O Morgado de Fafe em Lisboa
Cena Viii
AS MESMAS, O BARÃO, e PESSANHA.
PESSANHA
Minhas senhoras... Como passou, prima Leocádia? O Sr. Morgado... Rijo e intrépido, como um português dos bons tempos, não é assim? Olhe que tem já em Lisboa reputação de rico e valente. Não lhe falta nada para se fazer querido das damas, e respeitado dos homens.
MORGADO
Em quanto a rico, tenho com que viver; a respeito de valentia, sou homem para o meu homem, e para dois, sendo necessário.
PESSANHA (Irónico.)
Estranho a seriedade com que se digna falar-me. Dar-se-á caso que eu incorra inocente no desagrado da vossa Senhoria? Não me condene, sem me ouvir.
BARÃO
O Sr. Morgado não pode ler motivo algum de queixa do primo Pessanha. Está triste, ao que parece; mas em quanto a mim, são saudades da sua terra. Adivinhei?
MORGADO
Não me sinto bom cá por dentro. Eu vou dar um passeio, e volto logo.
BARÃO
Já sei o que precisa. Ó meninas, vão lanchar com o Sr. Morgado, e Leocádia fica por alguns momentos connosco. Vá morgado. Tem excelente fiambre, apetitosas sardinhas de Nantes, excelente Porto e Bordéus. Vão, meninas.