

 

MORGADO

Em quanto a rico, tenho com que viver; a respeito de valentia, sou homem para o meu homem, e para dois, sendo necessário.

 

PESSANHA (Irónico.)

Estranho a seriedade com que se digna falar-me. Dar-se-á caso que eu incorra inocente no desagrado da vossa Senhoria? Não me condene, sem me ouvir.

 

BARÃO

O Sr. Morgado não pode ler motivo algum de queixa do primo Pessanha. Está triste, ao que parece; mas em quanto a mim, são saudades da sua terra. Adivinhei?

 

MORGADO

Não me sinto bom cá por dentro. Eu vou dar um passeio, e volto logo.

 

BARÃO

Já sei o que precisa. Ó meninas, vão lanchar com o Sr. Morgado, e Leocádia fica por alguns momentos connosco. Vá morgado. Tem excelente fiambre, apetitosas sardinhas de Nantes, excelente Porto e Bordéus. Vão, meninas.